Análise Arkade: Iconoclasts é muito mais do que um MetroidVania

3 de fevereiro de 2018
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: Iconoclasts é muito mais do que um MetroidVania

Em uma primeira olhada, Iconoclasts pode parecer apenas mais um MetroidVania com visual pixelado 2D. Mas acredite, ele é muito mais que isso, e tem em sua história seu principal.

O que significa “Iconoclasta”?

Antes de começarmos o review propriamente dito, acho válido esclarecemos o que significa “Iconoclasta“.O termo vem dos vocábulos gregos “eikon” e “klasten“, que juntos significam literalmente “quebrador de imagens“.

A Iconoclastia faz alusão a um movimento político-religioso que houve no século VIII para tentar acabar com a adoração de ícones e imagens religiosas, sob a alegação de que a idolatria aos ídolos estava subvertendo os princípios religiosos que elas representavam.

Análise Arkade: Iconoclasts é muito mais do que um MetroidVania

Ou seja, ainda que “Iconoclasts” seja uma palavra que “soa legal”, ela na verdade chega carregada de significado histórico, e, embora no universo do game as coisas estejam inseridas em um contexto de ficção, o fato de nossa protagonista ser uma Iconoclasta indica que ela realmente está indo contra um sistema totalitário e opressor onde política e religião se misturam.

Sacou o que eu quis dizer ali no primeiro parágrafo? Iconoclasts é um MetroidVania, mas também se preocupa muito em contar uma boa história, na qual pessoas com mentalidades dogmáticas são forçadas a exercerem determinado papel na sociedade, sem livre-arbítrio ou liberdade de escolha. Nossa heroína Robin quer ser uma mecânica, mas terá que lutar para conseguir fazer o que gosta.

Era uma vez…

Uma garota chamada Robin, cujo pai era mecânico. Ela vive em um mundo repleto de maquinários antigos que só os mecânicos são capazes de operar, mas o One Concern — uma das “religiões” do game, que supre a população com o combustível Ivory — acha que essas máquinas não devem ser usadas levianamente, e para tentar impedir o contato das pessoas com estas máquinas ancestrais, decide “proibir” o ofício dos mecânicos, tendo seu próprio time de mecânicos autorizados para manter as coisas em ordem.

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Na sociedade regida pelo One Concern, as pessoas têm ocupações pré-estabelecidas: se o “sistema” acha que você deve ser um soldado, você só pode ser um soldado. Robin herdou a “chave inglesa” de seu pai e quer levar o ofício adiante, mas isso faz dela praticamente uma fora da lei, pois não é isso que o One Concern designou para ela. Se quiser exercer seu dom, ela terá que confrontar este dogma, o que irá colocá-la em contato com outras culturas e em confronto com os agentes que querem manter as coisas em ordem.

Ah, e além de tudo isso, a lua daquele mundo está “quebrada”, e isso pode gerar um cataclismo capaz de acabar com o planeta. Não é exatamente igual à treta da lua de Majora’s Mask, mas lembra um pouco.

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Repare na lua “quebrada” ao fundo.

Sem entregar spoilers, a história de Iconoclasts é impressionante e muito corajosa. O jogo se aproveita da ficção — e até do humor — para criar uma alegoria sobre os perigos que o “comportamento de manada” e a mentalidade dogmática podem causar. Não parece em uma primeira olhada, mas Iconoclasts é aquele tipo de jogo que faz a gente pensar e levantar questionamentos.

Gameplay afiado

Em termos de gameplay, Iconoclasts funciona como um MetroidVania bem tradicional: Robin possui uma arma simples para se defender de seus inimigos e sua fiel chave inglesa para interagir com mecanismos espalhados pelo cenário. Apertar parafusos pode acionar portas e elevadores, e boa parte dos puzzles do game aproveita esta habilidade de Robin em suas mecânicas.

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O mapa do jogo é vasto e expansivo, interligado através de túneis e escotilhas. Um detalhe interessante é que, ao contrário de outros jogos do tipo, aqui há eventos que podem alterar completamente certas áreas, mudando a forma com que você pode (ou não) acessá-las. Por exemplo, em determinado trecho da campanha, acompanhamos o descarrilamento de um trem. Ao voltarmos lá, o caos do acidente continua presente, e explorar as pilhas de vagões pode lhe conceder acesso à novas áreas.

O sistema de upgrades também foge um pouco dos padrões: enquanto outros jogos nos concedem diversos power ups e armas, aqui temos poucos equipamentos, mas que servem para várias coisas. As poucas novas habilidades devem ser equipadas em apenas 3 slots, e geralmente tornam-se vantagens passivas, como aguentar mais tempo debaixo d’água, por exemplo.

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No geral, o gameplay de Iconoclasts é simples e funcional, com environmental puzzles bem sacados e usos criativos para as habilidades mecânicas de Robin. Durante a exploração, você também irá encarar muitas batalhas contra chefes — boa parte deles robôs gigantes –, e estes combates são bem empolgantes, também fazendo um bom uso das habilidades da protagonista.

Deixo um pouco de gameplay + uma boss battle na sequência:

Bote um reparo especial na movimentação do boss, e na forma como seus canhões chacoalham conforme ele se movimenta. São detalhes e sutilezas que entregam o capricho ímpar deste jogo. E atenção ao detalhe: Iconoclasts foi todo produzido por uma pessoa só!

Audiovisual

Pois é, Iconoclasts foi todo feito por apenas um cara: Joakim Sandberg levou 7 anos para criar tudo no game. E quando digo tudo, é TUDO mesmo: ele cuidou do visual, da programação, do roteiro… até a trilha sonora foi ele quem fez, um esforço louvável que rendeu um jogo realmente único.

Há um capricho absurdo em cada pequeno elemento de Iconoclasts: as animações de personagens e inimigos são incríveis, os cenários são belíssimos… até os menus desse jogo são incríveis, cheios de elementos animados e detalhes bonitinhos.

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Experimentei o game tanto no PS4 quanto no Vita e em ambas as plataformas a beleza e fluidez do jogo impressiona. É comum a gente parar para admirar as paisagens de jogos grandiosos — tipo The Witcher 3 ou Horizon Zero Dawn — mas em Iconoclasts, vale a pena a gente parar simplesmente para apreciar os detalhes, animações e

Conclusão

Apesar de todo este capricho audiovisual de um homem só, no fim das contas o que realmente marca em Iconoclasts é sua história, muito mais profunda e questionadora do que parece. Iconoclasts é arrojado sem ser pedante, e narra uma história controversa de forma leve, até divertida.

Análise Arkade: Iconoclasts é muito mais do que um MetroidVania

Iconoclasts é um MetroidVania que vai além. Se você gosta do gênero, pode vir sem medo: o jogo é bom por si só, extremamente bonito e legal de jogar. Porém, ele é aquele tipo de experiência “venha pelo jogo, fique pela história”, um pacote completo daqueles que dá gosto de jogar. Só faltou mesmo uma legendinha em português para ficar perfeito.

Iconoclasts foi lançado em 23 de janeiro, com versões para PC, Playstation 4 e PS Vita.

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