Análise Arkade: Indivisible, o RPG 2D cheio de carisma dos criadores de Skullgirls

22 de outubro de 2019
Autor: Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade: Indivisible, o RPG 2D cheio de carisma dos criadores de Skullgirls

Indivisible é um RPG 2D bastante diferente, com elementos únicos e que levou muito tempo para ser lançado. O jogo é uma produção da Lab Zero Games, estúdio por trás do ótimo fighting game 2D Skullgirls. E agora você descobre se ele é bom ou não, em nossa análise completa!

Retrospectiva

Antes de entrarmos na análise propriamente dita, acho válido fazermos uma breve recapitulação da minha trajetória pela qual o jogo passou até chegar às prateleiras: Indivisible foi anunciado lá em 2015, e buscou apoio dos fãs para ser financiado via IndieGoGo. A campanha foi um sucesso, e no total, mais de 2 milhões de dólares foram arrecadados.

Entre o anúncio e o lançamento de Indivisible, vimos ele desaparecer por vários meses mais de uma vez, o que fez muita gente questionar se o jogo realmente veria a luz do dia — afinal, o trabalho colossal envolvido no desenvolvimento de um jogo que traz dezenas de personagens desenhados e animados à mão sem dúvida assusta.

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Felizmente, em agosto deste ano, o jogo ganhou uma data de lançamento — 8 de outubro — que foi honrada pelos produtores! Agora sim, vamos falar sobre a jornada de Ajna e seus amigos para livrar o mundo de uma força maligna que despertou!

Ajna e todo mundo que vive em sua cabeça

Indivisible conta a história de Ajna, uma garota de temperamento forte que foi treinada por seu pai para tornar-se uma grande guerreira, a fim de sucedê-lo na importante missão de proteger a vila onde vivem.

Infelizmente estes planos vão por água abaixo quando a vila é invadida e o pai de Ajna é assassinado por Dhar, um dos comandantes do exército de Ravanavar. Em sua fúria cega por vingança, a garota duela com Dhar… e ao final do combate, acaba “absorvendo” o guerreiro, que passa a viver dentro de sua cabeça.

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Eis que Ajna descobre este curioso talento que não sabia ter: ela é capaz de absorver outras pessoas, que passam a viver em sua mente, sendo liberadas na hora dos combates para compor sua party — e podendo interagir e conversar livremente umas com as outras, ou mesmo com quem está “fora” da cabeça da menina.

Assim, na esperança de vingar seu pai e seu vilarejo, Ajna resolve sair pelo mundo, fazendo amigos e “absorvendo” aliados que irão unir forças com ela em sua missão — que logo ganha um escopo maior, pois logo fica claro que há forças muito mais poderosas do que Ravanavar em jogo.

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Ah, e um detalhe interessante é que há alguns aliados que são opcionais: se você não encontrá-los enquanto joga, vida que segue, sua party vai ficar sem aquele personagem. Só recomendo que não deixe de encontrar o bigodudo Tungar, que usa seu turbante para surrar os inimigos e é muito efetivo em combate!

RPG side scroller

Indivisible se apresenta na forma de um RPG 2D — algo que anda meio sumido do mercado atual de games, que parece preocupado em criar mundos cada vez maiores e mais inchados –, nos moldes de Valkyrie Profile e Odin Sphere.

A exploração rola totalmente em 2D, mas a verticalidade dos cenários garante que o jogador não fique simplesmente correndo para a esquerda e para a direita, tendo que saltar, deslizar, escalar e utilizar outras habilidades que Ajna vai conquistando no decorrer da campanha.

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Fora dos combates, não tem muito mistério, e o jogo até fica parecido com um game de ação 2D. Se um desavisado passar perto da sua TV/monitor enquanto você joga, pode achar que está diante de um beat ‘em up, ou um jogo de aventura 2D.

Pancadaria dinâmica (e estratégica)

É na hora dos combates, porém, que o game traz interessantes inovações ao gênero, distribuindo os personagens da party em posições que correspondem ao posicionamento dos botões principais do controle (A, B, X e Y no caso do Xbox One, plataforma na qual joguei).

Funciona assim: você forma uma party com 4 personagens, e controla cada um por um botão do controle. Os combates são meio por turnos, e podemos ver as barras de ATB de cada um sobre cada ação que pode ser realizada por eles. Se Ajna estiver posicionada no botão X, por exemplo, você vai usar o X tanto para atacar quanto para se defender com ela.

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Repare nos botões sobre a barra de vida de cada herói

Aí entram nuances e pormenores que dão um temperada na receita básica: pressionar + X resulta em um tipo de ataque (que pode jogar o inimigo para cima), enquanto + X aplica um golpe baixo. Ajna é bem literal neste ponto, mas outros personagens aplicam técnicas completamente diferentes (projéteis, magias, ou mesmo buffs para o grupo) de acordo com o a combinação de comandos. Sempre que um novo integrante é recrutado, uma tela apresenta suas possibilidades em combate, e você sempre pode consultá-las novamente pelo menu da party.

Ao invés de ficar só falando, acho mais prático te mostrar como as batalhas de Indivisible se desenrolam com um clipe de gameplay. Clique no play aí embaixo e confira:

Particularmente, eu gostei muito desta mecânica de combate. Ela torna as batalhas bem dinâmicas, ao mesmo tempo que consegue manter uma pegada estratégica. Tudo isso sem nunca tirar o controle da mão do jogador. Jogos como Final Fantasy XV e Kingdom Hearts 3 colocam a IA no controle da party, mas aqui não: você está no controle de todos os personagens o tempo todo, e cada ação — ofensiva ou defensiva — precisa do seu imput.

Isso significa que você precisa estar sempre ligado, pois os ataques inimigos podem atingir somente um membro da sua party, ou todos, ou uma determinada área. Há um botão “coringa” que levanta as defesas de todos, mas usá-lo queima sua barra de especial (que é compartilhada por todo o grupo), enquanto a defesa com o personagem certo — no timing certo — dá um boost no ganho dessa mesma barra. Um recurso simples e que até pode ser ignorado, mas que agrega profundidade aos combates.

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Acho que, em termos de combate, o único ponto negativo é que certos tipos de inimigos “comuns” possuem muita energia, e vêm em bandos que demoram para cair. Felizmente, aqui não há combates aleatórios, você pode ver (e interagir) com os inimigos durante a exploração, o que permite que você evite certas batalhas, ou comece “na vantagem”, já chegando na voadora!

Evoluindo

Embora tenha esse sistema de combate bastante denso, em outros aspectos, Indivisible é um RPG bastante simplificado e acessível. Aqui não há toneladas de armas e equipamentos para você ficar comparando estatísticas em tabelas chatas: cada herói já chega “pronto”ao grupo, com as armas e habilidades que vai precisar por toda a aventura.

Ao final de cada batalha, você obviamente recebe uma quantia de XP. Estes pontos aumentam o nível e/ou os pontos de vida dos seus personagens, mas não alteram drasticamente as habilidades e poderes de cada um. Quem passa por mais transformações é Ajna, que assimila algumas habilidades dos membros da party para usar tanto na exploração quanto no combate (tipo um pulo mais alto, ou uma rasteira que lhe permite acessar lugares estreitos).

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As melhorias mais efetivas são feitas através da utilização de pedras preciosas, que no geral estão (bem) escondidas pelo mapa, e você pode direcionar para ataque ou defesa. Na prática, investir em ataque lhe concede turnos extras, possibilitando que você amplie o seu combo — e a contagem de hits aqui é de fazer inveja em muito jogo de luta!

E já que falamos nisso, a distribuição de personagens x botões lhe permite ser criativo na hora de atacar: você pode agir de maneira organizada — concedendo um turno para cada herói — ou agir em modo berserk, apertando tudo ao mesmo tempo para aplicar um golpe conjunto no melhor estilo Marvel Vs. Capcom. Só tenha em mente que certos inimigos têm escudos que devem ser destruídos, o que demanda uma série calculada de ataques multidirecionais.

Audiovisual

Indivisible é um jogo lindíssimo. Eu já era fã da arte e do character design dos caras da Lab Zero Games desde Skullgirls, e aqui eles acertaram a mão novamente, povoando o mundo do jogo com personagens de visual extremamente criativo e interessante.

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Já no que tange os cenários, acho que temos altos e baixos. Eu gosto do estilo MetroidVania dos mapas, mas acho que há backgrounds um tanto genéricos na maior parte do tempo. O fato de boa parte dos cenários conter elementos 3D não favorece, pois deixa os personagens muito “descolados” daquele ambiente.

A trilha sonora é maravilhosa, e é um dos méritos da campanha de financiamento do game: os produtores chamaram o lendário Hiroki Kikuta — que assina as OSTs de jogos como Secret of Mana, Romancing SaGa, Koudelka e Soul Calibur V — para compor a trilha, e o cara fez um trabalho memorável!

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Ainda no departamento sonoro, as dublagens são excelentes, e concedem muita personalidade aos personagens. Nem todos os diálogos são falados, mas a grande maioria possui vozes. Ah, e vale ressaltar que o jogo chega com menus e legendas em português brasileiro e, salvo um ou outro probleminha de revisão, no geral a qualidade do trabalho de localização é muito boa.

Conclusão

Indivisible é um RPG diferente, que tem tudo para agradar os órfãos de Valkyrie Profile. Ainda que algumas batalha “comuns” tornem-se um pouco longas sem motivo, no geral o mix de exploração 2D com combates por turnos (que trazem uma pegada muito única) entrega uma experiência pra lá de satisfatória.

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O jogo não é impecável: achei o lado MetroidVania dele um desserviço — há muitas barreiras e passagens que você só terá como acessar bem mais tarde no jogo — especialmente por ele não te explicar que você precisa de alguma habilidade específica para prosseguir. Esse vai e vem (que nem sempre é opcional) cria uma barriga meio desnecessária ali pelo meio da campanha. Ele poderia muito bem ir mais direto ao ponto.

Apesar disso, o mundo do jogo é interessante, e seus personagens são extremamente cativantes — ainda que nem todos sejam bem desenvolvidos. A narrativa é competente, divertida e com algumas reviravoltas. Não é realmente uma história épica ou revolucionária, mas dentro do escopo do jogo, ela funciona bem.

No geral, Indivisible é um RPG mais enxuto, que vai demandar muito menos empenho e comprometimento por parte do jogador. E acho isso bom! Tá cada vez mais complicado arrumar tempo para jogos de 50, 60 horas, então jogos que não são nem curtos demais, nem muito longos, sem dúvida são muito bem-vindos!

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Somado a isso, para mim dá gosto ver empresas que não ficam presas em um mesmo nicho/gênero. Eu já era fã da Zero Lab Games pelo trabalho deles com Skullgirls (meu fighting game 2D favorito), e agora vejo que eles também são bons criando RPGs “diferentes”. Espero que Indivisible torne-se uma franquia… mas antes, por favor, façam uma sequência para Skullgirls! <3

Indivisible foi lançado em 8 de outubro, com versões para PC, Playstation 4 e Xbox One (versão analisada). Em breve, o game deve chegar também ao Nintendo Switch.

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