Análise Arkade: Mario & Sonic at the Olympic Games Tokyo 2020 é divertido e educativo

5 de novembro de 2019
Autor: Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade: Mario & Sonic at the Olympic Games Tokyo 2020 é divertido e educativo

Eu cresci nos anos 90, época em que a rivalidade entre Mario e Sonic estava em seu auge. Justamente por isso, confesso que até hoje é meio estranho ver os dois juntos, em um mesmo game. Mas né, as coisas mudaram, e o mais novo jogo a ilustrar esta mudança é Mario & Sonic at the Olympic Games Tokyo 2020, cuja análise você confere agora!

Confesso que eu nunca tinha jogado nenhum dos jogos olímpicos da dupla Mario & Sonic. Não foi má vontade, é que até o ano passado, eu não tinha nenhuma plataforma da Nintendo para jogar. Agora que tenho um Switch, achei que já estava mais do que na hora de ver qual é a desse jogo que mistura diversas modalidades esportivas.

Um modo história educativo

Acho que a minha maior surpresa, porém, veio do fato de Mario & Sonic at the Olympic Games Tokyo 2020 ter um modo história. E sabe que, por mais que seja uma história bem simples, ela funciona muito bem, e ainda serve como “desculpa” para trazer uma bem-vinda vibe retrô ao jogo.

Explicando: Dr. Eggman aliou-se a Bowser e criou um console de videogame retrô cujo objetivo era “sugar” Mario e Sonic para dentro dele, deixando-os presos para sempre em uma Tóquio de 1964 — ano em que o Japão sediou as Olimpíadas pela primeira vez.

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“Momentos antes da desgraça acontecer”

Porém, o plano não sai bem como era esperado, e após uma pequena confusão, Mario, Bower, Sonic, Eggman e Toad acabam indo parar dentro do videogame. Se quiserem sair de lá, eles terão que competir por medalhas de ouro em um punhado de esportes olímpicos.

Em paralelo a isso, do lado de fora do videogame, na Tóquio de 2020, Luigi, Tails e diversos outros coadjuvantes de ambas as franquias irão tentar dar um jeito de descobrir como tirar todo mundo de dentro do aparelho. Entre uma conversa e outra, heróis e vilões irão se desafiar em mais algumas modalidades olímpicas.

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A localização dos diálogos é competente e bem-humorada

Na prática, a história serve como uma espécie de cartilha gamificada sobre as Olimpíadas e o Japão. A motivação dos personagens em entrar nas competições é risível, e está ali só para tocar a história adiante. Fora isso, o jogo estará o tempo todo nos entregando dados, informações e curiosidades, servindo como um banco de dados bem didático e competente sobre o assunto.

Há até um mapa de Tóquio, pelo qual podemos passear e, além dos estádios e ginásios olímpicos, também nos permite visitar cartões-postais de Tóquio, como o famoso cruzamento de Shibuya (no modo história há um mini-game pentelho ali do tipo “Onde Está o Wally?“), a imensa Tokyo Tower, e até mesmo o Monte Fuji!

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O famoso cruzamento de Shibuya é lotado até no game

O mais legal é que tudo isso pode ser visitado tanto no futuro (2020) quanto no passado (1964). No passado, o jogo incorpora um visual retrô-pixelado para os cenários e personagens, coroando o conjunto com uma nostálgica trilha sonora em chiptune e deixando tudo parecido com um legítimo jogo dos anos 90.

Olimpíadas 2020

Aqui é onde acontecem boa parte das disputas, em arenas tridimensionais e com gráficos atuais que replicam o visual real dos locais onde irão rolar as competições no ano que vem. A Sega inclusive teve o cuidado de inserir esportes que farão sua estreia olímpica em 2020, como karatê, skate e escalada.

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Karatê fará sua estreia olímpica em 2020, e já está no game.

Há muitas formas de se jogar boa parte deles, recurso que dá um tom de party game ao jogo: é possível usar os dois Joy Cons separadamente, apenas um deles, ou jogar usando os bons e velhos botões, sem se valer dos controles por movimento. Todas as formas de jogar são bacanas, funcionam bem, e agregam bastante diversidade ao gameplay. No boxe, por exemplo, fica bem mais legal socar “de verdade” segurando dois Joy Cons ao invés de simplesmente apertar botões no controle.

Algumas modalidades são mais fáceis do que outras, mas nada é particularmente complexo. As corridas seguem aquele esquema “martele o botão para correr mais rápido”, enquanto provas como a ginástica artística trazem quick time events que demandam timing. O lançamento de disco usa até o posicionamento do Joy Con para definir o ângulo do arremesso.

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Na esgrima, pode-se usar só um Joy Con, segurando-o como se fosse um florete

Além de 21 modalidades inspiradas em esportes reais, existem 3 variações um pouco mais malucas, que estão menos preocupadas em serem “olímpicas” e mais interessadas em propiciar diversão multiplayer. São eventos isolados, divertidos, que fortalecem este lado party game do jogo.

Olimpíadas 1964

Nesta volta ao passado, temos uma nostálgica jornada pelas Olimpíadas de mais de 5 décadas atrás, na companhia de um Sonic/Eggman com visual 16-bits e Mario/Toad/Bowser com seu visual ainda mais retrô 8-bits.

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Corrida contra o Sonic não dá né, minha gente?

Novamente, o gameplay é bastante simples, e aqui prioriza a forma tradicional (botões) de se jogar. Entre modalidades esportivas reais, temos também alguns mini-games divertidos, que geralmente envolvem perseguir os vilões, evitando obstáculos e dando um jeito de frustrar seus planos. Há até batalhas contra chefes, que remetem diretamente aos jogos originais dos protagonistas.

Um detalhe interessante é que, nas modalidades “do passado”, o jogo realmente abraça a época em todos os aspectos: não só o visual traz essa vibe 8/16-bits, como também a trilha sonora, e até a locução chega daquele jeito comprimido, abafado, como rolavam as vozes sintetizadas de antigamente.

Aqui vai um exemplo:

No total, o lado 1964 do jogo traz 10 modalidades, todas com gameplay simples e acessível. nem todas são realmente legais, mas há bons momentos aqui e ali. E, vale ressaltar, que também pode-se fazer um turismo virtual pela Tóquio do passado, que é menos impressionante, mas tem seu charme.

Audiovisual

Ainda que não reinvente a roda, o visual de Mario & Sonic at the Olympic Games Tokyo 2020 é competente, um mix bem feito de fofura com nostalgia que tem tudo para agradar jogadores de ontem e de hoje.

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O áudio se destaca pelo capricho com que é feita a transição entre o 2020 e o 1964. Como já dito, a locução acompanha o tom da época, e o fato de vermos esse cuidado aplicado até na localização — sim, o jogo possui dublagens em português brasileiro, mas ela limita-se a comentários esporádicos dos locutores — indica que houve um trabalho realmente bem feito.

Até no menu, quando você transita de uma época para outra, a trilha muda de instrumental para chiptune, ser perder o timing da melodia. Tipo assim, ó:

É só um detalhe (que talvez passe batido por muita gente), mas achei muito interessante. Creio que nenhum jogo olímpico tenha tido este fator “viagem no tempo” antes, e no geral, acho que ele enriquece a experiência tanto em termos de gameplay quanto de audiovisual.

Conclusão

Mario & Sonic at the Olympic Games Tokyo 2020 é um joguinho simples, que consegue ser educativo e lúdico sem ter aquela cara de “advertise game”. Seu modo história é uma grata surpresa, e ainda que a narrativa em si seja bobinha, ela funciona para justificar tanto as duas linhas temporais quanto o lado turístico do game e seu passeio por locais emblemáticos da capital nipônica.

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Rola até um “Fifinha” maroto com a galera

Não é como se faltassem party games no Nintendo Switch — que, afinal, tem a própria série Mario Party em seu catálogo –, mas não deixa de ser um bom adendo à biblioteca do console. E, por mais estranho que seja para uma criança dos anos 90 ver o Mario e o Sonic juntos em um mesmo game, dou o braço a torcer que os dois mandam bem juntos.

Mario & Sonic at the Olympic Games Tokyo 2020 está sendo lançado hoje (05/11), exclusivamente para Nintendo Switch. O game está 100% localizado para o nosso idioma (vozes, menus e legendas). Este review foi feito com base em uma cópia antecipada que recebemos da Sega.

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