Análise Arkade – Need for Speed Heat traz boas ideias e “clima de Underground”

18 de novembro de 2019
Autor: Junior Candido
Análise Arkade - Need for Speed Heat traz boas ideias e "clima de Underground"

A série Need for Speed, apesar de problemas com a sua identidade, segue firme e forte ao longo das décadas. Após o sucesso inicial, com seus carrões exóticos, e passando pela “fase Underground“, é fato que os games da franquia tentaram várias formas diferentes de se manter atual. Passando por games dos mais variados tipos, incluindo Undercover, a EA tentou de tudo um pouco.

E assim chegamos a Heat. O novo game Need for Speed que, embora tenha “cara de Underground“, busca oferecer vários elementos que foram elogiados em tempos passados, e soma novidades no gameplay. Veja com a gente quais são as novidades, e como elas fazem deste game, algo que recupera, de certa forma, o fôlego da franquia.

Need for Speed raiz!

Análise Arkade - Need for Speed Heat traz boas ideias e "clima de Underground"

Logo de cara, você é introduzido a mais um “filme”. Mas calma, nada de “game com enredo” por aqui. Diferente de Payback, que apresentava momentos de drama entre as corridas, aqui a história só serve pra contextualizar o jogador ao game. Na cidade de Palm City, inspirada no pôr do sol e no neon da Flórida, uma “briga” de gato e rato entre a polícia local e os corredores do local são o palco principal da história.

Você irá conhecer o tenente Frank Mercer, com sua força-tarefa dedicada a acabar com os rachas ilegais. E você verá a evolução da história tempo a tempo. Basicamente, você terá corridas pelo mapa, ganhará dinheiro e reputação (falarei disso melhor mais para a frente), e desbloqueará a missão que dará continuidade. E assim será até o final da campanha.

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O “modo história” é curto e não influencia em nada o game. Que bom.

As missões de história, além de poucas, são bem fracas. É uma missão de seguir alguém sem ser visto aqui, outra de fugir da polícia ali. Felizmente, são só pretexto para apresentar o mundo do game. O que importa mesmo, em Heat, são as corridas. Você terá à disposição diversas corridas, em circuitos das mais variadas formas. Alguns deles, inclusive, lembram bastante Underground, ou Carbon, com as suas mudanças de direção, e escolhas de caminhos.

Você terá corridas em circuitos e as sprints, de ponto A a B. Também terá corridas off-road, e de drift, além de desafios de tempo, que pra mim, foi a adição mais legal do jogo. Nelas, você precisa cumprir um trajeto antes do tempo determinado, que exigem muito da sua habilidade e perícia no controle.

Também há a possibilidade de jogar online, se conectando a outros jogadores para disputarem juntos as provas. Mas é um modo bem simples, que, mesmo tentando emprestar recursos de outros games, como The Crew 2, como colocar carros de outros jogadores compartilhando as ruas com você, não consegui participar de nenhuma corrida online até o momento desta análise. Mas, pra quem não quer jogar conectado, é possível jogar offline, sem a intervenção de outros jogadores.

O mapa, semelhante ao visto em Payback, é grande, e recheado de eventos, e coisas para se coletar e quebrar. É repetitivo às vezes, isso é fato, porém, a EA encontrou um jeito bem interessante de manter o jogador ativo no game.

A noite é uma criança

Need for Speed Heat tem um sistema bem interessante de gameplay: as corridas podem ser realizadas de dia, ou de noite. De dia, as corridas e desafios, autorizadas pela lei local, oferecem prêmios em dinheiro, úteis para comprar peças novas. Não há perseguição policial, e os postos de gasolina, que assim como no Most Wanted de 2012, consertam os carros, o fazem de maneira ilimitada.

Mas a noite, o bicho pega. As corridas não premiam com dinheiro, e sim com reputação, pontos estes que você soma realizando de tudo no mapa, e que serve para evoluir o seu piloto. Também serve para desbloquear peças mais potentes. É a sua “moral” entre os corredores do game. Os postos de gasolina, agora consertam apenas três vezes por noite o carro, e a polícia começará a te perseguir.

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Dia ou noite? Pra avançar em Heat, você precisa escolher os dois.

As perseguições começam quanto um carro de polícia encontra o jogador no meio de uma corrida ilegal, e vão aumentando de nível. Os níveis multiplicam a pontuação de reputação, mas dificultam mais o jogo, pois a pressão policial é ainda maior. A noite termina quando você chega em segurança em uma oficina, ou se for pego pela polícia, que pode te prender ou destruir o seu carro. Pagando propina, você perde uma quantia em dinheiro, e todos os pontos acumulados naquela noite, vão pelo ralo.

Esta mudança de gameplay pelas horas do dia dão ao game um ar bem diferente. Você terá que se organizar para correr de dia, para levantar dinheiro, ou à noite, para ganhar reputação. Mesmo que o game não tenha uma riqueza de conteúdo no nível de Forza Horizon, esta busca por evolução garante um bom replay, pois oferece vários objetivos, além da “campanha principal”. Foi uma ideia simples, que, bem executada, fez bem ao game.

Alta velocidade divertida e sem frescura, mas com probleminhas

Mesmo com os problemas conhecidos dos últimos games Need for Speed, o visual sempre foi algo caprichado na série. E em Heat não é diferente. A riqueza de detalhes em carros e no mundo, que contam com ruas de cidade, praias, estradas e vilas, é mais um ótimo trabalho da Frostbite 3. Iluminação e os efeitos do sol na Flórida do game estão incríveis, e a sensação de velocidade também.

O gameplay também é caprichado. No padrão arcade, é possível derrapar à vontade nas curvas, abusar dos nitros e tocar o terror pelas ruas de Palm City. Mas, há alguns probleminhas que, embora não atrapalhem a experiência do game, precisam ser mencionadas.

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A primeira diz respeito ao sistema de colisão. É estranho ver seu carro, a muitos quilômetros por hora, bater de frente com um outro carro ou um muro, e o medidor diminuir quase nada. Enquanto uma batida de lado, sua em alguém ou vice-versa, tira uma enorme quantidade de dano do veículo. Embora realismo não seja a palavra em questão num game NFS, é estranho ver o critério de colisão no jogo.

Outro problema está na Inteligência Artificial. Joguei nos três níveis que o game oferece e, salvo as suas diferenças normais, entre o mais fácil e o mais difícil, o que se percebe é que o game é mais sobre você correr bem e não bater em nada ou ninguém, do que disputar posições com adversários. Vai ter corrida que você ganhará com sobras, e outras que irá ganhar sofrido, mas em nenhum momento, os carros controlados pela máquina serão uma ameaça pra você, no sentido de brigarem por posições. É só passar, se tiver mais motor, e pronto.

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E por fim, o tal do “modo história”. A impressão que temos é que as missões foram colocadas às pressas. Pois são confusas, você perderá algumas vezes apenas por não saber o que fazer e, Ana, uma das personagens do jogo, não para de falar quando acompanha você na missão. E sim, atrapalha, pois o gameplay exige muita concentração, devido a alta velocidade e os obstáculos que sempre aparecem na sua frente.

Mas nem tudo são problemas. O controle dos carros é muito bom. E o sistema de evolução também é bem interessante. Não há loot boxes e, até o momento, nada de microtransação (amém!). Isso significa que você equipará o seu carro única e exclusivamente com o dinheiro e reputação conquistados dentro do jogo. Inclusive, dá pra terminar o modo campanha com apenas um carro, comprando um ou outro, apenas para deixá-lo mais apropriado para as corridas de off-road, ou provas de drift.

Customização padrão Need for Speed, com celular e tudo

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A customização em Heat começa na escolha do seu personagem. Há alguns tipos para você escolher, e mudar a aparência. Coisa que não ligo muito mas, por estar presente em vários games, é algo que muitas pessoas gostam de passar um tempo. Com os carros, também dá pra fazer muita coisa. É possível comprar peças novas para eles, e até trocar de motor.

Também dá pra fazer mudanças estéticas, como aumentar o som do escapamento, colocar adesivos por todo canto, e até, como nos tempos de Underground, colocar neon no carro. E outra novidade interessante é o aplicativo que permite que você ajuste o carro sem precisar do game ligado. Basta conectar a sua conta EA, e mexer nos seus carros. É possível, através do app, ganhar mais carros.

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O sistema serve tanto para apenas evoluir o carro, como oferecer recursos extra para quem quer ter até o disco de freio personalizado. E também dá pra comprar recursos de utilidade nas perseguições, como um inibidor de sinal para atrapalhar a polícia, ou um kit para recuperar os pneus, caso sejam furados com bloqueios.

Uma boa evolução, que nos faz lembrar de Underground

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Há muito tempo, fãs de Need for Speed clamam por um remake de Underground. Por hora, a EA não fala nada sobre o tema, mas com Heat, deu um pouco do gostinho que era curtir o game dos anos 2000. Sem muita frescura, sem ideias mirabolantes e com foco no gameplay, o game, mesmo que às vezes repetitivo, traz boas ideias e é divertido.

A Ghost Games, que desde 2013 cuida dos games Need for Speed, demonstrou em Heat uma ótima evolução. A ideia de dia e noite, que influenciam o gameplay, se mostrou muito interessante. E a simplicidade na customização, e nos desafios propostos, o que incluem os troféus e conquistas, temos um game “raiz”, bem interessante.

Os tempos mudaram. O domínio de Need for Speed, seja pela chegada de novos games, como Forza Horizon e The Crew, ou por erros da EA, fizeram com que o game perdesse a força que um dia ostentou no passado. Mas a dedicação da Ghost, em uma clara demonstração de um estúdio que aprende com seus erros, gerou um game muito divertido de se jogar. Digno de elogios e de expectativas para o próximo game da franquia, que, ao que tudo indica, pode já ser um game da próxima geração.

Need for Speed Heat já está disponível para PC, Xbox One, e Playstation 4.

Uma resposta para “Análise Arkade – Need for Speed Heat traz boas ideias e “clima de Underground””

  • 20 de novembro de 2019 às 23:24 -

    Helinux

  • Show de bola!!!! bela analise, valeu!!!!

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