Análise Arkade: desafio, beleza e nostalgia te esperam no remake Oddworld: New ‘n’ Tasty (PS4)

2 de agosto de 2014
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: desafio, beleza e nostalgia te esperam no remake Oddworld: New 'n' Tasty (PS4)

Abe está de volta! Mais de 15 anos após o lançamento de Oddworld: Abe’s Oddysee, o Mudokon trapalhão ressurge em um remake caprichado! Confira nossa análise completa na sequência!

Oddworld: Abe’s Oddysee foi lançado para o PSOne e para os PCs no já longínquo ano de 1997 (pois é, estamos ficando velhos). Com um visual estiloso e um protagonista esquisitão, o jogo nos colocava em um mundo de plataforma 2D repleto de puzzles, e nossa missão era salvar sua espécie — os Mudokons — e diversas outras raças das garras de Molluck, um temível Glukkon que está disposto a tudo para ver sua indústria alimentícia prosperar.

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O temível Molluck e um de seus capangas.

Além de carismático, Oddworld era também um jogo extremamente desafiador. E este New ‘n’ Tasty mantém estas duas características intactas, mas as reapresenta em um jogo muito mais bonito.

SINOPSE

Tal como o remake de Ducktales lançado pela Capcom no ano passado, o novo Oddworld é uma adaptação quase literal do game original. Abe está tranquilo fazendo seu trabalho de faxina pelos corredores da sombria Rupture Farms quando descobre algo assustador: para manter as vendas Molluck planeja criar um novo petisco.. à base de Mudokons!

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Como não faz a mínima questão de virar ingrediente do “apetitoso” New ‘n’ Tasty, Abe acha que este é o momento exato para dar no pé. Porém, existem centenas de Mudokons trabalhando em Rupture Farms, e nosso amigo Abe não é um sujeito egoísta. Logo, além de garantir sua fuga, ele também deve dar um jeito de salvar todos os Mudokons da fábrica.

E mais: ao deixar o ambiente fabril para trás, Abe toma consciência da dimensão das atrocidades dos Glukkons, que estão acabando com diversas espécies — como Scrabs, Paramites e Meechs — para produzir suas guloseimas. Abe então se descobre como “o escolhido” para salvar todas as raças e acabar com a tirania e a glutonice dos Glukkons.

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Na prática, é a mesmíssima história do jogo de 1997, o que é legal tanto para quem já conhecia o game quanto para quem terá o primeiro contato com o mundo de Abe. Mundo este, aliás, que está mais bonito do que nunca!

AUDIOVISUAL

O Oddworld original já era um game com um visual bem bacana para a época em que foi lançado. Nas mãos do mesmo pessoal responsável pelo game original — os Oddworld Inhabitants, agora em parceria com o estúdio J.A.W. (Just Add Water), que cuidou de todos os remakes HD da série — temos uma releitura muito fiel da obra original.

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Screenshot do jogo original de 1997.

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O mesmo lugar no remake de 2014. Bem parecido, mas bem melhorado.

Usando com muita sabedoria a engine Unity, os programadores da J.A.W. praticamente “passaram a limpo” todo o mundo do game (como fica bem claro nas imagens acima), que ficou mais bonito, nítido e vibrante do que nunca. O jogo foi refeito com extrema fidelidade, a ponto de termos até os mesmos enquadramentos de câmera nas cutscenes.

O design de personagens e cenários continua essencialmente o mesmo, o que é ótimo, afinal Oddworld possui uma identidade visual muito forte, que não só foi mantida, mas melhorada. Mesmo repleto de criaturas que beiram o bizarro, o mundo do jogo é coeso e extremamente carismático.

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Ah, e ele também é contínuo! O jogo original apresentava uma mecânica “flipscreen” — a tela só mudava quando você chegava na outra extremidade — mas agora temos um legítimo side scrollingo cenário é contínuo e sem “emendas”, o que garante muito mais de fluidez no progresso.

Com a nova engine e o poder das máquinas atuais, temos cores muito mais vibrantes, efeitos de luz incríveis, e cenários com um nível de profundidade muito maior, remetendo ao belíssimo Trine com seus céus coloridos e surreais. Efeitos como lens flare, zoom e uma câmera muito mais participativa complementam a obra com maestria, coroando o rico visual do game com esmero.

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No departamento sonoro, a trilha também mantém o mesmo tom do game clássico, mas traz arranjos um pouco mais modernos. Os efeitos sonoros também são ótimos e em sua maioria, bem divertidos.

A nova dublagem de Abe é bastante fiel à de 1997 (com aquele mesmo tom fanho, meio anasalado), e com o direcional digital, podemos emitir uma série de sons que continuam sendo muito úteis na jogabilidade. Já já falaremos mais sobre isso.

GAMEPLAY

Aqui a J.A.W. cravou uma verdadeira faca de dois gumes neste remake. Como em todos os outros aspectos do game, a jogabilidade se manteve extremamente fiel à do Oddworld original… e isso inclui praticamente todas as suas limitações de 17 anos atrás.

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Verdade seja dita, apesar de todo seu legado e seu status “cult”, uma parte da dificuldade de Oddworld nem se deve ao desafio do jogo em si, mas à sua jogabilidade truncada. E aqui temos o mesmo problema: o jogo está muito mais bonito e poderia (até merecia) uma jogabilidade um pouco mais fluida e precisa.

Para quem não lembra, a jogabilidade é mais ou menos parecida com a do clássico Prince of Persia: os saltos são curtos, lentos e meticulosamente calculados, o que torna os trechos mais complexos de plataforma um desafio e tanto. Há um visível delay no salto, e até você se acostumar com esse timing, vai morrer um bocado.

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Este é só um dos trechos de plataforma onde a jogabilidade truncada do game pode atrapalhar a sua vida.

Para complicar ainda mais, devemos lembrar que o jogo contém trechos insanos de plataforma, onde você precisa evitar minas, lasers, abismos, detectores de movimento e muito mais. Não serão poucas as vezes que você irá morrer por um pulo que não saiu bem como deveria.

O que torna isso ainda mais frustrante é a distribuição arbitrária de checkpoints: se você morrer no último salto de uma série particularmente complexa de obstáculos (e existem muitos trechos assim no game), se prepare para ter de voltar ao último checkpoint e fazer tudo de novo. Passei mais de 20 minutos enroscado em um desses trechos, e cara, como isso me tirou do sério!

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O Elum é muito útil por sua rapidez e por seus saltos mais longos.

Trechos onde Abe encontra um Elum — uma montaria alienígena bizarra — são mais rápidos, e justamente por isso oferecem uma jogabilidade um pouco mais ágil. Ainda assim, espere por sequências de saltos bem desafiadoras quando estiver sobre sua montaria.

Apesar de respeitar a ideia de um remake fiel ao jogo original, não consigo deixar de pensar que os produtores perderam uma boa chance de melhorar o game, livrá-lo de suas limitações. O mundo dos games evoluiu, os controles evoluíram, e com isso, New ‘n’ Tasty merecia uma jogabilidade mais responsiva e dinâmica.

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Super Meat Boy e N+ são ótimos exemplos de como jogos de plataforma podem ser insanamente difíceis pelo desafio e pelo level design, não por mecânicas de gameplay defasadas e imprecisas.

Apesar destas dificuldades que me pareceram um pouco datadas, creio que a ideia aqui era refazer o jogo exatamente como ele era em 1997. Se este era o objetivo, ele com certeza  foi alcançado com êxito. Logo, não adianta ficar de mimimi: é preciso paciência e determinação para se dar bem.

Follow Me!

Como nem só de plataforma vive Oddworld, temos ainda muitos puzzles em nosso árduo caminho pela salvação das espécies. Os puzzles do game geralmente envolvem o acionamento de mecanismos para abrir portas e elevadores, bem como despistar inimigos e tentar não se perder em cenários que muitas vezes oferecem mais de um nível de “profundidade”.

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O stealth é essencial em diversos momentos. Abe é totalmente indefeso perante seus inimigos, que possuem armas de fogo, presas afiadas, bombas e diversos outros apetrechos letais. Para isso, temos o botão L1, que nos permite andar na ponta dos pés, muito útil para evitar os guardas que ocasionalmente caem no sono.

Como os cenários possuem profundidade, vez ou outra você terá que evitar tiros de inimigos que estão lá atrás. Nessas horas, correr loucamente nunca é a melhor opção, pois a mira dos inimigos é certeira. O ideal é usar elementos do cenário — pedras, cercas, árvores — para se esconder e só se esgueirar de um esconderijo para outro quando os inimigos não estiverem olhando.

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Onde está o Abe nesta imagem? Agachadinho ali na sombra da pedra, no canto esquerdo. =)

Além disso, combinando o gatilho R2 com o direcional digital, temos 8 tipos de sons que podem ser usados para se comunicar (geralmente com Elums e com outros Mudokons). Abe pode dizer coisas como “Hello”, “Follow Me”, “All of You” e “Wait Here”, todos comandos muito úteis na difícil missão de salvar seus amigos.

O “All of You” é uma novidade deste remake que ajuda muito: ao invés de resgatar um companheiro de cada vez, você pode chamar diversos Mudokons ao mesmo tempo, o que otimiza o processo. Os Mudokons sob seu comando são inteligentes o bastante para imitar seus movimentos, andando de maneira sorrateira ou pulando e se abaixando quando necessário.

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O novo comando “All of You” é uma mão na roda, pois permite que Abe dê ordens para vários Mudokons de uma só vez.

É este tipo de novidade bem empregada — que facilita um pouco a vida do jogador sem quebrar a mecânica tradicional do jogo ou torná-lo fácil demais — que  eu acho que Oddworld poderia ter mais. Mas essa é a minha opinião, e como eu já disse, o segredo aqui é deixar o mimimi de lado e se preparar psicologicamente para enfrentar os desafios cabeludos do game.

Abe ainda pode assobiar e peidar (?!), habilidades muito úteis para se comunicar com sábios da sua espécie, que exigem senhas — combinações de assobios e peidos — para liberar caminhos e acionar mecanismos, em pequenos mini-games que demandam mais memória do que raciocínio.

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A “senha” que esses caras pedem sempre é uma combinação de assobios e peidos.

Por fim temos o canto, uma espécie de mantra recitado por Abe que permite ao personagem tanto abrir caminho para a fuga de seus amigos quanto controlar a mente de alguns tipos de inimigos. Inimigos dominados são uma ajuda e tanto, pois podem ser usados para matar outros inimigos e acionar alavancas. Depois de “usar” o corpo de um inimigo, basta sacrificá-lo e seguir seu rumo.

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Abe canta (em cima) para assumir o corpo do Slig (abaixo) e usar suas habilidades.

Conclusão

Com uma campanha que pode facilmente passar das 8 horas (e você pode continuar explorando o game após a história), o remake de Oddworld traz todo o clima e o desafio do jogo original, só que em uma nova roupagem que o torna mais bonito do que nunca!

Embora eu realmente acredite que um upgrade na jogabilidade tornaria New ‘n’ Tasty muito mais gostoso de jogar, é fato que este remake foi feito com extremo carinho e respeito pelo material original. E felizmente, após 17 anos, a aventura de Abe continua interessante e cativante, e seu tema é ainda mais atual nos dias de hoje, um verdadeiro alerta para o consumismo da humanidade.

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Uma espécie que leva outras à extinção para suprir suas necessidades mesquinhas… não parece que estamos falando da raça humana?

Seja você um fã da série, um jogador que sequer sabia da existência de Abe, ou simplesmente um fã de jogos de plataforma desafiadores, New ‘n’ Tasty é uma boa pedida. O jogo pode não soar tão New (novo) quanto poderia, mas sem dúvida ainda é bem Tasty (saboroso)! Ah, e ele tem menus e legendas 100% em português!

Oddworld: New ‘n’ Tasty foi lançado no dia 22 de julho para PS4. Em breve, o game ainda deve receber versões para PC, PS3 e PS Vita.

P.S. Para ver as imagens que ilustram esta resenha (e muitas outras) em alta resolução, confira nosso álbum de screenshots no Imgur!

7 Respostas para “Análise Arkade: desafio, beleza e nostalgia te esperam no remake Oddworld: New ‘n’ Tasty (PS4)”

  • 2 de agosto de 2014 às 12:16 -

    csar_rezende

  • Eu não chamaria a jogabilidade de “limitada”, é que simplesmente é a dificuldade do jogo, que não entrega tudo mastigado como os títulos de hoje em dia. E para compensar o sistema de checkpoints, você poderia ter usado o Quick Save.Ainda assim, a review está ótima! Que venha pra PC!

    • 3 de agosto de 2014 às 04:14 -

      leandro leon belmont alves

    • não, a jogabilidade é limitada mesmo. em momentos de desespero, Abe é lento para virar, abaixar, digamos. que no jogo pode te matar inúmeras vezes

  • 2 de agosto de 2014 às 16:55 -

    Rafael Aguiar

  • Independente do que digam, a série Oddworld Abe, é na minha opnião a melhor série de game plataforma que surgiu para PCs. O enredo muito cativante sempre me levou a esperar ou um remake ou a dita e não concretizada quintologia da série com ABE. Como um nascido gamer, esse remake dá até lagrimas de saudades, muito mítico, que venha pra PC!

  • 2 de agosto de 2014 às 16:55 -

    Carlo Henrique

  • Já não sou muito a favor de remakes, ainda mais quando reproduzem os erros da versão original. Mesmo assim, quando der vontade de jogar Oddworld, deverá valer mais a pena jogar o novo do que o antigo.

    • 3 de agosto de 2014 às 04:17 -

      leandro leon belmont alves

    • eu também prefiro a versão Original, mesmo esse game sendo mais bonito, não tem o charme do original na minha opinião

  • 2 de agosto de 2014 às 18:42 -

    Renan do Prado

  • Um dos meus jogos preferidos de PSOne!!!!! Tô contando os dias pra versão de PS3 sair!!!!!!!

  • 3 de agosto de 2014 às 15:53 -

    kau_kenway

  • Ah… Sinceramente, foi o primeiro jogo que eu joguei rs’  Na época meu pai – que está do meu lado – dizia que eu não fui muito longe da fábrica haha’ uma década depois eu decidi rodar o jogo de novo e consegui zerar, difícil mas bem proveitoso… Apesar dos gráficos do jogo estarem bem mais bonito parece que perdeu 70 % de todo o seu charme. Isso é  notável na Screenshot antiga da Scrabânia comparada com a nova… Mas enfim, vai ser um prazer jogar o remake mas mesmo assim acho que mudaram coisas que não deveriam ter sido modificadas, como o próprio “Chant” do Abe… Valeu pela matéria!!

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