Análise Arkade: Peaky Blinders Mastermind não te ensina a ser frio e calculista, mas te coloca para pensar

31 de agosto de 2020
Autor: Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade: Peaky Blinders Mastermind não te ensina a ser frio e calculista, mas te coloca para pensar

Se você curte as série Peaky Blinders, deve saber que, recentemente, um game protagonizado pela família Shelby foi lançado. E apesar de simples, o jogo aposta em uma mecânica muito interessante, confira nossa análise!

Antes da série

Peaky Blinders Mastermind conta uma história original, que se passa antes da série de TV, ou seja, a família Shelby ainda não tinha todo o poder e prestígio que acumulou ao longo das temporadas. Eles ainda estavam, basicamente, tretando com outras facções para conseguir seu lugar ao sol no submundo de Birmingham.

As coisa começam a desandar quando um dos Peaky Blinders é acusado pelo assassinato de um negociador de ópio chinês, o que dá início a uma conspiração para tirar a família Shelby das ruas, arquitetada por seus rivais.

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Reunião dos Shelby sempre é sinal de treta

Para superar esta crise, a família precisa de uma figura de liderança que seja capaz de usar a inteligência para superar as dificuldades e saiba usar tudo o que o grupo tem a oferecer. Este é Thomas Shelby, e é na mente dele que vamos solucionar puzzles muito bem elaborados, pautados por uma interessante mecânica de controle do tempo.

Controlando o tempo

Peaky Blinders Mastermind possui 10 fases. Parece pouco, eu sei, mas eu diria que, no geral, o jogo é feito na medida para explorar seu potencial sem acabar tornando-se repetitivo, uma vez que toda sua ação é construída em cima de uma única mecânica: o controle do tempo.

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Funciona assim: praticamente toda fase tem múltiplos objetivos, que os personagens precisam se ajudar para concluir. Cada membro da família Shelby possui uma timeline própria, que fica no rodapé da tela. A partir do momento que você começa a controlar um personagem, essa linha do tempo começa a andar.

Quando você faz o que tinha que fazer com um personagem, rebobina o tempo e pula para o controle de outro membro da família. As ações que você executou com o personagem anterior continuam valendo, e a nova timeline passa a correr em paralelo com a dele. Assim missões nas quais há 3 ou 4 personagens envolvidos exigem muita organização e trocas entre todos para que eles “se ajudem” no cumprimento dos objetivos.

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Isso é importante porque há certas ações que só determinados personagens podem executar. Thomas Shelby, por exemplo, pode convencer certos NPCs a fazerem coisas para ele. Já o bigodudo Arthur pode derrubar portas no chute e sair no soco com inimigos. A jovem Ada serve como distração, conversando com guardas e desviando a atenção deles. O pequeno Finn, por sua vez, é capaz de passar por buracos e acessar áreas que os adultos não chegam.

Exemplificando

Vamos pegar um exemplo simples: Thomas precisa passar por um beco que é vigiado por um guarda, e o cone de visão dele mostra que não tem como passar sem ser visto. O que fazer? Primeiro, selecionamos Ada, a irmã do Tommy, e vamos até o guarda. Selecionamos então a habilidade dela, e conversamos com o guarda por uns 5 segundos.

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Aqui podemos ver Ada desviando a atenção de um sujeito para Tommy passar

Feito isso, rebobinamos o tempo e selecionamos Tommy. Veremos Ada (que controlamos antes) indo até o guarda e chamando a atenção dele por uns 5 segundos, reduzindo seu cone de visão… e permitindo que seu irmão passe despercebido. Mas você precisa sincronizar essas ações, para que Thomas tenha tempo para passar enquanto Ada distrai o guarda, ou a estratégia vai por água abaixo. Caso isso aconteça, o lance é rebobinar o tempo mais um pouco e tentar de novo.

Esse é um exemplo bem simples, mas da metade para a frente o jogo vai ficando bem complexo, exigindo conjuntos de ações bem elaboradas e uma sincronicidade perfeita — o que, invariavelmente, exige algumas tentativas. O jogo estipula prazos que parecem surreais para o cumprimento das missões — tipo, 3 ou 5 minutos. A gente pode acabar ficando meia hora na fase, avançando, rebobinando e alternando entre os personagens, mas quando fazemos tudo certo e vemos tudo funcionando — com os caminhos dos personagens se cruzando conforme eles se ajudam — é muito recompensador… levamos meia hora para criar 5 minutos de ações sincronizadas e perfeitas como as engrenagens de um relógio.

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Arthur geralmente resolve as coisas na força bruta

Essa sinergia entre personagens se faz muito necessária para o sucesso das missões, e é um dos aspectos mais legais do game. É como se você estivesse jogando um game cooperativo sozinho, controlando um personagem de cada vez, e tendo o cuidado de permitir que todos se ajudem de um jeito que parece ser assíncrono em uma primeira olhada, mas que sincroniza-se conforme todos cumprem suas funções.

É um tipo de gameplay muito específico, que deixa o jogo no meio termo entre um adventure e um puzzle game. Não há muitas comparações que podem ser feitas, mas se você jogou o game dos Cães de Aluguel/Reservoir Dogs, vai saber mais ou menos o que pode esperar deste jogo.

Audiovisual

Embora seja inspirado em um dos seriados mais populares e premiados da atualidade, Peaky Blinders Mastermind é claramente um jogo de orçamento modesto. A visão isométrica não é muito exigente, e os cenários até são bonitos, mas não são particularmente inspirados.

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Não há cutscenes, nem dublagens dos atores da série, nem nada muito elaborado — o que é uma pena, visto que a fotografia da série é uma de suas maiores qualidades. A história é desenvolvida através de cenas estáticas e diálogos em texto.

Sendo honesto, essas telas que desenvolvem a história até são bem bonitas, e trazem boas recriações do visual dos personagens… mas não carregam muita emoção, não passam uma mensagem realmente impactante. Um bom trabalho de dublagens faria muito bem para o jogo, trazendo mais emoção e personalidade… mas creio que isso não tenha sido feito por questões de orçamento.

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As cenas estáticas são artisticamente bonitas… mas falta “vida”

A trilha sonora também se esforça para pegar carona na vibe da série, com uma pegada indie rock instrumental que é bacana, mas nada muito marcante. É possível habilitar legendas em português brasileiro pelo menu, e no geral o trabalho de localização foi bem feito.

Conclusão

O saldo geral, felizmente, é positivo. Peaky Blinders Mastermind é uma boa surpresa não só para os fãs da série, mas para qualquer pessoa que goste de puzzle games com mecânicas diferenciadas.

Análise Arkade: Peaky Blinders Mastermind não te ensina a ser frio e calculista, mas te coloca para pensar

É o tipo de jogo que não deve agradar a todos — acredito que não sirva nem para todos os fãs da série, que talvez gostariam de algo mais focado em ação, ou algo como um Thomas Shelby Simulator” — mas que tem qualidade o suficiente para ser recomendável, especialmente para quem quer algo um pouco diferente.

Então, não, esse jogo não vai te ensinar a ser “frio e calculista” como o Thomas Shelby, e você não vai sair passando a navalha no olho da galera. Mas ele vai, sim, te colocar para pensar de uma forma muito específica, e te obrigar a dominar a nobre arte da sincronicidade se quiser superar todos os desafios que ele traz.

Peaky Blinders Mastermind está disponível para PC, PS4 (versão analisada, rodando no PS4 Pro), XOne e Switch.

Uma resposta para “Análise Arkade: Peaky Blinders Mastermind não te ensina a ser frio e calculista, mas te coloca para pensar”

  • 1 de setembro de 2020 às 12:06 -

    Ronnie

  • Poxa, vou jogar esse game por gostar do estilo, e como nunca assisti essa série, é provável que eu goste do jogo :)

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