Análise Arkade: R-Type Final 2, o oneroso retorno de um clássico dos shoot ‘em ups

22 de maio de 2021
Análise Arkade: R-Type Final 2, o oneroso retorno de um clássico dos shoot 'em ups

R-Type é uma franquia que acompanha a própria evolução dos videogames: o primeiro jogo da série chegou aos arcades em 1987. Agora em 2021, um novo capítulo da saga espacial chega, na forma de R-Type Final 2!

Não era uma piada

Um detalhe curioso é que R-Type Final 2 foi anunciado no dia primeiro de abril de 2019. Como a indústria de games é cheia de pegadinhas e trollagens nesta data, todo mundo achou que era zoeira — até porque, quando um jogo leva “Final” no nome, não faz muito sentido ter uma parte 2, né?

Pois bem, não era zoeira. O anúncio foi real, e logo depois a Granzella anunciou uma campanha de financiamento coletivo, que arrecadou mais de um milhão de dólares, e teve o intuito de transformar esse novo jogo em uma espécie de homenagem para o legado da série.

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pew pew pew

O jogo nos dá um background da base espacial em que estamos e nos permite até nomear nossa personagem, mas não tem uma grande a ser desenvolvida aqui. Apesar do visual moderno 2.5D, esse ainda é um “jogo de navinha” bem raiz, e o que interessa é a ação.

De início, temos 3 naves diferentes para escolher e há um grau mínimo de customização para cada uma delas (trocas de cores, adesivos e diferentes tipos de bombas especiais).

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Como as naves possuem power ups ligeiramente diferentes, vale a pena experimentar todas para ver com qual delas você se sai melhor.

Pew, pew, pew!

Escolha feita, o gameplay em si é bastante familiar para qualquer um que jogou algum shoot ‘em up nas últimas décadas: você deve exterminar hordas de naves inimigas, escapando de incontáveis projéteis enquanto faz o seu melhor para coletar power ups e manter-se vivo.

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Apesar de ser familiar, temos algumas nuances nas mecânicas, por exemplo: há um botão de rapid fire que você pode manter apertado para ficar atirando ininterruptamente, como uma metralhadora. Porém, também há um botão de tiro único: manter ele pressionado carrega uma versão muito mais poderosa do seu tiro. A pegadinha é que você não pode usar os dois ao mesmo tempo, precisando escolher e priorizar o que for mais adequado conforme a situação.

Outro detalhe interessante é que o primeiro power up que a gente coleta sempre é um orbe que atira sozinho. Porém, você pode acoplá-lo à sua nave — tanto na frente quanto na traseira — o que lhe confere a possibilidade de atirar em duas direções simultaneamente. Não temos como virar o bico da nave para trás, então este recurso acaba sendo uma mão na roda, pois ocasionalmente virão inimigos também pela esquerda da tela.

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Repare nos tiros indo para trás, com o orbe acoplado na traseira da nave

Boa parte dos demais power ups (os coloridos) servem justamente para alterar o tipo de tiro que esse orbe ajudante dispara, entre lasers que ricocheteiam e até um “chicote” elétrico. Usando a terceira nave, esse orbe passa a se movimentar e mirar automaticamente pela tela, então equipá-lo com uma boa munição ajuda bastante nos trechos mais cabeludos.

Outra peculiaridade nas mecânicas são os botões de aceleração e “freio” para as naves, que nos permitem um controle mais rápido (ou mais lento) para realizar esquivas e manobras. Não é assim tão útil: eu fiquei na velocidade intermediária (2) o tempo todo e, no geral, a velocidade correspondeu às expectativas.

No mais, espere por um “jogo de navinha” bastante tradicional, que traz uma boa mistura de inimigos comuns, chefes gigantes e muitas explosões pela tela. Aliás, se tem um jogo que precisa ter um aviso de “luzes piscantes” é esse: mesmo o projétil mais ordinário é brilhante e pulsante, de um jeito que a tela torna-se quase uma balada, tamanha a quantidade de luzes e cores piscando!

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Tipo assim

E já que falamos nisso, destaco que o departamento audiovisual do jogo é bem competente: ainda que alguns backgrounds sejam bem genéricos, os modelos de naves e inimigos são bem feitos, e o jogo tem capricha nos sons de laser e explosões. A trilha sonora ocasionalmente desaparece (me parece ser um bug), mas, sendo bem honesto, nem faz muita falta.

Continues, DLCs e preços polêmicos

Uma coisa que R Type-Final 2 traz direto dos anos 80/90 é o limite de vidas e continues. Porém, ele faz isso de um jeito que é diferente… e também desnecessário.

Funciona assim: na sua primeira partida, você vai ter 3 continues, cada um com 3 vidas. Perdeu tudo, é Game Over de vez, volta do início. Porém, nessa segunda rodada, você vai ter 10 continues, o que aumenta suas chances de chegar até o final. Eu consegui terminar nessa segunda partida, mas li por aí que, se você fracassar tendo 10 continues, vai ter 99 tentativas na próxima jogada.

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Se é possível ter 10 ou 99 continues, porque o jogo nos obriga a começar somente com 3? Tentar zerar com 3 continues fica parecendo uma perda de tempo… ou uma forma bem safada de prolongar a experiência do jogo.

O que nos leva ao próximo ponto: R-Type Final 2 é um jogo estilo arcade, super direto ao ponto. São apenas 7 fases, então, com alguma habilidade, é possível terminá-lo em menos de uma hora. E ele custa absurdos R$ 199 na PSN brasileira. É um preço bem alto para um jogo tão curto, não acha?

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Calma que ainda tem mais: o jogo mal “saiu do forno” e já veio acompanhado de um DLC, que custa R$ 37,50 e acrescenta mais duas fases. Além disso, o jogo ainda conta com um “Stage Pass” que vai ter, no total, 3 pacotes de fases extras (contando com esse primeiro que já saiu). Esse “passe” custa mais de R$ 100. Ou, se preferir, você pode adquirir o jogo base + o Stage Pass pela bagatela de R$ 319,90.

Eu não gosto de atribuir preço ao nível de diversão (ou mesmo nostalgia) de um jogo. Porém, pagar quase 200 reais por um jogo que tem 7 fases e dura menos de uma hora é bem salgado. E o pior: ao invés de colocar mais conteúdo no jogo para tentar justificar esse valor, os caras foram lá e criaram não um, mas 3 pacotes de DLCs separados. Se cada um tiver duas fases, o pacote todo vai acrescentar uns 30 minutos de jogo “novo”, e olha lá.

Conclusão

Eu sei que a nostalgia as vezes fala mais alto que a razão, mas, preciso ser honesto: mesmo que você seja um fã de carteirinha de R-Type, ou um entusiasta de shoot ‘em ups… segure a onda e espere por uma promoção muito boa antes de comprar R-Type Final 2.

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Chefes gigantes? Aqui tem vários

Não é nem pela qualidade do jogo, mas pelo custo-benefício. R-Type Final 2 é um bom “jogo de navinha”… mas também é um jogo curto e simples, que você consegue zerar “em uma sentada” e não tem lá um fator replay muito grande.

E, convenhamos: é um “jogo de navinha”. Você sem dúvida consegue encontrar produtos muito similares (e bem mais em conta) por aí. Em último caso, fica a dica: ele tem uma demo gratuita. Baixe e experimente antes de abrir a carteira.

R-Type Final 2 está disponível para PC, Playstation 4 (versão analisada, rodando no PS5), Xbox One, Xbox Series X|S e Nintendo Switch. O jogo não possui menus ou legendas em português brasileiro.

Uma resposta para “Análise Arkade: R-Type Final 2, o oneroso retorno de um clássico dos shoot ‘em ups”

  • 23 de maio de 2021 às 15:55 -

    Helinux

  • Gosto muito de R-Type e seus clássicos da era 8 e 16 bits da vida!!!! Gostei dessa versão atual!!!! valeu!!!!

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