Análise Arkade: a implacável luta pela sobrevivência de Rain World

1 de Abril de 2017
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: a implacável luta pela sobrevivência de Rain World

Rain World. Você já deve ter visto gifs deste jogo por aí, talvez até sem saber que eram dele. A pixel art incrível dele é de encher os olhos, mas será que, como jogo, ele tem mais a oferecer? Vamos descobrir!

Um mundo hostil

Rain World se passa em um mundo distópico. Algo deu errado com a civilização, e aos poucos a natureza foi tomando conta de tudo. Neste belo e melancólico universo, você assume o papel de um Slugcat — criaturinha ágil e extremamente flexível — que foi brutalmente separado de sua família e agora precisa sobreviver até que todos possam se reencontrar.

Análise Arkade: a implacável luta pela sobrevivência de Rain World

Um pouco disso de fato é apresentado na introdução do game, o resto é a minha interpretação pessoal do jogo e do seu mundo. O fato é: você é um pequeno Slugcat solitário que precisa ser virar para sobreviver. Esta definitivamente não será uma tarefa fácil, pois o mundo de Rain World está repleto de predadores implacáveis, e a própria chuva representa um grande perigo.

Sobrevivendo

Em seus primeiros minutos, Rain World nos ensina apenas o básico de suas mecânicas. Você pode caçar morcegos, insetos ou catar alguns tipos de plantas para comer. Você pode pegar e tacar pedras e gravetos. Você pode se equilibrar em cabos e varas, ou ainda se espremer através de minúsculos dutos, que servem como passagens ou mesmo como esconderijos improvisados.

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E isso é tudo o que você vai aprender de fato, o resto é por sua conta. E prepare-se para sentir muita raiva, por Rain World é um joguinho extremamente desafiador, no qual você precisa aprender “na marra” como proceder. Este é um jogo imprevisível, onde você precisa se adaptar às situações e ser inventivo se quiser sobreviver.

Neste jogo você é caçador, mas também é caça: existem grandes criaturas patrulhando os cenários (por terra ou até por ar), e se uma delas te pegar, já era. Não pense que lugares altos ou dutos irão te salvar, pois os bichos também conseguem dar um jeito de acessá-los. Sem uma maneira definitiva de dar cabo deles, só o que você pode fazer é fugir e tentar a todo custo evitá-los.

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A chuva, porém, é seu mais implacável inimigo: ela cai com força, e é capaz de matá-lo em poucos segundos. Mesmo quando você pensa que está seguro, a água pode inundar uma área do cenário e te matar afogado. Sua toca é o único lugar onde você pode hibernar em segurança e esperar a chuva passar.

Aliás, se planeja hibernar, é bom ficar de olho no seu medidor de energia: você precisa ter pelo menos 3 bolinhas cheias para poder fazer isso. Se não tiver, vai literalmente morrer de fome no seu abrigo enquanto espera a chuva passar. Eu disse que esse era um joguinho difícil!

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Outro ponto importante: a hibernação é o save point do jogo. Seu progresso só é efetivamente salvo (inclusive as áreas liberadas no mapa) depois que você dorme em segurança enquanto chove. Não há checkpoints, nem nada do tipo. Por um lado isso é compreensível, mas sem dúvida é frustrante morrer por uma bobeira e perder “um dia inteiro” de progresso.

Explorando

Rain World é difícil por tudo isso que eu falei ali em cima, mas também por outros fatores, estes muito menos ligados ao ecossistema do jogo e mais à questões de game design. Para começar, ele é um jogo que não te diz o que fazer, nem para onde ir.

Análise Arkade: a implacável luta pela sobrevivência de Rain World

Não tenho nada contra jogos que fazem isso, o problema é que aqui a falta de informação te deixa realmente perdido, e sem saber o que fazer. E ele não é bem um MetroidVania, de modo que você vai acessando mais e mais áreas sem ter a noção de estar no caminho certo ou não… se é que há um caminho certo. E o pior é que quando mais você explora, mais longe fica da sua toca, de modo que, quando chover, já sabe…

Sem uma história “de verdade” se desenrolando, você simplesmente sai explorando o labiríntico mapa do game — que se expande para todos os lados –, sem ter uma exata noção do que deve ser feito. E quando a tela estremecer e o controle começar a vibrar loucamente na sua mão, corra, pois é sinal de que a chuva é iminente! Se estiver muito longe de sua toca, sinto muito, mas você provavelmente vai morrer.

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Confira abaixo meu gameplay com os 15 minutos iniciais de gameplay. Era minha primeira partida, então eu morri na primeira chuva:

As coisas meio que vão acontecendo conforme os dias vão passando, mas eles só passam quando você hiberna e acorda depois da chuva. Se você não souber disso e ficar morrendo de novo e de novo na “primeira” chuva, vai ficar travado ali para sempre, pois nada de diferente vai acontecer até que você hiberne. E mesmo quando as coisas começam a acontecer elas são bem subjetivas, cabendo ao jogador captar e interpretar os sinais que o jogo dá.

Tem muita coisa que você descobre sem querer: certas plantas comestíveis podem lhe conceder algumas habilidades temporárias, ou mesmo te fazer vomitar. Certos bichos são capazes de escalar, outros não. Há padrões de comportamento que podem lhe ensinar muita coisa caso você pare para observá-los, mas o jogo nunca te diz isso diretamente.

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O que quero dizer com tudo isso é que Rain World é um jogo lento e confuso, e que seu timing precisa ser respeitado caso você queira de fato evoluir. Ele pode causar muita raiva e frustração se for jogado “de qualquer jeito”, e sei que nem todos os jogadores terão a paciência e a dedicação que ele demanda para funcionar.

Audiovisual

Aqui não há do que reclamar: Rain World é sem dúvida um dos jogos em pixel art 2D mais bonitos já feito. Cada tela é um intrincado quebra-cabeça de elementos, criados com uma meticulosidade que impressiona. Este é aquele tipo de jogo tão bonito que dá vontade de botar em um quadro.

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As animações são igualmente caprichadas, e apresentam uma fluidez impressionante para um jogo deste tipo. Curiosamente a jogabilidade em si é bem menos fluida do que poderia ser, parecendo um tanto truncada. O Slugcat “do controle” definitivamente não parece ter a mesma fluidez do Slugcat “da tela”.

A trilha sonora é praticamente inexistente, de modo que o jogo nos brinda com uma quietude serena, que é pontuada pelos sons emitidos pelas criaturas, pela chuva e pelos elementos daquele mundo. É uma serenidade que até não combina com um jogo que pode se tornar altamente estressante, mas sem dúvida contribui com a ambientação.

Análise Arkade: a implacável luta pela sobrevivência de Rain World

Ah, e por menos história que tenha, Rain World apresenta menus e legendas em português brasileiro.

Conclusão

Rain World definitivamente não é para todos. Ele é difícil, punitivo e confuso, com regras que devem ser aprendidas na marra e um timing que precisa ser respeitado. Não existem atalhos, nem uma maneira fácil de jogá-lo: ou você se adequa àquele ambiente hostil, ou ele vai engoli-lo impiedosamente.

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Considerando que este tipo de experiência pode gerar muita frustração — e rage quit, e controles quebrados — eu recomendo Rain World para jogadores que tenham paciência e perseverança. Mesmo gamers com este perfil invariavelmente vão sofrer um bocado aqui, seja pela falta de informações, seja pela dificuldade. Mas este é o preço a se pagar caso você queira experimentar um dos jogos 2D mais deslumbrantes já produzido.

Rain World foi lançado em 28 de março, com versões para PC e Playstation 4.

2 Respostas para “Análise Arkade: a implacável luta pela sobrevivência de Rain World”

  • 1 de Abril de 2017 às 18:08 -

    C

  • Eu sou meio devagar então não entendi muito o objetivo do jogo. Basicamente você tem que encontrar um abrigo, então correr para achar outro antes que comece a chover (a cada 15-20 min, eu acho) e é isso o jogo? Ou tem algo que eu não entendi?

  • 1 de Abril de 2017 às 20:55 -

    Erik

  • Gosto de jogar esse tipo de jogo no PSVita, bem que podia sair uma versao pra ele.

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