Análise Arkade: Resolvendo (de novo) os problemas com rap em PaRappa The Rapper Remastered

6 de abril de 2017
Autor: Junior Candido

Análise Arkade: Resolvendo (de novo) os problemas com rap em PaRappa The Rapper Remastered

O ano de 1997 foi muito importante para a consolidação do Playstation. O console, que já estava vendendo muito bem nesta época, começava, aos poucos, a apresentar exclusivos de qualidade absurda e também se mostrava um celeiro de boas ideias. O console, que já tinha clássicos instantâneos como Resident Evil e Final Fantasy VII, também mostrava que oferecia espaço para o diferente, o inovador.

Foi neste contexto que nasceu PaRappa The Rapper, um jogo musical com personagens que pareciam ter sido recortados de uma revista, um ambiente bem cartunesco e simpático, e que oferecia um gameplay baseado no rap, no qual você precisava fazer a sequência de botões indicada na tela para completar a música e assim, passar de fase. O jogo fez bastante sucesso, e gerou um spin-off (UmJammer Lammy), uma continuação, além de ter sido relançado para o PSP em 2007.

E, para mostrar que o jogo continua firme e forte, e também para apresentar o simpático personagem, que poderia ter sido um dos mascotes da Sony (trono este reivindicado justamente por Crash Bandicoot), foi lançado nesta semana o Remaster do game, que adapta os coloridos e simpáticos sprites para as nossas TVs de alta definição, mas que oferece a mesma diversão de antes.

Praticamente a mesma coisa, mas em 4K e HD

No vídeo acima, comparamos lado a lado as versões de Playstation e Playstation 4, confira.

Por ser um jogo musical, PaRappa The Rapper é muito bem vindo hoje, com suporte a melhores capacidades sonoras, graças a saída óptica e HDMI do console. E, também, as melhorias gráficas também deixam o jogo bem mais colorido e suave na tela. Sim, o visual do game já era muito interessante em 1997 e continua atual, chegando até a confundir algum desavisado, fazendo-o pensar que se trata de um jogo inédito, pois seus sprites “recortados” em cenários coloridos nos fazem lembrar de bons jogos indies que aparecem regularmente por aí. Também temos que lembrar que, entre as novidades, temos o óbvio suporte a troféus e versões alternativas das músicas do jogo, que ajudam um pouquinho quando enjoamos de alguma delas.

Porém, é “só isso” que jogo é o mesmo que jogamos há 20 anos atrás. PaRappa é um jovem que sonha com algumas coisas, mas decide ir atrás delas, buscando aprender estas coisas novas. É assim que ele vai parar em uma academia para aprender a brigar, em uma auto-escola para aprender a dirigir, ou até mesmo assistir na TV um programa no melhor estilo Palmirinha, para aprender a fazer um bolo. E o gameplay também segue intocado: enquanto a música rola na tela, é preciso acertar a sequência exata de botões exibidas em uma barra na parte superior da tela, enquanto um indicador no lado direito mostra o seu desempenho, evitando ao máximo chegar ao desempenho ruim, no qual o jogo já começa a te pressionar, e evitando mais ainda chegar ao péssimo, o que significa Game Over instantâneo.

Mais para fãs e menos para novatos

Neste vídeo, que faz parte da série Até o Fim! de nosso canal, jogamos PaRappa até o fim. Se é o fim do jogo ou o game over, é só dando play pra saber!

O problema da aventura de PaRappa é que, desde os tempos de PSOne, o jogo tem uma dificuldade elevada, se considerarmos o espírito do jogo, que deveria ser um pouco mais acessível para jogadores casuais, que teriam interesse de curtir o jogo de maneira mais leve. O Remaster até pega um pouco mais leve nas sequências, mas nas fases finais, a exigência de perfeição no apertar de botões pode significar um bom desafio para jogadores mais dedicados, mas também pode afastar vários jogadores que apenas queriam curtir os cenários e as divertidas cutscenes do jogo. E, como todo jogo de sua época, ainda penaliza quem joga no modo Easy (não muito, já que tem um troféu de prata pra quem termina neste modo), oferecendo só as três primeiras fases neste modo.

Claro que um jogo precisa de desafios e eles são muito bons, mas para uma nova época, com novos tipos de jogadores, talvez um modo para que jogadores não tão preocupados com desafio pudessem apenas sentar e curtir o game seria muito bem vindo. Bust a Groove, jogo de dança lançado também para o Playstation, e a série Guitar Hero, cumprem bem este papel, pois oferecem dificuldade absurda para quem quer se aventurar em seus modos extremos, mas também garantem que jogadores casuais possam aproveitar o jogo, sem grandes problemas. Para ajudar, o jogo até oferece suporte para a vibração e um sistema para ver melhor os ícones na tela, mas mesmo assim, conta com uma dificuldade bem injusta, por não se deixar adaptar para outros perfis de jogadores.

Outra barreira está quanto a organização de suas funções. Também intocado, os menus são simples, porém confusos e mal posicionados, atrapalhando até a escolha de funções simples, como a dificuldade desejada. Refazer os menus não atrapalhariam a experiência do jogo, e ajudaria a não deixar o jogo tão confuso para quem nunca viu o PaRappa antes.

Continua divertido, continua desafiante

Os vinte anos de PaRappa fizeram muito bem para o personagem e sua turma. O visual do jogo continua atual e divertido, e suas músicas continuam contagiantes. O jogo chamos atenção por boas razões em 1997 e continuará chamando com esta versão remasterizada. O único porém aqui, conforme já explicamos, foi a ausência de um gameplay mais amigável para que os novatos possam curtir o game sem se frustrar tanto com a quase perfeição que ele exige nas batidas das músicas. Um jogo deste tipo precisa sim ser desafiante, mas ao mesmo tempo oferecer maneiras acessíveis de gameplay.

Além do banho de nostalgia, jogar PaRappa The Rapper novamente nos faz lembrar de como o mundo do videogame é rico e como boas ideias podem ser exploradas de maneira tão caprichada. Após PaRappa, tivemos algumas sequências da própria série, e vários outros jogos musicais, de dança ou de banda, e ainda assim, tenho certeza de que ainda há muito terreno para se explorar. PaRappa simboliza a fuga da zona de conforto para oferecer algo de diferente a um público que estava migrando dos muitos jogos de plataforma para os muitos jogos de ação em 3D, e hoje, em meio a tantos jogos diferentes, geralmente encabeçados pela comunidade independente, pode se sentir como parte de tudo isso, e ver como que os videogames evoluiram positivamente quanto a criatividade, mesmo com alguns históricos de “mais do mesmo” que temos que acompanhar no processo.

PaRappa The Rapper Remastered é exclusivo para Playstation 4, conta com suporte 4K no PS4 Pro e está disponível em forma digital na Playstation Store.

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