Análise Arkade: O enorme desafio imortal de Sekiro: Shadows Die Twice

31 de março de 2019
Autor: Renan do Prado

Análise Arkade: O enorme desafio imortal de Sekiro: Shadows Die Twice

Prepare-se para morrer novamente, pois o novo game da FromSoftware já está entre nós! Sekiro: Shadows Die Twice deixa os castelos de pedra e cidades góticas de lado e transporta o jogador para dentro do Japão Feudal, em uma aventura totalmente nova e diferente dos últimos games da produtora, mas mantendo uma coisa intacta: Você morrerá muito, muito mesmo!

Então é hora de embarcarmos nessa nova aventura e conferir nossa análise completa desse game (spoiler: ela está enorme e altamente detalhada!). E já deixando o aviso, se você é velho de guerra de Dark Souls, não vá entrando em Ashina se achando a última bolacha do pacote, pois você vai ser massacrado!

Uma jornada de morte e imortalidade

Análise Arkade: O enorme desafio imortal de Sekiro: Shadows Die Twice

Sekiro: Shadows Die Twice é ambientado após o fim da Era Sengoku do Japão, mais precisamente 20 anos depois (por volta de 1620). Porém, esse não é um game baseado numa história real, como em Nioh, aqui temos uma história original ambientada nas terras fictícias de Ashina, um lugar marcado por guerras constantes.

Nesse mundo, o jogador controla o Lobo, um shinobi que nunca revela seu nome, que serve ao Lorde Kuro, um simples menino, que é o Herdeiro Divino da Linhagem do Dragão, uma linhagem que detém o poder da imortalidade graças ao Sangue de Dragão que corre em suas veias. O menino está sendo mantido prisioneiro no reino de Ashina, pois Genishiro Ashina, neto do grande senhor dessas terras, deseja usar o Sangue de Dragão para conseguir o poder necessário para restaurar Ashina, que está prestes a entrar em uma guerra contra o Ministério do Interior.

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O pequeno Kuro, Herdeiro Divino e o lorde do Lobo

Lobo tem como missão obedecer ao código de ferro dos shinobi: Proteger seu mestre a qualquer custo, entregando a própria vida se necessário. E ao cumprir seu dever, o Lobo acaba morto, mas é salvo por Kuro ao receber o poder da imortalidade. Assim, o Lobo sempre volta à vida, não importa quantas vezes pereça.

E assim, embarcamos numa jornada por toda a terra de Ashina para salvar o pequeno Kuro e para descobrir os segredos da própria imortalidade do Sangue de Dragão e do passado do Lobo, que perdeu parte de suas memórias após ser ressuscitado pela primeira vez. O caminho não será fácil, mas após perder seu braço esquerdo em combate, o Lobo terá a Prótese Shinobi à sua disposição, adicionando muito mais possibilidades em combate.

Uma aventura direta, não baseada inteiramente no Lore

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Um dos padrões seguidos pela FromSoftware em seus games é o uso do Lore como motor principal da narrativa. Ou seja, jogos com uma trama misteriosa, que demanda que o jogador desvende pedaço por pedaço, bem como crie suas próprias interpretações, enquanto explora e morre sucessivamente. Nós já discutimos bastante sobre isso em nossa coluna Editorial, falando sobre como o lore bem usado contribui para a criação de mundos muito mais orgânicos.

A proposta de Sekiro é diferente, temos pela primeira vez um protagonista fixo e que fala, mesmo que pouco, e que segue uma trama de começo, meio e fim. Isso significa que temos mais cutscenes e diálogos reveladores, deixando pouca coisa envolta em mistério, dessa forma, apresentando uma história mais amigável e de fácil entendimento, mas não destituída de lore. O lore está lá, mas com foco secundário, explicando alguns locais e alguns inimigos específicos.

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E como jogamos com um shinobi, mestre em furtividade e espionagem, podemos colher informações ao ouvir diálogos de personagens e inimigos estando escondido. Ao se aproximar de alguns grupos de inimigos, um ícone de escuta aparecerá, o jogador deve então achar um lugar para se esconder e ouvir a conversa, que releva muitas coisas interessantes, desde caminhos secretos, localização de itens e um pouquinho do lore das terras de Ashina.

As principais fontes de lore, além dos diálogos e conversas, são as descrições de itens e principalmente as memórias de inimigos derrotados. Os chefões do game ao serem mortos entregam uma memória ao jogador, que serve para melhorar sua força (falaremos mais disso adiante), essas memórias são itens que contam um pouquinho da história de cada chefão derrotado.

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Mesmo oferecendo uma história mais direta, Sekiro apresenta uma história muito interessante e bem construída, apesar de um pouco mais simples do que as da série Souls. As terras de Ashina são vastas e cheias de perigos, em cada estrada, floresta e até mesmo no mais profundo vale, com uma narrativa  bem desenvolvida e um lore que, apesar de secundário, consegue acrescentar informação à história.

Uma fusão de Tenchu e Dark Souls

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Dark Souls não é a única série famosa da FromSoftware. Muito antes disso havia Tenchu, um dos games precursores do subgênero de Stealth Action ao lado de Metal Gear Solid. Tenchu era uma série sobre ninjas, cujo gameplay era focado em furtividade e no uso de vários equipamentos diferentes para matar inimigos e chegar até o final. E Sekiro puxou muita coisa dessa série.

Pra começar a explicar como é o game, vamos de “dentro pra fora”. O esqueleto do game, ou melhor dizendo, o game design de seus mapas e progressão é o mesmo de Dark Souls: Vários cenários interconectados, cheios de passagens escondidas, sem nenhum minimapa e cujo progresso é marcado pelos Ídolos de Escultor, as bonfires desse game.

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Ao interagir com os ídolos, você pode melhorar seu personagem, viajar entre Ídolos diferentes e descansar. Ao descansar, todos os inimigos, com exceção de chefões e mini-bosses, ressuscitarão. E aqui terminam as principais semelhanças do game com Dark Souls, excluindo algumas outras pequenas.

A parte de Tenchu completa o resto. Temos aqui um protagonista ninja muito habilidoso, capaz de correr rapidamente, pular e escalar paredes, usar diversos equipamentos para combate e exploração, e que ainda por cima é imortal, mas falaremos de sua imortalidade mais pra frente.

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O combate de Sekiro é focado em dois principais fatores: HP e Postura. Quem já jogou o primeiro Dark Souls entenderá melhor isso, pois a postura é o mesmo da infame “poise”. O que acontece é, diferente dos Soulsbornetodos os inimigos do game sabem se defender. Nenhum inimigo vai ficar apanhando de graça até morrer (com exceção de alguns pequenos monstros), eles se defenderão. E em termos de combate estão no mesmo patamar do protagonista.

Para matar inimigos é preciso obviamente baixar seu HP a zero, mas não apenas isso, é necessário dar um Golpe Mortal, um “Fatality” brutal que finaliza o inimigo de vez. Mas para conseguir isso o jogador deverá vencer a postura do inimigo, ou melhor dizendo, sua capacidade de se defender.

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O Golpe Mortal no chefão acima é especialmente brutal

Existem três medidores que o jogador precisa estar atento num combate: o HP do inimigo, os círculos vermelhos acima de sua barra de vida e a barra de postura. Quanto mais você ataca um inimigo, e quanto mais você é atacado, a barra de postura se enche, quando ela se completa, o personagem correspondente tem sua postura quebrada, ficando totalmente vulnerável a um ataque mortal.

Assim, se você quebrar a defesa de um inimigo, mesmo que seu HP esteja cheio, você pode matá-lo na hora com um golpe mortal. Mas não pense que será fácil. Será muito difícil! Eles não vão ficar simplesmente se defendendo até cansar. Todo inimigo no game sabe revidar e explorar qualquer brecha que o jogador der. Se você só ficar atacando, eles darão parry em seus ataques e revidarão, se você só ficar defendendo, eles quebrarão sua postura, se ficar tentando só esquivar e fugir, eles vão continuamente diminuir a distância e se aproveitar de qualquer vacilo que você der.

Acima está a minha luta completa com o chefão Guardião Primata. Cuidado com os spoilers!

E ainda mais, não são todos os inimigos cujas posturas podem ser quebradas! Muitos dos chefões do game possuem postura muito alta, o que torna imensamente difícil quebrá-la. Nesses casos, você precisará calmamente ir baixando o HP dos inimigos até poder dar um golpe mortal. E lembra dos círculos vermelhos acima da barra de vida? Eles indicam quantos golpes mortais são necessários para matar um inimigo.

Felizmente, muitos inimigos poderosos podem ser atacados furtivamente, o que já elimina um círculo vermelho “gratuitamente”, mas a partir daí, é mano a mano até alguém morrer. E nem pense em atacar um inimigo forte com furtividade, fugir e aí dar cabo da vida restante. Se você fugir de um combate com um mini-boss (todo inimigo com círculos vermelhos acima da vida é um mini-boss), ele recuperará toda a vida e você deverá atacá-lo novamente até vencer.

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O mini-boss acima só pode ser morto com dois golpes mortais

A furtividade do game é excelente, e opcional. Não há nenhuma penalização caso o jogador seja visto, porém, enfrentar mais de um inimigo ao mesmo tempo é algo perigosíssimo.  Por isso, a melhor estratégia é eliminar um por um cada inimigo sem ser detectado, evitando mortes desnecessárias. E como em games como Metal Gear Solid, ou até os games da Ubisoft, se um inimigo notar a presença do jogador, um ícone amarelo aparece sob a cabeça de um inimigo. E se ele for visto, o ícone fica vermelho e todos os que verem o jogador partirão para o ataque.

Você deve usar tudo a seu dispor para vencer os inimigos. Armas, itens e habilidades desbloqueáveis e principalmente sua própria destreza com o controle. Sekiro é sem dúvida o game mais difícil da FromSoftware no subgênero “Souls-like”, mas permite que o jogador crie diversas estratégias diferentes graças a Prótese Shinobi.

A prótese Shinobi e a evolução de personagem

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Diferente de Dark Souls BloodborneSekiro oferece um arsenal limitado ao jogador. Como forma primária de ataque o jogador tem apenas a katana do Lobo, Kusabimaru. Porém, o jogador tem acesso a um grande arsenal de equipamentos para a Prótese Shinobi.

Ao longo do game o jogador encontrará diferentes ferramentas que, ao serem levadas ao Escultor, um personagem no hub central do game, podem ser equipadas na Prótese. Entre os diversos equipamentos que o jogador terá acesso, estão Shurikens, um poderoso machado, um cano de fogo, uma lança, um escudo retrátil, fogos de artifício e muito mais.

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O Guarda-Chuva, ou escudo retrátil, é uma das ferramentas mais úteis do game

Ao habilitar essas ferramentas, o jogador pode equipar até três ao mesmo tempo, podendo mudar seus equipamentos livremente no menu do game, aliás algo que deixará muita ente feliz: Sekiro tem pausa! Diferente de Dark Souls, aqui você pode pausar o game e respirar um pouco a qualquer hora.

Cada ferramenta tem um uso primário e vários usos diferentes que o game não ensina ao jogador, adicionando uma boa variedade de formas de usar esses equipamentos. As Shurikens servem para atacar inimigos distantes, ou forçá-los a se defender para encaixar outros ataques. O machado pode quebrar escudos de madeira, além de causar muito dano na postura inimiga. O cano de fogo incendeia inimigos e assusta animais e monstros, a lança destrói armaduras e pode puxar inimigos para perto e etc.

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O game oferece 10 ferramentas Shinobi diferentes para serem equipadas na prótese, e cada uma delas pode ser melhorada individualmente, aumentando seu poder e adicionando efeitos extras. Por exemplo, você pode melhorar a Shuriken para ela continuar girando mesmo ao acertar inimigos, causando dano contínuo. Se você melhorar o cano de fogo e o machado, pode criar um machado flamejante, além de criar diferentes combinações para cada equipamento.

E o melhor de tudo é que cada upgrade é um equipamento individual, ou seja, você tem 10 ferramentas padrão, e um total de 31 ferramentas diferentes, todas utilizáveis! Cada equipamento tem uma aplicação diferente. O escudo retrátil por exemplo pode ser melhorado para defender golpes de criaturas sobrenaturais (que geram o status Terror, que se cheio, mata o jogador instantaneamente), e também pode ser melhorado para segurar todo dano de fogo. E os dois escudos continuam acessíveis, você não perde um upgrade ao criar um mais avançado.

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Essa é a árvore de upgrades das ferramentas Shinobi. São 31 armas diferentes!

Porém, a prótese não pode ser usada levianamente. Com exceção de seu gancho, que permite que o jogador alcance lugares altos, todas as ferramentas shinobi gastam brasões espirituais para serem usadas. Os brasões são itens encontrados nos cenários e conseguidos de inimigos mortos. Eles funcionam como munição pra prótese, cada ferramenta tendo seu custo de uso. Por isso, a prótese deve ser usada com sabedoria, para pegar os inimigos desprevenidos e para dar vantagens ao jogador, mas não a qualquer hora.

Além disso, ainda há a evolução do personagem, bem diferente da série Soulsborne. Pra começar, não há classes no game, o Lobo é um ninja, e isso basta. Existem 3 status que podem ser melhorados: HP, Postura e Força de Ataque. HP e Postura são um status apenas, e são melhorados ao se coletar contas de oração, encontradas em baús, pelo cenário e de chefões derrotados. A cada quatro contas, o jogador pode criar um colar de oração que aumenta vida e postura. Já o ataque é melhorado ao acessar as memórias de chefões derrotados. Basta interagir com um ídolo de Escultor e melhorar ambos os status se possuir os itens necessários (4 contas e memórias).

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Quatro inimigos ao mesmo tempo? Pois é, eu morri nessa parte.

Ao derrotar inimigos, o jogador ganha duas “pontuações”: XP e Sens. Sen é o dinheiro do game, que você usa para comprar itens e melhorar as ferramentas da prótese. XP é acumulado até gerar pontos de habilidade, que são usados para comprar novas habilidades para o jogador, sendo elas de três tipos: Passivas, Técnicas e Artes de Combate.

As passivas envolvem aumentar do número de brasões espirituais, melhoria na defesa e etc. Técnicas são golpes e habilidades que podem ser usadas dentro de combos, como atacar no ar, defesas pra tipos específicos de ataque e etc. E artes de combate são golpes poderosos usados ao se apertar os botões de ataque e defesa ao mesmo tempo, com vários tipos diferentes, desde cortes rápidos, golpes com os punhos, golpes aéreos e etc.

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E com isso, Sekiro difere muito dos outros games recentes da FromSoftware, pois coloca o jogador no controle de um personagem com seu próprio moveset e status que só são melhorados mediante exploração e superação de desafios, não através de grinding ou farming de itens. O que nos leva a um dos pontos mais importantes que difere o game dos outros Souls.

Aprendizado x perseverança

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Recentemente, em meu texto editorial discutindo sobre o “Lore”, algo que comentei é que cada game tem uma proposta, algo que quer transmitir, ou atingir. Simuladores em geral (com exceção daqueles de zoeira) tem como proposta serem o mais realistas possíveis. Games como Battlefield Call of Duty tem a proposta de entregar tiroteio em larga escala em seus modos multiplayer. E assim vai.

A proposta dos games da FromSoftware é ser difícil, entregar um desafio grande que exija bastante do jogador, para que ele sofra (de preferências bastante) e tenha a sensação de dever cumprido após derrotar um chefão que lhe tomou tanto tempo pra vencer. Sekiro também é assim, mas de uma forma diferente.

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Em Dark Souls, Bloodborne Demon’s Souls, o foco é a perseverança. É morrer, tentar de novo, aprender o moveset de um inimigo, melhorar seu personagem e superar os desafios. E você pode fazer isso como quiser. Você pode terminar Dark Souls sem nunca rolar ou usar o parry, apenas usando um escudo e uma armadura pesada. Em Bloodborne não há escudos, assim os jogadores foram obrigados a aprender a desviar, mas não é preciso aprender a usar ataques viscerais (o “parry” do game).

Já em Sekiro, se o jogador não aprender todas as mecânicas presentes, não vai pra frente. O jogador precisa aprender a defender, a usar o parry, a esquivar e a atacar. Parece até redundante, mas não é. Lembre-se, os inimigos são inteligentes, eles não vão ficar esperando o jogador atacar até que eles morram, eles vão se defender, vão revidar e vão usar muitas táticas diferentes para atacar o jogador.

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Como já dito, há dois medidores que o jogador deve sempre ter em mente: HP e Postura. HP zero é igual a morte, Postura quebrada significa morte. Você deve quebrar a postura inimiga e o inimigo quer quebrar a sua. Se você só atacar loucamente, não causará dano e será contra-atacado. Se só defender, terá sua postura quebrada e ficará vulnerável a golpes mortais e a outros ataques indefensáveis. E se só ficar fugindo esperando uma oportunidade perfeita pra atacar, a oportunidade pode nunca chegar.

Você precisará dominar todas as técnicas que o game oferece: Ataque, defesa, esquiva e principalmente o parry. pois ao dar parry nos golpes dos inimigos, você aumenta suas barras de quebra de postura, algo altamente necessário durante os combates. O foco do game é o aprendizado, o jogador precisa entender como o game funciona e se adaptar a ele. É claro que o jogador pode ser criativo usando diferentes combinações de Ferramentas Shinobi, sendo que várias delas criam efeitos diferentes em certas ocasiões, mas não muda o fato de que se o jogador não aprender o básico, não vai avançar muito.

Outra batalha incrível do game, porém, recheada de spoilers!

E ainda há alguns tipos de ataques indefensáveis. Sempre que um kanji vermelho aparecer sob a cabeça do Lobo, o jogador terá pouquíssimos segundos para evitar um poderoso golpe. São três possibilidades: Estocada, golpe em área e agarrão, cada uma é defendida de formas bem específicas, cabe ao jogador prestar atenção na movimentação do inimigo e reagir de acordo.

Do contrário, você morrerá. E a morte no game é bem diferente do que os jogadores estão acostumados. Pois será uma das principais preocupações que o jogador deverá ter na aventura.

A mecânica de morte e ressurreição

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Os ícones rosa no canto da tela são o número de ressurreições disponíveis

Uma das grandes novidades de Sekiro é a habilidade de ressuscitar no mesmo lugar em que o jogador morrer e continuar a jogar, sem interrupções. Essa é uma mecânica bem interessante que mantém o gameplay ativo, mas que inicialmente parece não ser grande coisa. Mas acredite, é sim.

Lobo é imortal, e graças a esse poder, ele sempre ressuscita, não importa quantas vezes morra. No gameplay, isso significa poder ressuscitar no mesmo lugar em que morreu, ou ressuscitar no último ídolo do Escultor descansado. Até aí tudo bem, mas se o jogador começar a morrer demais, os NPCs do game começarão a ficar doentes graças a Praga do dragão.

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Sendo essa uma parte do enredo do game, não entrarei em muitos detalhes, mas funciona assim: Se o jogador começar a morrer muito, cada NPC amigável do game irá um a um ficar doente, tossindo ou espirrando. Isso bloqueia o avanço de suas respectivas quests, o que consequentemente pode atrapalhar o progresso do game, dependendo de qual dos quatro finais o jogador tentar fazer.

E não só isso, há um medidor no game chamado Auxílio Oculto. Nos últimos games da produtora, se o jogador morresse, ele voltava para a última bonfire/lâmpada em que descansou, perdendo todas as almas acumuladas, mas tendo a chande de recuperá-las se atingir seu local de morte novamente. Aqui não, ao morrer o jogador perde metade de sua barra de XP (somente a barra atual, ou seja, se tiver 4 pontos de habilidade e uma barra quase cheia, continua com 4, e a barra cai pela metade) e metade de seus Sens.

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Auxílio Oculto oferece uma pequena chance do jogador não perder nada ao morrer. Se todos os NPCs estiverem saudáveis, a chance de não perder nada é de 30%, e a cada NPC doente a porcentagem cai mais e mais. É possível curar todos os doentes com o uso de um item especial, e você certamente precisará fazer isso pelo menos uma vez. Sendo assim, morrer é um péssimo negócio.

Para evita isso, o jogador pode ressuscitar, mas não sempre. O jogador pode melhorar o Lobo para poder ressuscitar até três vezes. Porém, a cada ressuscitação, essa habilidade é bloqueada por um tempo, assim o jogador deve sobreviver até a habilidade voltar a ficar disponível. E se gastar todas as três ressuscitações, deverá matar vários inimigos para recarregar a habilidade.

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E é assim que Sekiro funciona, morrer é um péssimo negócio e para manter-se vivo o jogador deverá se dedicar em aprender a lutar de forma efetiva. Sekiro é muito difícil e isso não é brincadeira! O game é sem dúvida alguma muito mais difícil do que Dark Souls Bloodborne!

Audiovisual

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Sekiro é um game belíssimo. Ambientado na época do Japão Feudal durante o início do inverno. Assim, as paisagens são compostas por diversas florestas, templos e os tradicionais castelos japoneses de vários andares. E como Ashina está em estado de guerra, há muita destruição espalhada por todos os lados, com incêndios, edifícios de madeira danificados e extensos campos de batalha recheados de corpos de guerreiros mortos.

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Sekiro é um game com muita verticalidade, que é aproveitada pela habilidade de pulo e pelo gancho com corda da Prótese Shinobi. Assim, o game se passa em várias localidades vertiginosas, com Ashina localizada no topo de uma alta montanha, e com vária áreas acessíveis no fundo de imensos precipícios e vales insanamente profundos. Com isso, o game tem cenários bem variados, desde as fortalezas de Ashina a florestas densas, ravinas cobertas de neve, pântanos venenosos e muitos outros lugares.

Os inimigos do game possuem um visual excelente, com vários ninjas, samurais em ostentosas armaduras e até algumas criaturas sobrenaturais, como fantasmas, mortos-vivos e a gigantesca serpente divina, uma cobra gigantesca e com visual absurdamente realista que causará imensos calafrios nos jogadores.

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Encontrar a imensa Serpente frente a frente é puro terror

Na parte sonora, o game oferece belas melodias tradicionalmente japonesas, como as de filmes de samurais e outras obras ambientadas no período feudal. E nesse game as músicas estão sempre presentes, com trilhas sonoras exclusivas para cada área, que normalmente são calmas e ampliam a sensação de desolação. E quando o jogador entra em combate, as músicas se tornam intensas, até que o jogador consiga derrotar seus inimigos.

O game infelizmente não possui dublagem em português, possuindo a dublagem original em japonês, inglês, francês, espanhol, italiano e alemão. Mas felizmente possui legendas e menus em português brasileiro, com um excelente trabalho de localização. Se quer uma dica, jogue com o áudio original japonês e legendas em português, a imersão é ainda maior assim!

Conclusão

Análise Arkade: O enorme desafio imortal de Sekiro: Shadows Die Twice

Sekiro é um verdadeiro teste de habilidades. O game tem um nível de dificuldade altíssimo, sem dúvida maior que o de Dark Souls, Bloodborne Demon’s Souls. Com um combate rápido altamente focado em técnica ao invés de força e muita verticalidade, resultando em cenários ainda mais labirínticos.

Se os fãs da série Souls pediam por cada vez mais dificuldade, a FromSoftware não decepcionou e escalou a dificuldade a um nível impressionante. Se você é veterano de Dark Souls, não ache que vai estar preparado, você vai apanhar muito, muito mesmo! Se você não for um jogador disposto a aprender até as mecânicas mais difíceis do game, não conseguirá avançar. Dessa forma, o game acaba sendo muito cruel com quem nunca jogou um Souls-like. Mas entrega um desafio de altíssimo nível para quem gosta desse estilo.

O game levantou muita polêmica na internet por conta de sua dificuldade elevada, com muita gente criticando arduamente o game por conta disso, por não ser amigável com quem não é familiarizado com esse tipo de dificuldade. Lembre-se que cada game tem uma proposta, e a de Sekiro era entregar uma experiência semelhante, mas diferente de Dark Souls e com uma dificuldade ainda mais elava. Mas, deixemos esse assunto para um outro momento, em um futuro Editorial.

Sekiro: Shadows Die Twice foi lançado no dia 22 de março, com versões para PC, Playstation 4 Xbox One. E com pouco mais de uma semana, já teve speedrunner terminado-o em menos de uma hora! Mas não se engane achando que o jogo é fácil hein!

3 Respostas para “Análise Arkade: O enorme desafio imortal de Sekiro: Shadows Die Twice”

  • 1 de abril de 2019 às 00:05 -

    Ronnie

  • Sinceramente, o que posso dizer de Sekiro até agora é que vejo nele uma didática maior do que nos jogos Souls, no sentido de que Sekiro oferece mais oportunidades para o player aprender a jogar (na maior parte das vezes há a possibilidade de enfrentar inimigos ou mini-chefes mais fáceis e assim, aprender melhor a mecânica do jogo).
    Acho que a intenção do criador do jogo foi fazer algo para, quem já gosta dos outros jogos dele, tivesse que aprender uma nova mecânica e ter uma experiência como foi das outras (pretty fuck hard). Na minha opinião, Sekiro não é mais difícil do que os outros, só é uma outra mecânica complicada.

    Estava no aguardo da review deste jogo pelo Arkade, sempre muito boa, vlw!

    • 1 de abril de 2019 às 00:29 -

      Renan do Prado

    • Valeu! E é exatamente isso, Sekiro é puro aprendizado, ele obriga o jogador a aprender todos os recursos disponíveis. Eu o considero mais difícil que Dark Souls pois, além de todo o aprendizado obrigatório, ainda assim exige muita perícia do jogador. É um game de pura habilidade, e nesse sentido, Dark Souls é mais “fácil” pois (e é até engraçado falar isso) a exigência comparada a Sekiro não é tão grande.

      • 1 de abril de 2019 às 23:28 -

        Ronnie

      • Entendo, sem problemas!
        Vlw!

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