Análise Arkade: Shing!, um beat ‘em up ninja com gameplay diferenciado

23 de setembro de 2020
Autor: Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade: Shing!, um beat 'em up ninja com gameplay diferenciado

Como inovar em um gênero tão “batido” quanto o beat ‘em up? O simpático Shing tentou trazer algo novo ao abandonar os botões e apostar nas alavancas! Confira nossa análise!

Shing nos apresenta a um grupo de ninjas que estão lidando contra uma invasão de monstros em sua terra. Obviamente, eles decidem abrir caminho entre os inimigos na base da porrada, e vão surrar hordas de monstros até chegarem ao responsável pelo problema.

A história do jogo — como em quase todo jogo do gênero — é uma simples desculpa para justificar a pancadaria, mas houve um esforço para injetar carisma e personalidade aos protagonistas, especialmente através dos diálogos.

Análise Arkade: Shing!, um beat 'em up ninja com gameplay diferenciado
Os 4 heróis do jogo

O problema é que, na minha opinião, isso foi feito de um jeito meio bobinho, com piadas baratas e diálogos que fazem os heróis parecerem um bando de adolescentes. Não é o meu tipo de humor, mas sei que isso é questão de gosto.

Pancadaria analógica

Lembra de um jogo do Jet Li que foi lançado na época do PS2 chamado Rise to Honor? Era um jogo bastante cinematográfico no qual quase não usávamos botões: socos e chutes eram distribuídos através de movimentos multidirecionais rápidos no analógico direito — inclusive, eu realmente jogaria um remake desse jogo!

Shing carrega esta mesma premissa para seu mundo 2.5D: nos movimentamos com o analógico esquerdo, e aplicamos golpes com movimentos curtos e rápidos do analógico direito.

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A maior vantagem que essa mecânica traz está nos golpes multidirecionais. Você não precisa só bater em linha reta, movimentos para cima ou na diagonal resultam em ataques nestas respectivas direções. Se um inimigo chegar por trás, não perca tempo virando o personagem, simplesmente ataque movendo o analógico para o outro lado!

Confira um pouco de pancadaria no vídeo abaixo:

O design dos inimigos foi pensado para valorizar este incremento: há inimigos com escudos na cabeça, ou no tórax — ou mesmo escudos que mudam de lugar –, e exigem que você ataque em lugares específicos para que o dano seja aplicado. Há um chefe que você precisa refletir um feixe de luz nos olhos dele para desorientá-lo, mais uma prova de que houve um esforço consciente em aproveitar o que o jogo oferece.

No geral, nada aqui é uma “revolução” na forma como jogamos — até porque, convenhamos, apertar botões é mais prático do que mover repetidamente a alavanca  analógica — mas o gameplay funciona. Mas, tem um porém…

O Porém

O problemas é que os inimigos deste jogo demoram pra cair. E as fases são bem mais longas do que a média dos beat ‘em ups. isso faz com que a gente use (até demais) essa mecânica “diferenciada” de gameplay, tornando o jogo mais cansativo do que deveria.

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Tão cansativo quanto juntar essa pilha de corpos

Sejamos sinceros: beat ‘em ups são muito legais, mas são extremamente repetitivos. O básico se resume a andar para a direita esmurrando todo mundo. Alguns jogos tentam minimizar isso acrescentando fases em veículos, mas a maioria simplesmente mantém o jogo “compacto” o bastante para que a repetição não seja tão sentida.

Shing não faz isso. Ele até coloca umas fases diferenciadas aqui e ali — como defender um portão de um ataque inimigo, por exemplo — mais no geral, tudo se resume à mesma coisa — seguir para a direita, distribuindo porradas.

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Considerando que todos os personagens usam armas brancas, acho que este jogo se daria melhor se fosse um hack ‘n slash: mais velocidade, menos golpes, ataques mais devastadores. Do jeito que está, mesmo com sua mecânica diferenciada de ataque, ele simplesmente deixa de ser divertido muito rapidamente.

O jogo também não faz um trabalho muito bom ao balancear os tipos de inimigos que surgem: há inimigos com escudos que exigem um parry para “rebater” seus projéteis e quebrar o escudo, outros que não aceitam ataques repetidos. Dar conta de um grupo de inimigos que exige estratégias diferentes acaba dando mais trabalho do que deveria, especialmente quando você está jogando sozinho.

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Rebater aquele projétil é a melhor maneira para quebrar o escudo do inimigo

Por falar em jogar sozinho — e para não dizer que eu só reclamei do jogo — deixo aqui uma ótima característica do game: é possível alternar entre os 4 personagens a qualquer momento, como no recente Battletoads. Mecanicamente eles não são tão diferentes assim, mas o grandalhão do machado bate mais forte, enquanto a garota que empunha uma naginata (que é tipo uma vara com uma lâmina na ponta, como a arma da Seong Mina em Soul Calibur, saca?) tem um alcance um pouco maior.

 Audiovisual

Embora sua abertura seja uma animação 2D incrível, Shing tem um visual 2.5D que no geral é bastante simpático. Tudo aqui é mais cartunesco, menos realista, e isso é algo que agrega identidade ao jogo. É possível entrar em certos lugares/estabelecimentos, e nessas horas o jogo entrega cenas muito caprichadas, enquanto os heróis interagem uns com os outros.

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Tipo assim

Os inimigos se repetem um bocado, mas né, essa é praticamente uma característica do gênero. Os cenários combinam com a temática, sem necessariamente se destacarem — ainda que o jogo ocasionalmente entregue belas paisagens, com bons efeitos de luz. Jogando no PS4 Pro, o jogo roda liso, e a pancadaria flui muito bem.

Shing tem menus e legendas em português brasileiro, algo que sempre é bom de se ver em jogos menores. Mas, a trama é bem básica, então não espere que isso lhe ajude a ficar mais ligado na trama. E, como eu já disse, o humor aqui é bobinho, então entender (ou não) os diálogos não afeta muito a experiência.

Conclusão

Shing parte de uma ótima premissa, mas isso infelizmente não faz dele um ótimo game. A ideia de levar os golpes e combos para o analógico direito é boa, mas se colocamos isso ao lado de a) inimigos que demoram para cair e b) fases muito longas, o gostinho da novidade rapidamente dá lugar ao da repetição.

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A produtora Mass Creation sem dúvida gosta de trazer mecânicas diferenciadas aos seus jogos — é dela um jogo de Vita chamado Draw Slasher, onde todos os golpes são aplicados pela tela touch — mas, nesse caso, ela “esqueceu” de colocar um jogo interessante e divertido “ao redor” da mecânica.

O fato é que, dentro do gênero beat ‘em up, Shing deixa a desejar. Esse ano já tivemos grandes jogos do gênero sendo lançados — como Streets of Rage 4, por exemplo — então, sem dúvida existem opções melhores para quem quer curtir uma pancadaria honesta.

Shing está disponível para PC, Playstation 4, Xbox One e Nintendo Switch.

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