Análise Arkade – Storm Boy: The Game e a amizade entre um garotinho e um pelicano

21 de novembro de 2018
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade - Storm Boy: The Game e a amizade entre um garotinho e um pelicano

Embora não seja uma obra particularmente popular no Brasil, Storm Boy é um livro infantil bastante popular em outros países. A tocante amizade de um garoto e um pelicano já virou filme, peça de teatro, e agora chega, pela primeira vez, ao mundo dos games.

Um garoto e seu pelicano

Storm Boy, do autor australiano Colin Thiele, é uma daquelas histórias atemporais: escrito em 1964, o livro está para receber uma nova adaptação cinematográfica no início do ano que vem — ela já virou filme em 1976, e ganhou o prêmio de Melhor Filme pelo AACTA Awards –, e o fato de se manter relevante mais de 50 anos após ter sido escrita sem dúvida atesta este fator de sua narrativa se manter contemporânea e relevante.

Vou deixar o trailer do novo filme, só para você ter uma ideia do que se trata:

O game aparentemente resume a trama do livro, que narra as aventuras do pequeno Storm Boy, que vive uma vida um tanto melancólica ao lado de seu pai, em uma praia isolada da costa australiana.

Um belo dia, ele encontra um ninho de pelicanos com 3 filhotes órfãos. O garoto cria os 3 — batizando-os de Mr. Proud, Mr. Ponder e Mr. Percival –, mas conforme os bichos crescem, seu pai pede para que as aves sejam libertadas. O garoto obedece, mas logo Mr. Percival (seu favorito) volta, tornando-se não só um bicho de estimação, mas um grande amigo da criança.

Análise Arkade - Storm Boy: The Game e a amizade entre um garotinho e um pelicano

É uma história um tanto batida, que traz de novo basicamente a espécie do mascote — já vimos algo do tipo com cachorros, macacos e até baleias –, mas que, como já dito, se mantém relevante por tratar de um tema universal: o laço entre humanos e a animais, e a relação de amizade e confiança que pode existir entre eles.

Um game de mini-games

Adaptar livros para o mundo dos games vêm se tornando algo relativamente comum — sendo The Witcher provavelmente o melhor exemplo –, mas nem toda história rende o universo enorme, expansivo e cheio de conteúdo que visitamos em nossas aventuras com Geralt. Aqui, especificamente, estamos falando de um livro infantil com uma história aparentemente simples, que acabou se tornando um game igualmente simples.

Análise Arkade - Storm Boy: The Game e a amizade entre um garotinho e um pelicano

Alimentar os bichos com peixe é uma das atividades do game

Nosso trabalho é basicamente seguir em frente, acompanhando a narrativa que vai sendo escrita pela tela enquanto avançamos. Vez ou outra encontramos algum ponto de interesse pelo cenário, e ao interagirmos com ele, iniciamos um mini-game, que é basicamente alguma atividade ou brincadeira para fazermos com nosso amigo Percival.

Tipo assim, ó:

Escrever na areia da praia, alimentar os filhotes com peixes frescos, voar controlando o próprio pelicano ou atirarmos uma bolinha para ele pegar são algumas das atividades disponíveis. Não há placar, cronômetro, nem nada do tipo: simplesmente jogue por uns minutinhos antes de seguir com a história.

No caso do Nintendo Switch, ao jogar em modo portátil muitos destes mini-games aproveitam o recurso touchscreen da tela, o que não deixa de ser um diferencial bacana, pois certas atividades simplesmente funcionam melhor desta forma.

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Tipo escrever na areia. Claro que eu aproveitei a oportunidade,né? :v

A verdade é que não há muito o que se fazer aqui além de conhecer a história de Storm Boy. Ela passa uma mensagem bonita, mas é simples e bastante previsível (pelo menos para quem já é adulto). Para piorar, ela é bem curta: provável que o livro tenha um pouco mais de conteúdo, mas o jogo em si mal durou meia hora para mim.

Análise Arkade - Storm Boy: The Game e a amizade entre um garotinho e um pelicano

Não sou de mensurar a qualidade de um jogo pelo tempo que ele dura, mas é fato que aqui a relação custo x benefício é bem complicada, mesmo que ele seja relativamente barato — U$ 5,99, mas perceba que estamos falando em dólares, não reais. O pouco de gameplay e o pouco tempo que o jogo dura talvez não compensem.

Audiovisual

Apesar de ter uma simplicidade latente, Storm Boy é um jogo bonitinho, com um visual que passeia entre o 3D e o 2.5D com alguma competência. Ainda que os cenários sejam bonitos, e as animações dos personagens sejam bacanas, é fato que até nisso o jogo é bastante limitado, pois mostra muito pouco no pouco tempo que dura.

Análise Arkade - Storm Boy: The Game e a amizade entre um garotinho e um pelicano

O som se destaca por trazer consigo a vibe praiana do game, com o grasnar das gaivotas e o som relaxante das ondas indo e vindo. Há poucas músicas aqui, mas elas pontuam bem os momentos mais emotivos da experiência. O game não tem dublagens, e infelizmente toda a história é apresentada em inglês, mas os textos são curtos e de fácil compreensão.

Conclusão

Storm Boy: The Game passou tão rápido que eu nem tenho certeza se gostei dele ou não. Ele é tão curtinho e tão mecanicamente simples que acaba antes mesmo da gente conseguir formar uma opinião. Eu gostei da mensagem que ele passa, mas não se pode negar que ela já foi vista/contada diversas vezes em outras mídias — e com outros bichos.

Análise Arkade - Storm Boy: The Game e a amizade entre um garotinho e um pelicano

Confesso que nunca li Storm Boy, mas talvez valha mais a pena justamente ler o livro, ao invés da brevíssima experiência que o game oferece. Ou, se tiver preguiça de ler, talvez seja melhor esperar a nova adaptação cinematográfica, que chega no início de 2019 e parece ser bem emotiva.

Storm Boy: The Game foi lançado em 20 de novembro, com versões para PC, Playstation 4, Xbox One, Nintendo Switch, iOS e Android.

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