Análise Arkade: Torne-se o Escolhido de Deus e salve o mundo em The Lost Child

6 de julho de 2018
Autor: Renan do Prado

Análise Arkade: Torne-se o Escolhido de Deus e salve o mundo em The Lost Child

7 anos depois de El Shaddai: Ascension of the Metatron contar a história de sua grande batalha divina inspirada em uma passagem da Bíblia, é hora de revisitar o mundo dos anjos e demônios em uma nova aventura ambientada nesse mesmo universo, mas com uma pegada totalmente diferente. É hora de fazermos uma análise do surpreendente e divertido The Lost Child!

O Escolhido para guiar a humanidade

Análise Arkade: Torne-se o Escolhido de Deus e salve o mundo em The Lost Child

The Lost Child é um spin-off de El Shaddai, contando uma nova história em um tempo muito distante ao primeiro game. Você está na pele de Hayato, um jovem repórter da revista de investigações sobrenaturais LOST. O trabalho de Hayato é investigar fenômenos sobrenaturais que acontecem no Japão e escrever artigos para a revista. Um dia, Hayato foi incumbido de investigar estranhos casos de suicídio nos metrôs de Tóquio, sem saber que essa investigação mudaria sua vida para sempre.

Seu trabalho era investigar uma misteriosa mulher de roxo que estava sempre presente nesses estranhos suicídios, até acabar quase sendo uma vítima, sendo empurrado na frente de um trem por uma estranha sombra. A misteriosa mulher salva sua vida e lhe entrega uma estranha maleta, desaparecendo logo após dizer algo inesperado: Você é o Escolhido de Deus para salvar o mundo.

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Após isso, Hayato é visitado por Lua, um anjo cuja missão é guiar o Escolhido em sua tarefa de salvar o mundo e guiar a humanidade para seu próximo passo na história. E com a ajuda de LuaHayato consegue abrir a maleta e descobre uma poderosa arma, a Gangour, uma espécie de pistola celestial capaz de capturar inimigos e torná-los seus aliados. E com esse novo poder, a dupla parte em investigações envolvendo demônios e anjos que estão interferindo diretamente com o mundo real, para impedir os planos das poderosas Evil Deities de destruir a humanidade.

Anjos, demônios e seres lovecraftianos

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A vida de Hayato muda por completo após descobrir que é o Escolhido, mas curiosamente ela continua pela mesma direção. Ao descobrir que é o Escolhido, ele não precisa abandonar sua vida e partir numa jornada mística na vastidão do universo, acontece que ser O Escolhido e ser repórter são duas “profissões” que ajudam uma a outra! Hayato continua seguindo sua vida investigando casos sobrenaturais, a diferença é que agora ele se aprofunda por completo.

O game consiste em visitar diferentes lugares do Japão e conversar com pessoas para descobrir pistas de certos acontecimentos, essas pistas então permitem que Hayato entre nas dungeons de cada região (falaremos delas mais adiante) e investigue a fundo a causa dos problemas, bem como ponha um fim nelas em definitivo.

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O plot do game vai se revelando a cada nova investigação, mas o grande perigo já é apresentado logo de início. Quatro Deidades do Mal se uniram em um misterioso plano para afundar o mundo no caos, destruindo a humanidade e ganhando poder para enfrentar Deus diretamente. E essas quatro deidades saíram diretamente dos Mitos nascidos das obras de H.P. Lovecraft. Essas deidades são Hastur (criado pelo escritor Ambrose Bierce), Cthugha (criado pelo escritor August Derleth), Dagon e por fim o líder de todos, o grandioso Cthulhu (esses dois últimos criados pelo próprio Lovecraft).

As quatro Deidades controlam os demônios que atacam os humanos e espalham morte e maldade pelo Mundo Mortal, mas os demônios não são os únicos perigos por aqui. Anjos Caídos, que abandonaram o Paraíso e foram considerados traidores de Deus habitam o Mundo Mortal, também ficarão no caminho de Hayato Lua. E por fim, os próprios anjos também estão na Terra. Todos esses três grupos interferindo diretamente com o mundo e com a humanidade de uma forma jamais vista, marcando o prelúdio da grande crise que os protagonistas enfrentarão, mas não sozinhos!

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Dois importantes personagens de El Shaddai estão de volta em The Lost Child, como personagens de suporte. Entre eles temos o anjo Lucifel, um anjo que conversa diretamente com Deus através de um celular, sendo o braço direito de Deus o único ser com o poder de viajar pelo tempo livremente, além de habitar numa dimensão fora do continuum do Espaço-Tempo. E o próprio Enoch, que entra aqui como um membro da party de Hayato Lua como um Astral (que falaremos mais adiante). Além deles outros personagens bem interessantes ajudarão a dupla em sua jornada.

Um JRPG Dungeon Crawler de raíz

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El Shaddai era um game de ação com elementos de RPG e jogabilidade ao estilo Hack n’ Slash, mas The Lost Child tem uma proposta totalmente diferente. O game é um verdadeiro JRPG de batalhas em turnos e exploração ao mais clássico estilo Dungeon Crawler.

O game funciona através de menus, da seguinte forma: Sua base é no escritório da Revista LOST, onde você pode salvar o game e gerenciar seu inventário. Lá, você acessa sua mesa de trabalho e inicia investigações, que estão destacadas no mural na parede. A partir daí, você deve ir até os locais onde os rumores estão acontecendo e conversar com as pessoas presentes, até que você possa acessar a Camada da área. Aqui no game as dungeons são chamadas de Layers (camadas), sendo espaços secretos criados por demônios e inacessíveis para humanos.

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E é dentro das Camadas em que a ação acontece. As Camadas são dungeons labirínticas de vários andares e exploração ao estilo Dungeon Crawler. Isso significa que os mapas dessas dungeons são formadas por blocos no chão, assim sua movimentação é de bloco em bloco com progressão reta, ou seja, você pode ir apenas para frente, para trás, virar para a esquerda e para a direita, e dar passos laterais, não há movimentos diagonais.

Com isso, a progressão segue o estilo de antigos RPGs, o que pode parecer estranho para jogadores que nunca tinham experimentado esse estilo. Dentro das dungeons você se move em perspectiva em primeira pessoa, tendo como objetivo ir descendo os andares até chegar ao final e enfrentar um poderoso chefão, tendo que resolver alguns puzzles simples pelo caminho para abrir portas.

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O combate como já mencionado acontece em turnos, sua party é composta de 5 personagens principais, sendo que Hayato Lua são fixos e não podem ser trocados, e mais 6 personagens reservas. Os outros membros de sua party, fora a dupla de protagonistas é composta de Astrals, que são inimigos capturados através da Gangour. Durante as batalhas, quanto mais se ataca e toma dano, uma barra no topo da tela se enche, essa barra mostra o poder do Astral Burst, um ataque que usa a Gangour para capturar inimigos. Se um inimigo for derrotado por esse golpe, ele fará parte de sua party.

O legal é que você não precisa esperar a barra carregar para tentar capturar inimigos, a barra só mostra a sua força acumulada. Quanto mais perto de 100%, mais forte, mas se a barra ultrapassar os 100% ela se esvazia e é bloqueada por 1 turno, por isso saiba bem quando usar ou não essa habilidade. A Gangour utiliza munições especiais que são coletadas ao se avançar na aventura, cada munição tem um efeito e um elemento em especial, que além de causar muito dano em inimigos, ainda pode dar efeitos extras à sua party, como curar todos e etc.

Confira aí uma amostra de gameplay com vídeo da batalha contra Cthugha (contém alguns spoilers):

Existem ainda dois outros fatores importantes em combate: elementos e hostilidade. Os elementos funcionam como em Pokémon, água vence fogo, que vence planta, que vence vento, que vence eletricidade que vence água. A escolha dos Astrals corretos faz toda a diferença numa batalha. Já a hostilidade é um status passivo que afeta a probabilidade de um personagem ser ou não atacado. Todos os personagens começam as batalhas com 0 hostilidade, que é mostrada por um olho perto da imagem de cada membro da party. Conforme você vai atacando e usando skills, sua hostilidade vai subindo. Quanto maior a hostilidade de um personagem, mais chances ele tem de ser atacado do que personagens com hostilidade baixa.

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Uma coisa bem amigável do game é que ele te deixa pensar e repensar estratégias em seu turno. Antes de um turno começar, você deve escolher as ações de cada personagem e aí sim iniciar o turno, quando seus personagens executarão suas ações um após o outro. Antes de dar início a um turno, você pode trocar seus Altrals principais e reservas quantas vezes quiser, voltar atrás se escolheu alguma ação errada e etc. E se estiver com pressa, pode simplesmente apertar triângulo e deixar que sua party ataque automaticamente, com cada personagem escolhendo a melhor ação para o momento.

Os Astrals não evoluem por XP, mas por pontos de karma coletados de inimigos derrotados, adicionando um pouco mais de estratégia ao game. Eles também podem ser evoluídos até duas vezes após atingirem level máximo, ficando ainda mais poderosos!

Audiovisual

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The Lost Child tem um visual predominantemente 2D. Fora das dungeons o game parece até com uma Visual Novel, com personagens em estilo anime e cenários desenhados. Nesse ponto o game é muito bonito e bem desenhado, contando ainda com algumas cenas em anime bem feitas.

Dentro das Layers os cenários se tornam 3D, com um visual bem simplificado, sem muitos detalhes ou gráficos de ponta. É um visual que remete a JRPGs mais antigos, como Persona 4 por exemplo, são visuais que pros padrões de hoje seriam bem antiquados, mas ainda assim não são feios, apesar de haver muita repetição de visuais de paredes e chão. Já os inimigos são apresentados em visual 2D na tela de batalha.

Análise Arkade: Torne-se o Escolhido de Deus e salve o mundo em The Lost Child

A trilha sonora do game é excelente, com belas músicas relaxantes para as partes em que você está em seu escritório ou entrevistando pessoas. E músicas mais misteriosas para a exploração das Layers. O game conta com dublagens em Japonês e Inglês, eu joguei utilizando a dublagem americana e gostei bastante, e olha que eu sou uma daquelas pessoas que acha dublagem americana de animes horrorosa!

Conclusão

Análise Arkade: Torne-se o Escolhido de Deus e salve o mundo em The Lost Child

The Lost Child é um excelente RPG bem ao estilo old school e ainda assim muito divertido. É um game que talvez não pareça atrativo para muitos jogadores por conta de seu estilo diferente, mas ele é definitivamente um game que merece uma chance, especialmente para quem estiver querendo uma experiência diferente com um estilo de game que nunca jogou antes. Eu pessoalmente nunca havia jogado um RPG assim e fui totalmente cativado!

Se você é fã de RPGs ao estilo Shin Megami Tensei e especialmente se você jogou e gostou de El Shaddai, então The Lost Child é um game que você deveria experimentar, pois apesar e suas estranhezas ele é muito envolvente e divertido!

The Lost Child foi lançado originalmente ano passado apenas no Japão, mas foi trazido para o ocidente pela Nis America e lançado no dia 19 de junho com versões para Playstation 4, PS Vita Nintendo Switch.

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