Análise Arkade: The Witness e o prazer de solucionar puzzles em uma ilha deserta

30 de janeiro de 2016
Autor: Michel Lichand

Análise Arkade: The Witness e o prazer de solucionar puzzles em uma ilha deserta

Uma ilha abandonada e muitos quebra-cabeças. Estes são os elementos que compõem o mundo magnífico do intrigante The Witness, um game que vai fazer você pensar, pensar e pensar.

The Witness é a nova criação de Jonathan Blow (o designer por trás do premiado Braid) e seu estúdio, Thekla Inc. Após vários adiamentos, o game está finalmente disponível para o público, e chega cercado de mistério. Sobre o que é este game cujas imagens não contam nada, a não ser que o cenário desta jornada é uma ilha? Conheça um pouco mais sobre esta fascinante experiência agora com a gente!

Análise Arkade: The Witness e o prazer de solucionar puzzles em uma ilha deserta

Em The Witness, o jogador controla uma pessoa em uma ilha dominada por estruturas vazias e uma natureza exuberante. Lá, você irá solucionar quebra-cabeças, todos eles sendo uma variação de um simples conceito: você deve levar uma linha do ponto A ou ponto B. Pronto. É só isso.

Pode parecer brincadeira, ou uma ilusão escondendo algo muito mais grandioso, mas é realmente só isso. Você não vai encontrar mais ninguém em The Witness. Não há plataformas para serem puladas, masmorras para serem exploradas, monstros para serem derrotados, objetos para serem coletados, nada disso. Aqui é só você, a ilha e os puzzles.

Quebrando a cabeça

No entanto, não se engane. The Witness pode ser simples, mas esta simplicidade vem acompanhada de uma ingenuidade tão bem planejada que é impossível não se sentir compelido a prosseguir. Os quebra-cabeças que você encontra na ilha começam simples, só que lentamente novas mecânicas vão sendo introduzidas. Talvez você tenha que controlar duas linhas ao mesmo tempo, ou lidar com bloqueios e obstáculos.

Quando parece que o game fez tudo que podia com o quebra-cabeça, ele introduz algo novo. Algumas das mecânicas pedem que você preste atenção ao ambiente a sua volta. Outras pedem que você ouça atentamente, ou faça combinações que parecem impossíveis, mas que na verdade são alcançáveis por qualquer jogador que se empenhe um mínimo para entender a ilha do game.

Análise Arkade: The Witness e o prazer de solucionar puzzles em uma ilha deserta

O modo como The Witness varia sob uma mesma mecânica lembra um pouco a inovação de Portal. O sistema é o mesmo: o game introduz um conceito simples, porém novo aos quebra-cabeças, te dá alguns exemplos fáceis para você pegar a manha e depois começa a te desafiar com exercícios mais e mais complexos. Assim como a GLaDOS te ensinava a “pensar com portais”, os quebra-cabeças de The Witness vão ensinar você a pensar… e pensar… e pensar.

Interessantemente, o efeito é similar aquele de uma aula de matemática. Até aqueles que não gostam de números tem que admitir que quando você consegue solucionar um problema difícil, é invadido por aquele sentimento de satisfação e dever cumprido. The Witness é como uma fábrica, produzindo esse sentimento em massa. O game dá a você as ferramentas para solucionar todos os problemas da ilha, e a sensação que um quebra-cabeça solucionado traz é sem igual.

Análise Arkade: The Witness e o prazer de solucionar puzzles em uma ilha deserta

O game consegue desafiar sem frustrar não só pela iteração dos seus quebra-cabeças, mas também pela não-linearidade de seu mundo. Após sair da área inicial, você está livre para explorar a ilha como quiser. Você pode seguir a sua intuição, procurar os problemas mais fáceis ou ir direto nos mais difíceis. Ninguém segura sua mão, e o único jeito de conseguir uma dica ou solução é apelar para um guia na internet.

Cada um por si

Essa falta de “ajuda” pode ser uma vantagem ou uma desvantagem. Alguns vão adorar o modo como o game essencialmente deixa o jogador livre em uma caixa de areia. Outros vão odiar o fato de que é muito fácil se perder, ou ficar “travado” em um quebra-cabeça que parece não ter solução. Sim, The Witness é objetivamente imperdoável, e é esse ponto que vai definir o aproveitamento de muitos jogadores.

Análise Arkade: The Witness e o prazer de solucionar puzzles em uma ilha deserta

Essa atitude de “se vira” parece ser algo que Blow pegou emprestado de uma de suas maiores inspirações: Myst, e vários outros games de lógica de décadas passadas. Tal inspiração se torna mais óbvia quando o jogador explora a ilha de The Witness, que é um dos cenários mais belos das últimas décadas.

Cada área possui um tema, um clima, uma sensibilidade. Você vai estar sempre solucionando quebra-cabeças, sim, mas o cenário a sua volta está em constante mudança, desde uma pedreira minimalista a um castelo com estátuas estranhas e uma floresta multicolorida. A natureza de The Witness esconde um conto, e cada objeto, cada árvore, cada parede, cada detalhe foi feito com uma atenção inumana.

Audiovisual

O som de The Witness também é algo de outro mundo. Logo no início é possível notar que o game não possui trilha sonora. Não há canções ou instrumentais. Tudo que você vai ouvir durante a sua estadia nesta ilha são os sons do mundo à sua volta. Em vez de depender nos sons dos animais, Blow e seu time na Thekla Inc investiram em um estilo sonoro onde até os seus passos ajudam na hora de construir a atmosfera do game.

Todo esse trabalho (e bota trabalho nisso- o game exige dedicação e suor, mesmo sem falar do seu período de produção de mais de sete anos) está ali por uma razão. Como mencionado antes, os quebra-cabeças de The Witness transformam o mundo a sua volta em uma parte essencial do processo de lógica. É como ver uma daquelas longas fileiras de domino caindo em perfeição, uma atrás da outra. É um game que dá gosto de ver e de jogar.

Análise Arkade: The Witness e o prazer de solucionar puzzles em uma ilha deserta

Conclusão

Falar de The Witness como um “pacote completo” é difícil. Apesar de já ter solucionado grande parte dos desafios desta ilha, tenho certeza de que de descobri apenas a ponta do iceberg. Segredos estão escondidos em cada canto, quebra-cabeças que antes pareciam impossíveis agora parecem alcançáveis, e há áreas completamente separadas da “história”, mas que oferecem desafios extremamente interessantes.

Este game é uma experiência, uma criação que fica na sua cabeça e continua a te indagar até depois de você parar de jogar. Voltando a comparação da aula, The Witness é como um professor sábio que deseja causar a realização na mente daqueles a quem ensina, mesmo se algum deles decidissem chamá-lo de “louco” ou “impossível de decifrar”.

Análise Arkade: The Witness e o prazer de solucionar puzzles em uma ilha deserta

The Witness não é só uma meditação sobre o desejo pelo conhecimento (especialmente considerando que muitas das citações mencionadas no game são de filósofos falando sobre o saber). Ele é a concretização desse desejo, tanto na narrativa, quanto na mecânica, tanto no visual, quanto no áudio. The Witness é um triunfo dos games e do poder da mente humana.

The Witness foi produzido e distribuído pela Thekla IncO game foi lançado no dia 26 de janeiro para PC Playstation 4. Ele esta disponível no Steam.

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