Análise Arkade: Titanfall 2 é uma das melhores surpresas de 2016

4 de novembro de 2016
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: Titanfall 2 é uma das melhores surpresas de 2016

Hora de fazer parkour, trocar tiros e pilotar robôs de combate invocados! Titanfall 2 chegou com tudo recentemente, e você confere agora nossas impressões sobre o game!

Agora com campanha!

Quando foi lançado em 2014, Titanfall se mostrou um shooter competente, agregando uma verticalidade até então pouco explorada no gênero FPS. O parkour e o pulo duplo viraram tendência, e não por acaso, Call of Duty e outros games aos poucos foram se apropriando destas mecânicas.

Porém, se tem uma coisa que decepcionou muita gente em Titanfall foi a ausência de uma campanha single player. Quer dizer, o jogo até tem uma pseudo-campanha, mas o que vimos lá era basicamente uma sucessão de mapas do multiplayer cheios de bots, sem história, sem criatividade, sem “alma”. Para piorar, mesmo esta “campanha” rolava toda online, e conforme o hype do jogo passava, era mais e mais difícil conseguir encontrar gente online para jogá-la.

Análise Arkade: Titanfall 2 é uma das melhores surpresas de 2016

A Respawn Entertainment foi muito criticada por entregar o jogo sem uma campanha decente e, como de bons FPS multiplayer o mundo já está cheio, Titanfall foi meio que “engolido” pelos seus concorrentes. De lá para cá, 2 anos se passaram, a Respawn aprendeu com seus erros, e entregou em Titanfall 2 um jogo que almeja corrigir tudo o que havia de errado com o primeiro jogo. Será que ela conseguiu? Vamos descobrir!

Un piloto e seu titã

Não seria exagero afirmar que a campanha solo de Titanfall 2 foi uma das coisas mais divertidas e empolgantes que eu joguei este ano. A história é meio piegas, mas funciona bem para apresentar ao jogador algo que é o cerne do universo de Titanfall: a ligação que existe entre um piloto e seu titã.

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A história acompanha o fuzileiro Jack Cooper, sujeito que acaba sendo “promovido” a piloto do titã BT-7274 depois que seu esquadrão é dizimado em uma missão de reconhecimento no planeta Typhon. O titã BT possui diretrizes para completar sua missão e, com seu piloto original morto em combate, ele acaba “adotando” Cooper como seu piloto interino.

Deixo abaixo um vídeo onde o vínculo entre Cooper e BT é estabelecido, no começo da campanha:

Juntos, Cooper e BT irão viver intensas aventuras em Typhon, tendo que lidar não apenas com as tropas inimigas de um imenso conglomerado bélico que está em busca de uma fonte de energia misteriosa, mas também se defrontando com a vida selvagem do planeta, que possui sua cota de criaturas dispostas a te matar.

Ainda que comece com um ar de “história militar genérica” deveras clichê, a trama ganha pontos por se focar muito mais na relação de companheirismo entre piloto e titã: em uma união meio que forçada, Cooper e BT precisam aprender a trabalhar juntos, precisam se conhecer e fortalecer a conexão entre eles. Eles conversam bastante, e você pode até escolher o que dizer ao titã em vários diálogos. Não é nada tão profundo como um Mass Effect da vida, mas funciona especialmente para que o jogador se importe tanto com o piloto quanto com o titã.

Parkour, chefões e viagens no tempo

Talvez para compensar a falta de campanha do jogo anterior, a Respawn pareceu determinada em oferecer uma experiência realmente empolgante aos jogadores desta vez. A campanha de Titanfall 2 pode durar de 6 a 8 horas, e estas horas são recheadas de adrenalina, com tiroteios intensos, parkour e saltos em alturas inimagináveis e um level design caprichadíssimo.

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Por exemplo: um dos momentos mais interessantes do jogo rola em uma fábrica gigantesca, onde casas pré-montadas são construídas para campos de testes. As habilidades atléticas de Cooper são colocadas à prova ali, conforme enormes braços mecânicos manipulam pares do cenário e o que era chão vira parede, e vice-versa. Até lembra um pouco os laboratórios em constante evolução da Aperture Science, de Portal.

Ali pela metade da campanha, conseguimos um dispositivo que nos permite viajar no tempo, revisitando um mesmo ambiente no passado (onde tudo era novo e funcional) e no presente, onde tudo está um caos de fogo e destruição. E este dispositivo se encaixa como uma luva nas mecânicas do jogo, conseguindo deixar tudo ainda mais interessante e criativo.

Tipo assim, ó:

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Para ficar mais claro, abaixo, deixo um vídeo do momento em que este dispositivo é encontrado, mostrando também como a utilização dele afeta os ambientes e até os inimigos de um local:

Além desta incrível mudança nos ambientes em si, este mecanismo cria novas possibilidades de gameplay  dignas de Prince of Persia, com painéis, passagens e paredes que existem uma época mas não em outra, obrigando-nos a alternar entre passado e presente com muita rapidez durante o parkour para não se dar mal.

Se não ficou muito claro como isso pode ser aplicado em tempo real no gameplay, deixo abaixo mais um vídeo que demonstra na prática como este interessante mecanismo agrega mecânicas diferenciadas ao game:

Legal, né? E Titanfall 2 ainda tem outra coisa bem legal que é meio difícil de vermos em FPS: batalhas contra chefes! Geralmente eles são titãs dotados de armas ou habilidades específicas (há um que voa, outro que carrega uma espada enorme), que são pilotados por caras malvados que querem impedir Cooper e BT de concluírem sua missão.

Na maioria dos casos, estas batalhas não são especialmente difíceis, mas sem dúvida são bem interessantes, e agregam valor ao jogo e mais conteúdo ao “lore” deste universo, que foi tão mal aproveitado no primeiro jogo. Se quiser conferir uma das boss battles, é só dar o play aí embaixo:

O multiplayer continua firme e forte

Me empolguei falando da campanha este tempo todo, mas isso é simplesmente porque ela é realmente muito boa. Mas é claro que temos o bom e velho multiplayer online de volta, com servidores — brasileiros, inclusive, ainda que o movimento esteja meio lento — prontos para receberem pilotos e titãs para aceleradas partidas que podem comportar até 16 jogadores (dependendo do modo de jogo).

Depois de um beta que deixou todo mundo meio receoso na metade do ano, o produto final felizmente foi super bem lapidado e balanceado. O que temos aqui é uma evolução óbvia de tudo o que funcionou no primeiro game, trazendo modos de jogo bem conhecidos ao lado de alguns novos, tudo acompanhado de um amplo sistema de customização tanto de piloto quanto de titã.

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Os mapas para o multiplayer estão maiores agora, o que deixa as coisas um pouco  menos frenéticas e abre espaço para um pouco mais de estratégia e até algum trabalho em equipe mais aprofundado, caso você tenha um time bem azeitado. Salvo raras exceções, no geral os mapas também abusam da verticalidade para aproveitar as habilidades dos pilotos, que agora podem equipar até mesmo um grappling hook, que abre novas possibilidades de mobilidade.

Mobilidade essa que ganhou novas possibilidades: agora existe um “golpe” muito legal onde seu piloto pode roubar um núcleo de energia de um titã inimigo e levá-lo para o seu próprio robô (ou um titã aliado). Fazer isso de forma bem-sucedida é uma das coisas mais gloriosas de se fazer em uma partida, especialmente quando o titã inimigo já está bem avariado, e a retirada do seu núcleo causa sua explosão!

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Também há uma maior variedade de titãs: agora você não troca apenas partes avulsas de um único “chassi”, existe meia dúzia de titãs que são bem diferentes, com armas, equipamentos e habilidades únicas. Há um com lança-chamas, outro com uma arma de precisão, e o sempre badass titã que carrega uma espada gigantesca.

Um dos novos modos de jogo mais interessantes é o Recompensa. Nele, seu time vai acumulando dinheiro conforme elimina inimigos (existem bots e jogadores reais) e, de vez em quando é possível correr com seu “loot” para depositá-lo em um lugar seguro (se morrer, você perde metade do que estiver carregando), garantindo os pontos para o seu time. Porém, os “bancos” são os mesmos para as duas equipes, ou seja, podem rolar chacinas e tiroteios frenéticos mesmo na hora de guardar a grana!

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Para quem busca algo mais tradicional, o modo Exaustão relembra um pouco o primeiro Titanfall, colocando bots e jogadores humanos em arenas enormes onde ganha quem acumula mais pontos. O detalhe é que matar inimigos humanos vale 5 vezes mais pontos do que matar os bots. Ou seja, você pode até ajudar seu time apenas caçando bots, mas tome cuidado para não virar alvo dos jogadores humanos do outro time!

Se o que você quer é experimentar quase tudo o que o multiplayer oferece sem perder tempo, também vale dar uma conferida no modo Variedade, que basicamente cria playlists aleatórias com partidas de diferentes modos de jogo alternadas. Uma maneira interessante e dinâmica de experimentar um pouco de tudo que o multiplayer tem a oferecer. Entre modos de jogo manjados à boas novidades, há opções para todos os gostos aqui.

Audiovisual

Já deve ter ficado claro pelas imagens e vídeos que ilustram a matéria, mas não custa relembrar: Titanfall 2 é um jogo muito bonito. E, novamente, isso fica ainda mais evidente na campanha, que aproveita a ambientação do planeta Typhon para entregar paisagens ricas e bem variadas, fugindo de cenários tradicionais tipo bases militares e laboratórios para entregar belas matas, desfiladeiros e praias. As bases militares e laboratórios também estão aqui, mas fica claro que o time soube valorizar diversas facetas do planeta.

Deixo alguns exemplos abaixo:

Análise Arkade: Titanfall 2 é uma das melhores surpresas de 2016

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Mesmo com a riqueza visual e os tiroteios frenéticos que rolam o tempo todo, a Respawn conseguiu a façanha de manter o jogo rodando em 60fps em todas as plataformas. A versão usada para esta análise é a de Xbox One, e ela roda que é uma beleza, sem engasgos ou slowdowns. Foi adotado um sistema de “resolução dinâmica” (semelhante ao que vimos em Halo 5) que certamente ajuda, mas os mais exigentes não terão do que reclamar: Titanfall 2 é um jogo lindo, e roda muito bem, obrigado.

Seguindo o que (felizmente) já virou tendência por aqui, o game chega 100% localizado, com dublagens, menus e legendas em português brasileiro. Me aborrece um pouco o fato de ser “obrigado” a jogar tudo em português (para jogar em inglês só trocando o idioma do console), mas neste caso isso até nem foi um problema tão grande, pois a qualidade da dublagem está ótima. Parece que a Warner finalmente parou com a mania de chamar celebridades para “estrelar” seus jogos: o que temos aqui é uma dublagem de qualidade, feita por quem entende do assunto.

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A trilha sonora não é especialmente marcante, mas, especialmente na campanha consegue potencializar momentos de adrenalina com sucesso. O hud no geral é bem limpo e minimalista, o que só favorece o belo visual do jogo. Ainda que alguns soldados morram em posições absurdas, no geral o game possui ótimas animações, e as várias maneiras de um piloto entrar em seu titã são muito legais.

Conclusão

Quem diria que Titanfall 2 acabaria sendo uma das melhores surpresas deste fim de ano? Esse jogo é a prova de que as empresas devem ouvir o feedback do público e são capazes de aprender com seus erros. Nem todo mundo acerta de primeira, mas o que a Respawn alcançou nesta “segunda tentativa” é algo digno de bater de frente com as franquias mais queridas do público. Que outras produtoras aprendam a corrigir seus erros como eles conseguiram.

Análise Arkade: Titanfall 2 é uma das melhores surpresas de 2016

Imagino que quem experimentou o primeiro jogo e não gostou talvez acabe deixando este aqui passar batido. Como dizem por aí,“a gente só tem uma chance de causar uma primeira boa impressão”, e no geral, a primeira impressão de Titanfall não foi lá essas coisas, por mais arrojado e influente que ele tenha sido. Mas Titanfall 2 é muito melhor, em todos os aspectos. Este novo jogo merecia ser o primeiro da série, para chegar chutando o balde… mas ele não é. Ele é tudo o que o primeiro jogo poderia (e deveria) ter sido, mas está chegando com 2 anos de atraso.

Por conta disso, acredito que nem todo mundo vai dar uma segunda chance para a franquia — nem o timing de lançamento ajuda: ele está saindo justamente entre Battlefield 1 e o novo Call of Duty. Mas espero que você, que está lendo isso, dê uma chance para Titanfall 2. Aposto que você não vai se arrepender.

Titanfall 2 foi lançado em 28 de outubro, com versões para PC, Playstation 4 e Xbox One. O game chegou ao Brasil 100% em português brasileiro (dublagens, menus e legendas).

2 Respostas para “Análise Arkade: Titanfall 2 é uma das melhores surpresas de 2016”

  • 4 de novembro de 2016 às 23:25 -

    gabriel

  • Titanfall é o melhor fps que tem por aí. Ele oferece muito mais dinâmica e diversão que os clássicos BF e COD. Não joguei o 1 pois era exclusivo do xbox (um dos erros do 1), meu início com Titanfall foi o 2 e não há motivo algum para eu jogar novamente meu BF ou até mesmo comprar o COD. Titanfall é completo e maravilhoso, bem feito, e principalmente, ORIGINAL. O modo recompensa no multiplayer é algo criativo e justo, nunca joguei algo em um fps como esse modo me oferece. Titanfall, na minha opinião, deixa BF e COD muito pequenos, fracos, e ocupa o lugar de melhor fps no mercado.

    • 6 de novembro de 2016 às 08:40 -

      MKMaker

    • Comentário meio sem nexo, Brother. Primeiro que gostar de um game não anula a vontade de jogar outro, comparar, beleza, mas não jogar simplesmente porque um é “relativamente” melhor que o outro? E já ser o “melhor FPS” bem, claro que a sua opinião eu respeito mas o titanfall ta longe de ser o melhor FPS tanto na parte tecnica quanto na parte visual. realmente é um PUTA game mais pra ser o melhor acho que pe exagero.

      Voltando a parte de “não jogar outros fps” eu mesmo jogo todos, pois zero um e passo pro outro e adoro as experiencias diferentes que cada um oferece. Pensar como vc diz só te distancia de experiencias maravilhosas em games diferente.

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