Análise Arkade: Wasteland 3 marca o retorno de uma grande franquia de RPG tático

12 de setembro de 2020
Autor: Felipe Machado
Análise Arkade: Wasteland 3 marca o retorno de uma grande franquia de RPG tático

Desenvolvido pela inXile Entertainment e publicado pela Deep Silver, Wasteland 3 é um RPG com combate tático por turnos que se passa em um mundo pós-apocalíptico com os mais variados inimigos — máquinas, monstros e humanos — e claramente é um jogo feito para os amantes do gênero. Se você está curioso para conhecer um pouco mais sobre o universo de Wasteland 3, aperte o cinto, recarregue seu fuzil e vamos para a análise!

Próximos da extinção

Wasteland 3 possui uma história interessante e cheia de intrigas: você faz parte de um bando em extinção, os Desert Rangers, o qual busca estabelecer um novo grupo para combater as forças inimigas e manter a ordem no Arizona. Para isso, você deverá ajudar o famoso Patriarca a parar seus 3 filhos loucos e cheios de ambições sanguinolentas.

Como a maioria dos RPGs, a premissa da história é até simples, porém o universo do jogo ganha corpo e torna-se realmente graças às histórias paralelas. E, bom, Wasteland 3 possui inúmeras missões secundárias: esse é aquele tipo de jogo em que é extremamente fácil se “perder” nessas missões — que no fim serão úteis para lhe ajudar a subir o nível dos seus soldados e juntar itens para concluir com mais facilidade as missões principais.

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Missões secundárias são muito tentadoras

No início de Wasteland 3 você controla 2 soldados apenas, em um trecho que meio que serve como um tutorial para que o jogador fique por dentro das mecânicas básicas do jogo. Após um sangrento conflito com os Dorseys — um grupo que foi banido de Colorado pelo Patriarca –, ganhamos apoio para reunirmos uma nova equipe de Desert Rangers… desde que aceitemos lidar com os filhos do Patriarca, que são um tanto quanto malucos e estão brigando entre si… e é aí que tudo começa de verdade.

Você recebe uma base para sua equipe, e no decorrer da campanha, novos NPCs vão sendo recrutados para encher o lugar, e eles logo se mostram úteis, pois servirão para lhe vender os mais diversos itens que auxiliarão na sua jornada. Além disso, você pode contratar certos NPCs para que eles tornem-se novos soldados e façam parte do seu time. No total, podemos recrutar e controlar até 6 soldados de uma vez.

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É muito fácil perder alguns bons minutos montando seu soldadinho

Existe uma gama de personagens já prontos que o jogo deixa à disposição para escolha rápida (para os menos pacientes), ou se preferir, você pode criar seus próprios personagens, escolhendo atributos, especialidades e todos aqueles status que os RPGs têm para oferecer.

Gameplay

Wasteland 3 é um ótimo jogo tático; ele não traz nada de muito inovador para o estilo, porém faz o que se propõe a fazer muito bem feito, Na medida em que você vai avançando na história e seus Rangers vão evoluindo e ficando mais fortes, abre-se um leque de habilidades que podem ser utilizadas durante as batalhas, que vão muito além de ataques básicos e uso de itens.

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Os combates são intensos e desafiadores, por isso é importante estudar o cenário e deixar preparados todos os equipamentos que você deseja utilizar antes de entrar em um combate. As batalhas acontecem de diferentes maneiras: você pode ser surpreendido por uma emboscada enquanto viaja com seu veículo, por exemplo, mas também pode acontecer durante sua exploração por algum cenário.

Os inimigos possuem um círculo de percepção, que se você invade, tem um tempo até que ele te note e inicie a batalha. Claro que, se quiser evitar surpresas, você mesmo pode posicionar estrategicamente seus Rangers e dar o primeiro pipoco nos inimigos (eu prefiro jogar dessa maneira). Aí é aquela esquema de movimentação em quadrantes, limite de ações por turnos e muito estudo de posicionamento para não se dar mal.

Vou deixar uma rápida batalha que tive, no início do jogo, para exemplificar melhor:

Particularmente, gosto muito de jogos nesse estilo, porém confesso que sou um tanto quanto ansioso e acabo cometendo erros bobos durante a jogatina, tipo não aproveitar bem os recursos mais estratégicos que o jogo oferece, ou acabar evoluindo 2 soldados quase da mesma maneira. Jogadores mais experientes sabem o quão “errado” é isso, por isso sempre busque ter soldados com diferentes atributos e especialidades. Eu tenho certeza que isso deixará seu jogo mais fluido e divertido.

Conforme você vai ganhando experiência e evoluindo seus soldados, eles ganham pontos para serem distribuídos em diferentes habilidades e especialidades, as quais são úteis não somente durante as batalhas, mas também enquanto você está andando e explorando o mapa. Por exemplo: certas situações apresentam diálogos com opções de escolha, tipo ameaçar a pessoa para que ela não queira um conflito, ou usar uma opção de diálogo mais amigável para demonstrar que você não quer encrenca.

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Você também pode querer evitar inimigos na estrada utilizando suas habilidades

Além dos seus soldados você também precisa se atentar ao seu veículo, que é essencial para viajar e poder realizar as missões. Mas isso não necessariamente deixa sua vida mais fácil: existem locais tomados por radiação, e dependendo do nível do chassi do seu veículo, essa radiação vai passar e causa dano aos seus soldados, podendo até matá-los caso eles fiquem muito tempo expostos.

Para quebrar um pouco a tensão, na parte superior da tela fica disposto o rádio, que de vez em quando toca umas músicas maneiras. Você também recebe ligações, que podem ser para lhe passar novas missões ou para ser questionado sobre a situação de algum objetivo. Do lado direito do rádio fica o sempre útil sensor de radiação, que apita para lhe indicar quando o nível de radiação é prejudicial.

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Explorando o Colorado

Por fim, é válido destacar o bom trabalho que foi feito na adaptação dos controles: todo mundo sabe que jogos desse tipo ficam melhores no combo “teclado e mouse”, mas houve um cuidado muito especial em mapear os botões para os gamepads. Há muitos atalhos e funções que otimizam a jogatina, e deixam o gameplay mais fluido.

Audiovisual

Wasteland 3 possui um visual muito agradável: os cenários são bem construídos, e a direção de arte passa bem a sensação de que está tudo numa situação precária (afinal, é um mundo pós-apocalíptico). A maioria dos cenários possui elementos para interagir, como baús de itens, NPCs querendo entregar missões e até mesmo locais que precisam de um certo nível de alguma habilidade específica para serem acessados.

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Referência que só os fortes entenderão ;D

No que diz respeito ao posicionamento da câmera (principalmente nos combates), em certos momentos acho que ela poderia se afastar um pouco, proporcionando uma visão mais ampla e facilitando o estudo do cenário, para planejar as ações dos soldados sem levar um “ataque surpresa” e acabar perdendo um guerreiro em combate. Mas é um detalhe, no geral ela faz um bom trabalho.

Em se tratando do combate, os efeitos durante todo o tiroteio estratégico são muito bem feitos, as explosões dos galões de combustível são lindas de se ver, principalmente quando vêm seguidas de um dano massivo nos inimigos. Os efeitos sonoros das armas e acessórios no geral são bastante convicentes.

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Um combate caótico, mas muito bonito :D

Toda a parte sonora do joga foi muito bem trabalhada, as músicas são ótimas e conseguem deixar as coisas mais emocionantes. Me peguei algumas vezes parando só para apreciar o som que tocava no carro ou em algum novo diferente.

O jogo é dublado (infelizmente não em PT-BR, mas ainda assim está muito bem dublado), e isso concede mais personalidade ao mundo e aos personagens que nele vivem. Todos os NPCs importantes que você encontrar terão voz, e isso sem dúvida agrega na sensação de imersão do jogo.

Conclusão

Wasteland é uma franquia que cruza gerações — o primeiro jogo é lá de 1988, enquanto o segundo chegou só em 2014. A importância da série é indiscutível, visto que serviu de inspiração para franquias que se tornaram tão famosas quanto ela, como Fallout por exemplo. E, vale ressaltar que este terceiro jogo teve sua produção financiada via Kickstarter (onde arrecadou mais de 3 milhões de dólares), e tem em seu time de desenvolvimento veteranos que trabalharam em jogos igualmente emblemáticos, como Torment: Tides of Numenera.

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O resultado, felizmente, é um título e tanto para os amantes de RPG e combates táticos. O jogo é cheio de coisas para fazer, inúmeras variedades de esquadrões para formar, diferentes estilos de armamentos, estratégias, e muito mais. É um jogo amplo, cheio de possibilidades, com tanto conteúdo que, como mencionei no início, pode até desvirtuar um pouco o jogador de sua trajetória principal. Mas, para quem não liga de “se perder” em mundos fictícios, aqui há muito o que ver, explorar e descobrir.

Conhecer os jogos anteriores é essencial? Não exatamente, mas é recomendado para quem busca uma experiência mais completa, e quer ter mais conhecimento sobre o universo que é retratado aqui. Há muito “lore” neste mundo, e ficar por dentro de tudo exige alguma dedicação.

Como todo RPG, Wasteland 3 tem muitos diálogos — o que pode ser um ponto negativo, visto que o jogo não recebeu nenhum tipo de localização para o nosso idioma. Mas se você manja de inglês (ou joga com o dicionário do lado), é fã da série, curte RPGs táticos ou histórias pós-apocalípticas, meu amigo, só vai!

Wasteland 3 foi lançado em 28 de agosto para as plataformas Playstation 4 (versão analisada), PC Xbox One. O jogo não possui tradução para o nosso idioma.

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