Análise Arkade: Watch Dogs 2, um jogo igual ao seu antecessor, mas diferente.

14 de novembro de 2016
Autor: Junior Candido

Análise Arkade: Watch Dogs 2, um jogo igual ao seu antecessor, mas diferente.

Quando o primeiro Watch Dogs saiu, em 2014, a Ubisoft lançou uma nova franquia, que oferecia um mundo aberto o qual já estávamos acostumados a explorar em outros games, mas com uma inteligente postura de se adicionar um enredo altamente tecnológico, que influenciava em um gameplay que envolvia direções, tiroteios, mas também invasões de rede e muitos hacks Chicago afora. O game contava com bons visuais e uma história legal, porém pecou em não conseguir explicar muito bem tanta conectividade, além de contar com uma física muito estranha.

Pois amanhã, finalmente, teremos Watch Dogs 2, a aguardada continuação da série que nos apresenta uma nova história e um novo personagem, mas com o mesmo contexto e universo. E pelo visto, de maneira semelhante a Assassin’s Creed e seus vários protagonistas, é o que teremos nos games da série. Muita da expectativa sobre o game era sobre a Ubisoft continuar seguindo o mesmo caminho do primeiro game, ou oferecer algo totalmente novo, já que os vídeos nos mostravam estas duas coisas. Hora de conferir então as respostas desta e de muitas outras perguntas em relação ao game.

Voltando a um lugar que você nunca foi

Em Watch Dogs 2, temos um novo protagonista em uma nova cidade. Sai o tema “vingança” e a “justiça” entra em campo, com Marcus Holloway tendo que lutar contra tudo e todos para resolver uma falha de algorítimo da ctOS, e salvar sua pele da justiça. O ambiente conectado apresentado em Chicago, de fato, é mais explorado desta vez, e amplia as possibilidades de enredo e universo, gerando um universo bem interessante, com várias histórias a serem exploradas em futuros games.

Logo de cara, você já ganha mais empatia por Holloway do que tinha com Pierce. Tudo porque o personagem tem bem mais carisma do que seu antecessor, além de demonstrar mais conhecimentos e habilidades na arte do hack, que iremos comentar melhor durante o review. Além de contar com as facilidades com invasões digitais e de combate, nosso novo protagonista também encara o parkour, facilitando um pouco mais as subidas em prédios para missões e tarefas específicas. Suas animações também são mais completas, com direito a um notebook que o ajuda a controlar guindastes, por exemplo. E conta a favor de Holloway a sua linguagem, já que saem aqueles termos sóbrios e sérios de Aiden em sua busca por vingança e entram palavras mais joviais, mais antenadas com os dias e as tecnologias de hoje, e personagens mais leves e divertidos, tirando e muito o peso que o primeiro enredo descarrega no jogador.

E também vale mencionar que além de leve, o game também ficou mais bem-humorado. Além de personagens mais jovens e que citam referências da cultura pop o tempo todo, Google e Donald Trump, só para citar dois exemplos, são referenciados no jogo, emprestando na medida certa a fórmula de GTA de não se levar tão sério assim. O jogo não é um festival de comédia, mas consegue mesclar a seriedade da situação dos membros da DedSec com bom humor. Isso foi uma boa evolução na série e mantendo o bom gosto, será muito bem vinda em jogos futuros.

Análise Arkade: Watch Dogs 2, um jogo igual ao seu antecessor, mas diferente.

Mas, logo ao jogar os primeiros minutos do game, percebemos que estamos jogando o mesmo jogo de 2014, pois temos em ação um visual levemente melhorado, mas bem característico, com mais elementos “da era digital” “poluindo” o ambiente, a mesma física esquisita, que continua gerando situações absurdas como pilotar uma moto em alta velocidade, bater e continuar montado nela, sem nenhum esboço de cair, além da burrice da maioria dos inimigos, que caem facilmente nas missões de stealth. Sobre a física e controle de veículos, continua a estranha sensação de que praticamente todos os carros são iguais, pois, ao pilotar um veículo inspirado num Fusca ou um carro de passeio tradicional, o controle e velocidade é quase o mesmo. Ou mesmo ao dirigir carros esportivos mais velozes, nota-se um estranho senso de controle que, mesmo com o veículo derrapando para lá e para cá, continua sob sua rédea.

Se a intenção era apresentar algo novo, com certeza não foram os elementos visuais e de controle que representaram isso em Watch Dogs 2. Este “mais do mesmo”, porém, não é um aspecto nem positivo e nem negativo, é apenas um item a ser observado. Quem vai decidir isso será você, que curtiu ou odiou estes elementos na primeira vez.

Segue a gente lá e dá uma força pro canal!

Mesmo com as semelhanças com o primeiro jogo, Watch Dogs 2 tem sim algumas novidades, todas elas focadas no gameplay. Logo de cara você já percebe a primeira: as invasões que funcionavam como um puzzle no primeiro game, agora saem de uma tela específica e passam a integrar o cenário, com os ícones assumindo lugares no chão e na parede, fazendo com que você tenha que andar até o local para solucionar o quebra-cabeça. E, como desta vez você não é um lobo solitário, saiba que seus amigos de DedSec estão à disposição para ajudar a todo momento, já que não param de falar com você em nenhum minuto.

Também temos leves alterações na jogabilidade, com uma leve, complicada, mas necessária mudança quanto ao controle das coisas no jogo: antes, era só apertar o botão correspondente na tela e explodir coisas, mudar semáforos de posição e abrir portas, mas agora antes, é necessário apertar um botão de apoio (o L1, no caso do PS4). Uma vez com o botão apertado, você tem até quatro coisas a se fazer com o objeto em questão, podendo então guiar um carro sem estar nele, escolher entre dar choque ou tocar um celular de um inimigo. Se em um primeiro momento este elemento fica mais complicado, com o passar do jogo você acaba se divertindo, pois as possibilidades aumentam e oferecem uma sensação de satisfação correspondente. As adições do carrinho de controle remoto e do drone para acessar locais mais difíceis também são dignas de elogio e se encaixam perfeitamente na proposta do jogo. lembrando também da impressora 3D de armas, outra sacada muito legal. Continue assim, Watch Dogs.

 

Análise Arkade: Watch Dogs 2, um jogo igual ao seu antecessor, mas diferente.

As missões, embora semelhantes ao que já vimos na primeira vez, agora contam com uma novidade que, embora polêmica para alguns, se mostra bem funcional: estamos falando do sistema de seguidores. Você não pode ir e simplesmente ir de missão em missão até terminar o jogo, antes, é preciso conquistar seguidores suficientes para “comprar” e acessar determinada missão, praticamente obrigando o jogador a fazer missões secundárias antes. Além de ajudar o jogador a ir se familiarizando com o jogo, a boa notícia é que tais missões paralelas não são tão genéricas como na primeira vez, com destaque a um modo online em que, nos moldes de The Division, você pode fazer algumas missões com um outro jogador, somando um quê de online que não deu muito certo em 2014. Por estarmos jogando uma versão de prévia, antes do lançamento, não haviam pessoas disponíveis para jogar tais missões, então não podemos ter uma posição concreta quanto ao seu funcionamento, porém as expectativas são boas sim e sua proposta se apresenta bem interessante, incluindo as possibilidades de invadir os dados dos amigos, criando um “gato e rato” bem divertido.

E finalmente, como prometido, nada de ir desbravando o mapa com torres de bloqueio. Watch Dogs 2 já oferece de cara o mapa completo do jogo e coloca o jogador para se preocupar com missões principais e tantas outras coisas que a cidade tem para oferecer. O mapa está mais com “cara de mapa” mesmo, e oferece mais vida, com mais coisas a se fazer e convidando o jogador para passar mais tempo no jogo. Temos aqui ambientes variados e que agradam, podendo rodar pelas avenidas de San Francisco ou pelos campos, tudo bem detalhado. Com isso, o jogo também propõe algo de cara para o jogador: simplesmente pegar o carro e sair por aí, sem limitações, para conhecer antes o mundo do jogo antes de partir para as tarefas propriamente ditas.

Igual, mas diferente

A grande promessa da Ubisoft foi a de ouvir os jogadores do primeiro jogo e oferecer um game que respondia diretamente as críticas feitas pelo primeiro jogo. Pelo visto, o que os fãs queriam estava relacionado com mudança de personagens, ampliação dos elementos de conectividade da cidade e uma história mais profunda. Já que a física e elementos de gameplay, como o combate e os hacks (com as mencionadas mudanças) seguem praticamente intactos. Mas, enquanto temos ás vezes a sensação de jogar o mesmo jogo de dois anos atrás com outro personagem, também conferimos ótimas ideias que nos aprofundam ainda mais na proposta de hackers do submundo que a série nos apresenta.

Continuando o estilo “ame ou odeie”, Watch Dogs já deixou uma coisa bem clara, pelo menos nesta sua segunda aparição: de que será um jogo aberto para novas ideias, mas sem dispensar elementos originais que, pelo visto, agradou muita gente antes e agradará hoje também. Não se deixe levar pelo hype, mas também não tenha razões para se decepcionar profundamente: assim como seu antecessor, Watch Dogs 2 é um jogo divertido, interessante, mas que não é (e nem aspira a ser) a revolução que todos queriam que ele fosse.

Jogamos Watch Dogs 2 em uma versão de pré-lançamento oferecida pela Ubisoft, e algumas mudanças poderão acontecer junto ao lançamento do game, com algum patch de atualização.

Uma resposta para “Análise Arkade: Watch Dogs 2, um jogo igual ao seu antecessor, mas diferente.”

  • 23 de novembro de 2016 às 21:10 -

    denis

  • puts arkade acho q se precipitaram nessa analise de watch dogs 2 eim…… todos os sites estao falando super bem do jogo.

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