Análise Arkade – A resistência britânica de Watch Dogs Legion

9 de novembro de 2020
Autor: Junior Candido
Análise Arkade - A resistência britânica de Watch Dogs Legion

Londres, embora nem todos saibam disso, é uma cidade milenar. Sendo mais velha do que a própria Inglaterra, foi fundada no ano de 43 D.C., pelos romanos, que a batizaram de Londinium. A cidade, hoje capital britânica, passou por muitos momentos de resistência, sendo, a mais recente e que reflete de maneira direta na vida do londrino, a resistência britânica frente ao nazismo, na Segunda Guerra Mundial.

Tal conceito, de um povo que se une contra uma grande ameaça para a nação foi explorada pela Ubisoft em seu novo capítulo de Watch Dogs. A franquia leva o mundo hacker de resistência para a Terra da Rainha, misturando tradição, tecnologia, e conspiração.

Londres: dirigir pelo “lado errado” foi uma boa escolha

Entender um pouco a história de Londres, e tudo o que seu povo viveu nos últimos séculos é de vital importância para compreender melhor Watch Dogs Legion. E para ajudar no contexto, vamos voltar ao primeiro game, que trouxe Aiden Pearce como protagonista, em Chicago, nos apresentou ao conceito da franquia, com a ctOS, de que o mundo, altamente tecnológico, pode ter muitos interessados em controlar informações, e com elas, as narrativas do planeta.

O segundo game, continua a história e, nos traz Marcus Holloway e aprofunda um pouco mais este conceito, por sua história acontecer em São Francisco e no Vale do Silício, o pólo tecnológico dos EUA, que abrigam as mais diversas companhias. Assim como nos introduz à DedSec, grupo de hackers ativistas, que reclamam sobre como nossos dados poderiam estar sendo usados, para o poder de alguns.

Análise Arkade - A resistência britânica de Watch Dogs Legion

E Legion, assim, traz todo este contexto para Londres. Mas agora não temos um protagonista, e sim, toda uma cidade pronta para ajudar. Cada cidadão, com sua habilidade única, colabora como pode, a fim de ajudar a DedSec a limpar seu nome, enquanto livra a cidade da Albion, uma organização privada que faz o papel de polícia no game. Seus membros se reúnem em pubs, e tem sua base em uma estação antiga de metrô, outro símbolo de resistência entre os britânicos.

Autorizada pela realeza para agir como polícia, a Albion tem maiores aspirações de poder, o que gera revolta no DedSec, que também foi acusado injustamente por um atentado. Albion, inclusive, era um nome dado à antiga Inglaterra, como era chamada por latinos e gregos. O que nos leva a imaginar que este grupo quer, de algum modo, retornar a Inglaterra “como era antigamente”.

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Este novo contexto nos apresenta uma Londres bem interessantes, que oferece as missões mais variadas. Em meio ao conceito principal de conspiração, conhecemos um pouco mais da capital britânica do game, como a polarização, com a fúria de quem está contra a Albion, assim como o constante questionamento sobre nosso uso de dados, mas com a soma de alguns elementos ingleses, como a espionagem, tipicamente baseada no mundo 007, ou ainda coisas simples, como um mini-game de embaixadinhas, para simbolizar o amor inglês pelo futebol.

Dirigir pelo “lado errado” britânico trouxe uma novidade ao gameplay. Não é a primeira vez que Londres foi representada em games, mas é sempre interessante explorar a cidade. Em um mundo aberto não tão grande quanto em outros games, me peguei raramente usando os pontos de viagem rápida, que são as estações de metrô da cidade. É interessante ver a cidade viva, observar os pontos turísticos, visitar os pubs, tomando uma cerveja, e ouvir as muitas pessoas do game conversando sobre quase tudo.

Gameplay ágil, mas em uma cidade menos conectada

Análise Arkade - A resistência britânica de Watch Dogs Legion

O gameplay de Watch Dogs Legion é tanto semelhante aos outros games da série, quanto com o “padrão Ubisoft“. Vá no ponto do mapa, entre sem ser visto (ou se aguentar o tranco, banque o Rambo), hackeie coisas, invada outras, e descubra mais sobre a Albion e suas conspirações. Agilidade é a palavra aqui, especialmente se você, assim como eu, for adepto da aranha, para invadir locais.

As muitas estações de metrô no game fazem você, praticamente, jogar boa parte do game “a pé”, embora você possa entrar, sem dificuldade qualquer carro estacionado na rua. A variação segue o “padrão mundo-aberto-Ubisoft” de ser e diverte quem procura algo deste gênero. Não espere o jogo mais brilhante da história da companhia francesa, e nem o melhor do gênero, mas, com certeza, tenha ciência de que você terá acesso a um game bastante divertido.

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Mas tenho um questionamento, que é em relação a cidade. Achei curioso o fato de que a cidade, apesar de vida, não oferece mais tantas oportunidades de ser hackeada. Em Legion, dá pra continuar algumas coisas de outros games, como controlar carros da rua, ou usar os muitos drones que voam pelas ruas, para seu favor. Mas não dá pra mexer nos semáforos, e nem mexer em outros elementos das ruas, salvo um bloqueio automatizado. Achei um regresso, já que estamos falando de ctOS, e tantos recursos em potencial.

Por outro lado, estamos em uma cidade conectada, e com a polícia privada do local sempre pronta para agir. Isso significa que você não terá muito tempo de sossego, dando a impressão de que você nunca estará em paz dentro do game. Isso sem falar que, jogando com um personagem ex-Albion, ainda pode acontecer da cidade se rebelar contra você. A Londres do game é um barril de pólvora pronto para explodir, deixando na sua mão a decisão de jogar gasolina nesta mistura, ou de fazer o que quiser para evitar o caos.

Uma cidade protagonista

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O grande diferencial de Legion está no seu “protagonista”. Ou nos “seus”, no caso. Cada cidadão da cidade pode ser recrutado, com alguns cidadãos ainda possuindo habilidades pontuais, úteis para a jogatina. Como o advogado, que pode ajudar a libertar personagens presos mais rápido, policiais, que podem entrar em locais protegidos com mais tranquilidade, ou um analista de sistemas, que tem maiores habilidades hacker. Ou ainda, um espião, que é quase que um 007, e oferece carro com lançador de mísseis, entre outros brinquedos.

Isso deixa o game mais interessante, ainda mais se a opção “morte definitiva” for ativada. Funciona assim: se seu personagem morrer durante a ação do game, ele não retorna mais, e um novo agente deverá ser escolhido. Com este modo desativado, o personagem derrotado vai preso, e retorna em algum tempo para a ação. Independente da escolha, tal modo faz com que as missões sejam jogadas de maneira bem específica.

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Imagine que você precisa invadir um local, em determinada missão: aí você escolhe o agente policial, que entra com mais facilidades. Mas é descoberto e no meio do tiroteio, morre. Um novo agente é escolhido, sem estas habilidades, e a invasão toma outros moldes. Essa mudança de gameplay baseado em ambiente e personagem é bem interessante, e reforça ainda mais a ideia de legião do game.

Dá pra escolher o seu preferido, como dá pra montar um grande time, e assim, sair pelas ruas pronto para livrar Londres da ameaça Albion. Com vários personagens, que contam com várias habilidades, com o melhor da música britânica de fundo no rádio de seu carro. Ou ainda, se preferir, pode bancar o “Ghost Recon” e se unir com outros três amigos para juntos, seguir libertando Londres da opressão.

Um elo entre gerações, no mundo dos consoles e na DedSec

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Watch Dogs Legion é, com certeza, mais um “game padrão Ubisoft“. Tudo o que você viu nos últimos games da companhia, você encontrará aqui: mundo aberto cheio de coisas para explorar, missões bem variadas e bastante conteúdo, para manter o jogador preso no game por meses. O gameplay é bem leve, com um interessante sistema de luta. E o lado “ruim” de um game da Ubisoft também é encontrado aqui: alguns bugs, travadas e coisas inesperadas acontecendo pelas ruas.

Mas, o mais interessante em se avaliar aqui, com certeza, é o fator transição. Em se falando de Watch Dogs, é interessante ver como que a série, que nasceu em uma trama com foco no indivíduo, se tornar em um enredo com foco no povo de uma cidade inteira. A evolução de temas e propostas em Watch Dogs nos dá boas expectativas quanto ao futuro da franquia, que, com a chegada dos novos consoles, poderá explorar ainda mais questões.

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E, falando em novos consoles, vale também observar um salto de gerações entre as versões. Playstation 4 e Xbox One seguem fazendo bonito e o game se mostra bem interessante e caprichado. Mas é só ver os últimos vídeos do game em um Xbox Series X, com Ray-Tracing e todos os recursos ativos, que você se dá conta, de verdade, que uma nova geração chegou. E que as expectativas, tanto com a Ubisoft, quanto com o mundo dos games em si, se mostra muito positiva.

Watch Dogs Legion já está disponível para Xbox One, Xbox Series X|S, Playstation 4, Playstation 5, PC, e Google Stadia.

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