Análise Arkade: Call of Duty: Black Ops Cold War tem muitos modos de jogo e alguns acertos

21 de novembro de 2020
Autor: Gilson Peres
Análise Arkade: Call of Duty: Black Ops Cold War tem muitos modos de jogo e alguns acertos

Call of Duty: Black Ops Cold War é o primeiro Call of Duty a chegar para a nova geração de consoles. Isso por si só já é algo que cria grande expectativa sobre o game. Além disso, o fato de ser uma continuação direta do Black Ops de 2010 e ser o primeiro CoD após o excelente Modern Warfare de 2019 cria ainda mais expectativas. Entretanto, alguns tiros não foram tão certeiros dessa vez.

Call of Duty: Black Ops Cold War possui vários modos de jogo distintos. Entre eles, uma campanha que dura entre 6 e 8 horas. Somado a isso temos o tradicional modo multiplayer, um gancho para o Warzone e o retorno dos famigerados Zumbis. Toda essa variedade de jogatina tinha tudo pra agradar a todos os possíveis públicos da franquia. Entretanto, o aproveitamento mediano da campanha e alguns retrocessos no multiplayer acabam deixando a desejar.

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De cabeça na Guerra Fria

A ambientação da Guerra Fria é, sem dúvidas, um prato cheio para Call of Duty. Seja pelas inúmeras possibilidades de enredo, pela possibilidade de usar localidades soviéticas, vietnamitas e outras mais; ou pelo simples fato de poder envolver clássicos dos anos 60, 70 e 80 na ambientação. Entretanto, mesmo com todo esse mundo de possibilidades, a campanha ainda não alcança plenamente seu potencial.

Inicialmente, temos a possibilidade de criar nosso próprio personagem, de codinome Bell. Aqui temos um ponto muito interessante, pois podemos traçar seu perfil psicológico, e isso lhe dá habilidades passivas para a campanha, como recarregar armas mais rápido ou ter mais pontos de vida, por exemplo. Mas, uma ideia promissora como essa acaba sendo bem mal aproveitada, principalmente por conta da conclusão da história.

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Conclusão essa, que deixa muito a desejar. Seja por ser anti-climática, por ser totalmente clichê ou por ser preguiçosa na sua execução como um todo. Felizmente, entretanto, a campanha tem bons momentos e cenas bem cinematográficas que valem a pena. A duração, por sua vez, segue o padrão da franquia, entregando algumas horas de diversão com altos e baixos no que diz respeito à qualidade.

Os acertos da campanha

Como foi dito, não é só de momentos ruins que vive a campanha de Call of Duty: Black Ops Cold War. Um de seus pontos interessantes são as mecânicas de escolhas que às vezes aparecem. Essas escolhas acabam culminando em três finais distintos para a história, o que pode favorecer um possível fator replay.

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Além disso, outro ponto positivo são os momentos mais voltados à espionagem presentes na campanha. Claro que o ritmo não é constante: temos situações alternadas entre os tiroteios e a ação frenética já tradicional da franquia; e momentos menos intensos, que dão um respiro ao ritmo da campanha. Essa alternância de situações e abordagens é algo que traz um frescor muito bem-vindo à campanha.

As mecânicas de stealth foram os pontos mais altos da campanha. Arrombar portas sorrateiramente, se esgueirar por tubulações e eliminar inimigos sorrateiramente combinaram bem com a jogatina e com o momento histórico retratado. Uma menção honrosa precisa ser feita à fase na qual invadimos a sede da KGB, sem dúvidas o ápice dessas mecânicas de espionagem presentes no jogo.

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Por sua vez, as dublagens, efeitos sonoros e visuais do jogo estão excelentes. Claro que esses elementos já não são novidade na franquia, mas como estamos falando do primeiro Call of Duty disponível para a nova geração de consoles, visual é algo que merece ser comentado a parte mais abaixo.

O Call of Duty da nova geração

O visual de Call of Duty: Black Ops Cold War é incrível. Claro que não é um salto tão absurdo assim, se compararmos ao Modern Warfare lançado em 2019, mas os detalhes agradam bastante. Principalmente quando observamos efeitos de luz e reflexo. Mesmo quem jogar nos consoles vanilla (Playstation 4 e Xbox One), que não contam com ray tracing ou outras novas tecnologias de imagem podem esperar por um jogo muito bonito e cheio de estilo..

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Entretanto, é importante dizer que todo esse visual de “nova geração” cobra seu preço. O jogo claramente faz o hardware dos consoles da “geração passada” (é estranho dizer isso tão cedo) sofrerem bastante. Quedas de framerate podem ser notadas em alguns momentos de jogatina, principalmente no multiplayer local com a tela dividida.

Além disso, a própria instalação do jogo é simplesmente imensa. Caso você queira explorar todos os modos de jogo, prepare-se para muitos downloads. Por um lado, é interessante pensar nessa fragmentação do jogo em vários arquivos. Por exemplo: após concluir a campanha, você pode desinstalá-la sem que isso afete os modos multiplayer. Entretanto, existe uma fragmentação excessiva também, uma vez que a própria campanha é dividida em 3 arquivos separados. No total, o jogo todo ocupa bem mais de 100 GB (sem contar com o Warzone) — algo que pode ser um problema sério mesmo na nova geração, que tem no Series S uma opção mas barata, mas com menos espaço de armazenamento.

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Temos praticamente um arquivo de jogo pra cada membro do Black Ops, e eu não estou exagerando.

Multiplayer que deixa a desejar

Infelizmente, a pegada mais tática e até um pouco estratégica que algumas missões da campanha possuem não estão presentes na jogatina multiplayer. O multiplayer ainda é o carro-chefe da franquia, mas com a temática de Guerra Fria e jogos anteriores com um melhor trato de mapas nesse sentido, esperava-se bem mais de Call of Duty: Black Ops Cold War nesse sentido.

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O que acontece aqui é um padrão de mapas muito semelhante ao que víamos em Call of Duty: Black Ops, ou seja, mapas que incentivam o mata-mata despretensioso, sem nenhum tipo de tática e recompensando simplesmente quem atira primeiro. Um padrão de construção de mapas que não foi visto nos últimos jogos lançados da franquia, que trouxe uma pegada mais tática com espaço para o trabalho em equipe.

Além disso, algumas armas encontram-se bastante desbalanceadas, o que pode incomodar bastante os jogadores. Felizmente, é algo relativamente fácil de ser resolvido. A quantidade de jogadores varia com a modalidade de disputa escolhida. Entre elas, temos o retorno de algumas já conhecidas como o clássico Mata-Mata em Equipe, a Zona de Conflito, a Baixa Confirmada, Dominação, Controle, Localizar e Destruir e, por fim, Contra Todos.

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Novas modalidade de disputa

Fora os já conhecidos modos de jogo que retornam de outros título da franquia, o modo multiplayer ainda conta com três novos modos. Entre eles, temos no chamado Escolta VIP algo mais próximo de uma jogatina mais tática. Nele, duas equipes se enfrentam, mas um jogador de uma das equipes é escolhido aleatoriamente como o VIP. Desse modo, ele deve ser escoltado e devidamente protegido até chegar ao ponto de extração, enquanto a equipe rival precisa eliminá-lo.

É um modo de jogo que pede bastante trabalho em equipe, mas que, sem um time articulado, pode acabar virando mais uma variação do tiroteio desenfreado. O que não impede necessariamente a diversão, mas deixa a desejar em aspectos mais táticos e teamwork. Entre os outros novos modos, temos o chamado Armas Combinadas, que mescla mecânicas de capturar áreas do mapa com a dominação da base adversária. É “novo”, mas sem muitas novidades de verdade.

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Por fim, temos também o chamado Bomba Suja, esse até bem interessante, por lembrar bastante o modo de jogo do Warzone. Aqui, temos a presença de várias equipes distintas formadas por 4 jogadores cada. O objetivo é basicamente coletar caixas de urânio espalhadas pelo mapa, podendo inclusive roubar as caixas dos adversários ao matá-los.

Os novos modos de jogo são até interessantes. Entretanto, a presença de uma quantidade tão grande de modos de jogo, sem que existam grandes diferenças de mecânica e abordagem entre eles, deixa a jogatina difusa demais. No geral, a diferença para além do objetivo a ser cumprido acaba sendo somente o tamanho dos times. Nada de muito relevante além disso.

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O retorno dos Zumbis

O tradicional modo de caça aos zumbis está de volta e, aqui, temos um tom completamente diferente do resto do jogo. Isso porque o modo Zumbi de Black Ops Cold War é um dos melhores modos Zumbi já feitos na franquia. Com a inclusão até de uma narrativa própria que aumenta a imersão nesse modo de jogo secundário.

Esta é, de longe, a parte do jogo com maior número de novidades. Entre elas, uma nova mecânica de criação de conjunto de armas próprio para a campanha dos zumbis. Dessa vez, temos um mapa mais aberto com missões pontuais. Ainda são poucos os modos de jogo já disponíveis nessa modalidade, mas temos aqui a possibilidade de multiplayer local, o que é bem divertido.

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Mas um elogio precisa ser feito ao modo Dead Ops Arcade, que traz uma visão de cima muito diferente da tradicional câmera em primeira pessoa, e um ritmo de jogatina frenética de enfrentamento de hordas que é muito divertida. Esse modo de jogo cooperativo traz várias fases a serem vencidas e um nível de desafio na medida.

Ao contrário do restante do jogo, aqui temos também um incentivo das próprias mecânicas de jogo à cooperação, um ritmo de jogo que lembra bastante o que vimos em Left 4 Dead, com hordas imparáveis de zumbis e um sobrevivente precisando ajudar o outro para todos saírem vivos da fase. É diferente, é divertido, e é, na prática, um dos maiores acertos do jogo.

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Guerra fria ou zona de guerra?

Call of Duty: Black Ops Cold War é um jogo inconstante. Dá pra se divertir bastante com ele. Entretanto, analisar games de Call of Duty antes e depois de Call of Duty Warzone ter se tornado gratuito (e enorme) pode ser algo bem diferente. Isso porque é difícil indicar um jogo inconstante que custa (nos consoles) algo entre R$ 280,00 e absurdos R$ 400,00 em sua versão mais parruda, sendo que há um jogo da mesma franquia, com uma experiência bem mais sólida, disponível gratuitamente nas principais plataformas atuais.

Assim, vejo que tal qual as análises de games de Call of Duty sofrem essa pressão da existência do Warzone, o desenvolvimento dos próximos games da franquia precisa levar isso em consideração também. A experiência multiplayer de tiroteio desenfreado, grandes mapas e alta competitividade já estão disponíveis e sendo constantemente atualizados em Warzone. Então, será que este não seria o momento de campanhas mais longas, ou de outros modos de jogo “fora da caixa”, como o Dead Ops Arcade?

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Claro que Warzone é “apenas” um battle royale, mas é isso que o povo mais curte atualmente, em termos de multiplayer. As versões “pagas” de Call of Duty precisam dar ao jogador algo além de campanhas clichês e mapas genéricos no multiplayer. Cold War não faz isso, mas dá alguns passos na direção certa, tenta inovar aqui e ali. Que o próximo CoD seja ainda mais ousado.

Call of Duty: Black Ops Cold War foi lançado no dia 13 de novembro com versões para PC, Playstation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series S e Xbox Series X. O jogo está totalmente localizado para o português brasileiro.

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