Análise Arkade – Kingdom Hearts: Melody of Memory, um jogo de ritmo diferente

14 de novembro de 2020
Autor: Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade - Kingdom Hearts: Melody of Memory, um jogo de ritmo diferente

Kingdom Hearts. A série que misturou os universos de Final Fantasy e da Disney já existe há 18 anos… e nesse meio tempo, foi ficando mais e mais confusa.

Um esforço necessário

Mesmo quem é fã pode acabar perdido na história e na cronologia da série. E não é para menos: embora a série principal tenha apenas 3 jogos enumerados (relembre nossa análise de Kingdom Hearts III), há quase uma dezena de spin offs, lançados para plataformas variadas, que expandem o universo e apresentam novos personagens. Isso para não mencionar os mangás e produtos de outras mídias.

E os títulos dos jogos — e até mesmo das coletâneas –, convenhamos, não facilitam em nada a vida da gente. Títulos como Kingdom Hearts 358/2 Days e Kingdom Hearts HD 2.8 Final Chapter Prologue podem ser bem confusos para quem pega o bonde andando e tenta entender onde cada jogo se encaixa.

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Mesmo explicar quem são esses 3 já é complicado…

Isso para não mencionar os personagens de nomes estranhos (Xehanort, Vexen, Demyx, Marluxia), figuras encapuzadas misteriosas, vilões que viajam no tempo, diferentes versões de personagens coexistindo em realidades paralelas… a lista de “fatores complicadores” é grande.

Pensando em resumir a história e a cronologia destes 18 anos de narrativa rocambolesca — e de quebra, levar a franquia para um novo caminho –, a Square Enix lançou esta semana Kingdom Hearts: Melody of Memory, um jogo de ritmo, que passeia pela emblemática trilha sonora da franquia, enquanto Kairi narra os acontecimentos mais importantes.

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Considerando que a Kairi foi, por grande parte da saga, a “donzela em perigo”, é bacana que ela tenha um pouco de protagonismo neste novo jogo — ainda que, “protagonismo” aqui seja basicamente o papel de narradora. Mas, ver os acontecimentos pelo ponto de vista dela traz um certo frescor à história.

Funciona como resumo? Sim, e não. É possível ter uma base de momentos chave da história, mas tudo é bastante superficial. Quem nunca jogou Kingdom Hearts na vida provavelmente vai continuar boiando, mas quem conhece a série e seu “lore” vai conseguir (mais ou menos) relembrar o fio condutor que liga a intrincada trama dos jogos da série.

Pancadaria musical

Kingdom Hearts: Melody of Memory não é um jogo de ritmo tradicional, mas depois que você entende como ele funciona, vai ver que, na prática, ele se comporta como um Guitar Hero diferenciado. O que rola é que sua party está correndo na tela o tempo todo (automaticamente), e as “notas musicais” são inimigos que vêm na sua direção. Você deve bater neles no timing da música para se dar bem, com índices de acerto que variam de acordo com a sua precisão.

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O segredo é acertar o timing dos golpes

Mecanicamente, a ação se resume a 3 ações principais: ataques simples, magias/ataques especiais e pulo/planada. Ataques podem ser feitos com L1, R1 e X (no PS4), mas, mesmo que se possa usar o mesmo botão para atacar com qualquer personagem, é bom ficar confortável a usar os 3, pois quando os inimigos chegam “alinhados”, precisam ser repelidos usando os 3 botões ao mesmo tempo.

Vou deixar um vídeo de gameplay aqui embaixo para você entender como o jogo funciona. A música é mais lentinha, mas está na dificuldade mais alta, o que significa mais inimigos na tela.

No principal modo de jogo, viajamos em uma Gummi Ship, acessando os mundos em uma ordem coerente com a narrativa. Os personagens Disney/Pixar fazem pontas em seus determinados mundos: quando jogar em Agrabah, o Aladdin entra pra sua party. No Olimpo, quem te acompanha é o Hércules. O time principal é Sora, Pateta e Donald, mas conforme avançamos, desbloqueamos outros trios, como Roxas, Axel e Xion.

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Hércules participando da ação

Nas batalhas contra os chefes — sim, elas estão presentes aqui — a fórmula muda um pouco: comandos direcionais passam a fazer parte da música, e correspondem às esquivas do seu time. Basicamente, vemos um trecho de gameplay enquanto a música passa, e nossos erros e acertos refletem-se em uma batalha mais ou menos acirrada.

É uma releitura interessante dos jogos de ritmo, que se mostra bastante desafiadora em músicas mais agitadas e níveis mais altos de dificuldade. Quando quer ser realmente desafiador, ele te obriga a planar com Sora, coletando notas musicais flutuantes, enquanto precisa lidar com os inimigos no chão com Donald e Pateta, algo que exige muita atenção. Cada música tem 3 níveis de dificuldade, e a mudança do “Beginner” para o “Proud” pode ser enorme — falta dedo para dar conta de tantas notas/inimigos na tela.

Um jogo com muito conteúdo

Kingdom Hearts: Melody of Memory conta com mais de 140 músicas de toda a saga. Quem conhece a série — ou qualquer jogo da Square Enix — sabe que de trilha sonora eles entendem. Então, sejam músicas originais do jogo, sejam releituras de temas clássicos Disney, o repertório do jogo é simplesmente maravilhoso.

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Voando ao som de Simple & Clean

O principal modo de jogo é o World Tour, que é justamente um resumão da saga, e passa por cenários/situações de todos os games da franquia. Além disso há um modo livre chamado Track Selection, onde você simplesmente escolhe uma música e joga. Há ainda jogatina cooperativa, e até mesmo um modo de jogo competitivo online.

Quando o jogo vira uma competição PvP, ele faz algo parecido com Tetris 99: conforme você acumula pontos, enche uma barra de “tricks” para dificultar a vida do outro jogador. Alvos duplicados, invisíveis… os efeitos são aleatórios, mas podem realmente dificultar a vida do oponente.

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Uma batalha online

O fato de ter muitas músicas é bom, mas vale ressaltar que as faixas precisam ser “desbloqueadas” no modo World Tour para serem acessadas nos outros modos de jogo. Não chega a ser exatamente um problema, mas antes de agitar os amigos para jogar com você, ter jogado a “campanha” antes faz diferença. A vantagem é que o liberar as músicas no modo World Tour independe da dificuldade, então você pode jogar tudo no Easy se preferir.

Outro ponto que dá uma “inchada” no jogo é a parte de sintetizar itens. Kingdom Hearts sempre teve oficinas de Moogles, mas aqui os itens simplesmente não são tão importantes. Considerando que cada fase/música tem 3 desafios, e em várias um deles é algo tipo “passe sem usar nenhum item”, os itens tornam-se ainda mais supérfluos.

Audiovisual

Kingdom Hearts: Melody of Memory traz um visual decente para a geração atual, sem ser particularmente impressionante. Como ele “reaproveita” diversas cutscenes de títulos da franquia, o que temos aqui é um jogo que, em termos de visual, está condizente com o que já foi apresentado na franquia ao longo dos anos.

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As cutscenes são as mesmas dos jogos originais

A trilha sonora, como já dito, é maravilhosa. Se nos jogos principais elas correm o risco de passarem despercebidas no calor da ação, aqui elas são as estrelas, e soam mais incríveis do que nunca. Mesmo as faixas “corriqueiras” — como a música tema de Traverse Town, por exemplo — são deliciosas de ouvir.

Infelizmente, a Square Enix segue não localizando nenhum conteúdo relativo à série Kingdom Hearts. O jogo tem áudio e legendas em inglês, então, se quiser entender esta “versão resumida” da história, esteja com o inglês em dia.

Conclusão

Kingdom Hearts: Melody of Memory talvez não funcione como um resumo decente de Kingdom Hearts — mas isso é mais culpa da história confusa da série do que um problema deste jogo em específico. Porém, ele é um ótimo jogo de ritmo, com uma trilha sonora deliciosa e um gameplay que pode ser mais ou menos desafiador, conforme o seu gosto.

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Roxas e seus amigos em ação

Dada a qualidade da OST da franquia, quem é fã vai curtir simplesmente saborear cada música — e há uma jukebox só para curtir, claro. Mas, é bom ver que mecânicas bacanas foram criadas para adequar Kingdom Hearts ao formato “jogo de ritmo”. E o melhor: um jogo de ritmo muito próprio, que carrega a essência de Kingdom Hearts.

Então, quem é fã de Kingdom Hearts — e da música de Kingdom Hearts — pode se jogar sem medo. O jogo é uma viagem musical cheia de nostalgia, que traz “de brinde” dezenas de personagens que marcaram a vida e a infância de muita gente.

Kingdom Hearts: Melody of Memory foi lançado ontem (13 de novembro), com versões para Playstation 4 (versão analisada), Nintendo Switch e Xbox One.

Uma resposta para “Análise Arkade – Kingdom Hearts: Melody of Memory, um jogo de ritmo diferente”

  • 14 de novembro de 2020 às 22:33 -

    Helinux

  • A galera Disney detonando!!!! Valeu pela a analise!!!!

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