Análise Arkade: The Takeover é mais uma boa pedida para quem curte beat ‘em ups

3 de julho de 2020
Autor: Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade: The Takeover é mais uma boa pedida para quem curte beat 'em ups

Certos gêneros de jogos são atemporais. Plataforma, FPS, RPG, são gêneros que atravessam gerações, e marcam presença em todas as plataformas.

Outros gêneros passam por altos e baixos: fazem bastante sucesso, mas de vez em quando dão uma sumida, deixando saudades nos fãs. Os beat ‘em ups são assim: brilharam nos anos 90, mas tornaram-se um pouco inconstantes quando os sprites 2D foram substituídos pelos polígonos 3D.

Mas, os últimos meses estão sendo ótimos para quem curte espancar bandidos e comer carne assada do chão: no início do ano, tivemos o retorno triunfal de Strets of Rage. Antes disso, no final de 2019, um jogo indie fortemente inspirado por Streets of Rage chegou ao Steam: The Takeover. Recentemente, The Takeover chegou ao Nintendo Switch, e em breve desembarca também no Playstation 4. Experimentei o jogo no console da Nintendo, e compartilho agora minhas impressões sobre ele.

Aquela mesma história de sempre

Beat ‘em ups sempre partem de premissas simples. A filha/namorada de alguém foi raptada, ou algum chefão do crime está tocando o horror na cidade… são clichês inerentes ao gênero que, ainda que estejam pra lá de batidos, fazem parte do charme do estilo.

Análise Arkade: The Takeover é mais uma boa pedida para quem curte beat 'em ups

The Takeover não foge à regra: a história nos coloca para resgatar a filha do casal de protagonistas, Ethan e Megan. Claro que eles não são “pais comuns”: bons de briga e prontos para a porrada, ele vão chamar um amigo grandalhão — Connor — para ajudá-los a espancar incontáveis malfeitores e salvar a criança.

A história do jogo desenvolve-se na forma de artes parcialmente estáticas, que ganham expressividade com onomatopeias que deixam tudo com ar de história em quadrinhos.

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Cara de HQ

Uma coisa estranha é que, ao terminar o jogo uma vez, liberamos um quarto personagem jogável, mas ele não aparece na história, nem nas cutscenes. Ah, e um detalhe interessante: ao contrário de seu “primo rico” Streets of Rage 4, aqui temos dublagens nas cutscenes!

A pancadaria é old school…

Quando a pancadaria começa, The Takeover é imediatamente familiar para quem curte o gênero, ainda que traga algumas novidades que modernizam a experiência.

A principal novidade é uma densa mecânica de juggle — que também foi um dos novos elementos de Streets of Rage 4. Juggle significa malabarismo, e em games de pancadaria, consiste no ato de lançar os inimigos para o ar e continuar batendo neles, aumentando a contagem de hits e as possibilidades de combos.

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Mesmo os inimigos mais ordinários são relativamente resistentes, o que torna o juggle praticamente obrigatório para que a pancadaria seja mais efetiva. Todos os personagens jogáveis têm um finalizador de combo tipo “launcher”, um ataque que manda os inimigos para o ar, para que esse malabarismo da porrada continue rolando.

The Takeover traz botões separados para socos e chutes, algo simples, mas não utilizado na maioria dos games clássicos do gênero. Alternar entre punhos e pés agrega alguma variedade extra aos combates, que também contam com agarrões, voadoras, ombradas e golpes especiais.

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Explodindo a p*rra toda!

Falando nisso, os especiais chegam em 3 versões: para começar, há aquele clássico golpe para te tirar do meio da treta em troca de um pouco da sua barra de vida. Ao encher uma outra barra específica, você pode requisitar um bombardeio que não é lá muito poderoso (imagem cima, mas pelo menos derruba boa parte dos inimigos da tela — e é uma homenagem direta ao bom e velho carro de polícia do primeiro Streets of Rage.

Por fim, temos o ataque tipo Rage, que na verdade é uma espécie de berserk mode, e deixa seu personagem muito mais poderoso e praticamente invulnerável por alguns segundos. Como essa barra demora um bocado para se encher, esse é o ataque que você vai querer guardar para o chefão — sim, ao final de cada fase, há um chefe, como nos velhos tempos.

Mas tem espaço para novidades

Além do já mencionado sistema de juggle, The Takeover traz outras novidades interessantes. Uma delas é a presença de armas de fogo: lembro que The Punisher e Cadillacs & Dinosaurs tinham armas de fogo, mas no geral acho que não é muito comum podermos meter tiros na cara dos bandidos em beat ‘em ups.

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headshot!

The Takeover não tem frescura: cada personagem carrega sua própria arma — o Connor mete tiro de escopeta nos inimigos! –, e é possível encontrar metralhadoras e explosivos durante as fases. Tem até uma fase onde os inimigos são monstros, e os tiros explodem suas cabeças!

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Beat ‘em ups também podem ser um tanto repetitivos, mas The Takeover se esforça para fugir lugar comum: há uma fase sobre rodas (imagem acima), onde devemos evitar o tráfego e destruir vans inimigas, e até uma fase de avião, na qual pilotamos um caça em uma intensa perseguição aérea!

Confere um pouquinho dessa fase do avião aí embaixo:

Audiovisual

Enquanto Streets of Rage 4 foi por um caminho totalmente 2D, com belas artes desenhadas à mão, The Takeover traz um visual 3D mais moderno, ainda que suas animações não tenham aquela fluidez toda, e no geral sejam um pouco duras. Dá para se acostumar com isso de boa, mas é perceptível.

O visual do jogo é muito bonito, com cenários cheios de efeitos — chuva, ondas quebrando, relâmpagos –, faróis e letreiros de néon reluzindo em fachadas. Os inimigos se repetem um bocado (o que é meio normal no gênero), mas é legal ver como até alguns deles são inspirados nos que tínhamos em Streets of Rage.

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A trilha sonora mantém a pegada eletrônica, mas acrescenta um pouco mais de rock, com solinhos de guitarra e ritmo acelerado. Há inclusive, uma faixa composta por Yuzo Koshiro, lendário compositor da série Streets of Rage. O som da pancadaria cumpre seu papel, e, como já dito, a inclusão de dublagens sem dúvida é bem-vinda. Só faltaram menus e legendas em português para ficar perfeito.

Conclusão

Quem curte beat ‘em up costuma ir atrás de tudo o que é lançado no gênero. Eu mesmo gosto de experimentar jogos nem tão conhecidos e projetos independentes, como Sword of the Guardian e Raging Justice.

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The Takeover meio que faz parte dessa parcela “underground” dos beat ‘em ups, mas é um jogo que sem dúvida tem qualidades de sobra para agradar aos fãs do gênero, com seu juggle, e suas armas de fogo.

A escolha óbvia de todos em 2020 com certeza é Streets of Rage 4. Mas, se você já curtiu o novo game, ou simplesmente quer fugir do lugar comum, dê uma chance para The Takeover. O jogo é muito bonito, tem gameplay bem feitinho e se esforça para oferecer uma experiência que vá além do básico.

The Takeover foi lançado no Nintendo Switch em junho. Ele também está disponível para PC, via Steam.

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