Análise: XCOM: Enemy Unknown (PC, PS3, X360): lidere as defesas da Terra

22 de outubro de 2012
Autor: Daniel Zimmermann

Análise: XCOM: Enemy Unknown (PC, PS3, X360): lidere as defesas da Terra

XCOM: Enemy Unknown revive uma série que começou há quase 20 anos com o cultuado UFO Defense, clássico game de ficção científica que virou referência para jogos de estratégia e combate em turnos. O novo título chega com a missão nada simples de agradar fãs veteranos e ao mesmo tempo atrair novos jogadores. Acredite: ele foi muito bem sucedido nesta missão!

Para quem não conhece: XCOM: Enemy Unknown é um jogo de estratégia de estilo único, onde você assume o controle de uma agência secreta que deve defender a Terra de uma invasão alienígena. Essa agência – chamada XCOM – é financiada por um grupo de 16 países, em troca de proteção contra a ameaça extraterrestre.

No papel do comandante da XCOM, o jogador precisa usar sabiamente seus recursos para recrutar soldados, comprar armas, posicionar satélites de vigilância, aumentar a base de operações e pesquisar novas tecnologias, além de controlar diretamente os soldados durante as missões de combate.

Análise: XCOM: Enemy Unknown (PC, PS3, X360): lidere as defesas da Terra

Esta definitivamente não é uma tarefa fácil. Abduções, massacres em grandes cidades, pânico generalizado: os extraterrestres são implacáveis e têm um arsenal muito superior ao nosso.

Para piorar, conforme o nível de pânico mundial aumenta, os países financiadores começam a abandonar o projeto e a grana para de entrar. Quando oito ou mais nações te abandonam, o programa XCOM é encerrado definitivamente, a humanidade é derrotada e o jogo acaba. Cabe a você evitar este final trágico, se virando para administrar seus recursos, derrotar os aliens e salvar a humanidade de uma vez por todas.

Nesse sentido, XCOM: Enemy Unknown é brilhante, e segue fielmente a fórmula de sucesso do original. Tanto no modo estratégico da base como nas batalhas com os alienígenas, é preciso muito sangue frio para tomar as decisões certas. Poucos jogos conseguem criar uma sensação de urgência tão bem como este. Com países deixando de apoiar o projeto, soldados morrendo e invasores cada vez mais poderosos, as decisões se tornam ainda mais interessantes e desafiadoras, e todas elas influenciam diretamente no avanço do jogo.

Análise: XCOM: Enemy Unknown (PC, PS3, X360): lidere as defesas da Terra

Dê uma de Rambo com um de seus soldados e ele certamente acabará morto, deixando o resto do esquadrão em desvantagem. Gaste recursos apenas com armas e você pode acabar sem dinheiro para lançar novos satélites – essenciais para detectar as naves alienígenas e mandar aviões para derrubá-las antes que descarreguem mais invasores. Atenda a um chamado de socorro na China e veja a Europa inteira entrar em pânico. O game se concentra nestas escolhas cruéis, que garantem uma experiência tensa, mas gratificante.

O jogador vai passar boa parte do seu tempo na base do projeto XCOM, a central de comando onde é possível monitorar a situação do planeta e tomar suas decisões. A base (apelidada de Ant Farm, ou fazenda de formigas) é vista de lado, o que gera um visual interessante, mostrando os detalhes de cada andar e reforçando bem a ideia de uma base secreta subterrânea, no melhor estilo Area 51.

A interface do jogo ficou bem acessível. Cada menu é representado graficamente na base, como os laboratórios para pesquisas e autópsias, a sala de engenharia para produzir armas e equipamentos e, claro, a sala de controle, onde o jogador monitora a situação do mundo através do icônico Geoscape (uma versão holográfica do Terra), derruba naves alienígenas e envia seus soldados para as missões.

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E é justamente nas missões de combate que o jogo atinge seu ponto alto e até supera o original. Ao invés de deixar o jogo menos interessante, como muitos temiam antes do lançamento, as inovações vieram para tornar as batalhas mais dinâmicas e divertidas.

Com a limitação de duas ações por soldado em cada turno e o novo sistema de proteção (cover) a premissa de um esquadrão bem treinado, que calcula todos os seus movimentos para avançar até a posição do inimigo foi muito bem realizada. A equipe da Firaxis que produziu o jogo caprichou nas opções táticas, no design dos cenários e na inteligência artificial dos alienígenas, o que garante combates épicos, emocionantes e desafiadores.

Para aumentar ainda mais a tensão, XCOM: Enemy Unknown traz variados tipos de missões. As novas operações de resgate ou de desarmar bombas, por exemplo, dão um ritmo diferente ao combate e são inovações muito bem-vindas.

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Os cenários ficaram muito interessantes e bem elaborados, mas infelizmente são limitados, ficando um pouco repetitivos no decorrer da campanha. Outro problema é a falta de ambientes regionalizados: os mapas serão sempre os mesmos, independente se a missão acontece no Brasil, nos Estados Unidos ou no Japão.

Assim como na base, todas as decisões em combate têm um impacto enorme no desenrolar da campanha. Mais uma vez, o game manda muito bem nisso. Usar explosivos, por exemplo, é uma maneira muito eficaz de trucidar aliens, mas, além de mandar os invasores de volta para o espaço, granadas e foguetes também destroem os artefatos deles, itens que poderiam ser recuperados e usados em armas e tecnologias melhores pela XCOM.

Por outro lado, a vida dos soldados depende muito dos investimentos que o jogador escolheu fazer, e você pode ter problemas sérios se enviar tropas mal equipadas para o combate, e assim por diante. Essa é uma das maiores qualidades de XCOM: Enemy Unknown: fazer com que estratégia e ação funcionem como uma coisa só, mantendo o jogador ligado o tempo todo.

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Os soldados continuam desempenhando um papel crucial nessa versão, e agora o jogador tem várias opções de personalização, podendo escolher seus nomes, aparências e outros detalhes. A princípio, todos eles são novatos, erram mais que acertam e têm um dom peculiar de servir de alvo para raios plasma inimigos. Com o avanço do jogo, porém, eles começam a se tornar personagens com vida própria, e viram peças fundamentais na luta contra os extraterrestres.

A narrativa heroica de cada um é montada durante o próprio game, destacando aquele soldado que sobreviveu a uma granada e conseguiu salvar seu esquadrão inteiro, ou o outro que sempre errava os tiros, mas na hora em que tudo parecia perdido tinha um lança-foguetes guardado na mochila. Isso é muito legal, e fica melhor ainda conforme as tropas ganham experiência e adquirem novas habilidades – outra inovação que funciona extramente bem em XCOM: Enemy Unknown.

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O game traz de volta os vilões em grande estilo, recriando boa parte dos extraterrestres originais. Eles são muito perigosos em combate, e vão usar habilidades próprias, procurar proteção e tentar flanquear suas tropas, deixando as batalhas bastante imprevisíveis e desafiadoras.

Alguns defeitos menores aparecem nas missões: a câmera se atrapalha as vezes, os soldados e aliens atiram por dentro de objetos em alguns momentos e, pelo menos no PC, o controle poderia ter uma resposta um pouco mais rápida. Felizmente, no geral esses pequenos defeitos não chegam a atrapalhar a experiência de jogo.

A história do jogo não chega a ser ruim, na verdade ela é até interessante. O problema é que ela é muito curta, com poucos eventos principais levando à conclusão do game. Essa falta de elaboração da campanha se junta com outro detalhe para formar o grande problema de XCOM: Enemy Unknown: ele perde o gás muito rápido.

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Exemplificando: quando se atinge um certo ponto do jogo, toda a tensão de decidir como proteger os países e vencer os alienígenas nas batalhas cede espaço à uma situação estranhamente calma. Uma reação mais agressiva dos inimigos nos estágios finais do jogo, quando o projeto XCOM atinge força total, seria muito bem-vinda para tirar o jogador de sua zona de conforto e fazê-lo perceber que os aliens também evoluíram.

Com a falta disso, os jogadores que postergarem a missão final para segurar um pouco mais o game – afinal, ele é muito bom -,  acabam sem ter muito o que fazer, e a situação deixa de ser desafiadora para se tornar repetitiva e previsível.

XCOM: Enemy Unknown também apresenta um modo multiplayer, mas ninguém realmente tinha grandes expectativas para ele. É uma experiência divertida, mas não memorável, com dois jogadores se enfrentando em um combate por turnos. Cada um monta seu time misturando alienígenas e soldados humanos com vários equipamentos disponíveis,de acordo com um sistema de pontos.

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É possível criar jogos privados, em LAN, ou competir com outros jogadores em partidas ranqueadas. O modo cooperativo que alguns esperavam infelizmente não saiu, e o mutiplayer não salva o game da falta de mais conteúdo, pois falta o lado estratégico e emergencial que é a grande estrela da campanha principal.

XCOM: Enemy Unknown se sai muito bem comparado com outros remakes e sequências de séries famosas, e não é a toa que ele vem sendo muito bem recebido pela crítica. Afinal, o que dizer de um jogo cujo principal defeito é ele não ser maior, para nos proporcionar mais horas de diversão? XCOM: Enemy Unknown é assim.

As inovações no visual e na jogabilidade vieram para modernizar o game e torná-lo ainda melhor que o original, mais prático e acessível, sem desrespeitar o que  deu certo no título original.

Análise: XCOM: Enemy Unknown (PC, PS3, X360): lidere as defesas da Terra

Acima de tudo este é um legítimo XCOM, um game divertido e desafiador, onde cada centavo investido, cada decisão, cada tiro, pode ser a diferença entre a salvação e o fim da vida na Terra. Se tivesse mais conteúdo (mais eventos na campanha, mapas, raças de alienígenas, missões), a vida útil do game aumentaria consideravelmente, e consequentemente, nossa diversão também.

Do jeito que está XCOM: Enemy Unknown oferece uma experiência tão boa que é triste que seja tão curta. Fica a satisfação de ver que a Firaxis fez um bom trabalho, e está com uma promissora nova franquia XCOM nas mãos. Que a Terra seja invadida diversas vezes em jogos bons como este!

Você já jogou XCOM: Enemy Unknown? O que os fãs das antigas acharam? E o pessoal que não conhecia a série, gostou? Deixe sua opinião nos comentários!

15 Respostas para “Análise: XCOM: Enemy Unknown (PC, PS3, X360): lidere as defesas da Terra”

  • 22 de outubro de 2012 às 17:19 -

    DanielWarfare

  • Gostei da analise…e eu vou comprar esse jogo, não agora, quando tiver meu PC novo, porque o meu atual não roda nem Google \o/

  • 22 de outubro de 2012 às 18:02 -

    leandro(leon belmont) alves

  • esse XCOM é um game bem velho. dizem que é muito violento pelas umas revistas antigas de Pc que tenho aqui. vale a pena, mas comprarei quando estiver mais barato

    • 22 de outubro de 2012 às 21:06 -

      Raphael Cabrera

    • Pois é.. vou esperar alguma promoção da Steam tbm.

    • 22 de outubro de 2012 às 21:37 -

      DanielWarfare

    • O negocio é esperar a Steam fazer aquelas promoções doidas dela. Quando ela fizer isso, a gente faz a festa \o/

  • 22 de outubro de 2012 às 22:28 -

    Raphael Cabrera

  • Excelente análise. Não vejo a hora de jogá-lo!

  • 22 de outubro de 2012 às 23:22 -

    Renan do Prado

  • Eu não conhecia a série mas joguei a demo pro meu PS3 e gostei demais!!!! Muito divertido de jogar e fácil de aprender como tudo funciona!!!

  • 23 de outubro de 2012 às 01:49 -

    Jean Nakano

  • Curti a análise também, além do jogo, embora ainda não tenha jogado.
    Nem sabia que tinha o antigo. XD ' Fico feliz por ter um titulo das antigas no meu presente. O
    Aguardando a promoção na STEAM! AHsuHausHAsua

  • 23 de outubro de 2012 às 00:02 -

    Daniel Zimmermann

  • O jogo é realmente bom, e vale a pena para quem é fã de estratégia e ficção científica. Ele tem seus defeitos, falta mais conteúdo, mas a “base” dele é ótima, principalmente para quem curte o gênero.

  • 23 de outubro de 2012 às 18:59 -

    Allan S. Lima

  • O único problema é o fato do jogo ser em turnos, gera a impressão de limitação.Fora isso, os demais aspectos estão ótimos.Seria legal um mod em que o jogador controla os alienígenas.

  • 29 de outubro de 2012 às 12:52 -

    Michel Alves

  • EU JA JOGUEI E É FODA

  • 29 de outubro de 2012 às 14:12 -

    Sae Sawanoguchi

  • O estilo de jogo que eu mais amo, estratégia, totalmente tático e em turnos. A gente tem que verdadeiramente pensar antes de agir. Não basta sair correndo atirando pra tudo que é lado como um bando de animais (tendência na maioria dos jogos da atualidade que não são de turnos).
    O primeiro X-COM era sim mais difícil, mas devo admitir que esse "remake" também não está fácil.
    O povo mais "novo" que não está muito acostumado com esse estilo de jogo vai passar maus bocados.
    Muitos vão precisar diminuir o nível de dificuldade ou então terão que recomeçar o jogo.
    No nível de gamer de verdade (IRON MAN) a média de sobrevivência dos meus amigos menos acostumados com jogos antigos e games estratégicos foi de apenas 2 meses… alguns não duraram nem isso :P
    Ah como eu amo um "remake" bem feito! ♥

  • 29 de outubro de 2012 às 12:26 -

    Saekawaii

  • O estilo de jogo que eu mais amo, estratégia, totalmente tático e em turnos. A gente tem que verdadeiramente pensar antes de agir. Não basta sair correndo atirando pra tudo que é lado como um bando de animais (tendência na maioria dos jogos da atualidade que não são de turnos).
    O primeiro X-COM era sim mais difícil, mas devo admitir que esse “remake” também não está fácil.
    O povo mais “novo” que não está muito acostumado com esse estilo de jogo vai passar maus bocados.
    Muitos vão precisar diminuir o nível de dificuldade ou então terão que recomeçar o jogo.
    No nível de gamer de verdade (IRON MAN) a média de sobrevivência dos meus amigos menos acostumados com jogos antigos e games estratégicos foi de apenas 2 meses… alguns não duraram nem isso :P
    Ah como eu amo um “remake” bem feito! ♥

  • 31 de outubro de 2012 às 07:43 -

    Daniel Zimmermann

  • Exatamente, é esse “pensar antes de agir” que faz de X-COM uma série tão boa. Essa nova versão tem bastante disso, e na minha opinião poderia ter ido muito além, mas beleza, o remake é realmente bom.

  • 22 de dezembro de 2012 às 22:25 -

    Josinaldo Justino

  • Excelente jogo. E supre uma essa laguna desse gênero tão esquecido hoje! "Viajei no tempo" jogando X-COM, lembrando-me de Final Fantasy Tactics, Front MIssions, ambos do saudoso PSOne. Que venham mais jogos do gênero!

  • 23 de setembro de 2013 às 23:15 -

    Douglas

  • Comecei a jogar e estou adorando ,alguns criticam pelo modo do jogo sem em turnos, se não fosse em turnos seria um outro jogo qualquer, o modo de turnos é que mostra a originalidade no game(assim como é o Sid Meirs) .Jogo que realmente vc tem que pensar antes de agir.Fiel ao gênero e muito desafiante, a única crítica é que o multiplayer poderia ser melhor e poderia trazer um modo cooperativo .

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