Arkade VR: Swords of Gargantua, um rogue-lite divertido, mas com problemas

15 de janeiro de 2021
Arkade VR: Swords of Gargantua, um rogue-lite divertido, mas com problemas

Jogos no estilo rogue-lite são uma aposta segura para a realidade virtual. Swords of Gargantua tenta aproveitar o ritmo cíclico que esse subgênero possui para gerar uma experiência de combates com espadas e outras armas medievais interessante. O resultado não é de todo ruim, principalmente com o multiplayer online. Entretanto, não chega exatamente a ser incrível.

Com uma jogabilidade simples e fases “repetitivas”, o jogo nos leva a enfrentar combates com um nível de desafio progressivo. Após vencer cada andar, é possível comprar melhorias para o seu personagem e armas mais fortes, tudo visando alcançar cada vez mais e mais andares. A fórmula é básica e bem clichê, mas poderia funcionar não fosse a falta de personalidade e o ritmo muito repetitivo do game. Mas vamos falar com calma sobre tudo isso nessa análise.

Arkade VR: Swords of Gargantua, um rogue-lite divertido, mas com problemas

O Abismo Tesseract

No enredo do jogo, nós jogadores somos guerreiros responsáveis por desbravar o chamado Abismo Tesseract. Nele, temos que enfrentar hordas de inimigos através de 100 andares de salas, para finalmente enfrentar cara a cara o terrível titã Gargantua, que dá nome ao jogo. O game não se preocupa em dar mais detalhes de enredo para além disso, mesmo porque seu foco não é a narrativa, mas sim o gameplay.

Com isso, após um tutorial bem básico, somos colocados já em combate contra os primeiros inimigos. Novas armas aparecem em cada sala e, além disso, podemos acumular pontos para liberar habilidades o suficiente para nos deixar cada vez mais resistentes e fortes. As mecânicas e regras do jogo funcionam basicamente como dentro do que é esperado do gênero Rogue-lite: você perde seu progresso de salas sempre que entrar no jogo, mas salva os progressos do personagem (como habilidades e armas) de uma jogatina para outra, o que garante que você sempre esteja evoluindo, devagar e sempre.

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Assim, Swords of Gargantua é basicamente um jogo de ação focado em lutas corpo a corpo com vários tipos de armas, mas, principalmente, espadas. Com movimentações básicas envolvendo bloqueio, estocada e ataques diretos, o jogo dá um leque consistente de opções de combate. Mas temos alguns probleminhas que o impedem de ser realmente primoroso.

Controles que precisam de adaptação

Um dos quesitos que julgo mais complicados de Swords of Gargantua são seus controles no PS Move do PlayStation 4. Ele vai em uma direção completamente diferente da maioria exorbitante dos jogos, colocando a movimentação para a frente e para trás nos botões triângulo e e bolinha. Um detalhe pequeno, mas que não faz muito sentido, e atrapalha bastante a experiência mais “natural” que o jogo poderia oferecer.

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Isso porque, mesmo que não seja obrigatoriamente um consenso, a maioria exorbitante dos jogos de PlayStation VR utilizam o botão principal (do polegar) para fazer o avatar andar para a frente. Enquanto os comandos laterais variam de jogo para jogo, geralmente usando a cabeça para escolher a direção ou botões como X e bolinha por exemplo.

Esse consenso extraoficial não é por caso: controlar quatro direções diferentes em botões completamente separados enquanto você movimenta a cabeça e os braços durante as lutas é muito desconfortável e pouquíssimo intuitivo. Daí ser necessário um bom tempo para que os jogadores se acostumem de fato com os comandos do jogo que, mesmo após horas de jogatina, ainda geram algum incômodo.

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Derrote inimigos, libere habilidades, repita tudo

Um dos principais desafios enfrentados por desenvolvedores ao criarem jogos do subgênero rogue-lite (ou até o tradicional rogue-like) é criar jogos que funcionam de maneira cíclica mas sem causar muito a sensação de repetição. Isso é bem mais difícil em rogue-likes (nos quais você perde todo o seu progresso ao morrer) do que em rogue-lites, que, afinal, salvam o progresso do seu personagem.

Em Swords of Gargantua, infelizmente, não temos o melhor exemplo de rogue-lite. Isso porque os inimigos no decorrer das 100 salas do jogo são bastante repetitivos. Seus visuais são genéricos e reaproveitados com mais frequência do que deveriam, além dos desafios serem mais voltados para os status dos inimigos e seu posicionamento na sala do que elementos como combinações de habilidades ou outras coisas.

Arkade VR: Swords of Gargantua, um rogue-lite divertido, mas com problemas

O resultado não é de todo ruim. Uma vez que os combates tem potencial para divertir durante algumas boas horas. Entretanto, em menos de quatro horas de jogatina já é possível notar a repetição exacerbada que o jogo possui. Nesse caso, tanto a variedade de armas quanto as habilidades disponíveis não são o suficiente para deixar o jogador instigado a alcançar o famigerado centésimo andar do abismo.

Experiência multiplayer divertida

Aqui temos o elemento que, sem dúvidas, faz esse jogo valer a pena para alguns: seu multiplayer. Tendo recursos multijogador muito básicos, Swords of Gargantua compensa a maior parte dos seus problemas com uma praticidade enorme de jogar partidas online de modo cooperativo.

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Aqui podemos ver que o jogo funciona de maneira muito mais divertida, mesmo que a repetição e a falta de inovação ainda se façam presentes. Até a imersão aumenta um pouco, uma vez que você vê outros personagens com armaduras e cores de roupas semelhantes às que você mesmo veste. Simplesmente é mais legal superar os desafios do jogo em coop.

No modo multiplayer você pode entrar em partidas aleatória online, o que lhe dá a possibilidade de entrar em combates que estão acontecendo em andares aleatórios. Mas você pode também criar suas próprias partidas, esperando desconhecidos entrarem no seu jogo ou então convidando amigos para jogar com você. O gameplay se mantém simples e um tanto repetitivo, mas existe algo na experiência de balançar espadas em conjunto com outros jogadores contra inimigos genéricos faz deste um game especialmente divertido no multiplayer.

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Espadas que podiam ser mais épicas

Swords of Gargantua está longe e ser um jogo destaque para a realidade virtual como um todo ou para o PlayStation VR. O game chegou ao visor do PlayStation 4 com um visual bem embaçado e comandos que deixam bastante a desejar. Entretanto, sua experiência funciona muito melhor no modo multiplayer cooperativo. Principalmente se você tiver amigos que também possuam um VR para jogar com você.

Para além disso, Swords of Gargantua acaba sendo um jogo genérico que até chega a lembrar um pouco GORN em alguns momentos. Mas junto com os bugs de GORN que ele deixou para trás, Gargantua também perde no quesito personalidade. E por isso deixa a desejar, uma vez que com uma ideia tão sólida e cheia de possibilidades seguras, fazer um trabalho morno faz com que tudo pareça sintético demais.

Swords of Gargantua foi originalmente lançado em 2019 para PC com compatibilidade para Valve Index, HTC Vive e Oculus Rift. Posteriormente recebeu uma versão para o Oculus Quest e finalmente, em dezembro de 2020, chegou ao PlayStation VR (versão analisada).

Uma resposta para “Arkade VR: Swords of Gargantua, um rogue-lite divertido, mas com problemas”

  • 21 de janeiro de 2021 às 09:51 -

    José Luiz

  • Eu queria saber do por quê a Sony ainda tenta fazer games assim?! Sempre tem erros , bugs e defeitos. Pra mim o tal do VR não vinga. Ela já estragou duas franquias que ,não só eu ,mas que o público gamer adora que são PRINCE OF PERSIA e RALF LIFE.

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