Conheça melhor o RetroBlox, o console retrô que rodará diversos sistemas clássicos

9 de março de 2017
Autor: Junior Candido

Conheça melhor o RetroBlox, o console retrô que rodará diversos sistemas clássicos

O mundo retrô continua firme e forte, obrigado. Mesmo com os atuais consoles e games de PCs oferecendo muitos recursos, tanto técnicos quanto visuais, a comunidade que continua jogando Mario, Sonic e companhia segue ligando seus videogames antigos para revisitar bons momentos e bons jogos.

Entre Super Nintendo, Mega Drive, Master System e tantos outros consoles que insistem em ficar ligados, e continuam a oferecer diversão para seus proprietários, iniciativas tem chegado para dar mais oportunidades para jogadores das antigas. Com o passar dos anos, empresas e iniciativas desenvolvem novas maneiras para se jogar os consoles de ontem, e entre elas, temos o RetroBlox, console que já foi matéria no Arkade, e que vem com ótimas novidades, como a possibilidade de se transferir o conteúdo do cartucho para o console, transmitir suas partidas ao vivo no Youtube e os módulos, que assim como os cartuchos, são trocados, permitindo que você tenha vários consoles antigos em um só lugar.

Hoje, você terá a oportunidade de conhecer melhor o RetroBlox, incluindo uma conversa que tivemos com a equipe responsável por seu desenvolvimento, que realizamos para tirar todas as dúvidas que você possa ter sobre esse interessante aparelho, que é mais uma boa opção para revisitarmos os clássicos que tanto adoramos.

Afinal de contas, quais sistemas o RetroBlox vai rodar?

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O console terá vários módulos, cada um de um sistema antigo diferente.

Muito se fala sobre “muitos sistemas”, mas o RetroBlox tem alguns sistemas já definidos para rodar jogos em seu lançamento. De acordo com a equipe responsável, os consoles que terão suporte inicialmente são:

Consoles por Módulos

  • Nintendo Entertainment System – uma versão para o Famicom também faz parte dos planos
  • Super Nintendo / Super Famicom – o Super Game Boy irá funcionar normalmente, mas não terá suporte ao portátil, no que diz respeito a armazenar os jogos no sistema.
  • Mega Drive – todas as versões de todos os países, além do 32X e do Power Base Converter, que garantirá também jogos de Master System.
  • Atari 2600
  • PC Engine  / TurboGrafx-16 / SuperGrafx

Consoles por drive de CD/DVD

  • Playstation – todas as regiões
  • Sega CD / Mega CD / 32X CD
  • PC-Engine CD / Super CD-ROM / Arcade CD-ROM / TurboGrafx-CD

Ainda sobre os sistemas do RetroBlox, o módulo de Nintendo 64 não pode ser reproduzido no momento, já que, embora tecnicamente seja possível colocá-lo no sistema, a Nintendo fez muitas patentes para o seu console, tendo a mais recente datada de 2001, o que obriga os desenvolvedores a pedirem a permissão da Big N para o mesmo, o que não é necessário com os outros consoles, que estão livres quanto a questão de patentes e podem ser fabricados normalmente. Porém, a questão dos módulos fazem com que mais consoles possam ser adicionados no futuro.

Especificações do RetroBlox

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Tela do RetroBlox, com metadados dos games

  • CPU: Quad-core ARM Cortex-A17, 1.8GHz (Rockchip RK3288)
  • GPU: Quad-core ARM Mali-T764 GPU 600MHz
  • Environment: Linux
  • 2GB RAM / 16GB eMMC onboard Flash
  • 1x USB 2.0, 1x USB 3.0, 1x MicroSD (SDXC até 512GB)
  • 1x HDMI 2.0, 1x Gigabit Ethernet, 1x MicroSATA
  • Internal Bluetooth Antenna, DC Power, 20-pin JTAG
  • DVD-ROM: 11.08 Mb/s (8x) max
  • CD-ROM: 3,600 Kb/s (24x) max
  • 1x Blox Bus Connector
  • 1x Wireless Bluetooth Gamepad
  • Suporte aos controles originais dos consoles, cada um no seu módulo correspondente

Conversando com a equipe do RetroBlox

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A tela inicial do RetroBlox

Confira, então, nossa conversa com Bryan Bernal, da equipe de desenvolvimento do RetroBlox:

Arkade: Como surgiu a ideia de criar um console que é compatível com módulos de vários sistemas?

Bryan Bernal: Há alguns anos atrás, fiz uma viagem a Tóquio, que era um lugar que queria conhecer desde que era uma criança. E nessa minha primeira vez lá, ao invés de passeios turísticos, passei a maior parte do tempo visitando lojas de usados comprando vários jogos e consoles que eu nunca fui capaz de jogar quando criança nos Estados Unidos. Antes de deixar o Japão, comprei uma mala extra e deixei todas as minhas roupas no hotel para voltar para a Califórnia.

Quando cheguei em casa, tentei ligar todos os consoles que comprei na minha TV HDMI sem perceber como era difícil obter boa imagem a partir deles. Então comecei a fazer algumas pesquisas para tentar corrigir o problema de qualidade de imagem sem atraso no gameplay, então tive que fazer uma escolha entre um dispositivo japonês em HD de 400 dólares ou um velho monitor CRT. Acabei comprando o CRT, pois estavam disponíveis mais facilmente em Los Angeles, onde moro. Após fazer todas as modificações nos consoles e comprar alguns cabos personalizados no Reino Unido, meu equipamento retrô pareceu algo realmente bom e fiquei feliz com o trabalho. Mas o problema é chegar neste nível de qualidade, que é algo muito técnico e difícil, e não acho que a maioria das pessoas teria o tempo ou paciência que tive para fazerem isso em suas casas, mesmo se adorarem jogos retrô como eu.

Então, comecei a conversar com alguns amigos da indústria de videogames sobre uma ideia para criar um novo console e assim, fiz contato com Rob Wyatt, que era o arquiteto do sistema do primeiro Xbox. Ele gostou da ideia, então começamos a trabalhar nela, e depois de meses de pesquisa, descobrimos uma nova maneira de emular os jogos chamado de “Hybrid Emulation”. Quando percebemos que esta forma de jogar os jogos antigos beneficiaria muitos fãs de jogos retrô para consoles diferentes, decidimos fazer o sistema modular, evoluindo assim para o Retroblox atual.

Arkade: O jogador retrô é nostálgico, mas também quer a melhor imagem e som em suas TVs atuais, com conexão HDMI e boa resolução de imagem. O que os gamers encontrarão no RetroBlox a respeito de áudio e vídeo?

Bryan: Para o áudio e vídeo escolhemos como saída o HDMI em 1080p, mas também providenciamos consfigurações de “Virtual Display”, para que o usuário possa simular a aparência e sensaçào de se jogar nas antigas TVs de tubo, usando o RGB ou cabo composto. Eles se mostram muito precisos hoje, mesmo com a implementação inicial. Amo especialmente jogar no composto pois olho para a TV como a Sony Triniton TV que usava para jogar quando era mais jovem.

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A Sony Triniton TV mencionada por Bryan

Arkade: O RetroBlox traz boas ideias, como a transmissão de gameplay via Youtube ou Twitch, além da opçào de armazenar o game na memória do sistema. O que os futuros usuários de RetroBlox poderão esperar além disso, no futuro?

Bryan: Além dos recursos que você mencionou, o RetroBlox também permitira o compartilhamento de screenshots e momentos de seus jogos em vídeo no Facebook e Twitter. A conectividade on-line também nos permite ter um sistema forte para apoiar a comunidade de jogadores, como o perfil de jogadores, mensagens entre eles, um feed de atividades, uma loja digital para novos jogos retrô e muito mais. Consoles baseados em CD no futuro poderão ser adicionados através de atualização de software. Também teremos menus localizados, com metadados do jogo e muito mais para os territórios que queremos apoiar, incluindo as línguas inglesa, francesa, italiana, alemã, espanhola, portuguesa, japonesa, coreana e escandinava.

Arkade: Os atuais consoles retrô vendem a ideia do Plug-and-Play, mas o RetroBlox oferece além disso, recursos comuns aos consoles da atual geração, como conexão com redes sociais. Esta tendência foi observada nos gamers que são seu público-alvo?

Bryan: Com certeza. Por exemplo, o Youtube é uma das maiores plataformas sociais para os gamers retrô. Para estas pessoas, capturar seus jogos exige muitos equipamentos extra, e o RetroBlox quer fazer tudo isso ficar muito mais fácil para que mais pessoas queiram compartilhar seu gameplay com amigos e outros. Nós também pensamos que existe um grande mercado para eSports em consoles retrô que não foi abordado, pois passamos muito tempo em uma competição de corrida de um jogo retrô no verão passado, entrevistando os jogadores para ver problemas encontrados com as opções dispnoíveis atualmente. A combinação de nossos controladores livres de lags, leitura ativa de cartuchos com emulação híbrida e o streaming no Twitch criará um ambiente ideal para o eSport que gostaríamos de construir de forma significativa no futuro. Seremos a primeira empresa a lidar de maneira única com estas questões e desenvolver um mercado de formas que nem Nintendo, Sony ou Sega podem fazer sozinhas.

Arkade: No futuro, existe a intenção de inserir mais módulos de outros consoles? Ou teremos um RetroBlox 2, com mais novidades?

Bryan: Os jogadores podem aguardar pelo menos 2 ou 3 módulos a mais para 2018, depois do lançamento oficial do sistema, um dos quais será um módulo dedicado ao Famicom. também esperamos que o RetroBlox tenha um ciclo de vida extremamente longo em comparação com os outros sistemas de videogames, então não pensaremos em nada além desta versão de RetroBlox por algum tempo. No entando, faremos anúncios no futuro de acessórios de hardware para o console em seus primeiros anos.

Preço, lançamento e Kickstarter

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Sobre o preço, o que a equipe se limita a dizer é que o RetroBlox custará menos do que um Nintendo Switch, e que seus módulos, embora tenham preços variados, de acordo com sua complexidade de construção, custarão menos do que um console novo. O preço final será anunciado quando começar a campanha do console no Kickstarter, em abril.

Em um primeiro momento, o console será disponibilizado em pré-venda no , com três formas de compra: um console com controle e um módulo, outro que trará três módulos e um completo que terá todos os cinco módulos, cada um a um preço.

O console não conta com nenhuma representação no Brasil, até o momento, tendo que ser comprado no Kickstarter, e seguindo as condições de importação que uma compra neste sentido oferece. Porém, com o preço direto do distribuidor, a tendência é que não seja muito alto, em comparação aos preços praticados nos consoles novos, quando são trazidos para cá via importação.

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