Depois do Fim: É hora de discutirmos os mistérios e segredos de Dark Souls III

7 de Maio de 2016
Autor: Renan do Prado

Depois do Fim: É hora de discutirmos os mistérios e segredos de Dark Souls III

A coluna Depois do Fim agora trás para vocês uma discussão difícil, e quem conhece a série sabe o porque. Vamos tentar agora conversar sobre os mistérios de Dark Souls III, o mais recente capítulo da série Souls, e segundo a From Software, último episódio dessa série tão amada por nos causar ódio.

E veja bem, vamos tentar falar sobre o que pode ser visto depois de se terminar Dark Souls III, pois essa é uma série de muita interpretação, com fragmentos de informação espalhados que nós temos que buscar para montar a história e expandir ainda mais os seus mistérios.

E como é sempre bom avisar: Esse texto estará lotado de spoilers de Dark Souls III, bem como da série toda! Se você ainda não jogou, ou pretende jogar a série, pode ser melhor parar de ler aqui, ou não. Mas fique avisado, leia por sua conta e risco!

LOTHRIC, ONDE AS TERRAS DOS LORDES DAS CINZAS CONVERGEM

Depois do Fim: É hora de discutirmos os mistérios e segredos de Dark Souls III

Cada Dark Souls se passa em um lugar diferente. Iniciamos a jornada no Asilo do Mortos Vivos e somos levados por um corvo gigante para Lordran, a terra dos antigos deuses. Um lugar magnífico e decadente, criado no início da Era do Fogo, após a destruição dos Dragões Imortais. No segundo game, visitamos uma terra aparentemente distante, e misteriosa quanto a sua localização no mundo, Drangleic, o reino de Vendrick, cujas terras foram infestadas por mortos vivos vindos de longe, e que surgiram de sua própria terra.

E eis que em Dark Souls III conhecemos Lothric, lugar onde as terras dos Lordes das Cinzas convergem. E logo no inicio vemos esses mesmos Lordes acordando de seus túmulos ao som do sino que avisa que a Primeira Chama, a mesma que trouxe a disparidade para o mundo e fez com que a humanidade surgisse da escuridão, estava prestes a se apagar. Aldrich, o santo das profundezas, acordou de sua tumba e rumou para Irithyll do Vale Boreal, um lugar muito emblemático. Os Vigilantes do Abismo, que seguem o Pacto do Sangue do Lobo, algo bem familiar, voltaram para a Fortaleza de Farron. Yhorm, o Gigante Recluso voltou para a Capital Profanada, lugar que ele tentou salvar ao se tornar um Lorde das Cinzas.

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Cada um deles reacendeu a Primeira Chama no passado, e ao se levantarem, fugiram de seus tronos e de sua responsabilidade em mais uma vez se sacrificarem. Seus motivos porém, não sabemos. Mas logo conhecemos um quarto LordeLudeth de Courland, um homem pequeno, sem pernas e com o corpo totalmente desfigurado pelo fogo, e que nos auxilia em nossa jornada. Ele um dia foi um Lorde das Cinzas, tomando o manto para si por vontade própria, e por sua própria vontade está sentado em seu trono para ajudar aquele que herdará o destino dos Lordes. E nós o encontramos num lugar de nome familiar… O Santuário do Elo de FogoFirelink Shrine.

Com um visual bem diferente do que vimos no primeiro Dark Souls, mas com elementos muito familiares. A arena de Iudex Gundyr lembra e muito a Firelink Shrine original, e um detalhe que passa batido para alguns. O pé da árvore gigante que vemos ali, há um caixão gigantesco, idêntico ao de Nito, o primeiro dos mortos que encontrou uma alma de Lorde na primeira chama. E no interior do santuário, duas figuras bem conhecidas… Uma velha, idêntica as do início de Dark Souls II, mas que não sabemos se realmente é uma delas, e mais ao fundo, um velho amigo, Andre de Astora, o ferreiro que muito nos ajudou no primeiro Dark Souls.

E então começamos a notar semelhanças, conforme entendemos mais de Lothric, um reino nascido dos atos do passado, um reino que existe para manter a Primeira Chama, um reino… que já visitamos antes de sequer existir…

LORDRAN, O ANTIGO LAR DOS DEUSES

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Passamos então pela Grande Muralha de Lothric, até que podemos entrar em uma nova área que podemos ver a distância: O Assentamento dos Mortos Vivos. Um lugar terrível, com muitos inimigos cruéis e destruição. Onde encaramos a Grande Árvore Apodrecida, uma árvore com uma maldição presa em suas entranhas, que tenta escapar enquanto lutamos, para aí descobrimos que em seu interior, as armas que podem ser criadas a partir de sua alma são armas de Mirrah, um lugar mencionado em Dark Souls II, de guerreiros ferozes e valorosos.

Então chegamos na Estrada dos Sacrifícios, e notamos mais e mais semelhanças. Florestas enormes, Construções antigas, onde encontramos um dos Sábios de Cristal, discípulo de Big Hat Logan, mago do primeiro Dark Souls que descobriu a pesquisa sobre magias e cristais de Seatho Dragão Pálido, seguindo adiante até a Catedral das Profundezas, um lugar imenso e muito opressor.

Mas ali perto, entramos nas terras da Fortaleza de Farron, um lugar muito familiar, um pântano envenenado, com criaturas meio homem, meio cabras, seres gigantes que conjuram magias das trevas, e homens cogumelos mortos. Sim, estamos no que um dia foi Darkroot Garden, lugar que ainda antes foi o reino de Oolacile, que foi dominada pelo abismo e onde o grande cavaleiro Artorias morreu. Mas não seu legado. Os Vigilantes do Abismo seguem o trabalho de Artorias em combater o Abismo, e juraram sobre um velho lobo negro, talvez um descendente do de Sif, o Grande Lobo Cinza, em atacar todo e qualquer vestígio do Abismo de Manus.

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Adiante, temos as Catacumbas de Carthus, com vários vestígios do Abismo, um lugar conectado a um ponto muito conhecido… As Ruínas do Demônio, local de entrada de Izalith, terra dos demônios e das Bruxas do Caos! E nesse lugar nós vemos muitos velhos conhecidos mortos, vários Capra Demons, Taurus Demons Stray Demons mortos a eras, com seus corpos agora petrificados. Até que saímos e chegamos ao lugar mais impressionante do game: Irithyll do Vale Boreal. Uma enorme cidade com arquitetura gótica, catedrais imensas iluminadas por uma linda e gigantesca lua em meio a neve, escondendo seu pináculo. Envolto em névoa, vemos uma construção bem alta difícil de identificar, até que, após enfrentar o Pontífice Sulyvahn podemos enfim reconhecê-la, um lugar muito emblemático para todos que jogaram o primeiro Dark Souls, sim, Anor Londo ainda existe, e nós estamos lá!

Lothric foi construída nas ruínas de Lordran. O mundo do game sofreu imensas transformações com o passar do tempo, tempo que é especialmente cruel em Lordran, pois o tempo não flui de maneira normal pelas terras do game, o próprio fluxo de tempo é estranho, passado, presente e futuro se confundem, bem como lugares banhados pelo sol se avizinham a lugares em eterna noite. Podemos ver no topo de Anor Londo as transformações. A Catedral das Profundezas que parece estar no lugar onde antes ficavam os Arquivos do Duque de Seath. A arena onde enfrentamos os vigilantes do Abismo, onde antes ficava Darkroot Garden, e todas as transformações no terreno, que literalmente desabou onde antes ficavam as áreas iniciais do primeiro Dark Souls. E a distância vemos Lothric, num enorme planalto que se ergueu da terra.

Está tudo ali, tão diferente, mas ainda assim muito familiar, com seus cenários e personagens…

O DESTINO DOS ANTIGOS DEUSES

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Porém, nem tudo são flores. Ou melhor, nada são flores. O mundo de Lordran ainda existe, mas a verdade? Ele foi destruído, e hoje é uma mera lembrança dos tempos da Era dos Deuses. Então o que aconteceu a todos aqueles personagens?A maioria teve um trágico destino. Em Izalith vemos uma cena de pura tristeza. Se o jogador procurar bem, ele pode encontrar a Dama Justa, a irmã de Queelag, uma mulher desfigurada pelo Caos, metade mulher, metade aranha, que cuidava de todos aqueles a quem podia, aceitando criaturas disformes, se sacrificando pelo bem deles.

Vemos seus restos, pois ela está morta há eras e em sua frente vemos um corpo seco ajoelhado em posição de reza, um corpo também há muito perecido. Quando pegamos o item que esse corpo segura, descobrimos quem é, Quelana, uma das Filhas do Caos, e aquela que ensinou piromancias para o Chosen Undead no primeiro Dark Souls. Após os eventos do primeiro game, ela permaneceu junto de sua irmã em sofrimento, até o fim de suas vidas.

Nos confins de Anor Londo entramos numa sala cheia de memórias, onde um dia Ornstein e Smough enfrentaram os jogadores numa das batalhas mais difíceis de toda a série. Mas agora, o lugar está acabado, escuro, destruído e cheio de ossos e uma gosma preta, fruto de Aldrich, O Devorador de Deuses e um dos Lordes das Cinzas. Um ser que um dia foi um homem, mas graças a seu prazer por consumir carne humana, teve seu corpo drasticamente alterado, tornando-se uma massa escura de ossos, chegando a se cansar da carne humana, e desejando a carne dos Deuses.

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Aldrich devorou Gwyndolin, o Sol Negro, e em sua batalha percebemos isso. A metade superior de Aldrich, a parte de visual humano, é na verdade o que restou do corpo de Gwyndolin, sim o próprio. E logo em que batalha prossegue, vemos mais de seus poderes, uma foice mágica que absorve a vida do jogador. Aldrich também devorou Priscilla, exilada no mundo da pintura de Ariamis no primeiro game. E falando em Priscilla, temos uma nova personagem muito misteriosa, Yorshka, isolada em uma torre, ela nos diz que Gwyndolin é seu irmão mais velho, e que ela é quem atualmente comanda o pacto da Lua Negra. Seu visual é muito peculiar, ela é alta e esguia, possui estranhas protuberâncias em seu pescoço e marcas em sua testa, além se sua calda de dragão, tal como Priscilla. Quem ela é na realidade? Não sabemos, temos apenas fragmentos de informação.

Ainda em Irithyll, temos Vordt e a Dançarina que enfrentamos na Grande Muralha, e logo descobrimos que eles se tornaram monstros graças aos Olhos do Pontífice, anéis mágicos que lhes conferiam muito poder. E que a Dançarina é uma descendente direta da família de Gwyn, mas quem ela realmente é, não sabemos. Ainda temos o Caveleiro doVale Boreal, apenas mencionado, até que vemos seu fantasma caminhando por Irithyll, deixando um grande mistério sobre quem ele é, e quem sabe, assunto para uma das DLCs que o game ainda receberá.

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E agora, vemos uma fortaleza distante, no topo de uma montanha. Para acessa ressa fortaleza, devemos aprender a postura do dragão e sentar ao lado de uma estátua de pedra quebrada de um dragão, escondida nos Calabouços de Irithyll. Chegando ao lugar, vemos inimigos do passado, os homens serpente de guardavam Sens’s Fortress. E lá vemos estátuas de um imponente guerreiro, o senhor daquelas terras, até que enfim o encaramos frente a frente. Um antigo rei que monta o Dragão Tempestuoso. Ao matarmos o dragão, o Rei absorve a alma de seu antigo companheiro e revela seu verdadeiro poder, eletricidade. Seu visual lembra o de outro personagem, bem como seus ataque. Não conhecemos o Rei Sem Nome, mas ele é familiar.

Rei Sem Nome é o deus da guerra. Banido dos anais da história do mundo por seu próprio pai, Gwyn, o Lorde da Luz Solar. Sim, ele é o primogênito de Gwyn, que é somente mencionado no primeiro Dark Souls, mas sem qualquer pista de quem era, até agora. Aqui o encaramos frente a frente, na luta mais difícil do game. O Rei Sem Nome se aliou aos dragões, arqui-inimigos de Gwyn. Isso foi uma completa decepção para seu pai, que o baniu eternamente de seu reino e da própria história. Assim, o primogênito de Gwyn, o irmão mais velho de Gwynevere Gwyndolin viveu todas essas eras em seu isolamento no Pico dos Arquidragões, tão longe, porém tão perto de Anor Londo.

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E é lá que encontramos a armadura de Ornstein, que após a queda de Anor Londo buscou pelo Rei Sem Nome. A descrição do anel de Orsntein no game revela que ele é filho desse primogênito, mas isso possivelmente é um erro de tradução, visto que em inglês, a descrição do anel diz que Ornstein foi o primeiro cavaleiro do primogênito. Seja qual for a tradução correta, o certo é que eles possuíam uma relação muito próxima. Mas então, quem é o verdadeiro Ornstein? O que enfrentamos em Anor Londo ou a aparição negra em Dark Souls II? O mistério ainda persiste, e fica para o jogador tentar juntar as peças e interpretar o significado disso.

E quanto a Gwynevere? Não se sabe, no primeiro Dark Souls ela é apenas uma ilusão, e é dito que junto de outros deuses ela deixou Anor Londo e se casou com Flann, o deus do Fogo. Mas encontramos vários vestígios dela pelo game, como seu quadro em Irithyll e seus milagres, um em posse de Rosaria, uma bela mulher, que teve a língua cortada por seu primogênito, que cuida das deformadas criaturas que habitam a Catedral das Profundezas. Seria Gwynevere a rainha de Lothric que desapareceu? Ou teria ela alguma relação com a família real de Lothric? Não há como ter certeza ainda.

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O que nos leva ao próprio Lothric, príncipe do reino de mesmo nome, um homem fraco e doente, com sua alma presa a de seu irmão mais velho, Lorian, um gigante aleijado, mudo e que não pode andar. Ambos estão ligados pela maldição de Lothric e desejam estar assim, bem como recusaram se tornarem Lordes das Cinzas, propósito para o qual nasceram. Isso resultou na queda da cidade de Lothric, pois seu rei, Oceiros, decaiu. Oceiros era obcecado em criar o herdeiro perfeito para reacender a primeira chama, mas falhou com seus dois filhos. Ele então descobriu a pesquisa de Seath e ficou totalmente obcecado pelo culto aos dragões, tornando-se ele próprio uma figura repulsiva de visual dragônico, tudo para que seu terceiro filho, Ocelotte, fosse o herdeiro perfeito e filho dos dragões.

Assim que Ocelotte nasceu, a rainha de Lothric foi embora do reino. Porém Ocelotte também desapareceu, e Oceiros entrou em sofrimento profundo, desejando a volta de seu filho desaparecido, como vemos durante a batalha contra ele. Não sabemos mais nada de Ocelotte, mas sabemos que ele tem muita importância nesse mundo, então é possível que Ocelotte será mostrado em uma das futuras DLCs que Dark Souls III receberá no futuro.

AFINAL, ONDE ESTÁ DRANGLEIC?

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Pessoalmente, Drangleic agora se tornou um lugar ainda mais misterioso, afinal, em que lugar do mundo o reino de Vendrick se encontra? Sabemos que esse reino fica a beira do ma, e que os mortos vivos vieram de longe para o reino, assim, Vendrick iniciou uma caçada a eles, aprisionando e expulsando a todos.

Drangleic era governada por Vendrick Nashandra, uma mulher que chegou ao reino através do mar e logo conquistou o rei, tornando-se rainha. Nashandra fez com que Vendrick atacasse o reino dos gigantes além mar e lhes roubar sua maior posse, que nunca foi muito bem detalhada o que é. Isso gerou uma guerra de eras entre os gigantes sem rosto e os habitantes de Drangleic. E Nashandra se revelou como um fragmento da alma de Manus, O Pai do Abismo do primeiro Dark Souls.

No game notamos que Lothric é próxima ao mar, e é povoada por gigantes escravos. E temos a presença de Yhorm. O rei gigante é descendente de um grande líder de sua espécie, e foi obrigado a liderar seu povo, que um dia foi conquistado. Em uma antiga batalha, aquele a quem Yhorm mais queria proteger morreu, e ele deixou seu imenso escudo para trás com isso. O Lorde dos Gigantes é morto em Dark Souls II pelo jogador, ao revisitar memórias antigas de gigantes mortos.

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Tudo indica que Yhorm é descendente dos gigantes vistos em Drangleic, mas com uma característica crucial: Yhorm possuía rosto, não um buraco em sua face. A raça dos gigantes é uma das mais confusas da série. Hawkeye Gough do primeiro Dark Souls foi cegado, pois teve cera derretida colocada em seu elmo, o que indica que ele possuía olhos. Os gigantes de Lordran possuem máscaras de ferro que escondem seus rostos, impedindo de sabermos seu real visual, além de personagens como Gwyn, Artorias, Ornstein e outros, que também são considerados gigantes. Fora a raça de gigantes sem rosto. O mais provável é que a raça dos gigantes é separada em vários tipos diferentes.

Em Irithyll vemos um retrato de Nashandra na mesma sala onde vemos um quadro de Gwynevere. Apesar do game nunca confirmar, ao se juntar as peças, podemos especular que Drangleic está do outro lado do mar que vemos em Lothric, e que os gigantes que invadiram o reino de Vendrick viviam próximos a Lordran.

A ALMA DAS CINZAS E O DESTINO DA PRIMEIRA CHAMA

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O mundo de Dark Souls é eternamente ligado ao Fogo, a Primeira Chama surgiu na era dominada pelos Dragões Ancestrais, e seu surgimento separou a luz as trevas e a vida da morte, fazendo com que a humanidade surgisse. Porém, o fogo um dia deve apagar. Gwyn, em seu tempo, tentou impedir que o fogo se apagasse, com medo do fim da Era dos Deuses e o nascimento da Era da Escuridão que o Pigmeu Furtivo tanto desejava, a chamada Era dos Homens.

Ao tentar reacender a primeira chama, Gwyn falhou, e isso deu origem a maldição dos mortos vivos. As vidas das pessoas eram ligadas a primeira chama, ao se estender o fogo além de seu tempo, as pessoas foram impedidas de morrer. Quando alguém morria, se tornava morto vivo, até perder toda a sua humanidade e se tornar um Vazio.

Mas o ato de Gwyn seguiu adiante, e novos Lordes das Cinzas reacendiam a primeira chama sempre que necessário, impedindo-a de apagar e mantendo o mundo como ele era, assim como os Vigilantes do Abismo, Aldrich, Yhorm e o pequeno Ludeth. Além de outros Lordes muito emblemáticos.

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E no fim de Dark Souls III devemos ir a outro lugar conhecido: A Fornalha da Primeira Chama, local onde o primeiro Dark Souls termina. A Fornalha mostra o futuro do mundo, a beira da destruição, todo retorcido, com seus reinos e castelos unidos em uma única massa montanhosa que cerca este lugar. E vemos que o Santuário do Elo de Fogo é um lugar muito mais misterioso do que achávamos. Visitamos o lugar no inicio do game, banhado em luz, e podemos encontrá-lo em uma escuridão profunda no subsolo de Lothric, e toda destruída diante da Fornalha. Visitamos esse lugar em três tempos, passado, presente e futuro, e no futuro, ficamos diante de nosso último inimigo, a Alma das Cinzas.

A batalha é intensa, e a Alma das Cinzas muda seu estilo de batalha conforme o tempo passa. Lutando com espada reta, magias, espada curva e lança até que a derrotamos, e aí, a batalha recomeça. A alma se torna mais forte, e inesperadamente, familiar, com a música tema da batalha nos trazendo de volta ao passado. Veja abaixo a primeira vez que derrotei a Alma das Cinzas, e note a transformação completa ad batalha em sua segunda parte, notando principalmente a mudança da música:

Sim, estamos na presença de Gwyn, o Primeiro Lorde das Cinzas! A música da batalha se transforma na música tema da batalha contra Gwyn no primeiro Dark Souls com um novo arranjo, trazendo a tona uma erupção de sentimentos no meio da batalha. Essa é a batalha final da série Souls, e é a batalha contra o primeiro Lorde das Cinzas, mas não apenas isso, é a luta contra todos os Lordes das Cinzas ao mesmo tempo!

Alma das Cinzas é nada mais, nada menos, do que a união das almas de todos os Lordes das Cinzas, que se manifestaram para proteger a Primeira Chama na batalha final. Estamos lutando ao mesmo tempo contra Gwyn, Vigilantes do Abismo, Aldrich, Yhorm, Ludeth… e também contra o Chosen Undead e o Bearer of the Curse. Sim, estamos enfrentando aqui também os protagonistas dos games passados!

Ao derrotá-lo, decidimos o nosso destino entre os três finais disponíveis no game. Podemos reacender a Primeira Chama e manter o ciclo. Se encontrarmos e dermos os Olhos da Guardiã do Fogo para a guardiã que nos acompanha na jornada, podemos apagar o fogo no final, com isso, a Guardiã nos diz que com os olhos ela consegue ver pequenas chamas surgindo na profunda escuridão do mundo sem fogo, de alguma forma, um recomeço. Ou podemos usurpar o fogo, tomando-o para nós mesmos, seguindo a quest iniciada por Yoel de Londor, continuada por Yuria e consumada com o casamento com Anri de Astora. Com isso, roubamos o fogo, e o Ser das Cinzas se torna o Lorde dos Vazios.

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O significado de cada um desses finais é aberto, e cabe ao jogador interpretá-los. Em minha interpretação, a maldição dos mortos vivos jamais terá fim enquanto a Primeira Chama ainda existir, a maldição que Gwyn criou perdura por todo o tempo que o fogo existir. Extinguir o Fogo significa um real recomeço para o mundo, a Guardiã enxerga pequenas chamas ressurgindo da escuridão, a tão evitada Era da Escuridão não é o fim, pois essas pequenas chamas possam talvez indicar um recomeço para tudo, tal como seu início. O mundo era malformado, cercado de névoas, Árvores Anciãs e os Dragões Imortais, até que o Fogo surgiu e com ele a humanidade. Quem sabe, a Era da Antiguidade não era o fim de outra Era da Escuridão? E a escuridão signifique um recomeço para o mundo, uma preparação para o novo fogo que surgirá no futuro.

Ou então podemos usurpar o fogo, e o significado disso pode ir muito além do que se mostra, pois pode mostrar o verdadeiro final de tudo. Apagar a chama resulta na escuridão completa do mundo, e a Guardiã nos pergunta se ainda podemos ouvir sua voz. Mas ao roubar a Primeira Chama, o mundo permanece numa semi-escuridão, com seu tenebroso eclipse no céu, e uma legião de Vazios ajoelhada em frente ao Ser das Cinzas, o novo Lorde. Essa é a verdadeira Era da Escuridão, pois não há mais chama, e sem chama a própria maldição pode ter sido exterminada. Os Vazios continuam Vazios, mas aqueles ainda por vir talvez vivam livres da maldição. Por fim o mundo fica preso na escuridão, libertando a todos de sua ligação com o Fogo, livres por completo.

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E esse foi o Depois do Fim de Dark Souls III! Como eu disse no começo, nós tentamos conversar sobre o enredo do game, pois tem muitas coisas que podem ser discutidas sobre esse game e muito do que foi falado nesse texto foi minha interpretação do que foi visto. Afinal, Dark Souls é isso, interpretação. Mesmo que você tenha entendido o game de maneira totalmente diferente de mim, ou ache que seus finais tenham outros significados, isso não significa que um ou outro está errado, mas sim que chegamos a conclusões diferentes de uma jornada que é única para cada jogador, e essa é a verdadeira magia de Dark Souls, não o começo ou seu fim, mas a jornada, e o que aprendemos durante ela.

Você tem outras interpretações sobre a série Dark Souls ou não concorda com algo dito aqui? Pois chega aí, sente-se em frente a fogueira e vamos debater! Tem sopa de Estus quentinha no forno e muita história pra gente contar! E aproveite também e confira a nossa análise completa de Dark Souls III clicando aqui!

E agradeço imensamente a meu amigo Guilherme Souza, com quem discuti muito sobre o lore de Dark Souls, o que me ajudou muito a poder escrever esse texto!

10 Respostas para “Depois do Fim: É hora de discutirmos os mistérios e segredos de Dark Souls III”

  • 7 de Maio de 2016 às 14:42 -

    THIAGO NERY TEIXEIRA

  • Excelente texto!!!

  • 8 de Maio de 2016 às 01:33 -

    THIAGO A AVELINO

  • Parabéns pelo texto, informações muito bem compiladas. 

  • 8 de Maio de 2016 às 08:30 -

    Jessyca

  • Muito interessante galera da Arkade! Cada vez vejo mais pessoas falando dessa minha serie favorita. Já viram os textos de Dark Souls do blog Mil? Tem informações completas sobre tudo!!! http://www.blogmil.net/2016/05/a-complicada-relacao-entre-dark-souls-2.html

    • 2 de Janeiro de 2017 às 18:39 -

      Estella

    • The doctors who sign off on torture do so in violation of their hiprpcoatic oath to do no harm. But Zionism has gone way past the point where it can honour oaths, commitments and promises.

  • 19 de Maio de 2016 às 00:58 -

    Eduardo L. Paschoalino

  • O problema com Dark Souls é que tem sempre a chance de sair a DLC e com ela vir o final de mudança real como foi no Dark Souls 2 por exemplo, resta espera :/ Ótima matéria por sinal! E até o momento concordo com suas interpretações, foi bem oq eu pensei 

  • 19 de Maio de 2016 às 02:18 -

    Rodrigo Luis Mingori

  • Olá, muito bacana sua interpretação dos finais, uma das mais interessantes da que li até agora. Eu gostaria de comentar e colaborar com essa sua visão. =DEntão, é sabido que existem três ciclos de eras, a Era das Cinzas, a Era do Fogo e a Era da Escuridão. O que Gwin fez foi explicado como primeiro pecado em DS II, uma atitude antinatural de estender a duração da Era do Fogo impedindo a Era das Trevas (e dos homens) de iniciar. É interessante como no DS III temos 3 fins, e lendo seu texto, parece que cada um deles remeteu a uma era. No final em que reacendemos a primeira fornalha, bem, é bem simples. Tudo continua como está. Interessante dizer, que o DS II também nos ensinou que os atos do final do DS I são indiferentes, e que o primeiro pecado continua a existir, então mesmo em DS II se reacendermos ou apagarmos a fornalha, ela voltará e isso é indiferente, se reaceso o fogo vai impedir a maldição de aparecer por um tempo e os undeads poderão enfim morrer finalmente. Mas a chama começara a esvanecer e tudo acontecerá novamente. Se realizarmos o final do Dark Lord, eventualmente aparecerá outro Chosen Undead que vai nos destronar e reacender a primeira chama. Então, ainda no DS III, reacender a chama é uma resolução paliativa. Agora que fica interessante, se deixarmos o fogo apagar, dessa vez (pela fala da firekeeper) parece que realmente haverá uma Era da Escuridão! Pois, é sabido também que as Três Eras são cíclicas. Então, logicamente a Era das Trevas também haverá de terminar algum dia. Porém, ainda não parece ter evidências concretas de porque essa vez é diferente, o que nos leva a pensar que se não for esse o caso (se nossa decisão de deixar o fogo apagar dessa vez, não levará de fato a Era das Trevas) acontecerá novamente que um novo Chosen Undead aparecerá e reacenderá a fornalha. Nessa equação falta entender bem o papel dos ashen ones, e dos Lords of Cinders de fato. Enfim, acredito mesmo que dessa vez a coisa é diferente, baseado apenas, na fala da firekeeper no final. (outra pista, na verdade um palpite, é o mote do jogo… Embrace The Darkness, lembrando que Darkness se refere a natureza do ser humano. Que é outro fato interessante, pois, eu acho que a maldição é também parte da natureza do ser humano, como já disse o Aldia em DS II. Ou seja, a era dos homens é a era das trevas e a verdadeira natureza do homem é ser undead, como o Aldia também deixa a entender.)O terceiro final faz sugerir que estamos nos direcionando para uma Era das Cinzas. A mesma (mas diferente) era das Archtrees e everlasting dragons. Pois veja, como você mesmo falou, um undead sem a chama é um ser que não morre, porém diferente de imortal… é um ser sem vida, isso lembra alguém? Exatamente os dragões. É explicado que os dragões em sua era são seres que são imortais, pois, não estão e fato vivos. Suas escamas lhe conferem certo tipo de proteção, mas seu ser é diferente e não classificado como vivo, pois, o que trouxe a vida e a morte foi o fogo, que veio depois dos dragões. Essa nova era das cinzas parece bastante interessante, uma era das cinzas não com dragões, mas com seres das cinzas (justamente como se torna o personagem principal, conforme você disse) que não estão vivos e nem podem morrer, onde tudo é cinza e nevoento. Essa é minha interpretação, obrigado pela atenção. E parabéns pelo post. Abraço! 

    • 19 de Maio de 2016 às 11:56 -

      Hades

    • A maldição dos Undeads foia forma que Gwyn encontrou de forçar a raça humana a ir contra sua natureza e reacender o fogo. Isso é vagamente citado por Aldia. Mas gostei da sua interpretação dos finais representarem as Eras. XP

    • 3 de Janeiro de 2017 às 03:01 -

      Charl

    • Bonjour,Pour votre premier Postcast, et en reponse en votre question !!Je trouve très clair et très explicite vos commentaires, bien plus reposant que de lire des tonnes de lignes sur l’écran du PC.Cela dit, les écrits restent les paroles s’envolent, et comme je suis partisant de l’impression sur papier, l’ideal serait d’avoir les deux .Marc.VA:F [1_].21.11699please wait…VA:F [1.9.21_1169](from 0 votes)

    • 23 de Janeiro de 2017 às 13:19 -

      auto insurance

    • Councilor Anderson commented on the move of Canadian Helicopters from the Municipal Airport to the International Airport that the company would not have made the move if it had not seen value in it. That was after the City refused to financially help with the move.So Canadian Helicopters paid out of their own pocket.Why doesn’t City Council take the same attitude with the Katz Group?

  • 24 de junho de 2016 às 10:07 -

    Danilo

  • Muito sucesso essas informações,  resumo de alta qualidade para os iniciantes e apreciadores de DS. Sensacional 

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