Preview Arkade: A tortuosa e gélida aventura da versão alpha de Jotun

11 de Maio de 2015
Autor: Henrique Gonçalves

Preview Arkade: A tortuosa e gélida aventura da versão alpha de Jotun

A guerreira nórdica Thora morreu, mas sua jornada não terminou. Jogamos a versão alpha do game independente Jotun e você pode conferir agora o que achamos desta interessante aventura.

Ultimamente estamos vendo quase um ressurreição de jogos que trabalham na mesma veia de Shadow of the Colossus. O ano mal começou e já tivemos Titan Souls, Toren e agora teremos Jotun, um game independente desenvolvido pelo estúdio canadense Thunder Lotus Games.

Jotun surgiu no meio do ano passado no Kickstarter e desenvolveu um interesse nos fãs pela sua direção artística e um foco na mitologia nórdica, tema que não vemos em voga nos videogames tanto quanto deveria. Vários meses se passaram e o game entrou em versão alpha, disponibilizando um pequena introdução e uma gigantesca luta no final para dar aquele gostinho do que iremos presenciar em sua versão final.

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Admito que estava preocupado ao jogar Jotun, um dos elementos que mais dou valor em Shadow of the Colossus é a sensação de grandiosidade e desolação que o game transmitia em sua longa viagem até o Colossi e a dualidade entre estes dois sentimentos, e tive receio que Jotun seria tão similar a ponto de perder o senso de propriedade que o game propõe com o seu visual e tema, e ao mesmo tempo não conseguindo atingir o mesmo nível de qualidade que Team ICO conseguiu com SotC.

Fico extremamente aliviado que esta preocupação se dissipou no momento que iniciei o game e levei Thora para a sua impiedosa jornada em Jotun.

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A versão alpha do game é curta porém impactante, nela temos a introdução do universo nórdico, o objetivo de pegar duas runas em diferentes lugares e por fim, encontrar o colossal desafio que Thora precisa enfrentar para se provar boa o bastante para entrar em Valhala como a viking que ela sempre foi.

Logo de cara vemos o quão impressionante e bem detalhado é o universo de Jotun, seguindo uma estética em que tudo é desenhado a mão, o game consegue transmitir uma sensação de que a cena foi tirada de animações e pinturas, se aliando ao movimento de câmera. Cada movimento que Thora faz é crível e é quase impossível encontrar algum momento em que a animação não esteja fluída, bem apresentada e detalhada como um todo, com a protagonista se movendo por este mundo e descobrindo o funcionamento de cada área, item e local sagrado.

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Essa fluidez é bem apresentada graças a movimentação da câmera, fugindo do tradicional ponto fixo para uma movimentação dinâmica em que ela se aproxima e afasta nos momentos mais cruciais, dando a sensação de grandeza nos momentos mais relevantes. Existem várias cenas em que a câmera se afasta para mostrar o quão expansivo aquele universo é.

Talvez expansivo até demais, com Jotun trazendo um problema similar a de Shadow of the Colossus, com as tortuosas distância de um ponto a outro e, assim como a vegetação árida do mundo de SotC, Jotun faz o mesmo focando em tons de branco pela neve e tons azuis pelas rochas e lagos congelados.

Muitos discutem da necessidade das longas jornadas de um ponto A para o ponto B de Shadow of the Colossus, argumentando que elas são feitas para transmitir a desolação e a solitude de nosso herói e sua montaria, e eu até concordo com estes argumentos mas o meu receio é que Jotun faça essa a desolação e solitude se torne cansaço e tédio. O que faz esta área tão interessante é a surpresa encontrada mais tarde, em que Thora precisa literalmente fugir para se salvar.

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Mas devo dizer que fiquei surpreso com a segunda área de Jotun, fugindo da simplicidade da neve e dos lagos congelados para áreas montanhosas demonstrando um senso claro de perigo. Nela você precisa andar por várias partes da montanha enquanto elas servem como plataformas em um caminho para encontrar a runa, o perigo encontra-se na nevasca, que pela altura, está cada vez mais forte. Por isso você precisa se esconder por trás de altas paredes que servem como proteção. Está mudança de ritmo é o que faz Jotun ser tão interessante e mostra como ele pode se beneficiar com ideias boas e criativas.

Logo após a captura de duas runas, Thora tem a chance de enfrentar o gigantesco monstro e assim iniciamos a parte mais crucial de seu alpha.

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Neste momento todos os elementos do game se aliam para te certificar que o seu desafio é realmente gigantesco e ameaçador. Mas diferente de SotC — em que o próprio chefe se torna um puzzle onde a chave é encontrar o ponto fraco do Colossi –, Jotun prefere seguir o caminho mais tradicional em ataques padronizados, cada ataque do inimigo é diferente e tem um certo macete para evitar, enquanto o segredo é esquivar, encontrar os pontos cegos e aproveitar o máximo possível de suas habilidade especiais para dar o máximo de dano possível. A improbabilidade aumenta após a metade de sua vida, em que ele faz a neve se dissipar e o chão escorregadio surge para aumentar a dificuldade, em contraponto, o inimigo começa a utilizar ataques de investida para te deixar indefeso e correndo pela sua vida.

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E você vai morrer…

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várias…

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e várias vezes.

A luta é recheada de adrenalina, levando a grandeza e satisfação até o ultimo momento em que o matamos. O único problema relevante que consigo apontar é a facilidade em que ele consegue nos acertar, especialmente nos golpes em que ele corre e quando cai no chão desmaiado, tendo somente uma saída possível para evitar o dano. Uma das causas disso é a própria direção artística, que  deixa tudo mais fluído porém com uma dificuldade imensa de saber se você está acertando o inimigo e esquivando de seu golpe, enquanto o segundo problema é a própria câmera que acaba se tornando inconveniente nestes momentos pela dificuldade de encontrar o seu personagem no meio de tanta informação visual.

Mas mesmo com este empecilho, Jotun é uma experiência interessante e visualmente impressionante pela direção artística, uma mitologia e cultura nórdica fielmente levada a sério, mecânicas de câmera encontradas no cinema e uma jogabilidade já conhecida mas com uma imprevisibilidade alta pelos desafios que teremos no game.

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A equipe da Thunder Lotus Games termina o alpha indicando o que teremos no game, incluindo imensas áreas e o que particularmente acho o mais interessante, que é a história de Thora, explicando o seu passado, sua inevitável morte e desafiador futuro envolvendo os deuses nórdicos e a constante luta para entrar em Valhala e se tornar a verdadeira guerreira que ela é.

Jotun sairá no final deste ano e estará disponivel para PC.

Uma resposta para “Preview Arkade: A tortuosa e gélida aventura da versão alpha de Jotun”

  • 9 de junho de 2016 às 15:37 -

    João Lucas

  • Artigo muito bom, bem explicado… Parabéns e muito obrigado pelo conteúdo de qualidade!

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