RetroArkade: Space Jam “imitou” NBA Jam nos videogames dos anos 90

18 de novembro de 2018
Autor: Junior Candido

RetroArkade: Space Jam "imitou" NBA Jam nos videogames dos anos 90

I believe I can fly! Se você conhece esta música, com certeza conhece Space Jam. O filme, que celebrou no último dia 15 de novembro 22 anos de história, é uma das animações mais queridas dos anos 90. A ideia de unir os Looney Tunes com o Michael Jordan, na ocasião, já consagrado como o melhor jogador de basquete de todos os tempos, deu muito certo.

Tanto que, até hoje, o filme é lembrado, e uma sequência sempre foi desejada. Até que, finalmente, em setembro deste ano, a Warner Bros. confirmou Space Jam 2. Com LeBron James estrelando e Ryan Coogler, de Pantera Negra, na produção, o filme, ainda sem data de lançamento, conta com altas expectativas.

Entretanto, você sabia que na época do lançamento do filme, um game foi lançado? Com versões para Playstation, Saturn e computadores com MS-DOS, o jogo, apesar de simples, trazia toda a atmosfera do “jogo do século”, e, com ação arcade, conseguiu divertir bem.

Inclusive, uma dica: leia esta matéria ouvindo a inesquecível trilha sonora de Space Jam. Lembrando que estamos no Spotify, com playlist bem legais de games, cinema e entretenimento em geral. Siga a gente por lá!

O jogo do século

RetroArkade: Space Jam "imitou" NBA Jam nos videogames dos anos 90

A amizade de Michael Jordan com o Pernalonga é um pouco mais antiga do que o jogo intergalático contra os Monstars. Em 1992, Jordan, já campeão pelo Chicago Bulls, também era garoto propaganda da Nike. Assim, em um de seus vários comerciais, ele aparece com o Pernalonga, jogando basquete. E, curiosamente, em outro comercial, de 1993, o espaço já era o cenário do vídeo, mas com o contexto de Marvin, o Marciano.

Este é o vídeo de 1992:

E este, de 1993, já tem o espaço como tema:

E, curiosamente, o filme conta com uma questão particular muito especial para Michael Jordan. Em 1994, o astro do basquete estava desmotivado com o esporte, e decidiu tentar carreira no baseball, abrindo mão de contratos e salários milionários. Entretanto, a iniciativa não deu muito certo, com Jordan não conseguindo vaga em times da MLB, e com passagem fraca no Birmingham Barons, um time de uma liga menor dos EUA. O filme, inclusive, mostra este momento da carreira do jogador.

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Jordan tentou fazer seu nome no baseball, mas o basquete que é o seu lugar.

Assim, com o retorno às quadras, o jogador, que sempre soube lidar com sua imagem (seus direitos, assim como os de Ayrton Senna, eram bem complexos, pois ambos os atletas eram muito exigentes com suas respectivas imagens), encontrou em Space Jam a ocasião perfeita para celebrar o esporte que o consagrou, além de divulgar mais o esporte pelo mundo.

O filme é bem simples, feito para o entretenimento familiar. Seres alienígenas desafiam a Terra para um jogo valendo a escravidão ou liberdade dos humanos, e trapaceiam roubando talentos de astros da NBA. Assim, temendo a ameaça, os Looney Tunes pedem ajuda a Jordan, que se une ao Tune Squad em um jogo cheio de produtos ACME e situações divertidas. O filme não foi muito bem aceito pela crítica, mas levou US$ 230 milhões em bilheteria e fez um legado.

Vale lembrar que, no Brasil, sem muito acesso às partidas, a NBA alavancou o interesse e audiência entre as crianças. E é bem comum ouvir fãs ou jogadores de basquete, que eram crianças em 1996, dizerem que, de uma forma ou de outra, foram influenciados pelo filme.

Michael Jordan e videogames – uma união interessante

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Michael Jordan já “salvou o mundo”, uma vez. No Super Nintendo.

Como mencionado, Michael Jordan era bem exigente com sua imagem. Tanto que, no lendário NBA Jam, há versões raríssimas com o jogador, uma vez que ele não estrelou o jogo oficialmente. Saiba mais sobre esta história aqui (em inglês). Primeiramente, Jordan fez sua estreia nos games em 1988, com Jordan vs. Bird, jogo da Electronic Arts, sendo um dos embriões do que seria a EA Sports.

Em 1994, foi lançado Michael Jordan: Chaos in the Windy City, jogo de plataforma com toques de basquete, para o Super Nintendo. Houve o game Space Jam, no final de 1996, tema desta matéria. E por fim, apareceu como jogador aposentado em NBA 2000. MJ ainda apareceria como jogador do Washington Wizards em NBA 2K2 e NBA Live 2002.

Mais recentemente, Jordan estrelou a edição especial de NBA 2K11. No game, jogos clássicos da NBA podem ser jogados. Assim, é possível jogar partidas memoráveis de Michael Jordan pelo Chicago Bulls, além de vivenciar a carreira do atleta, que envelhece com o passar dos anos.

Os Looney Tunes já jogavam basquete

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Todos os grandes talentos do basquete começaram jogando na rua.

Antes de Space Jam, os Looney Tunes já curtiam jogos com a bola laranja. A Sculptured Software, que já trabalhava com games esportivos, além de trazer a conversão de Doom ao Super Nintendo, apresentou Looney Tunes B-Ball em fevereiro de 1995, meses antes de ser adquiria pela Acclaim, que já tinha NBA Jam fazendo sucesso mundo afora.

O jogo, inclusive, tem inspirações no clássico game de basquete. Também era jogado no 2×2, e permitia o jogo entre quatro pessoas através do Multitap. Mas, por ser um jogo de Pernalonga e seus amigos, era possível pegar power-ups na quadra. Provavelmente desenvolvidos pela ACME, que servia tanto para dar mais força aos jogadores, ou atrapalhar os adversários.

O game recebeu uma recepção amistosa da imprensa, e fez sucesso entre os jogadores, especialmente as crianças. Assim, o estúdio responsável seria contratado para fazer outro game de basquete, com os mesmos personagens.

Tune Squad ou Monstars: você escolhe

O game de NBA Jam é bem simples. Ninguém quis inventar moda para o jogo e focaram apenas no que interessava: o jogo de basquete. Mas só é possível jogar uma partida, e escolher entre o time dos Looney Tunes, ou o dos vilões alienígenas. Apenas para dar um extra ao game, minigames simples acontecem no início da partida. Ou entre os quartos, se o jogador quiser conferir.

Decidindo o seu time, você escolhe três jogadores e vai pro jogo. O tempo e dificuldade é previamente ajustado pelo jogador. E já em quadra, o game, que conta com a parceria entre Sculptured Software e Acclaim se mostra uma opção de NBA Jam bem divertida. O jogo tem controles parecidos, mas é levemente mais simples de se jogar, claramente focado nas crianças. É bem mais fácil, por exemplo, fazer cestas de três pontos, especialmente com Michael Jordan.

Outra novidade aqui está nas animações. Se em NBA Jam havia uma festa de enterradas e bolas de fogo, em Space Jam a festa é ainda maior. Uma vez que cada personagem tem suas próprias animações. Como o Pernalonga, que enterra com as orelhas, ou o Taz que faz seus famosos rodopios. E ainda engole a bola que cai da cesta.

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Sempre é bom rever o “Jogo do Século”, seja no filme ou nos videogames

Assim como em NBA Jam, há um botão turbo para correr mais por um tempo limitado, e não há faltas. A única regra aqui é o Goal Tending. Que é o bloqueio óbvio de uma bola que está claramente indo em direção da cesta. E, após a partida, é só começar tudo de novo. Pois não tem final, não tem outros times e nem nada de mais. É só o jogo do século, de novo, de novo, e de novo.

O jogo, apesar de ser simplificado, pecava por dois problemas. O primeiro era o loading de tudo. Que, apesar de ser comum em jogos dos anos 90 em CD, não justifica por oferecer apenas um cenário para o jogo. E a parte sonora, que não explora as músicas legais do jogo, e conta com uma narração genérica. Fora isso, apesar de contar com um formato já ultrapassado, ainda consegue divertir.

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