#TBTArkade: O lançamento do Game Boy Advance, na Nintendo World de abril de 2001

7 de novembro de 2019
Autor: Junior Candido
#TBTArkade: O lançamento do Game Boy Advance, na Nintendo World de abril de 2001

Em 2001, já com Playstation 2 no mercado, e com Xbox e Gamecube mais próximos do que nunca, as expectativas de muitos estavam focados em um pequeno notável. É que o Game Boy, depois de ser o fenômeno cultural que foi, se tornar Pocket, Light, e Color, agora seria Advance. O aparelho ganharia mais botões, teria mais poder, e seria fonte de diversas investidas por parte da Nintendo e estúdios parceiros.

E, entre várias revistas de games da época, a Nintendo World #32, de abril daquele ano, deu capa, e destaque, ao portátil que chegaria. A matéria, assinada por Pablo Miyazawa, hoje na IGN Brasil, e Eduardo Trivella, que tem em seu currículo o trabalho na antiga revista NGamer Brasil, tinha como título a expectativa de todos, na época, com o Advance: “O futuro está em suas mãos”.

“Nada mais será como antes”

#TBTArkade: O lançamento do Game Boy Advance, na Nintendo World de abril de 2001
Capa da Nintendo World #32 destaca o Game Boy Advance

A matéria começa falando do sucesso que o Game Boy Advance já havia conquistado no Japão. Lançado três meses antes do que no ocidente, no dia 21 de março de 2001, a matéria destaca que filas quilométricas, somadas a cartuchos e consoles esgotados, cumpriram bem a meta inicial de vendas da Nintendo. Sob o slogan “é como ter um videogame na palma da mão”, as vendas no Japão serviram de termômetro para entender a reação futura do ocidente com o portátil.

A Nintendo of America colocaria, em junho, meio milhão de unidades do GBA nas prateleiras. O lançamento, seria simultâneo na Europa e no Brasil. Lembrando que, em 2001, a Gradiente ainda fabricava e vendia produtos Nintendo no país, sob autorização da Nintendo, e lançou o aparelho por aqui no ano seguinte, em 2002. O que se sabia era o preço, os jogos de estreia, e os estúdios parceiros.

O GBA chegaria aos EUA custando US$ 99,95, ou US$ 145 (R$ 591, na cotação do dia desta matéria), se considerada a inflação atual. No Brasil, o portátil custava cerca de R$ 300, e seus jogos saíam em média por R$ 130. E, entre os jogos de lançamento, teria Super Mario Advance, F-Zero: Maximum Velocity, Tony Hawk Pro Skater 2, Rayman, Army Man Advance, entre outros.

O primeiro contato dos brasileiros com o GBA

#TBTArkade: O lançamento do Game Boy Advance, na Nintendo World de abril de 2001

A redação da Nintendo World teve acesso ao Game Boy Advance no dia do lançamento japonês. A equipe, somada com alguns leitores, conheceram, em primeira mão, o aparelho, e deram a sua opinião em relação ao portátil. A primeira impressão foi quanto ao tamanho do aparelho. Que, apesar de aparentar ser menor, por sua orientação horizontal, tinha quase que o mesmo tamanho do Game Boy Color.

Os cartuchos surpreenderam. Pois tinham quase que a metade de um cartucho de Game Boy (que ficariam feiosos quando colocados no GBA, que era retrocompatível). E tais novidades em design, para a revista, teve como resultado uma nova posição para se jogar, com mais conforto. Parte disso se devia a orientação horizontal, que afastava as mãos e davam uma melhor pegada. E os botões, que ganharam um L e R, além de um novo posicionamento, davam a boa impressão de se jogar um Super Nintendo.

A própria Nintendo, sabendo disso, prepararia o console para tal impressão. Diversos títulos do Super NES foram adaptados para os portáteis, além do próprio hardware, que, para muitos, era puramente um “Super NES de bolso”. A matéria também destacou outros detalhes interessantes do portátil, como o Cabo Game Link, que ligava quatro GBAs, além de funcionar bem conectado ao Gamecube posteriormente.

Somado a isso, a revista elogiou a luz de power, que mudava de cor conforme o consumo das pilhas. Algo, de fato, muito útil em 2001. As pilhas, seguiam o padrão de economia, oferecendo 15 horas de jogatina, na sua conhecida tela sem iluminação. Em 2002, o Game Boy SP chegou com um design diferente, baterias e luz própria. E também foi destaque a retrocompatibilidade com o Game Boy. O cartucho de GB poderia ser jogado tanto na resolução padrão, ou em um formato “wide”, que encaixava tudo na tela.

Novos visuais e novos sons: valia a pena?

#TBTArkade: O lançamento do Game Boy Advance, na Nintendo World de abril de 2001

A Nintendo World não deixou de falar dos gráficos dos jogos que testou. Lembrou que o portátil tinha processador de 32 bits, e que teria mais poder, por exemplo, do que o Super Nintendo. E de fato, os games do console mostravam um comportamento superior ao 16-bits da Nintendo. Entretanto, nada de poderio gráfico como outros 32-bits, como Playstation e Saturn. O GBA rodava seus games como um Super Nintendo mais turbinado, no fim das contas.

Como exemplo, a matéria destacou Golden Sun, que chegaria ao Game Boy Advance no final de 2001. O game usou praticamente todas as 32.768 cores disponíveis do console, com direito a 500 cores simultâneas. A resolução do portátil, de 240×160 pixels, era exibida em uma LCD TFT, reflexiva, que permitia o gameplay em diversas posições, sem atrapalhar. Lembrando, novamente, que o GBA SP acabou com as questões de tela sem luz no ano seguinte.

Nas questões sonoras, o pequeno console também apresentava boas expectativas. Eram tempos nos quais o Game Boy, um console com mais de 10 anos de história, era praticamente sinônimo de console portátil. Houveram outras iniciativas, com menor alcance, como o Game Gear e o Neo Geo Pocket, mas todos com sons limitados. O GBA já permitiria, se os desenvolvedores quisesse, usar dos recursos Dolby.

Assim, Mario Advance teria “Toad soltando suas exclamações”, a trilha de F-Zero seria impecável tal como era no Super NES, e Castlevania: Circle of the Moon poderia apresentar uma trilha sonora bem interessante. Como de fato aconteceu com todos estes games, e mais alguns outros. A recomendação, no fim, era a de curtir o GBA com fones de ouvido. Recomendação esta que dura até hoje, com os portáteis que vieram a seguir, e os smartphones.

No fim, o veredito era óbvio: o Game Boy Advance valeria o investimento sim. “Afinal, não é todo dia que se pode ter um videogame mais poderoso do que o Super Nintendo no bolso”, dizia a matéria. Que ainda traria depoimentos de todos aqueles que tiveram acesso ao portátil, além de alguns games, como Super Mario Advance, F-Zero, All Japan GT, e Tweety and The Magical Jewel.

2 Respostas para “#TBTArkade: O lançamento do Game Boy Advance, na Nintendo World de abril de 2001”

  • 7 de novembro de 2019 às 23:32 -

    Helinux

  • Sou da época da Revista VideoGame, Super Game power, gamepower, supergame…teve um tempo em que ia nas bancas mesmo era para comprar aquelas revistas de PC que vinha com cd de softwares e jogos grátis…foi uma época boa. Game boy advance e outros portáteis nunca foi o meu forte, joguei mesmo no game boy, neo geo pocket e game gear, bons tempos!!!! Com o passar do tempo é que fui conhecendo jogos de GBA!!!! valeu

  • 8 de novembro de 2019 às 06:23 -

    Nicola

  • Até esses dias eu tinha as revistas Vídeo Game n°1 e n°2, com Mario 3 e Megaman 3 na capa, não sei onde foi parar.

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