Análise Arkade: domando a natureza selvagem de Far Cry Primal

5 de março de 2016
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: domando a natureza selvagem de Far Cry Primal

Pegue seu tacape, coloque a corda no seu arco e flecha e prepare-se para voltar até 10 mil anos antes de Cristo: é a nossa análise de Far Cry Primal que tarda mas não falha e já está no ar!

10.000 a.C.

Enquanto a maioria dos shooters atuais segue entregando guerras cadas vez mais futuristas — com jetpacks, exoesqueletos e drones — com ênfase no multiplayer, Far Cry Primal segue o caminho inverso, e nos coloca na pele de Takkar, um caçador da tribo Wenja que vai viver uma grande aventura de sobrevivência, companheirismo e brutalidade em uma campanha totalmente single player.

Análise Arkade: domando a natureza selvagem de Far Cry Primal

Far Cry Primal se passa no período Neolítico — também conhecido como Idade da Pedra Polida –, uma época em que nossos ancestrais ainda não cultivavam seu próprio alimento, mas já dominavam o fogo, viviam em pequenas comunidades e eram capazes de manufaturar armas e ferramentas usando couro, paus e pedras lascadas.

Durante uma caçada, Takkar é brutalmente separado de seus companheiros de tribo, e por acaso acaba encontrando Sayla, que lhe apresenta a uma grande região — Oros — onde outros Wenja vivem de forma nômade, divididos por conflitos com outros povos, que vão desde canibais selvagens até cultistas piromaníacos malucos.

Análise Arkade: domando a natureza selvagem de Far Cry Primal

Após um encontro com o xamã Tensay, Takkar acaba descobrindo um dom para domar animais selvagens, e este seu talento coloca-o na posição de “unificador” dos Wenja. Soa bem profundo, mas na prática, sua missão é basicamente chutar os traseiros dos outros povos para poder criar um vilarejo próspero e seguro para os Wenja viverem.

Welcome to the jungle

Vivemos em uma época onde tudo está ao nosso alcance o tempo todo: compramos comida no mercado, roupas no shopping, medicamentos na farmácia… e podemos até comprar tudo isso online, sem nem precisar sair de casa. Mas nos tempos de Far Cry Primal tudo era bem diferente, e você precisa aprender na marra como lidar com uma realidade onde o ser humano não está no topo da cadeia alimentar.

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O imenso mapa de Far Cry Primal está cheio de criaturas selvagens, e boa parte delas está doida para devorar você: lobos, onças, tigres-dentes-de-sabre, águias, ratéis, crocodilos… mesmo animais que não são carnívoros — como mamutes e rinocerontes — são um perigo em potencial na natureza selvagem que você irá explorar. Isso sem falar nos guerreiros de outras tribos que estão sempre zanzando pelo mapa.

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Não temos armas de fogo, mas os headshots continuam presentes.

Se o crafting (coleta de recursos) sempre teve alguma importância na série, em Far Cry Primal isso é primordial para sua sobrevivência: você deve coletar madeira, ossos e couro de animais para confeccionar suas armas (flechas, lanças, tacapes, etc.) e equipamentos (bolsas, cintos, aljavas, etc.), e ainda precisa de carne para se alimentar, ervas para criar medicamentos e gordura animal para fazer fogo.

A exploração segue o ritmo típico dos últimos jogos da série: saem as torres de comunicação entram as piras (enormes fogueiras), saem as bases e fortalezas inimigas, entram os acampamentos e vilarejos. Há até uma área ao norte do mapa onde há neve e gelo, que você deve explorar com cautela para não morrer congelado.

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O mapa está o tempo todo pipocando com missões paralelas, eventos aleatórios, locais secretos, relíquias colecionáveis, caçadas e missões principais, e tudo isso vai te manter ocupado por algumas dezenas de horas, e você nunca vai ficar “sem nada para fazer” em Oros.

Abaixo mostramos um pedacinho de uma missão de escolta, onde você precisa acompanhar alguns companheiros Wenja até um lugar seguro… mas é claro que o caminho é cheio de inimigos:

Domando as feras

Como estamos falando de Far Cry, o stealth continua sendo uma ferramenta vital para o sucesso, pois você geralmente vai estar em menor número perante seus inimigos. Felizmente você não está necessariamente sozinho: ainda que não tenha metralhadoras, granadas ou bazucas, você tem à sua disposição diversos animais que podem ser domados para lhe ajudar.

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Você aprende a domar animais em uma das primeiras missões principais do jogo, e já leva “de brinde” uma coruja que é super útil: ao chamá-la, você assume o controle da ave, podendo sobrevoar acampamentos hostis, marcar inimigos e até soltar “bombas” variadas (que você deve confeccionar, claro) ou atacar inimigos diretamente com suas garras afiadas.

Abaixo tem um pouquinho de gameplay que mistura abordagem stealth com utilização dos animais:

Já em terra suas opções de mascotes são ainda maiores: conforme sobe de nível e libera upgrades, você se torna capaz de domar algumas das mais temíveis feras da época, de lobos e onças até ursos, sem esquecer dos terríveis tigres dentes-de-sabre, que, assim como os ursos (e mamutes), podem até servir de montaria!

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Domar animais é mais fácil do que parece: você precisa basicamente atirar uma isca de carne para distrair o bicho e então, COM MUITA CALMA, se aproximar dele e manter o botão correspondente (quadrado, no PS4) por alguns segundos para ganhar a confiança dele. Se o bicho não te atacar durante o processo, tudo certo, ele vai para o seu “bestiário” e pode ser chamado sempre que você precisar de uma mãozinha.

Capturamos o momento em que domamos o temível tigre dentes-de-sabre, confere aí:

Ao contrário da coruja, você não pode controlar os outros animais (a menos que esteja usando-os como montaria, claro), mas deve cuidar da saúde deles, dando-lhes carne para restaurar a energia ou usando plantas vermelhas para ressuscitá-los caso morram. Cada fera tem seus próprios atributos (força, agilidade, etc.), e elas são extremamente úteis nos combates e invasões, mas até na simples exploração, pois um animal costuma manter predadores menores afastados.

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Ah e nunca deixe de fazer um carinho nos seus “mascotes”, afinal, eles podem ser feras sanguinárias, mas também são super fofos. :3

Vida tribal

Aqui está outro aspecto que torna este Far Cry um pouco diferente dos habituais: conforme cumpre missões e objetivos, você vai angariando novos aldeões para sua tribo, que vai se tornando cada vez maior. A maior parte destes aldeões são NPCs genéricos, mas você também pode trazer personagens importantes que irão lhe ensinar novas habilidades de combate, sobrevivência e caça, e há até mesmo os que lhe ensinam como criar armas e equipamentos melhores.

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Por exemplo: em uma das missões, você conhecerá Jayma, que é uma grande caçadora. Depois de cumprir a missão que ela lhe passa, Jayma irá viver com sua tribo, lhe passando novas missões de caça e lhe dando como recompensa novas habilidades de caça. Já o maneta Wogah é um exímio artesão, e depois que ele se junta à sua tribo, passa a oferecer equipamentos muito úteis como recompensa pelas missões cumpridas.

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Personagens como a caçadora Jayma

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Ensinam Takkar a criar armas e equipamentos…

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E ainda lhe concedem habilidades de acordo com suas especialidades.

O lado bom é que sua tribo é totalmente autossuficiente: você até precisa cumprir missões para várias pessoas, mas não precisa ficar catando comida ou suprimentos para todos. Muito pelo contrário aliás, sempre que nasce um novo dia você pode retirar suprimentos do “estoque” do povoado para utilizar como achar melhor.

Audiovisual

Far Cry Primal se mantém confortável rodando na engine Dunia 2, que é a mesma de Far Cry 4 e, por ser uma adaptação da poderosa CryEngine, entrega ótimo visual, personagens bem modelados e um mundo orgânico e detalhado, com vegetação bastante convincente e belíssimos efeitos de iluminação.

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O fato da Ubisoft ter supostamente “reaproveitado” o mapa de Far Cry 4 em Primal andou gerando polêmica na internet, mas isso é puro mimimi: ok, a planta bidimensional do mapa pode ser a mesma, mas ao explorarmos o mundo 3D do game a coisa é completamente diferente, pois existem camadas e mais camadas de cavernas, montanhas, penhascos, florestas, cachoeiras, pântanos e grutas que transformam “o mesmo” mapa em uma experiência completamente nova.

E, claro, um Far Cry não seria um Far Cry sem uma dose de misticismo e psicodelia, e temos um bocado disso aqui, seja quando aprendemos a domar animais e vemos todos em destaque pela mata:

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Seja na hora de aprender novas habilidades através de missões bem loucas onde você deve, por exemplo, “destruir a lua” (com um arco e flecha):

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Sempre cuidadosa aos detalhes, a Ubisoft buscou a ajuda de um grupo de antropólogos e linguistas para reconstruir a idade da pedra com a maior riqueza de detalhes possível. Os diferentes dialetos tribais são fictícios, mas foram criados com base na língua protoindo-europeia, a “língua mãe” de vários idiomas ocidentais que existem até hoje.

Aliás, por ter estes dialetos específicos das tribos, o game não está dublado em português, mas conta com meus e legendas totalmente em nosso idioma.

Conclusão

Em muitos aspectos, Far Cry Primal segue “a cartilha” dos últimos jogos da série: temos mundo aberto, caça e coleta de recursos, stealth de qualidade e um mapa cheio de segredos, mas aqui tudo é mais cru, mais visceral e muito mais voltado ao crafting e à sobrevivência. Essa mistura funciona muito bem e (na minha opinião) consegue ser muito mais denso e atmosférico do que os excelentes games anteriores da saga.

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Porém, ainda que o game ofereça muitas horas de diversão, acho que seu maior mérito é mostrar que a Ubisoft é uma empresa bem corajosa, por sair da zona de conforto e fazer esse tipo de “experimento” com uma franquia que já está muito bem consolidada. E olha que não é a primeira vez que ela pira e transforma Far Cry em algo bem diferente. Agora só falta coragem de trazer o Prince of Persia de volta…

Far Cry Primal é familiar, mas ao mesmo tempo diferente. É um jogo violento, intenso, envolvente e, principalmente, muito divertido. A idade da pedra é uma época pouquíssimo explorada no mundo dos games, e este é sem dúvida um game que retrata esta fase com muito cuidado e competência.

Far Cry Primal chegou ao Playstation 4 e ao Xbox One em 23 de fevereiro. No dia 1º de março, o game chegou aos PCs.

Uma resposta para “Análise Arkade: domando a natureza selvagem de Far Cry Primal”

  • 7 de março de 2016 às 09:43 -

    Glauco Lima

  • Otima analise. Bem explicativa e detalhadaEu estava com um pouco de medo desse jogo (a proposta dele me parece um pouco absurda ate demais), mas este eh mais um review positivo que mostra que ele sem duvida tem boas qualidadesComprarei ainda esta semana. Valeu arkade!

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