Análise Arkade: Life is Strange: Before the Storm é uma prequel primorosa que foca no drama

23 de dezembro de 2017
Autor: Fernando Floriano

Análise Arkade: Life is Strange: Before the Storm é uma prequel primorosa que foca no drama

A primeira temporada de Life is Strange, desenvolvido pela empresa francesa Dontnod Entertainment, foca em Max Caulfield tentando compreender seu poder recém-adquirido de voltar no tempo, enquanto redescobre sua amizade com Chloe Price quando retorna a Arcadia Bay.

A prequel intitulada Before the Storm foi desenvolvida pela Deck Nine, antigo estúdio Idols Minds que nessa nova fase busca projetos com base na narrativa, já que a Dontnod está focada em fazer a sequência de Life is Strange. Mas será que a Deck Nine conseguiu manter a essência do aclamado Life is Strange nessa prequel sem Max e os elementos sobrenaturais?

Antes da tempestade  

Nos três episódios de Before the Storm, acompanhamos a rotina conturbada de Chloe tentando encontrar significado para sua vida após perder seu pai em um acidente de carro. Como não existem elementos sobrenaturais, o foco essencialmente é no drama e a narrativa consegue passar bem esse sentimento de tristeza, resignação e revolta.  A história tem um bom desenvolvimento em seus atos e se torna extremamente imersiva principalmente porque Chloe é uma personagem tridimensional, que possui várias camadas e com a qual é fácil se identificar por suas virtudes e falhas.

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No conhecido cenário de Blackwall Academy temos que lidar com bullies, funcionários com uma pré-disposição a julgá-la, colegas esnobes, alguns simpáticos, enfim, o clássico cenário de uma escola americana com adolescentes. Em sua casa o clima é mais pesado porque enquanto sua mãe, Joyce, tenta ser compreensiva e de certa forma entender sua irresponsabilidade, seu padrasto David tenta impor disciplina baseada em preceitos militares… algo que obviamente Chloe não assimila bem devido a sua rebeldia.

Um ponto que é interessante abordar é que todas as escolhas possíveis oferecidas pela Deck Nine em termos narrativos são pesadas, então, é muito fácil entender a Chloe e desculpá-la por suas ações, mas em contrapartida também é fácil achar ela uma típica adolescente irresponsável, imatura e egoísta. Em todas as opções de diálogo, Chloe é ríspida e agressiva e isso limita um pouco nossas escolhas e torna a experiência mais linear.

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De qualquer forma, sem a possibilidade de voltar no tempo temos que pensar melhor em nossas respostas, o que na verdade é uma subtração de elemento, que por sua vez, gera um novo elemento para quem jogou Life is Strange: agora, toda decisão é definitiva.

Gameplay

Before the Storm continua sendo um clássico point n’ click baseado na exploração dos cenários. Encontramos alguns elementos em pequenos mapas que são uma espécie de arena com os quais podemos resolver puzzles e avançar na história. Nada complexo, no fim acaba sendo apenas um leva e traz de itens. Há apenas uma mecânica realmente nova em termos de jogabilidade que consiste em escolher entre opções de diálogos, normalmente com tons persuasivos, para atingir algum objetivo específico.

Por exemplo: logo no começo do episódio um, “Awake”, Chloe quer entrar em um show de rock em uma espécie de fábrica abandonada e o segurança não deixa. A partir daí podemos iniciar uma disputa de diálogos a fim de liberar nossa entrada. Há opções de ser agressiva, moderada, irônica, enfim, podemos abordar várias estratégias para conseguir o que queremos.

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Em termos de história há algumas subversões interessantes, especialmente na forma como a protagonista de Life Is Strange, Max, é abordada. Em todos os momentos Chloe lembra de Max com um tom de carinho, mas ao mesmo tempo com muita decepção, porque é dito que Max depois que saiu de Arcadia Bay praticamente a excluiu de sua vida e não retornou suas ligações e cartas.

Então, Before the Storm de certa forma desconstrói um personagem importante da franquia e essa indiferença por parte da Max nos atinge em cheio. E a maioria dessas informações pode ser vista através das cartas escritas por Chloe para Max, que ela mesma diz que desistiu de mandar por não obter resposta e continua escrevendo como se fosse um desabafo, algo como um diário.

Uma nova amizade

Em contrapartida, finalmente conhecemos Rachel Amber, muito citada no jogo principal — e que passa toda a primeira temporada desaparecida. E ela é uma personagem absurdamente encantadora, é uma pena saber qual será o desfecho de sua história.

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Rachel é o contraponto de Chloe em praticamente todos os sentidos: é disciplinada, família respeitada e com uma estabilidade financeira interessante, faz parte do grupo de teatro da escola, é popular e ainda assim acessível, enfim, é uma garota com perspectivas incríveis. Obviamente, Rachel tem seus problemas que são explorados durante o game, mas a junção dessas duas pessoas com realidades tão diferentes dá uma dinâmica muito interessante para a história.

E apesar de todas essas qualidades aparentes de Rachel, ela também é intempestiva e imprevisível, fato que surpreende muito a Chloe, mas que também dá outra camada a essa personagem. É a garota modelo na visão da maioria das pessoas e ela toma para si esse papel, mas em seu âmago ela só quer sumir e deixar tudo para trás. É uma personagem deveras incrível.

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Em termos de dublagem o fato de Ashly Burch, voz de Chloe em Life is Strange, não ter participado de Before the Storm não teve nenhum impacto negativo, pois Rhianna DeVrie fez um excelente trabalho no papel da adolescente problemática. Kylie Brown deu voz a Rachel e seu trabalho também é ótimo, especialmente porque sua personagem tem muitas nuances durante os episódios, o que requer uma certa expressividade na interpretação.

Em um vindouro episódio especial, Ashly Burch vai reassumir seu papel como Chloe ao lado de Hannah Telle que também voltará a emprestar sua voz a Max. A trilha sonora não tem músicas tão marcantes quanto o jogo original, mas ainda assim são excelentes. Em Life is Strange, a música acentuava certas situações normalmente catárticas, já em Before the Storm a música está mais ajustada à narrativa, e possui o mesmo poder só que de formas diferentes.

Conclusão

Para concluir, Life is Strange: Before the Storm é um jogo digno da qualidade de seu antecessor e até o supera em alguns quesitos, especialmente no drama e na empatia criada com os personagens. Mecanicamente a disputa de diálogos parece meramente estética, mas é uma adição válida. E a Deck Nine merece créditos porque teve que subverter o principal conceito de Life is Strange, a viagem no tempo, e mesmo sem esse elemento conseguiu segurar o enredo com tantas outras coisas positivas.

Os três episódios de Life is Strange: Before the Storm estão disponíveis para PC, PS4 e Xbox One. O jogo possui legendas em português.

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