Análise Arkade: RIVE é um ode aos jogos (e à dificuldade hardcore) de antigamente

21 de setembro de 2016
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: RIVE é um ode aos jogos (e à dificuldade hardcore) de antigamente

Se você está com saudades de jogos frenéticos e difíceis como nos anos 90, seus problemas acabaram: Rive é tudo isso e muito mais, e vai desafiar suas habilidades e sua sanidade! Confira nossa análise!

O último jogo da Two Tribes

Pois é, não estou brincando. Rive é o último jogo que a Two Tribes — produtora responsável por Toki Tori, Edge e jogos derivados de filmes como Garfield e A Era do Gelo — lançou. Sem fazer alvoroço nem drama, eles simplesmente decidiram que não vão criar mais nenhum jogo depois deste, mas vão continuar dando suporte aos jogos já lançados. Há um post no site oficial explicando melhor a coisa toda.

Pois bem, se é para encerrar a carreira, que seja de forma explosiva, certo? E Rive é meio que isso: uma frenética sucessão de tiroteios, explosões e plataformas que ocorre em ritmo acelerado, com pouco tempo para respirar entre um tiroteio, um salto e uma explosão.

Análise Arkade: RIVE é um ode aos jogos (e à dificuldade hardcore) de antigamente

Na trama, você assume o papel de um scavenger espacial que é atraído para dentro de uma colossal e misteriosa nave. A bordo de seu tanque/nave (que mais parece uma aranha metálica), você precisa dar um jeito de cair fora dali, pois a monstruosa espaçonave é comandada por uma inteligência artificial de temperamento explosivo, que vai lançar mão de todos os seus recursos para não te deixar ir embora.

A história não é nada de mais, mas ganha pontos por ser bem humorada e contar com diversas piadas metalinguísticas e referências: de Doom à jogos free-to-play com microtransações, Metal Slug, e até mesmo Tetris, Rive oferece uma tonelada de referências para Capitão América nenhum botar defeito!

Atirando e hackeando

Em se tratando de gameplay, Rive é praticamente um twin stick shooters: você controla seu tanque-aranha com o analógico esquerdo, e pode rotacionar seu canhão  em 360º usando a outra alavanca (como nos veículos de Metal Slug). Basicamente, atire em tudo o que se mover, pois eles certamente irão atirar em você!

Análise Arkade: RIVE é um ode aos jogos (e à dificuldade hardcore) de antigamente

Conforme junta porcas e parafusos (que são a moeda corrente do game), você pode dar aquela turbinada no seu tanque-aranha, equipando-o com mísseis teleguiados, um “tiro de escopeta”, bombinhas que quicam pelas paredes, bem como melhorias para sua lataria e um imã para atrair o loot derrubado por inimigos mortos.

Além de tudo isso, seu tanque-aranha também possui um feixe de laser capaz de hackear outros robôs e dispositivos. Isso é útil não apenas para abrir passagens e acionar mecanismos, mas também para “recrutar” turrets móveis, sentinelas e até “robôs-enfermeiros”, que irão jogar no seu time e te ajudar a destruir os inimigos. E acredite, neste jogo toda ajuda é bem-vinda!

Análise Arkade: RIVE é um ode aos jogos (e à dificuldade hardcore) de antigamente

Os dez minutos iniciais da campanha dão uma ideia geral do que você pode esperar do game. Assiste aí:

Dificuldade hardcore

Há quem diga que os jogos estão ficando muito fáceis hoje em dia, que a “geração Merthiolate que não arde” é mole demais, que sente saudades de jogos como Battletoads ou Contra, e tudo mais. Se você faz parte destes saudosistas pela dificuldade, Rive foi feito para você.

Sem exagero: este é um dos jogos mais difíceis que joguei nos últimos tempos. E o fato dele ser o tempo todo acelerado exige reflexos absurdamente rápidos, pois o que temos aqui não é apenas um shooter, ele também é um jogo de plataforma, no qual pisos eletrificados, lasers, abismos, trens desgovernados e poços de lava irão explodir seu tanque sem dó.

Análise Arkade: RIVE é um ode aos jogos (e à dificuldade hardcore) de antigamente

Como se isso não fosse o bastante, claro que há chefes gigantes no jogo, e eles são bem apelões. Deixo abaixo, o vídeo de minha batalha contra o segundo chefe. Até perdi as contas de quantas vezes morri, mas o tamanho do vídeo (20 minutos) já dá uma pista:

Se fosse para comparar Rive com algo, eu diria que ele é uma mistura de Contra com Metal Slug e Super Meat Boy: não basta sair atirando e explodindo tudo, você também precisará ser extremamente rápido se não quiser ser morto por alguma das (inúmeras) armadilhas que estão espalhadas pelo cenário. Em alguns momentos, Rive faz a fase da motinho de Battletoads parecer um passeio no parque.

Esse desafio todo pode acabar tornando o jogo meio frustrante. Só há um nível de dificuldade (difícil, claro), mas se você ficar muito tempo enroscado em alguma parte, o jogo sugere que você mude para o Soft Mode, que pega (um pouco) mais leve na dificuldade e deixa um ursinho no canto da tela o tempo todo, só para te lembrar que você amarelou.

Para piorar, usar o modo Ursinho (como foi informalmente apelidado por aqui) corta seu placar pela metade, e o bichinho ainda fica visível nas leaderboards, para todos os seus amigos saberem que você arregou…como eu arreguei nessa parte da lava, que estava muito acima das minhas capacidades:

Repare que isso tudo é com o Ursinho no canto da tela, ou seja, isso aí é a “versão fácil” do jogo! Imagine como não estava essa parte na dificuldade padrão!

A configuração de botões dificulta ainda mais

Se há um problema muito sério em Rive, é sua configuração de botões bizarra (e não ajustável). Pense em um controle de Playstation. Agora responda rápido: qual é o botão de pulo? Geralmente é o X, certo? Pois é, em 99% dos jogos, sim. Mas não em Rive.

Por alguma razão bizarra, os produtores acharam que era uma boa colocar o pulo no gatilho esquerdo (L2). E isso é horrível! E você não pode mudar a configuração, o que é ainda pior! Em um jogo que demanda tamanha precisão e velocidade, pulos (e pulos duplos) no L2 simplesmente não é uma boa ideia, e deixa tudo ainda mais difícil, simplesmente porque o X é um botão melhor localizado e mais propício para o ato de pular… não por acaso, ele vem sendo utilizado para isso na esmagadora maioria dos jogos desde o Playstation 1.

Análise Arkade: RIVE é um ode aos jogos (e à dificuldade hardcore) de antigamente

E sabe o que é pior? Os botões principais do controle (X, quadrado, triângulo e círculo) servem apenas para alternar entre suas armas especiais, e mais nada! Custava colocar as armas no direcional digital (como vários jogos já fazem) e manter o X para pular, conforme as últimas 2 décadas nos fizeram crer que é o ideal? O indicador e o gatilho esquerdo definitivamente não estão acostumados a tanta cobrança, e você certamente vai ficar com dor no dedo depois de alguns trechos mais frenéticos!

Audiovisual e referências

Mesmo com todas as explosões e tiroteios frenéticos que enchem a tela, Rive sem dúvida é um jogo muito bonito. Seu visual é 2D, mas possui ótimos efeitos de iluminação, e os cenários ganham profundidade graças aios ótimos efeitos de “sobreposição” de elementos (o chamado efeito parallax), tipo esse da imagem aí de baixo:

Análise Arkade: RIVE é um ode aos jogos (e à dificuldade hardcore) de antigamente

O áudio traz ótimas dublagens em inglês — com destaque para Mark Dodson no papel principal –, músicas bacanas e alguns dos diálogos mais divertidos que pintaram nos últimos tempos. Como eu já disse lá em cima, este é um jogo que não se leva muito a sério, e abusa das referências para fazer humor de forma muito competente.

Temos desde referências à série Mortal Kombat:

Análise Arkade: RIVE é um ode aos jogos (e à dificuldade hardcore) de antigamente

Até um trecho inspirado em Tetris, olha só:

Por você ficar quase o tempo todo dentro da nave — e voltando à sala de teletransporte — os cenários não são lá muito variados, mas invariavelmente te surpreendem, pois há momentos que você sai da nave e pode contemplar o espaço, ou mesmo áreas onde inundações, desmoronamentos e rios de lava alteram drasticamente o ambiente.

Análise Arkade: RIVE é um ode aos jogos (e à dificuldade hardcore) de antigamente

Ainda que não seja super colorido, tudo parece saído direto de uma arte conceitual, o que é bem legal. Em suma, o jogo é bem aprazível, roda em 60fps e não engasga nem mesmo quando há incontáveis inimigos, tiros e explosões pipocando pela tela. A Two Tribes realmente caprichou nos aspectos técnicos de seu último game!

Conclusão

Rive é o jogo ideal para quem é realmente old school e busca um jogo que misture tudo o que havia de bom nos games de antigamente: carisma, dificuldade e um gameplay afiado e responsivo. A configuração dos botões sem dúvida incomoda um bocado, mas isso não tira o brilho deste que é sem duvida um dos melhores shmups que tive o prazer de jogar nos últimos tempos.

Análise Arkade: RIVE é um ode aos jogos (e à dificuldade hardcore) de antigamente

Rive é aquele tipo de jogo que vai te fazer sentir raiva, praguejar alto e ter vontade de tacar o controle na parede. Mas também é um jogo que vai te fazer dar risada, sentir nostalgia e — principalmente — te deixar com aquela sensação gostosa de “eu consegui!” que só bons games (difíceis) conseguem nos proporcionar.

Rive foi lançado no dia 13 de setembro, com versões para PC e Playstation 4. No futuro, o game deve chegar também ao WiiU e ao Xbox One.

Deixar um comentário (ver regras)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *