Hatred vs. Steam Greenlight: Entenda a confusão entre a Valve e Destructive Creations

17 de dezembro de 2014
Autor: Henrique Gonçalves

Hatred vs. Steam Greenlight: Entenda a confusão entre a Valve e Destructive Creations

O polêmico jogo Hatred vira notícia outra vez após a sua tentativa de entrar no programa de votos da Valve, o Steam Greenlight. Vamos tentar explicar a confusão entre a Destructive Creations e a Valve logo após a sequência.

Há pouco tempo atrás vimos quando a Destructive Creations lançou o trailer de seu jogo, o Hatred. O jogo em questão dividiu o público entre gamers que se sentiram mal pelo exagero de sanguinolência e violência explícita, e outros que aceitaram o conceito do jogo de braços abertos e estão esperando ansiosamente o seu lançamento.

O trailer mostra um protagonista falando sobre o seu fim e como ele quer terminar com sua vida matando todas as pessoas que estiverem em sua frente. A polêmica acabou se formando pelo fato de nós controlarmos um sociopata que mata inocentes sem remorso ou motivo, algo que nunca foi possível fazer em um jogo.

E mesmo com uma chuva de comentários negativos quanto ao jogo e sua mecânica, teve gente que criou interesse no jogo, pelo menos esperando pra ver ele em ação antes de criticá-lo negativamente. Até já explicamos que boa parte do problema se encontra na forma em que eles irão apresentar este antagonista, e também o fato de que este jogo pode até trazer certos temas que são extremamente complicados (ou evitados) de discutir, como a causa real de diversos casos de massacres, como o de Columbine e o de Realengo.

Independente dos comentários, os desenvolvedores da Destructive Creations incluíram Hatred no programa Steam Greenlight e iniciaram uma campanha normalmente como qualquer jogo que passa pelo processo: fazendo com que os interessados votem no título, podendo ter a chance de ser aceito na loja da Valve. Porém, a Valve rapidamente tirou o jogo do ar no Greenlight e o Diretor de Marketing, Doug Lombardi, afirmou que a empresa não iria publicar Hatred no Steam e por isso seria removido inteiramente.

Em resposta, Destructive Creations publicou a seguinte declaração em seu site:

Queridos fãs de Hatred

Como você sabe hoje lançamos a nossa campanha do Steam Greenlight para Hatred. Infelizmente a Steam o removeu após algumas horas dando a seguinte razão por trás de sua decisão:

“Nós queremos que vocês saibam que baseado no que vimos no Greenlight nós não iremos publicar Hatred no Steam. E por isso ele será removido.”

E mesmo que jogos como Manhunt e Postal continuam disponíveis no Steam nós completamente respeitamos a decisão da Valve, sendo que eles tem o direito de fazer isto. Ao mesmo tempo nós queremos te assegurar que isto não irá impactar o desenvolvimento do jogo, a visão do jogo ou as funcionalidade na jogabilidade que estamos seguindo. O jogo ainda será lançado no segundo bimestre de 2015 como planejado.

Além disso nós não tratamos isto como uma falha porque mais uma vez isto nos mostra como temos um suporte da comunidade em que estamos apoiados. Após duas horas da campanha no Greenlight, Hatred adquiriu 13,148 votos e ficou em #7 na lista do Top 100. Está é a maior prova para nós que existem fãs persistentes de Hatred que estão esperando o jogo ser lançado. E que nós precisamos continuar para entregar a eles um jogo que ofereça uma jogabilidade excitante e desafiadora.

A situação toda somente nós empurra para frente contra qualquer tipo de diversidade e para não desistir. E isto também nos deixa com a vontade de fornecer a pré-venda aos fãs de Hatred, como muitos de vocês já pediram por elas.

A equipe Destructive Creations

Pelos números mencionados na declaração, existem pessoas que estão no minimo curiosas e querem ver Hatred no Steam mesmo com as críticas negativas. Mas a Valve está correta em cancelar a campanha baseada apenas em dois vídeos, apesar do próprio Steam ter jogos similares?

Um tiro no pé que pode acontecer com quem obtém fama pela polêmica negativa é o risco de rejeição, mesmo quando até agora não temos quase nada do jogo a não ser o seu único trailer e um pequeno teaser para o Steam Greenlight. Mas os desenvolvedores da Destructive Creations não parecem muito preocupados com isso, afinal, o jogo está ganhando repercussão, atenção da mídia e virando um interessante tema de debate pelo seu conteúdo pesado.

Hatred vs. Steam Greenlight: Entenda a confusão entre a Valve e Destructive Creations

Por isso que a Valve não se viu com muitas escolhas além do cancelamento porque a má fama por algo que não foi ela quem fez pode trazer sérios danos, restando a desenvolvedora correr atrás de outras opções de lojas virtuais que estejam dispostas a vender este polêmico jogo. Mas é bom ver que Destructive Creations continua convicta em seu projeto mesmo após este imenso potencial golpe financeiro.

Hatred ainda é um jogo difícil de defender ou entender. A maioria das pessoas não se sentem bem com um jogo que proporciona tanta sanguinolência e brutalidade, especialmente quando ela não é justificada, vide os próprios jogos mencionados pelos desenvolvedores (Manhunt e Postal) que causam este mal estar. Mas a remoção do jogo funciona como uma faca de dois gumes, sendo uma consequência direto da própria infâmia daquele jogo na visão das pessoas que simplesmente não aceitam e se sentem horrorizadas pelo fato de existir um “simulador de matar inocentes”, mas ao mesmo tempo validando este mesmo sentimento infundado das pessoas e no fim somente colocando mais lenha nesta fogueira que está pegando fogo já faz um tempo.

Lembrando que o ato da Valve não é considerado como censura, já que ela não está impedindo o jogo de existir, ela apenas não o aceitou em sua loja, deixando os desenvolvedores procurarem outras formas de vender o produto, seja por outras lojas virtuais ou até pelo seu próprio site, tendo a Valve o todo o direito de fazer isto. E também não pode ser tratado como boicote, pois o jogo não foi retirado da Steam enquanto estava sendo vendido, ele foi rejeitado na campanha de aceitação.

Hatred vs. Steam Greenlight: Entenda a confusão entre a Valve e Destructive Creations

Mas também podemos questionar como a Valve deixa jogos que são extremamente sangrentos em sua loja, como os já mencionados Manhunt e Postal, além daqueles de qualidade extremamente baixa e que continuam sendo aceitos via Greenlight. É questionável como a Valve nega a entrada de um jogo e disponibiliza a entrada de outros que não deveriam nem fazer parte da loja em base do parâmetro que a empresa acha correto.

Só que a bagunça não acaba aí! Após tudo isso a Valve decidiu voltar atrás e colocou Hatred de volta no Steam Greenlight. Agora com a página aberta novamente, os tópicos de discussões sobre o jogo voltaram a funcionar, com questões úteis perguntando sobre o desenvolvimento e melhoras, e algumas outras seguindo um caminho mais… diferente, com tópicos do calibre de uma petição para o protagonista utilizar um fedora, uma opção que o faça ser do Oriente Médio ou uma “simples pergunta” sobre a possibilidade de matar crianças no jogo.

Hatred pode ser votado mais uma vez pelos interessados, significando que a Valve decidiu ver Hatred ao vivo e em vermelho, preto e branco. Logo após o anúncio, a Destructive Creations publicou a imagem de um email enviado por Gabe Newell para um de seus desenvolvedores em sua página do Facebook com a seguinte mensagem:

Oi, Jaroslaw.

Ontem eu ouvi que eles estavam tirando a campanha de Hatred no Greenlight do ar. Como eu não estava a par de tudo, eu perguntei internamente para descobrir o motivo que fizemos isso. E pelo visto não foi uma boa decisão e vamos colocar Hatred de volta ao ar. Minhas desculpas para você e seu time. A Steam existe para criar ferramentas para criadores de conteúdo e consumidores.

Boa sorte com o seu jogo.

Gabe.

Hatred vs. Steam Greenlight: Entenda a confusão entre a Valve e Destructive Creations

Toda está confusão denuncia uma divisão entre os que já são fãs que apoiam Hatred e os que repudiam qualquer coisa relacionada a ele. Além disso, ainda temos a mídia especializada tentando encontrar algum sentido na situação e a própria empresa responsável pela loja virtual se sentindo mais perdida do que todos os outros envolvidos.

E como esta discussão tem ambos lados apresentando argumentos plausíveis, qual é a sua posição? A Valve deveria ter removido Hatred de uma vez por todas ou este ambicioso projeto da Destructive Creations continua merecendo uma chance de ser vendido no Steam? É hora de discutir!

(Via: Polygon, Kotaku)

9 Respostas para “Hatred vs. Steam Greenlight: Entenda a confusão entre a Valve e Destructive Creations”

  • 17 de dezembro de 2014 às 16:23 -

    Leandro

  • Gabe >>>>>>>>>>>>>> ALL

  • 17 de dezembro de 2014 às 19:04 -

    Gradash

  • Se um jogo como GTA, God of War, Gears of Wars e muitos outros que são pura violencia podem ser vendidos, este também pode. Simples assim, sou contra toda e qualquer violencia em games, prefiro jogos mais táticos e com menor violencia possível como RPGs, porém censura é algo que acho ainda pior. E foi censura SIM!

    • 17 de dezembro de 2014 às 19:56 -

      Henrique Gonçalves

    • Eu concordo contigo nesse ponto que estamos vangloriando jogos violentos a décadas, ainda mais porque a única diferença entre Hatred e todos estes que você mencionou é a fina camada de justificativa que os desenvolvedores colocam na história para fingir que é normal matar milhares de pessoas. Mas eu discordo com o uso da palavra censura, porque a Valve realmente não tirou o direito dos desenvolvedores de fazer o jogo e a empresa tem o direito de vetar quem ela quiser e da mesma forma o estúdio pode vender o jogo em em outras lojas virtuais. Porque no final a Valve realmente administra uma loja e quem tem a palavra final é o dono daquele recinto, mesmo sendo um recinto virtual.

      Mas assim mesmo eu ainda acho errado da Valve impedir o jogo em sua loja exatamente pelo que estamos falando desde a época que ele apareceu no site. Pelo menos podemos ficar felizes que o jogo finalmente vai sair no Steam hahahaha.

      • 18 de dezembro de 2014 às 05:55 -

        Babiro

      • Na minha opinião vocês estão errados pelo fato de comparar violência com “sociopatismo”. Pra mim, o motivo pelo qual repudiam o game, é simplesmente pelo fato de que o game INDICA que o antagonista é um sociopata que mata por prazer. Não estou dizendo que essa é a premissa do game, mas com tão poucos detalhes é o que aparenta. Sou contra a remoção do game, e contra esse repúdio antecipado ao lançamento do game, mas respeito os dois lados da moeda, os que repudiam e os que aguardam o game. Comparar Gears com esse game não tem nada a ver pois Gears além de ser uma guerra, é contra alienígenas até onde eu sei. No God, matam-se sim inocente pela loucura do Kratos, mas a maioria dos inimigos não são humanos e querem matar Kratos também, portanto não chega a ser comparável ao Hatred, na minha opinião, pelo que citei no começo do comentário, seria confundir sociopatismo com violência. Quanto ao GTA o game não incita a matar inocentes, acho que as únicas pessoas que eu matei que eram em parte inocentes são os policiais que eram meus inimigos, não digo que isso é certo, mas não vou entrar nesse mérito, é fato de que no jogo você não tem a escolha de qual vida quer levar, já sendo imposto na vida bandida. Sendo assim policiais querem te matar e você a eles, novamente seria confundir as coisas. Pra finalizar, eu sou totalmente a favor de que o jogo seja mantido no Greelight, e que seja vendido e analisado, pra sabermos exatamente do que se trata e aí sim, julgar o game quanto aos seus méritos, se é ou não um game que obriga o jogador ao sociopatismo, ou não, lembrando que simplesmente jogar uma justificativa não torna algo plausível, pra mim tem que ter todo um contexto pra violência, como nos games citados, quanto para o suposto sociopatismo, como existe em manhunt mesmo que não seja dos melhores.

      • 18 de dezembro de 2014 às 10:29 -

        lucas_fiorentino

      • O problema é que se você der uma olhada, tem uns jogos muito questionáveis na Steam já, não sei porque deveriam tirar esse, já que seria meio contraditório, comparando com coisas que já são vendidas. Quanto a violência, é implícita ao ser humano, se você dá um GTA para alguém e ela começa a matar inocentes por conta própria, como eu posso acusar a empresa que fez esse game? 

      • 18 de dezembro de 2014 às 10:40 -

        Henrique Gonçalves

      • Exatamente Babiro, no começo do texto eu cheguei a mencionar que Hatred ganha todo esse ódio porque ele tá sendo o primeiro a colocar um antagonista sociopata e que é “algo que nunca foi possível fazer em um jogo”. E acredito que o mais perto que chegamos até hoje foi a missão No Russian de COD MW2 que nós matamos inocentes de uma forma deliberada, e mesmo assim lá teve um motivo por trás de tudo.

        Mas ainda acho que os outros jogos que utilizam violência como ferramenta não são isentos de culpa. Sim, a diferença entre Bioshock Infinite, Hotline Miami e até God of War é que todos eles tem um motivo por trás daquela matança enquanto Hatred até agora não mostrou uma razão de verdade, porém a linha de justificativa destes jogos é tão fina que ao meu ver impedir que Hatred seja vendido enquanto todos estes outros são aclamados é algo que quase se aproxima a hipocrisia (Quase se aproxima, não inteiramente).

        E eu não vejo problema nestes jogos violentos, tanto que até falei um tempo atrás por aqui sobre o quão importante a violência pode ser para um jogo (http://www.arkade.com.br/voice-chat-arkade-violencia-pode-atrapalhar-significado-artistico/).

  • 17 de dezembro de 2014 às 19:19 -

    Kubrick Stare Nun

  • Bom saber que não vai ser dessa vez que eu vou ter que dar um boicote na Steam kkkkkkEnfim, a Steam publica jogos questionáveis de todos os tipos do mundo, praticamente não tem padrões. Ainda deixando a violência de lado você ainda tem jogos totalmente bugados que não funcionam, jogos antigos que não foram atualizados para funcionar em Windows 7 e 8, jogos que parecem que foram feitos em 30 minutos usando o flash e o ms paint, jogos com jogabilidade horrível que receberam nota inferior a 10 no metacritic, jogos que fazem propaganda enganosa na pagina da descrição e ainda tem aquelas bostas de visual novels cheias de sensualização infantil, etc… Barrar o Hatred seria hipocrisia demais.

  • 18 de dezembro de 2014 às 09:55 -

    mariogomes

  • Primeiro que o jogo tem classificação e restrição de idade. E para acessar a página do jogo, quando o jogo for lançado no steam, tem que confirmar ter mais de 18 anos. E ninguém é obrigado a jogá-lo. Quem gostar joga, quem não é só não jogar, simples assim. Tem público para todo tipo de jogo.Livre arbítrio. eles são livres para criar o jogo que bem entender. E nem sabemos direito da história do game, tenho certeza que vai haver um motivo, nem que seja o mais besta possível como, “mataram o meu gatinho freddy e agora vou matar todo mundo”, mas não deixa de ser um motivo. Eu particularmente não tenho nada contra violência em jogos. Jogos muitas vezes são reflexos da sociedade, e ingênuo é aquele que não enxerga que infelizmente o mundo é violento, e não é pouco não. Enfim, aguardo para joga-lo :D

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