RetroArkade: Quando um jogo que parece de luta acaba em dança em Bust a Groove

13 de dezembro de 2015
Autor: Junior Candido

RetroArkade: Quando um jogo que parece de luta acaba em dança em Bust a Groove

Dois personagens lado a lado em um cenário de jogos de luta, com barra de especial e combo, porém que ao invés de luta usa passos de dança e muita música. Hoje é dia de relembrar o divertido Bust a Groove.

Há quem diga que a era 32-bit, apesar de celeiro de clássicos inesquecíveis, também era um depósito de jogos inexpressivos, feios e toscos, graças a facilidade de programação de games, principalmente no caso do Playstation original. E já vivíamos uma era em que as ideias começavam a ficar mais escassas, já que os estilos de jogos estavam praticamente definidos e as produtoras preferiam seguir os trilhos da segurança do que investir em algo novo.

Porém a Enix, observando a crescente onda de sucesso com os games musicais, que na época respondiam por Dance Dance Revolution, da Konami (o do tapete e daqueles arcades com meninas de cabelos coloridos dançando, lembra?) e seus imitadores, decidiu trazer sua própria proposta para um jogo de dança, misturando elementos de jogos de luta e usando o ritmo para se conseguir as progressões no game.

Round 1… dance!

RetroArkade: Quando um jogo que parece de luta acaba em dança em Bust a Groove

O game, que se chama Bust a Move no Japão, mas teve que mudar de nome em seu lançamento ocidental por causa do puzzle de bolhas da Taito, que se chama Bust-A-Move também, foi lançado em 1998 com o nome de Bust A Groove.

O game observou bem os elementos que fizeram Parappa the Rapper, lançado um ano antes também para o Playstation, como o gameplay baseado em apertar os botões no ritmo correto da música, porém sem a necessidade de se usar aparelhos especiais, como os tapetes de dança da época. No lugar, existia um gameplay aonde combos eram criados usando o direcional mais algum botão do controle.

E a Enix somou a este gameplay elementos clássicos dos jogos de luta, como personagens carismáticos que “lutam entre si” em um torneio, cenários e música exclusivos para cada dançarino, chefes durante e ao final do jogo, personagens secretos e os famosos combos, além da “caminhada” que envolve derrotar um número de adversários (no caso, todos) para encontrar o chefão.

RetroArkade: Quando um jogo que parece de luta acaba em dança em Bust a Groove

A partida começava ao escolher o seu personagem em um menu de seleção e após o loading, a música começava. O objetivo era acertar os comandos exibidos na tela e acumular combos para dançar melhor que seu adversário. Existiam variações simples e difíceis dos passos e era necessário encaixar uma sequência completa, independente da dificuldade para somar pontos. Os pontos eram invisíveis, mas era possível saber que estava ganhando a disputa de acordo com a câmera do game: ela sempre ficava mais próxima do dançarino que estava melhor em seu desempenho.

Também era possível atrapalhar o adversário, com dois jammers à disposição em todas as danças, apertando o triângulo para ativar, mas apesar de simples, era preciso uma certa estratégia, já que ela não funcionava caso o jogador adversário estivesse em uma pose após terminar seu combo ou caso fosse usado o dodge, uma cambalhota que acionada com o quadrado, permitia desviar deste ataque.

Era interessante também ver a disputa pegando fogo, pois caso os dançarinos acertassem muito bem os passos, o cenário se desmontava, ou acontecia algo bem alucinante ao fundo, como uma maneira de dizer “estão mandando bem!”. E caso o vencedor tivesse ido muito bem, um “Fever Time” era acionado, com uma dança exclusiva de comemoração, servindo como um “Fatality” para o game.

Os World Dancers!

Assim como os jogos de luta, existe uma historinha do tipo “quero ganhar o torneio” e personagens com razões pessoais para disputar, todos em busca do Groovetron, o poder especial da dança, algo como o Hadouken que Ryu e Ken tanto perseguem em Street Fighter 2V. Os dançarinos são:

Frida: Dançarina de hip hop, ela é uma artista e vive em uma cabana. Ela participa da competição para usar o Groovetron para dar vida aos seus desenhos e vê-los dançando também. A sua música é a Sora to Umi to Niji no Yume (vale lembrar que algumas das músicas foram cantadas em inglês nas versões ocidentais do jogo).

Gas-O: um cientista precoce, agora quer o Groovetron para desenvolver um gás dos mais poderosos, usando seu conhecimento de acelerador de partículas e grande capacidade adquirida em estudos. Ele dança house, eu cenário é um laboratório e sua canção se chama Chemical Love.

Hamm: Ele queria ser um grande dançarino, mas acabou vivendo de sua segunda paixão, o junk food, trabalhando então em uma lanchonete. Ele quer o Groovetron para ajudar em sua dieta, para voltar a ser um grande dançarino. Ele declara seu amor pela comida na música I luv hamburgers.

Heat: Ele também dança hip hop, porém tem um visual mais urbano e foi piloto de corridas por um tempo, mas desistiu pois sofreu um acidente em que quase morreu incinerado. Agora ele pode manipular o fogo e canta a música 2Bad.

Hiro: narcisista e amante da era do disco, ele vive em um pequeno apartamento e leva uma vida comum, até chegar os “embalos do sábado a noite”. Porém, ele acha que estes sábados são todos os dias, por isso dança sem parar, “preso” na década de 70. The Natural Playboy embala a sua fase.

Kelly: Uma secretária obssecada por coisas de criança, o que influencia o seu cenário e suas roupas, assim como sua atitude. Tranform é o seu som, dançado por ela e seu adversário.

Kitty-N: A apresentadora de TV querida por todos quer a Groovetron para ser a maior estrela da televisão. Sua fase é um estúdio de televisão, provavelmente transmitindo para milhares de pessoas a sua performance. Aozora no KNIFE é sua canção.

Pinky: mulher barra-pesada, com um estiloso black power, é uma das personagens mais misteriosas do jogo e representa os anos 60 no game. I Know, sua música, traz este clima de mistério mais pra perto.

Shorty: a representante do funky (com y) do jogo é filha de pai DJ e mãe modelo. Com apenas 12 anos, sua diversão é dançar com o seu ratinho Columbo, e procurar novos amigos através da dança. Ela dança em um parque de diversões, embalado por Waratte pon.

Strike: o bad boy. Membro de uma gangue da pesada, e preso por algo bem ruim que fez em seu passado, ele montou um time de dançarinos na cadeia, os “The Ball and Chain Revue.”. Strike só quer uma coisa: ser livre. Power é sua canção.

PERSONAGENS SECRETOS

RetroArkade: Quando um jogo que parece de luta acaba em dança em Bust a Groove

Burger Dog: o cão que vive no cenário de Hamm é destravado ao terminar o jogo na dificuldade média ou difícil com Hamm, após acabar o jogo uma vez.

Capoeira: os irmãos Kiki e Lala chegaram para coletar sucessos da música para levar ao planeta local dos dois. Também trouxeram a especial energia de dança, o Groovetron. Termine o jogo na dificuldade média após zerar o jogo uma vez e eles estarão disponíveis. Embora eles se chamem capoeira e façam gestos de capoeira, e tenham uma música de nome Uwasa no KAPOERA, na verdade eles são embalados por um som que lembra mais música mexicana, talvez a visão que os japoneses tinham do Brasil na década de 90.

Columbo: o ratinho de estimação de Shorty sai do bolso do macacão da sua dona e dança também terminando o game com Shorty em dificuldade média ou superior após terminar o jogo uma vez. E ele também se empolga com sua dona fazendo os passos caso você vá muito bem com ela.

Robo-Z: o chefão do jogo foi construíto por uma organização “do mal” conhecida apenas como “Secret X”. Robo-Z existe apenas para obter o poder total do Groovetron. Ele é enorme e em seu cenário, o jogador vê seu personagem bem pequeno na tela, o que pode atrapalhar o acompanhamento dos combos, além de sua música, a Flyin to your soul, exigir mais velocidade do jogador para executar os comandos. É desboqueado ao terminar o jogo uma vez na dificuldade Hard ou duas seguidas no modo fácil, e por alguma razão, ele “encolhe” e fica do tamanho dos outros personagens no gameplay.

A continuação e o futuro… será que a Square Enix topa dançar novamente?

RetroArkade: Quando um jogo que parece de luta acaba em dança em Bust a Groove

O game, embora desconhecido para algumas pessoas — e querido por outras tantas — acabou descolando uma continuação, já que japonês adora este tipo de game. Bust a Groove 2 trouxe novos elementos, maiores possibilidades de dança e mais personagens, que poderemos explicar com mais calma mais para a frente.

Dance Summit 2001 foi lançado apenas no Japão em 2001 e logo depois, a Enix se fundiu com a Square, no que conhecemos hoje por Square Enix. Desde então, os jogos musicais mudaram: os tapetes de dança deram espaço para as guitarras, que deram espaço para a dança com captura de movimentos.

Mas a pergunta é: será que tem gente disposta a encarar um jogo de dança sem dançar? Com certeza esta fórmula funcionou ontem, foi divertido ontem, mas é pouco para um jogo moderno. Talvez oferecer novas possibilidades e um controle com sensor de movimentos, ajudaria a resgatar uma série com personagens interessantes e músicas legais.

6 Respostas para “RetroArkade: Quando um jogo que parece de luta acaba em dança em Bust a Groove”

  • 13 de dezembro de 2015 às 12:40 -

    Andre

  • Fizeram muito bem em falar deste game! Poucos o conheciam, mas eu achava fantástico o estilo peculiar do jogo, mesmo tendo jogado apenas o BaG2. Merecia mesmo ser melhor reconhecido. Merecia um remake para a nova geração, com maiores horizontes. E personagens; bem mais personagens. Fico nessa vibe também; tamos aí!

  • 13 de dezembro de 2015 às 13:27 -

    Frodo Bagins

  • Joguei pra caramba esse jogo, era muito bom e tinha uma personagem policial q achava gostosa na época, por isso jogava mais com ela.

  • 13 de dezembro de 2015 às 14:10 -

    leandro(Leon belmont)alves

  • É um exemplo de bons jogos que mereciam um maior reconhecimento do que lhe é merecido.  Eu era um prego jogando,  mas o meu irmão mais novo era “psicopata ” nesse game.  Tanto que ele tinha a versão ocidental e japonesa de ambos os games e os guarda até hoje de lembrança.  É SERIO,  esse game deveria ganhar uma continuação ou ao menos um remake.  Na ondinhas desses Just Dance da vida,  o retorno de Bust a Move seria bem vinda

  • 14 de dezembro de 2015 às 05:58 -

    Helder ''Jaguar HX'' Chaves

  • Só uns adendos a matéria:1-Apesar de usar elementos misturados de ritmos latinos diversos, a música tema de Capoeira nem de longe era ”muito mexicana”. Principalmente na versão cantada em inglês, a música tem um embalo bem semelhante ao de uma animada roda de capoeira. Não chega a ser exatamente capoeira por que NÃO era o objetivo do conceito dos personagens: até porque, no jogo, eles NÃO são brasileiros de verdade. Eles dão a entender que, no universo do game, os Capoeira são originários do PLANETA CAPOEIRA. Isso ocorre porque o Brasil é super famoso, mundo afora, pelos casos de avistamento de OVNIS e contatos imediatos ocorridos em nosso território (como bem atestam a ”Operação Prato” e o caso ”E.T.(s) de Varginha”).Por isso, a brincadeira de insinuar que quem ensinou a arte e ritmo da capoeira aos escravos brasileiros foram os aliens do Planeta Capoeira, em um contato imediato NÃO registrado por nossa história oficial. E, em troca, os afro-brasileiros teriam ensinado o ritmo deles aos aliens, criando a música que é ouvida na fase dos Capoeira no jogo em si. Afinal, a missão dos personagens E.T.s é exatamente coletar sucessos musicais pra levar ao seu planeta natal. Quantas vezes, no passado, eles já não teriam nos visitado exatamente pra nos usar como ”celeiro cultural” e buscar novos ritmos? O povo curte ficar insinuando que ”os japoneses viam o Brasil dessa forma”, e outras besteiras choronas e mimimis, quando em momento algum percebem que certos personagens e características brincam com estereótipos e exageros de forma proposital. 2- Robo-Z NÃO diminui de tamanho quando ele é desbloqueado: aparentemente, a versão jogável do vilão é um protótipo ou até mesmo uma versão compacta do verdadeiro Robo-Z gigante (que é uma paródia\homenagem ao clássico mecha Mazinger Z, criado por Go Nagai).

  • 14 de dezembro de 2015 às 12:39 -

    Antonio da Silva

  • Eu e um amigo chegamos em um ponto, que desligavamos as sequencias da tela e jogavamos sem os comandos para aumentar a dificuldade. Era muito loco disputar quem sabia o maior números de combinações de cabeça. Bons tempos.

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