RetroArkade: Cadê o Léo, o Léo onde é que está? Relembrando um Banho de Aventura.

27 de setembro de 2015
Autor: Junior Candido

RetroArkade: Cadê o Léo, o Léo onde é que está? Relembrando um Banho de Aventura.

Hoje a RetroArkade pausa o Atari — como se isso fosse possível — e sintoniza a TV na Cultura, aonde em 1989 foi exibido um dos maiores clássicos da Televisão. Afinal, o Léo onde é que está?

Ano de 1989. Ayrton Senna se consolidando como o maior nome da história da F1, mesmo com uma temporada polêmica, Eleições presidenciais com direito a Silvio Santos como candidato e uma crise que iria piorar e muito pelos próximos anos. E também um início de uma era, a era da Cultura.

Quem lê a RetroArkade tem ideia do quanto que a TV Cultura representou para uma geração de brasileiros, independente da idade, com suas produções de excelente nível. Rá-Tim-Bum, Mundo da Lua, Castelo Rá-Tim-Bum e Cocoricó são apenas alguns dos muitos sucessos que a emissora produzia em seus “tempos de glória”, com direito até a escolha de desenhos produzidos em outros países com a mesma qualidade, como o épico Animais do Bosque dos Vinténs ou A Pedra dos Sonhos.

Dá pra fazer uma matéria especial de cada uma destas produções.

E em meio a tudo isso, para um especial de fim de ano da emissora, foi exibido um especial que embora foi exibido em cinco partes, se trata de um curta de 45 minutos chamado Um Banho de Aventura. Utilizando apenas bonecos, a aventura mostrava o menino Júlio na procura de seu amigo, o leãozinho de pelúcia Léo.

Nem a água do mar nem da máquina de lavar…

E era com esta música que os “episódios” se iniciavam. Composição de Hélio Ziskind, que logo depois faria um barulho muito maior com suas composições rolando a todo momento em X-Tudo, Castelo Rá-Tim-Bum e depois o Cocoricó. Meeeeeeeeeeu pé meu querido pé que me aguenta o dia inteiro-o-o… é dele, assim como a maioria das músicas do Cocoricó.

Porém em 1989, em uma era “pré-consagração”, Ziskind compôs uma daquelas melodias que grudam na nossa mente, porém pelos motivos positivos. Explicando a amizade de Júlio com seu amigo de pelúcia e colocando o espectador por dentro do universo da aventura, ele termina com uma pergunta simples, mas que reforça demais o tema principal da história: Cadê o Léo, o Léo onde é que está?

Um mundo escondido dentro da máquina de lavar

RetroArkade: Cadê o Léo, o Léo onde é que está? Relembrando um Banho de Aventura.

Yellow Submarine?

A excelente história, que consegue colocar a imaginação de uma criança em meio a um ambiente cotidiano de maneira perfeita introduz Júlio, o menino “comum” de uma cidade grande “comum” que tem um leãozinho de pelúcia chamado Léo, que “odeia” água — tem fobia dela — e por isso ficou muito sujo, causando o pânico para a mãe do pequeno personagem.

Para colocar um ponto final nisso, a mãe do menino então decide levar o leãozinho para a lavanderia, porém ele não volta. Júlio, então, começa a busca pelo seu amigo e a partir daí, a fantasia se mistura com a realidade no melhor ponto de vista de todos: o de uma criança. Assista se possível a produção agora adulto e não terá argumentos para duvidar da genialidade do roteiro e de como algo tão simples vive na memória de tantas pessoas até hoje.

“Nasce” um novo amigo: o Júlio da gaita

Um Banho de Aventura também é a introdução de Júlio, que mais crescidinho, em 1996, foi visitar seus avós durante as férias e conheceu novos amigos bichos, mas desta vez, animais de “verdade”. Esta é a premissa de Cocoricó.

E o bacana é que seu criador, Fernando Gomes, que também é a voz do personagem, manteve quase todos os trejeiros originais do boneco de 1989, apenas atualizando o “novo” menino. Na entrevista acima, Fernando explica que a decisão de levar Júlio para o novo programa, pois ele tinha cativado a todos neste especial, nosso tema de hoje. Puxa, puxa que puxa…

O legado (e um leão limpo)

RetroArkade: Cadê o Léo, o Léo onde é que está? Relembrando um Banho de Aventura.

Mais de 25 anos depois de Um Banho de Aventura, temos um leão limpo, porém “esquecido” pelo já crescido Júlio, que não precisa mais de um bicho de pelúcia para dormir e agora tem a companhia dos animais do sítio. Porém, esta produção, foi um marco na televisão brasileira, ajudando e muito a dramartigia infantil da época e dando autorização para a Cultura investir mais e mais neste conteúdo, errando algumas vezes, acertando a maioria delas.

Hoje, não temos mais a Cultura como nos velhos tempos, assim como as produções direcionadas para as crianças estão mais nos DVDs e Netflix — e TV a cabo — do que nos canais abertos, aonde deveriam estar de fato. Porém, hoje relembramos um exemplo de como criança pode ser levado a sério, e como uma produção direcionada a elas pode garantir conteúdo de tão alta qualidade, podendo ser assistido por adultos sem nenhuma “perca”. Pelo contrário, assistindo novamente estas produções, só ajudam a lembrar de como é bom ser criança, mesmo que com 30 anos de idade.

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