RetroArkade: Coleção Vaga-Lume, a série que fez toda uma geração aprender a ler

27 de agosto de 2017
Autor: Junior Candido

RetroArkade: Coleção Vaga-Lume, a série que fez toda uma geração aprender a ler

Quem foi criança nas décadas de 70, 80 e 90 sabe: o primeiro livro de toda uma geração, em quase todos os casos, foi um da série Vaga-Lume. Suas histórias envolventes, formato simplificado e a riqueza de histórias fizeram de seus livros os preferidos dos professores desta época, que usavam deles para os primeiros contatos com um livro entre as crianças. Estes livros acompanharam — e acompanham — muita gente até hoje, e com certeza, foi um capítulo muito importante para a nossa — infelizmente, fraca — cultura de leitura.

Lançada pela Editora Ática em janeiro de 1973, a iniciativa da coleção tinha como alvo o público infanto-juvenil, com um formato mais simplificado, ilustrações grandes e fontes maiores, com as icônicas capas que mudavam apenas de cor, e contavam com ilustrações das mais dramáticas, ajudando e muito a inserir o leitor na história e se tornando um sucesso em livrarias e bibliotecas da época.

A fórmula, que se confirmaria um sucesso a seguir, era simples: a editora convidou vários autores para participar da coleção, independente de sua fama, gênero os quais eram especializados ou mesmo o público alvo. Todos os convidados recebiam um desafio: o de contar histórias tendo como alvo o público infanto-juvenil, que passaria — e passa até hoje — por uma avaliação de qualidade, para encaixar a narrativa para o público proposto.

O bacana é que a série continua firme e forte, com um total de 91 obras, com 69 livros da série principal, e mais 22 da Vaga-Lume Jr, feita para os mais novos. E até hoje, ainda existem escolas que usam os livros da coleção para ajudar os alunos a entrarem no mundo da leitura. Claro que hoje a tarefa é ainda mais difícil, porém o potencial dos livros são tão grandes que mesmo quem não gosta de ler acaba sendo fisgado pelas histórias, sempre muito envolventes e divertidas.

Uma grande coleção com grandes livros

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Dentro da Coleção Vaga-Lume, podemos encontrar verdadeiras pérolas da literatura nacional. Um dos livros mais vendidos é a Ilha Perdida, de Maria José Dupré, um clássico lançado originalmente em 1944, mas que ganhou espaço na coleção em 1973. A história de Henrique e Eduardo em direção a perigosa ilha, durante as suas férias trazem muito do suspense e tensão que os contos de aventura fazem muito bem.

O Escaravelho do Diabo, de Lúcia Machado de Almeida (lançado em 1953, e republicado na Vaga-Lume em 1974) é outro clássico, que inclusive já rendeu filme e até algumas outras histórias dentro de seu universo. Aqui, temos a história de Alberto, um estudante de mediciona que investiga a morte de seu irmão que morreu logo após receber um pacote com um escaravlho. A história coloca muita série de suspense no chinelo e é uma das obras que mais conseguem prender o leitor aos acontecimentos.

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O Escaravelho do Diabo ganhou as telas do cinema em 2016, seis décadas após sua primeira publicação.

Éramos Seis, também de Maria José Dupré (de 1943, republicado em 1973), rendeu uma novela no SBT nos anos 90, e conta a história de Dona Lola, seu marido e seus quatro filhos. Além da história, que é um drama baseado na luta de uma mãe por sua família, também temos um registro muito rico da sociedade paulistana dos anos 20 aos anos 40, com suas transformações sociais no passar destas décadas, o que inclui a Revolução Constitucionalista de 1932.

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Éramos Seis ganhou uma adaptação para as novelas, sendo exibido no SBT em 1994.

A série de Marcos Rey, O Mistério do Cinco Estrelas, O Rapto do Garoto de Ouro, Um Cadáver ouve Rádio e Um Rosto no Computador mostram também o quanto que a coleção era antenada em seu tempo, trazendo aventuras contemporâneas para seus leitores, neste caso, nos anos 80. O que vale também para os nossos dias, com O Mestre dos Games, de 2008 (por Afonso Machado), que traz os videogames para a história, com a história de Cláudio Renato, que levou um portátil para as férias na chácara de seu avô. Após um assalto, Cláudio foge, mas vai parar dentro de um game, precisando sair de lá para ajudar seu avô.

Ao longo de suas quatro décadas, a Coleção Vaga-Lume segue firme e forte, fazendo muito brasileiro aprender a obter o gosto pela leitura, e a mostrar que há espaço sim para boas histórias a partir de nossos escritores. Seja o livro mais antigo, ou algum escrito recentemente, todas as histórias são acessíveis, fáceis de se entender e totalmente viciantes. Vale a pena fazer uma nova visita para as páginas da coleção, você que leu algum destes livros em sua infância, ou mesmo conhecer ótimas opções de literatura, se você nunca havia lido algum livro do Vaga-Lume. Vale a pena.

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