Análise Arkade: Black Paradox mistura o clássico shoot’ em up com rogue-lite

7 de maio de 2019
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: Black Paradox mistura o clássico shoot' em up com rogue-lite

Black Paradox é o mais novo “jogo de navinha” que acaba de desembarcar em todas as plataformas, trazendo uma vibe super “neon anos 80” para as partidas, confira nossa análise!

Caçador de Recompensas

Black Paradox nos coloca no papel de um bounty hunter — aka um caçador de recompensas — que resolveu derrubar os Hellraisers, uma corja abominável de malfeitores que está tocando o terror pela galáxia.

Nosso protagonista não pilota bem uma nave, mas um carro — que lembra MUITO o DeLorean da clássica série De Volta Para o Futuro — que possui uma habilidade muito especial: ao manipular a energia de buracos negros, ele “viaja no tempo”… mas não do jeito tradicional.

Análise Arkade: Black Paradox mistura o clássico shoot' em up com rogue-lite

Fala sério, parece o DeLorean, né?

O que acontece é: ao utilizar a habilidade Black Paradox, cria-se uma réplica temporária da nossa nave/DeLorean, que vai nos ajudar no combate por alguns segundos, possivelmente utilizando uma outra arma. Não é algo realmente inédito — Sine Mora já fazia algo parecido — mas é uma mecânica que funciona.

Shoot’em up com rogue-lite

Em uma primeira olhada, Black Paradox é um shoot’em up horizontal 2D bem tradicional. Seu objetivo é “sentar o dedo” no botão de tiro, eliminando hordas de naves inimigas e tentando não ser alvejado no processo.

Confira um pouquinho de gameplay abaixo

Como em tantos outros jogos do gênero, os inimigos chegam aos montes, espalhando seus projéteis luminosos em diferentes padrões pela tela. E aqui também há meteoritos, cinturões de asteroides, e outros perigos.

Isso não seria problema se este fosse um jogo de fases tradicional, mas ele não é: Black Paradox é um rogue-lite, e traz elementos deste gênero para o universo dos shmups. Algo que até funciona… mas torna a jornada muito mais longa e difícil do que deveria ser.

Análise Arkade: Black Paradox mistura o clássico shoot' em up com rogue-lite

Explicando: em Black Paradox você vai encarar um punhado de chefões ao final de um punhado de fases. Só que você deve fazer isso tudo em uma partida só! Morreu, perde todo seu progresso, e precisa recomeçar a jornada lá do início, encarando todas as fases e chefes de novo.

O “layout” das fases em si é aleatório, ou seja, embora o chefe da primeira fase seja sempre o mesmo, a fase em si não é sempre igual: os inimigos vão mudar, bem como sua disposição na fase. Há somente um power-up por fase, e ele também é randômico.

O peso do rogue-lite

Esses elementos não são realmente problemáticos, mas tornam o progresso em Black Paradox extremamente engessado. As fases mal duram 3 minutos, mas ter que refazer todas elas a cada nova tentativa — enfrentando os mesmos chefes ao final de cada uma — é algo que vai do “divertido” ao “irritante” bem rápido.

Análise Arkade: Black Paradox mistura o clássico shoot' em up com rogue-lite

Esse motoqueiro é o terceiro chefe

Como em outros rogue-lites, aqui também é possível comprar melhorias permanentes, mas ou elas são muito caras, ou o benefício que elas causam nem é tão útil assim, tipo upgrades que recuperam um pouquinho de energia por minuto — as fases curtas tornam isso bem irrelevante. Para piorar, acumular grana para destravar estes upgrades é bem demorado.

Mais um problema: nossa nave/carro voador só pode carregar duas armas de cada vez, e equipar uma nova automaticamente elimina a que estava equipada antes. A questão é que algumas armas são claramente melhores do que outras, então se o jogo não for “legal” de colocar uma arma decente no seu caminho, até passar da primeira fase pode ser bem mais difícil do que deveria.

Análise Arkade: Black Paradox mistura o clássico shoot' em up com rogue-lite

Liberar os melhores upgrades é bem caro

Vale ressaltar que o game possui suporte para jogatina local cooperativa para 2 jogadores. Eu acabei não tendo tempo para experimentar o coop do game, mas é provável que ele se torne mais acessível em coop… desde que ambos os jogadores sejam habilidosos, claro.

A questão é: Black Paradox é um “jogo de navinha” que seria excelente como um jogo de fases tradicional, com vidas/continues e tudo mais, mas o que ele traz do gênero rogue-lite acaba jogando contra, e transforma a experiência em um exercício de repetição e perseverança.

Análise Arkade: Black Paradox mistura o clássico shoot' em up com rogue-lite

Se a ideia dos produtos era fazer um rogue-lite, ok. Mas, acho que ele merecia ter um outro modo de jogo mais “tradicional”, para quem quer simplesmente curtir todas as fases na ordem, e pronto. O criativo Battle Princess Madelyn fez algo assim, e funciona muito bem: o modo Arcade é um jogo de fases linear, enquanto o modo Story é um MetroidVania bem mais denso, que expande consideravelmente o game.

Audiovisual

Black Paradox é um jogo extremamente estiloso. Trazendo aquela vibe “futurismo anos 80” que vimos em Far Cry Blood Dragon, temos muito neon, cores vivas e uma pixel art vibrante e cheia de estilo que esbanja personalidade. Games espaciais costumam ser escuros, mas o espaço aqui é muito colorido, com constelações, planetas e buracos negros muito coloridos.

Análise Arkade: Black Paradox mistura o clássico shoot' em up com rogue-lite

O espaço aqui é muito colorido

A trilha sonora game também acerta a mão, trazendo faixais originais extremamente “grudentas” — no bom sentido. São músicas carregadas de sintetizadores e baterias eletrônicas que casam perfeitamente com a pegada retro-futurista do game. É o tipo de música boa até para ouvir fora do game — e você pode fazer isso aqui.

Ou seja, em termos artísticos e criativos, Black Paradox é um jogo que realmente sabe passar uma mensagem. Eu gostei dele já de cara por sua óbvia referência à série De Volta Para o Futuro, e embora ele não seja um jogo realmente pautado por referências, traz um espírito oitentista extremamente agradável para olhos e ouvidos.

Conclusão

Se fosse “apenas um jogo de navinha”, Black Paradox teria tudo para figurar entre os melhores do gênero. Seu gameplay é simples e funcional, seus power ups são criativos, seus chefes são legais e seu audiovisual é maravilhoso.

Análise Arkade: Black Paradox mistura o clássico shoot' em up com rogue-lite

Como o lança-chamas funciona num ambiente sem oxigênio?

Porém, ele não é “só um jogo de navinha”, e aí é que está o problema: tudo o que ele traz de rogue-lite acaba tirando o brilho do que ele poderia ser se fosse um jogo mais linear e direto ao ponto. O que poderia ser um um jogo ótimo de 1 hora alonga-se por 7, 8, 10 horas… o quanto você precisar repetir a p*rra toda até conseguir ir do começo ao fim de uma tacada só.

Lembrando que essa é a minha opinião, e eu não sou um grande apreciador de rogue-lites. Se você curte o gênero e não se importa com repetição (e talvez um bocado de frustração), pode vir sem medo, pois Black Paradox é um shmup 2D extremamente competente.

Black Paradox foi lançado em 2 de maio, com versões para PC, Playstation 4, Xbox One e Nintendo Switch (versão analisada). O jogo possui menus e legendas apenas em inglês.

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