Análise Arkade: Blade Strangers traz pancadaria acessível entre heróis dos indie games

3 de setembro de 2018
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: Blade Strangers traz pancadaria acessível entre heróis dos indie games

O que esperar de um game de luta 2D que coloca personagens de vários indie games famosos para cair na porrada? Essa é a proposta de Blade Strangers, confira nossa análise!

Crossover indie

Parece que os crossovers estão voltando com tudo ao mundo dos games: depois do morno Marvel Vs. Capcom Infinite e do divertido BlazBlue Cross Tag Battle, agora quem se aventura por esta área é a Nicalis, empresa que produziu e/ou publicou diversos indie games de sucesso nos últimos anos, como The Binding of isaac e Cave Story.

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Duelo de titãs!

Unindo forças com o Studio Saizensen, eles decidiram criar um fighting game que mistura personagens de diversas franquias das duas casas. Isso quer dizer que veremos heróis de Shovel Knight, Code of Princess, Cave StoryAzure Striker Gunvolt, The Binding of Isaac e outros indie games marcantes saindo no braço em intensas partidas 1×1.

É, eu sei que você deve estar louco pra ver o Shovel e o Issac em ação, né? Então vamos para um pouco de gameplay logo, e conversamos melhor na sequência:

É óbvio que uma das forças do game está em seu cast: quem se liga em indie games já conhece muitos dos personagens que estão presentes aqui, e a releitura que eles ganharam para este novo formato foi muito competente!

O mais legal é que as habilidades dos personagens também foram muito bem adaptadas para o estilo fighting game, então o Shovel Knight realmente usa sua pá em seus ataques, e não sai metendo socos e chutes aleatoriamente. A conversão foi feita com muito esmero, então ainda que tenhamos poucos lutadores — apenas 14 —  cada um é realmente único, e não apenas uma skin genérica.

A história é… qualquer coisa

“Mas será que os roteiristas criaram uma boa história que justifique essa reunião de personagens?”. Vou poupar seu tempo e dizer logo que a resposta é não.O Story Mode — obrigatório em jogos de luta atualmente — é bem sem graça, trazendo um arremedo de narrativa para tentar justificar este encontro cósmico.

Sabe aquele papo de que a nossa realidade na verdade é uma simulação gerada por computadores? Pois então, Blade Strangers parte dessa premissa, e coloca um bando de computadores entediados para combinarem suas realidades de forma um tanto inconsequente.

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E quando digo “computadores”, são tipo CPUs, mesmo…

Claro que isso não tinha como dar certo, e essa brincadeira acaba deixando os personagens de diferentes universos presos em uma só dimensão. Como resolver essa situação? Saindo na porrada, claro! A premissa é bem semelhante à de BlazBlue Cross Tag Battle, e o lance aqui é que o Blade Stranger será o indivíduo capaz de resolver a situação e mandar todo mundo de volta para casa.

Pancadaria simplificada

Blade Strangers é um fighting game que se apoia em combos e counters, mas traz mecânicas de gameplay bem simplificadas — se comparado a jogos tipo Skullgirls, Dragon Ball FighterZ, ou mesmo o bom e velho Street Fighter.

Confira abaixo mais um pouco de gameplay, agora de Ali, um de meus personagens favoritos:

Comandos clássicos do gênero, tipo “meia lua pra frente” ou “360º” não tem muita utilidade aqui: o lance é que, além dos 3 botões de ataque tradicionais, temos um “skill button” que, quando acionado junto com o direcional, realiza ataques especiais de forma rápida e descomplicada.

Por exemplo: no PS4, o skill button é o círculo, então, pressionar O + ↑ resulta em um golpe, e O + → libera outra ação completamente diferente, e por aí vai. Temos uma barra “Heat Up!” que, quando cheia, permite que o jogador utilize a habilidade suprema do personagem, mas mesmo isso não demanda decoreba ou combinações complexas; há um botão (R1) que faz isso automaticamente

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Com direito a efeitos especiais marotos e tudo mais

Confesso que essa simplicidade me causou certa estranheza, mas depois de alguns minutos eu já estava bem familiarizado com os comandos. Sem contar que essa acessibilidade tem seu valor: fica claro que este é um jogo de luta que almeja ser democrático e acessível, e no geral ele faz um ótimo trabalho neste quesito.

Sem ter que decorar comandos ou executar sequências complicadas, o jogador pode se focar no gameplay em si, que é fluido e responsivo, com muitas possibilidades de encadeamento de golpes para formação de combos e cheio de oportunidades táticas para contra-ataques que podem virar a mesa.

Audiovisual & Modos de Jogo

Considerando que o Story Mode não é lá essas coisas, há mais o que fazer em Blade Strangers? Felizmente, sim: o game chega bem recheado de conteúdo, com Missions, Survival, Versus, Training, Arcade e outros modos de jogo típicos do gênero, que entregam partidas mais rápidas e descompromissadas para curtir sozinho ou em multiplayer online ou local.

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O visual do jogo como um todo é ótimo, mas me incomoda um pouco o tom “granulado” dos contornos dos lutadores. Não sei se é uma questão técnica ou estética, mas particularmente, eu preferiria contornos mais fortes e definidos, como em Skullgirls, por exemplo.

Contrastando com os personagens 2D e seus contornos estranhos, temos cenários tridimensionais muito bonitos, que recriam ambientes dos jogos daonde os lutadores vieram. Não há interação com os ambientes, mas as arenas são bem estilosas, coloridas e cheias de elementos animados, e a pancadaria flui deliciosamente bem em 60fps.

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O áudio do jogo está todo em japonês, mas as dublagens são muito boas, e condizentes com os personagens. A trilha sonora não chega necessariamente a se destacar — algo que pode acontecer em jogos de luta — mas cumpre seu papel. Dos sons de pancadaria, não há do que reclamar. O game não recebeu legendas em português, mas como a história não é lá essas coisas, acaba não sendo uma grande perda.

Conclusão

Sempre é bom vermos novas IPs nascendo, e Blade Strangers faz o dever de casa direitinho, entregando uma experiência de luta 2D que foge do gameplay mais técnico e complicado que é padrão no gênero, sem, contudo, torna-se simples demais a ponto de ficar sem graça.

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Ele ainda está mais para um jogo de luta tradicional do que para um Smash Bros da vida, mas apoia-se em mecânicas simplificadas que sem dúvida tornam sua curva de aprendizado muito mais amigável, e visam deixar a experiência como um todo mais acessível aos novatos.

Fico na dúvida de quem é o público-alvo para esse tipo de fighting game 2D mais “casual”, mas acredito que a galera que conhece o elenco provavelmente vai dar uma chance ao jogo. Não é sempre que podemos ver Shovel Knight e Isaac saindo no braço, e propiciar estes encontros inusitados é boa parte do charme de Blade Strangers.

Blade Strangers foi lançado em 28 de agosto, com versões para PC, Playstation 4 e Nintendo Switch.

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