Análise Arkade: a pancadaria frenética e cheia de estilo de Skullgirls 2nd Encore

17 de julho de 2015
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: a pancadaria frenética e cheia de estilo de Skullgirls 2nd Encore

Skullgirls não é necessariamente um jogo novo, mas chegou com força total à nova geração com Skullgirls: 2nd Encore. E se você curte um bom fighting game 2D, precisa experimentar este jogo. Confira nossa análise completa!

Um jogo de luta que lutou para sair

O Skullgirls original é um jogo de luta indie que foi lançado em 2012 e passou por alguns perrengues bizarros: sua editora original, a Autumn Games, se envolveu em uma treta judicial enorme com a EMI por conta da trilha sonora de Def Jam Rapstar. Por conta disso, a empresa acabou cortando o financiamento de Skullgirls e de todo o conteúdo que estava planejado para sair do jogo.

Porém, graças ao sucesso do game, a Reverge Labs — produtora do jogo, que hoje se chama Lab Zero Gamesbuscou apoio dos fãs no IndieGoG0 e conseguiu angariar muita grana para lançar conteúdo extra, mas com o fim da parceria da Autumn com a Konami, o jogo acabou tendo que ser tirado do ar por questões de direitos autorais.

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O destino não parecia querer que Skullgirls fosse lançado, mas a Autumn e a Lab Zero não desistiram: elas mudaram um pouquinho o nome do jogo — que virou Skullgirls Encore — e conseguiram colocá-lo novamente no ar em 2014. E agora, em 2015, chega Skullgirls 2nd Encore, a edição definitiva de um fighting game que esbanja carisma.

Um jogo feito por quem manja

Ainda que seja obra de um estúdio pequeno, Skullgirls é um jogo feito por quem manja do assunto: seus diretores são gamers old school que, como eu e você, cresceram torrando fichas e mais fichas em jogos como Street Fighter, Marvel Vs. Capcom e The King of Fighters nos fliperamas.

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Conforme o tempo foi passando, eles evoluíram e lapidaram seus talentos: Mike Zaimont — mais conhecido pela “comunidade” como Mike Z — é um especialista em jogos de luta, e um dos melhores players de BlazBlue dos Estados Unidos. Seu parceiro na direção, Alex Ahad, é desenhista e character designer de mão cheia.

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Juntos, eles encabeçam o talentoso time da Lab Zero Games e encararam a missão de produzir um jogo que fosse uma homenagem aos fighting games 2D que eles cresceram jogando. Com isso em mente, Ahad tratou de criar um universo colorido cheio de personagens tão carismáticas quanto curiosas, enquanto Mike Z se esmerava para criar uma mecânica de jogo rápida e funcional, como nos jogos de antigamente.

Pancadaria da melhor qualidade

Como em The King of Fighters (e outros jogos), aqui temos a possibilidade de formar times de até 3 personagens, mas isso não é obrigatório. Na real o jogo é bem liberal quanto a isso: 3 X 3, 2 X 3, 1 X 1, 3 X 1, na hora da pancadaria vale tudo. Para equilibrar essa bagunça, o jogo nivela a quantidade de dano causado por equipes e personagens sozinhas para deixar cada luta mais justa, independente do número de lutadores de cadas lado.

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O gameplay lembra bastante o ritmo acelerado de Marvel Vs. Capcom, cheio de combos e golpes especiais que sozinhos já acertam mais de 15 hits no adversário. Também como em Marvel Vs. Capcom, a maioria dos personagens tem um golpe que lança o adversário para cima, permitindo que você emende air combos e até mesmo golpes especiais em pleno ar.

Com um número absurdo de animações e golpes para cada personagem, em Skullgirls há uma diferença enorme entre um soco fraco, um soco médio ou um soco forte. Não é apenas a força de golpe que muda, o golpe em si é completamente diferente de um botão para outro, com cada personagem não só usando mãos e pés, mas também puxando objetos aleatórios para desferir seus ataques.

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Por ter um pezinho no nonsense, Skullgirls oferece possibilidades surreais: a lutadora Ms. Fortune, por exemplo, pode atirar a própria cabeça no inimigo (e a cabeça separada do corpo tem seus próprios golpes!); Peacock atira bombas, bigornas, pianos e muito mais, a enfermeira sexy Valentine atira injeções e usa body bags (com um corpo dentro!) para te bater, enquanto o grandalhão Big Band usa toda uma variedade de instrumentos musicais para surrar seus inimigos, e por aí vai.

Caso você não esteja familiarizado com os comandos, fique tranquilo, pois o jogo conta com um tutorial extremamente completo, que aborda até temas bem específicos, como tempo de recuperação de golpe, timing de contra-ataque e muitos outros detalhes que geralmente são negligenciados por outros jogos.

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Bom mas ao invés de ficar aqui discorrendo sobre como funcionam as frenéticas mecânicas de jogo, é mais fácil mostrar na prática, certo? Confira um pouco do nosso gameplay capturado no PS4 abaixo. Infelizmente o vídeo não está em 60fps, mas dá para você ter uma base do nível da pancadaria. Não deixe de reparar nos golpes e uniformes que homenageiam Darkstalkers, Batman e muito mais:

Reparou como os golpes são realmente únicos e condizentes com o estilo de cada personagem? Esse é outro detalhe caprichado desse jogo: cada personagem esbanja personalidade, e todo o seu leque de golpes e movimentos é condizente com essa personagem. Ok, você pode afirmar que há poucos lutadores — 14 selecionáveis + a última chefe — , mas nenhum deles é “genérico”, cada um é realmente único tanto em termos de visual quanto de gameplay.

Referências feitas à mão

Skullgirls já de cara chama a atenção pelo seu visual: o jogo tem uma aura meio anos 40, seus menus e transições fazem alusão à espetáculos musicais, letreiros de teatros e coisas do tipo. As personagens — a maioria mulheres — vão do sexy ao bizarro e esbanjam personalidade.

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Embora seja justo alegar que o jogo force um pouco a barra no sexismo — com peitos enormes e calcinhas aparecendo o tempo todo –, acho que nada chega a parecer “ofensivo”, pois o estilo do jogo é totalmente cartoon e, dentro de seu contexto maluco, cada personagem é realmente interessante já pelo seu visual, que é único, bem desenhado e extremamente detalhado.

Enquanto outros jogos de luta clássicos vão ficando cada vez mais tridimensionais e realistas rodando em engines poderosas, Skullgirls segue o caminho inverso, e traz personagens e cenários desenhados e coloridos à mão por Alex Ahad e sua talentosa trupe de artistas.

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Falamos ali em cima da quantidade absurda de animações e não é exagero: Skullgirls é o jogo de luta com o maior número de frames de animação para cada personagem, e o fato dele rodar liso em 60 frames por segundo só enaltece a qualidade técnica do trabalho alcançado aqui.

Os cenários são bem variados e coloridos, indo de becos até laboratórios, catedrais e cassinos. Os NPCs que assistem as lutas ao fundo são um show a parte, e em muitos casos homenageiam outros jogos, como esses simpáticos cãezinhos fazendo cosplay de Chun Li e Guile ao fundo:

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Obviamente as referências não ficam só nos cenários: cada personagem têm 25 variações de cores de trajes, e muitas delas homenageiam personagens e/ou elementos da cultura pop. E são dezenas de referências: The King of Fighters, Kill la Kill, Darkstalkers, Killer Instinct, Batman, Homem-Aranha, Uma Cilada para Roger Rabbit, Strider, Hellsing, Evangelion, Mortal Kombat, X-Men, entre muitos outros.

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Repare nos trajes: referências óbvias à Morrigan de Darkstalkers e ao Homem-Aranha.

Além disso, temos sátiras também nos golpes: Ms. Fortune tem um Fiber Uppercut (paródia do Tiger Uppercut do Sagat) e um Fur-serker Purr-age (paródia do Berserker Barrage d0 Wolverine); enquanto alguns ataques de Beowulf são idênticos aos de Jon Talbain, de Darkstalkers. Não por acaso, Beowulf veste uma pele de lobo.

Novidades da versão PS4

Para começar, claro, temos a resolução em 1080p e os 60fps cravados que deixam a jogatina ainda mais bonita, nítida e fluida. Sem exagero, o visual desse jogo é incrível, e parece um desenho animado da mais alta qualidade, tanto nos personagens quanto nos cenários.

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Além disso, temos nada menos do que 5 personagens extras: os 4 previamente lançados via DLC — Squigly, Big Band, Eliza e Beowulf — mais a Robo Fortune, que é uma variação robótica da Ms. Fortune mas com gameplay totalmente diferenciado. Na real são 6 personagens contando com a Fukua — que surgiu como uma pegadinha de primeiro de abril no ano passado mas acabou ficando no elenco –, ou seja, esta versão do jogo oferece o pacote completo de personagens.

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E os personagens agora têm voz: todos os diálogos do Modo História agora são 100% dublados (anteriormente tínhamos apenas textos) por uma equipe de mais de 50 dubladores. Não que o Modo História seja lá essas coisas — a história de cada personagem merecia ser bem melhor desenvolvida, na verdade — mas as vozes (todas em inglês) sem dúvida agregam valor à narrativa.

Temos ainda Challenges e Trials com desafios específicos que vão testar sua perícia nos controles e um modo Sobrevivência, onde você encara luta após luta com pouca (ou nenhuma) recuperação de energia.

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Além disso, o jogo conta com novos troféus (e agora possui inclusive um troféu de Platina) e mantém a compatibilidade com os arcade sticks da geração passada. Completa o pacote uma galeria com mais de 800 artes em alta resolução, englobando tanto artes conceituais do jogo até fan arts criadas pela comunidade de backers que “patrocinou” o jogo.

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As artworks dos fãs são tão boas quanto as oficiais.

Ah, e não podemos esquecer do crossplay: enquanto jogos “triple A” como GTA V e The Last of Us podam o acesso dos jogadores por geração, Skullgirls heroicamente oferece multiplayer online entre todas as plataformas da família Playstation. Isso mesmo, estando no PS4 você pode jogar contra seus amigos do PS3 ou do Vita sem nenhum problema! Não é engraçado como um jogo “pequeno” faz algo que os grandes blockbusters não conseguem?

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Ah e ainda sobre o crossplay, quem compra a versão PS4 já leva de brinde a versão PS Vita do game, que roda perfeitamente em 60fps na telinha do portátil. E, como na geração passada, o jogo está com menus e legendas em português.

Conclusão

Pode ser que meu veredicto seja meio tendencioso, pois sou fã de jogos de luta 2D acelerados, e venho jogando Skullgirls desde seu primeiro lançamento, lá em 2012. Esse jogo me cativou desde o primeiro momento, e afirmo com toda certeza que me divirto mais com ele do que com Mortal Kombat XStreet Fighter IV, Injustice ou qualquer outro jogo de luta “triple A” lançado nos últimos tempos.

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Foi ótimo acompanhar a evolução do jogo de lá para cá e ver como, apesar de tantas tretas, o pessoal da Lab Zero Games conseguiu não só entregar tudo o que prometeu no IndieGogo (muitos dos conteúdos disponibilizado gratuitamente por vários meses, aliás), como também levar o jogo para mais plataformas e quebrar paradigmas com um crossplay entre plataformas que realmente funciona.

Ainda que quase todas as novidades também possam ser aproveitadas por jogadores da geração passada, Skullgirls 2nd Encore pode ser considerado a versão definitiva do game, e é um jogo obrigatório para quem curte uma boa pancadaria 2D rápida e cheia de estilo!

Skullgirls 2nd Encore chegou ao PS4 e ao PS Vita no dia 7 de julho. A versão anterior — Skullgirls Encore — está disponível para PS3, X360 e PC.

2 Respostas para “Análise Arkade: a pancadaria frenética e cheia de estilo de Skullgirls 2nd Encore”

  • 17 de julho de 2015 às 16:58 -

    Gato Quadrado

  • A única falha desse jogo é que as lutas com a Marie são muito desbalanceadas e cheias de spam. Ela não faz combos e nem é sujeita a combos. Só spamma e não se incomoda quando você acerta ela.
    Tem o Beowulf, também, que parece não sofrer delay entre os golpes dele (quando é CPU). O personagem simplesmente bate sem parar e não tem UMA brecha pra você revidar. Não adianta tentar jogar “limpo” com ele.

    Adoro esse jogo.
    Jogar com a Eliza é MUITO divertido, o narrador é FAN-TÁS-TI-CO, os comentários que as personagens fazem enquanto se atacam são muito engraçados (tem até uma conquista pra você escutar todos os palavrões que elas falam), embora, vez ou outra, eu simplesmente esqueça que o comprei.
    Talvez seja pelos itens acima.

    • 17 de julho de 2015 às 17:47 -

      Rodrigo Pscheidt

    • Pois é, a última chefe é bem apelona mesmo, e o fato dela não ser uma lutadora “comum” – passível de levar combos e lutar “justo” – realmente é meio frustrante.

      Mas eu acho que isso (como quase tudo nesse jogo) é meio que para homenagear games clássicos. Houve um tempo em que esse tipo de último chefe era bem comum. X-Men Vs. Street Fighter e Marvel Vs. Capcom faziam isso. Até o nem tão antigo Marvel Vs. Capcom 3 tem uma última luta que segue esse esquema.

      No mais, Skullgirls continua sendo para mim o melhor jogo de luta dos últimos anos. ^^

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