Análise Arkade: Crysis Remastered traz o famoso ray tracing para os consoles

3 de outubro de 2020
Autor: Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade: Crysis Remastered traz o famoso ray tracing para os consoles

Crysis foi originalmente lançado para PCs em 2007, nada menos que 13 anos atrás. Nesta época, eu ainda estava na faculdade de Jornalismo, e como gamer de console que sempre fui, não me importava muito com os exclusivos de PC.

Apesar disso, o “barulho” de Crysis foi grande, e claro que chegou até mim, que gosto de estar “por dentro” do assunto. O jogo tornou-se um benchmark tecnológico, pois exigia uma máquina robusta para rodar decentemente. Não por acaso, isso virou uma piada recorrente no mundo dos games: “rodar Crysis” era a prova cabal de que um PC era bom.

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O jogo invariavelmente foi lançado para os consoles da geração passada, mas eu, traumatizado pela cinetose e frustrado por jogos como Mirror’s Edge (que até hoje quase me faz vomitar), nunca fui atrás dele. Eu precisaria vencer o meu “trauma” de FPS antes de querer me aventurar pelo gênero — e talvez eu faça um artigo para falar especificamente disso no futuro.

O fato é: jogar este Crysis Remastered no Playstation 4 Pro foi, em muitos aspectos, uma experiência completamente nova para mim. Conheço a importância e o legado do jogo, mas nunca o tinha jogado de fato. E sabe que ele é bem legal?

Supersoldado tecnológico

Crysis é relativamente familiar para quem já jogou algum Far Cry, e isso não é coincidência: embora hoje em dia a série pertença à Ubisoft, foi a Crytek que desenvolveu o primeiro título da série. A diferença é que Crysis segue um caminho mais ficção científica, enquanto Far Cry é mais “pé no chão”.

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O efeito de invisibilidade na arma é bem legal

Talvez o componente tecnológico mais emblemático de Crysis seja a nanosuit utilizada pelo protagonista Nomad e seu esquadrão. Ela é praticamente um amálgama de superpoderes: quem a veste pode correr mais rápido, pular mais alto, ficar invisível e aumentar sua resistência a tiros. Além disso, ela integra, de maneira prática e funcional, recursos de visão noturna e HUDs informativos típicos de videogames — barra de vida, munição, etc.

A trama do jogo se passa na Coreia do Norte, onde fósseis misteriosos foram encontrados por cientistas estadunidenses. A descoberta parece importante até demais, e quando os cientistas se veem encurralados por soldados norte coreanos, entra em ação a Delta Force, esquadrão de elite dos EUA designado para resgatar os cientistas e descobrir o que está rolando por lá.

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Aquilo ali atrás do cientista é um dos fósseis

Conforme avançamos na campanha, o jogo fica mais sci fi, pois os fósseis na verdade são resquícios de artefatos alienígenas (?!), e logo não estaremos enfrentando apenas soldados inimigos, mas também sentinelas alienígenas e até mesmo espaçonaves inteiras.

Fases & Objetivos

Crysis não é um jogo de mundo aberto, é um jogo de fases. Porém, cada fase se passa em um mapa imenso, com muita liberdade de movimentação — há até veículos para pilotar — e alguns objetivos secundários pipocando aqui e ali. Essas sidequests geralmente são bases inimigas onde você deve coletar informações ou destruir um bloqueador de sinal. Não são objetivos especialmente criativos, mas colocam um pouco mais de “recheio” no jogo.

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Rolezinho de veículos blindados sempre é legal

Uma coisa que eu achei bem legal no jogo é que, embora tenhamos os “superpoderes” da nanosuit, ele é bem bem desafiador. Os inimigos são bons de mira, e a barra de “poder” do traje se esvazia bem rápido, exigindo que você use todas as suas habilidades com parcimônia. Mesmo correr e pular consomem a força da nanosuit, e ainda que ela se regenere rápido, viver ou morrer é algo que acontece em uma fração de segundos.

Isso exige uma abordagem tática que muito me agrada — é assim que eu costumo jogar Far Cry, para ser sincero. Ficar invisível, pegar os inimigos de surpresa, abusar do silenciador e buscar pontos estratégicos foi o que me manteve vivo no jogo. Bancar o Rambo é morte certa em questão de segundos, não tem nanosuit que salve. Só faltou um arco e flecha para o stealth ficar perfeito — infelizmente, tal arma só foi aparecer no terceiro jogo da série.

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Felizmente, o sniper rifle quebra um galho

A distância entre os checkpoints pode causar alguma frustração, mas mesmo aí o jogo surpreende ao oferecer opções: em áreas de combate muito intensas, eu simplesmente me mantinha invisível e ia avançando aos poucos, me agachando em moitas e atrás de árvores para o traje recuperar a força. Muitos confrontos podem ser totalmente evitados. Essa não é lá uma abordagem muito heroica, mas ei, se está no jogo é porque pode ser feito, e entre ser um herói morto e um covarde vivo, ocasionalmente eu preferia a segunda opção. :P

No geral, mesmo já tendo mais de uma década de vida, o gameplay de Crysis ainda funciona perfeitamente. Provável que otimizações tenham sido feitas, mas no geral o jogo não deve nada para os FPS atuais, e entrega um gameplay fluido, responsivo e bem calibrado, com boas armas, bom feedback dos tiros, e boas sequências de ação.

Ray Tracing nos consoles atuais? Crysis tem!

Uma das “novas tecnologias” mais comentadas no mundo dos games ultimamente é o tal do ray tracing. Basicamente, ele cria efeitos de luz e reflexos muito mais realistas ao “simular o trajeto que os raios de luz percorreriam no mundo real”.

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Repare na vegetação e na ponte refletida na água: a magia do ray tracing é isso…

Embora a indústria nos faça acreditar que esse tipo de efeito só seja possível em PCs potentes e consoles da próxima geração, o pessoal da Saber Interactive — que cuidou desse port — deu um jeito de colocar o ray tracing para funcionar no PS4 e no Xbox One — pelo menos nas versões aprimoradas dos consoles, acho que o recurso não está disponível na versão “normal” dos aparelhos.

Nos consoles aprimorados — PS4 Pro e Xbox One X — já é meio normal termos 2 opções para jogar: o modo “Desempenho” diminui a resolução em prol de uma taxa de framerate mais alta, enquanto o modo “Qualidade” prioriza resoluções mais altas. No caso de Crysis, temos uma terceira opção, “Ray Tracing“, que serve, basicamente, para aplicar o famoso efeito ao jogo.

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É na água que o ray tracing fica mais evidente

E assim… é legal ter reflexos mais realistas na água e em certas superfícies, mas eu realmente não achei isso tão extraordinário. Se o ray tracing é a “grande evolução” da nova geração, confesso que já entro nela meio decepcionado. E sim, eu sei que pros PC gamers isso não é novidade, mas na moral, não vejo porque tanta comoção por conta de um punhado de reflexos em tempo real. Não é um “game changing” para mim, é apenas bijuteria gráfica.

Independente do tal do ray tracing, é fato que Crysis ainda é um jogo bem bonito, e a remasterização enaltece suas qualidades. Seu visual é rico e detalhado, e no geral o game só entrega a idade nos rostos humanos, que são bem datados. As florestas são particularmente impressionantes, especialmente se levarmos em conta o tamanho colossal de cada mapa.

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O visual “selvagem” de Crysis ainda impressiona

Por falar nisso, Crysis também demonstra seu vanguardismo ao entregar cenários completamente destrutíveis, algo que muito jogo de 2020 ainda não faz. É possível derrubar árvores, explodir casebres, quebrar janelas, mesas… qualquer coisa, basicamente. A física faz um baita trabalho aqui, e isso provavelmente é um dos motivos pelos quais o jogo era tão “pesado” lá em 2007. O resultado de toda essa destruição impressiona mesmo em 2020.

Essa versão remasterizada foi feita com base no port para os consoles do game (lançado em 2011), ou seja, isso não é Crysis “full power”, pois não utilizaram o jogo de PC como base. Apesar disso, este jogo remasterizado consegue ser mais impressionante do que certos FPS genéricos que foram produzidos para a geração atual.

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Infelizmente o game não recebeu nenhum tipo de localização para o nosso idioma: há diversos idiomas disponíveis, mas nenhum deles é o nosso. O departamento sonoro condiz com a qualidade do visual, e entrega tiroteios e explosões realistas e imersivas, bem como um trabalho competente de dublagem. Achei curioso que podemos até escolher se queremos que “a voz” da nanosuit seja masculina ou feminina.

Conclusão

Como alguém que nunca havia jogado Crysis antes, saio com uma impressão bastante positiva. O jogo é intenso e divertido, com uma história bacana e um gameplay que aproveita os recursos da nanosuit para ser tático e passível de improvisações. Isso enriquece bastante a experiência, afastando o jogo do “padrão” dos FPS, que geralmente entregas momentos scriptados cinematográficos, e uma experiência mais linear, mais “guiada”.

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Crysis foi um passo evolutivo importante no mundo dos games, e acho que tê-lo jogado — mesmo com 13 anos de atraso — coloca mais uma estrelinha no meu “currículo gamer”. E o melhor é perceber que, salvo por alguns detalhes, o jogo envelheceu muito bem, e ainda é um espetáculo audiovisual que não deve muito para títulos modernos.

O ray tracing acaba sendo apenas um detalhe, a “cereja do bolo” que está ali como um diferencial, mas não transforma a experiência em algo superior. E, é no “modo ray tracing” que o jogo roda de forma mais inconstante, então eu experimentei ele por uma ou duas horas, mas logo voltei para o modo desempenho, pois uma taxa de FPS mais alta sempre deixa o gameplay mais fluido.

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Parece uma praia paradisíaca… mas é letal

Em resumo, Crysis foi um marco na história dos games, e sempre é bom vermos este tipo de legado sendo valorizado. Se você já jogou, vai gostar de revisitá-lo, e se ainda não teve a chance, bem, aí está uma boa oportunidade… e dessa vez você nem precisa ter um PC “da NASA“, pois até o Switch recebeu Crysys Remastered — em uma versão sem ray tracing, mas tá valendo.

Crysis Remastered foi lançado em setembro, com versões para PC, Playstation 4 e Xbox One. Alguns meses antes, o Nintendo Switch recebeu seu próprio port do game.

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