Análise Arkade: Earthfall é uma versão genérica de Left 4 Dead (com aliens)

18 de julho de 2018
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: Earthfall é uma versão genérica de Left 4 Dead (com aliens)

Left 4 Dead marcou a vida de muita gente, mas como a Valve não sabe contar até 3, nunca mais tivemos um jogo da série. Se você está em busca de uma experiência parecida na atual geração, confira agora nossa análise de Earthfall!

A Terra foi invadida… de novo

Earthfall se passa em uma versão nem tão futurista da Terra, que recebeu a “visita” de uma raça hostil de alienígenas, que veio de carona em um meteoro e se achou no direito de tomar posse do planeta.

Com boa parte da raça humana dizimada, pequenos grupos de sobreviventes se formam, e eles precisam se virar como podem para sobreviver, buscando suprimentos e formas de escapar das garras dos aliens.

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Neste panorama, conhecemos um grupo de quatro sobreviventes, e assumimos o controle de um deles. Ao lado de 3 amigos — ou 3 desconhecidos, ou  mesmo 3 bots controlados pela IA — iremos nos aventurar em cenários variados, cumprindo missões e metralhando aliens para garantir a sobrevivência do grupo.

Earthfall não traz uma história propriamente dita (as campanhas são basicamente missões isoladas enfileiradas), mas possui um lore surpreendentemente elaborado, que é desenvolvido conforme você cumpre certos objetivos.

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Tipo assim

Ainda que seja um adendo interessante, ele não está “no jogo” em si: você precisa ter o empenho de ir ao menu principal, acessar os Extras e estar disposto a ler um bocado para se aprofundar no universo do game. Nada é minimamente apresentado no gameplay em si.

Left 4 Dead Genérico

Earthfall é um shooter em primeira pessoa que mistura conceitos de sobrevivência, trabalho em equipe e exploração. E ao jogá-lo por algum tempo, é fácil perceber que ele é, basicamente, uma versão genérica de Left 4 Dead, que troca zumbis por aliens.

Sei que isso parece pejorativo, mas dizer que ele é genérico sem dúvida é a melhor maneira de definir Earthfall. Ele traz uma dezena de missões — que duram cerca de 30 minutos cada — genéricas, nas quais iremos cumprir uma série de objetivos (igualmente genéricos) até que nossa rota de fuga/veículo seja liberado para podermos dar o fora dali. São 2 campanhas dividas em 5 missões cada, mas podemos fazê-las de forma “avulsa”, como preferir.

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Por exemplo: em vários momentos, nossa missão é reativar a energia para poder ligar algum aparelho, restabelecer a integridade de algum equipamento ou acionar válvulas que nos permitirão liberar algum caminho.

Quase todo objetivo minimamente importante chega acompanhado da frase “Isso vai atrair uma horda“, o que transforma cada etapa da missão em um exercício de resiliência, pois coloca o grupo para resistir a uma investida massiva dos aliens.

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Prepare-se para ler muito a frase “Isso vai atrair uma horda”

Essas situações preguiçosas do tipo “sobreviva por x minutos” ou “defenda o objetivo x” me lembraram a pior parte de Destiny, jogo que, apesar de não ser realmente revolucionário, traz uma experiência de FPS infinitamente superior, simplesmente porque o feeling de atirar em aliens malvados no jogo da Bungie é muito melhor calibrado.

Falando em aliens malvados, os inimigos de Earthfall também são… bem, genéricos, reciclando conceitos que vimos em outros jogos. Os Sapadores, por exemplo, explodem em uma nuvem de gosma venenosa — como os Boomers de Left 4 Dead. Já os Chicotes sugam a cabeça de um sobrevivente e saem correndo com ele, algo que lembra um pouco o comportamento dos Smokers linguarudos do jogo da Valve.

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Esse é um Chicote

Quer ver o jogo em ação? A gente te mostra: confira abaixo nosso gameplay de uma missão completa:

Deu para entender porque Earthfall é genérico? Ele é uma mistura de conceitos de Left 4 Dead com gameplay padrão de shooter em primeira pessoa, mas parece não se esforçar em nenhum momento para se tornar algo minimamente diferente, ou acima da média.

Imprimindo armas

Acho que o único conceito meio novo que temos aqui são as impressoras de armas: há “safe zones” pelo cenário onde podemos utilizar impressoras 3D para imprimir armas e equipamentos. Já vimos algo do tipo em Prey, mas aqui a coisa é bastante simplificada, visto que não precisamos coletar matéria-prima, nem nada do tipo, restabelecer a energia já deixa a impressora pronta para funcionar.

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Uma vantagem das impressoras é que as armas já saem com a munição cheia!

Falando em armas, é válido ressaltar que elas também são bem genéricas, trazendo o básico que se espera de um FPS — pistola, rifle, metralhadora, escopeta –, que trazem a mesma pegada e disparos sem muito impacto. Armas brancas também estão disponíveis (tipo machetes e pás), mas como elas ocupam o slot da pistola, acaba não sendo muito vantajoso equipá-las.

Considerando a temática “Invasão Alienígena”, havia espaço para ousar e trazer armas malucas — algo que a série Halo sempre fez muito bem. Só há uma arma relativamente alienígena aqui, que desintegra os inimigos, mas ela é bem rara, e não pode ser impressa como as armas comuns.

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Isso é o que acontece quando um Sapador explode

Fora isso, outro diferencial é a possibilidade de instalarmos fortificações em portas e janelas — no estilo Rainbow 6. No papel isso soa bem, mas na prática é comum termos um número muito maior de passagens do que de barreiras, o que acaba minando a efetividade do negócio.

Audiovisual

Adivinha só: Earthfall é genérico também no que tange seus aspectos técnicos. Seus cenários urbanos decadentes no geral não são nada inspirados, ainda que tenhamos uma ou outra missão ambientada em lugares pouco típicos, como uma barragem e um pátio ferroviário. Earthfall não é feio, mas é sem personalidade.

Seja honesto: se você visse as imagens desta análise fora de contexto saberia dizer de que jogo elas são? Pois é, isso é um jogo de visual genérico; ele se parece com dezenas de outros FPS que você já viu por aí.

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O visual é genérico, mas as tattoos do Danny são estilosas

Os sobreviventes — são 4 personagens prontos, nada de criação ou customização — não têm muita personalidade, e seu visual segue a cartilha de State of Decay 2 e qualquer outro jogo pós-apocalíptico não muito inspirado.

No departamento sonoro, temos altos e baixos: as dublagens até cumprem seu papel e a trilha sonora é surpreendentemente boa… porém, os sons das armas estão entre os piores que já ouvi, e muitas vezes parecem nem condizer com as armas — o som da Minigun é bizarro. Considerando que esse é um jogo de tiro, faltou atenção na escolha dos sons das armas.

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Bicho que cospe gosma verde na nossa cara? Tem também!

Vale ressaltar que o game chega com menus e legendas em português brasileiro. Rolam alguns pequenos deslizes — algumas frases não traduzidas permanecem em inglês –, mas no geral o trabalho de localização feito é bem decente, especialmente na tradução dos nomes das diferentes espécies de aliens, todos bem criativos.

Conclusão

Se há uma forma sucinta de descrever Earthfall, é como um “Left 4 Dead genérico com alienígenas“. Isso pode desencorajar muita gente a investir no game, afinal, seu apelo se resume única e exclusivamente aos órfãos de Left 4 Dead que precisam desesperadamente de algo parecido para jogar na atual geração.

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O “Aleatório” não randomiza um personagem, simplesmente escolhe qualquer um para você

O fato de ser genérico torna Earthfall um jogo ruim? Não necessariamente, Mas ele também não é bom o bastante para ser recomendável. Fica sendo apenas um jogo ok, que não parece disposto a impressionar nem empolgar o jogador em nenhum momento.

Então é aquilo: esse é o tipo de jogo ideal para 4 amigos comprarem para jogar juntos, caso realmente estejam atrás de algo do tipo para jogar nos consoles atuais. Do contrário, o bom e velho Left 4 Dead 2 ainda entrega diversão de sobra, e consegue ser muito mais autêntico… mesmo com quase uma década de vida.

Earthfall foi lançado em 13 de julho, com versões para PC, Playstation 4 e Xbox One.

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