Análise Arkade: Torne-se um servo da Morte e destrua os imortais em Death’s Gambit

22 de agosto de 2018
Autor: Renan do Prado

Análise Arkade: Torne-se um servo da Morte e destrua os imortais em Death's Gambit

Depois de anos de espera, finalmente Death’s Gambit foi lançado, trazendo sua aventura inspirada em Dark Souls em um belo universo pixelado 2D. E é hora de saber como o game acabou se saindo em seu tão aguardado lançamento.

Prepare-se para encarar os perigos de uma terra imortal cheia de desafios e incontáveis mortes. É hora de conferir nossa análise completa de Death’s Gambit!

O servo da morte e a busca pela imortalidade

Análise Arkade: Torne-se um servo da Morte e destrua os imortais em Death's Gambit

Death’s Gambit conta a história de Sorun, um valoroso guerreiro que liderou seu exército em uma jornada para o lendário reino de Siradon, um misterioso local que dizem possuir a fonte da imortalidade. Sorun no entanto viajou para essas terras com um outro objetivo, procurar uma pessoa que há muito ele não vê. Mas mal ele chega nas fronteiras do reino e sua jornada é encerrada… temporariamente.

Sorun e todo o seu exército foi brutalmente massacrado pelos imortais que residem no reino, sem que nenhum deles fosse deixado vivo. A história de Sorun, porém, não estava terminada, pois a própria Morte apareceu diante dele e lhe fez uma proposta: Ela o ressuscitaria e o tornaria imortal, e em troca ele deveria matar os imortais e destruir a fonte da imortalidade.

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Sorun aceita e, trazido de volta à vida, ele continua sozinho sua jornada pela perigosas terras de Siradon em busca de seu objetivo e para cumprir seu acordo com a Morte e colocar um fim na imortalidade daquele reino, que já ceifou as vidas de inúmeros exércitos que tentaram invadi-lo em uma vã busca pela vida eterna.

Um novo Souls-like 2D

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As inspirações de Death’s Gambit são bastante óbvias. O game é uma espécie de Dark Souls em um ambiente 2D, assim como Salt & Sanctuary Hollow Knight. O game porém é o mais próximo de sua inspiração, em termos de estilo visual e gameplay.

Death’s Gambit consegue criar um grande, mas contido mundo interconectado e cheio de perigos, lembrando até Lordran do primeiro Dark Souls, em uma comparação superficial. Isso quer dizer que ele apresenta um mundo com várias áreas diferentes, nem tão labirínticas mas também não muito lineares. Cada área com seus próprios inimigos, chefões e armadilhas.

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E sendo um Souls-like que se preze, o game também usa a morte como uma mecânica. No lugar das Bonfires, temos aqui as Estátuas da Morte como pontos de descanso. Ao descansar em uma estátua você pode melhorar o seu personagem, além de equipá-lo com até três habilidades diferentes, que falaremos sobre mais pra frente. Além pe claro disso ressuscitar todos os inimigos.

Há duas particularidades em relação as mortes do game. Ao derrotar inimigos, você ganhará Estilhaços de Esperança, que equivalem as almas de Dark Souls, sendo usadas para melhorar seu personagem e comprar itens. Ao morrer, você não perde esses Estilhaços, mas perde uma Pena de Fênix, o item de cura do game. Digamos então que você tenha 3 penas e morra 3 vezes sem coletá-las, então você ficará sem nenhum item de cura. Felizmente as penas não desaparecem se você não conseguir recuperá-las, elas ficarão nos lugares que você morreu até você coletá-las, ou gastar Estilhaços numa Estátua da Morte para recuperar todas de uma vez.

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E a segunda diferença em relação a morte é que todos os inimigos do game são imortais, o que dentro da história do game, significa que mesmo que você os mate, todos voltarão á vida eventualmente, e isso inclui também todos os chefões do game! Ao matar um chefão, você pode voltar para suas arenas, e então encontrar um objeto ou personagem na arena que você pode interagir. Ao interagir, você pode optar por iniciar uma revanche contra um chefão derrotado.

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Essas revanches são chamadas de “Modo Heroico“, e aumentam a dificuldade das batalhas exponencialmente. Os chefões enfrentados em Modo Heroico serão muitíssimo mais fortes do que suas formas originais, podendo ganhar ataques e padrões novos, além de seus ataques normais causarem muito mais dano e novos efeitos, além de algumas batalhas contarem ainda com inimigos extras que respawnam durante a batalha em intervalos determinados!

Aqui vai um exemplo disso, abaixo está minha batalha contra o chefão Gaiano Esquecido. Eu o derrotei na primeira tentativa, sendo uma batalha não muito difícil. Apesar de ser óbvio, aqui fica o aviso: O vídeo abaixo contém pequenos spoilers.

E abaixo você confere minha batalha contra o Gaiano Esquecido em Modo Heroico. Essa batalha aconteceu na mesma “zerada” do vídeo acima, com a única diferença de que entrei nessa batalha após ter avançado bastante, evoluindo bem meu personagem e suas armas, e mesmo assim a batalha foi muito difícil, pois o dano recebido de qualquer ataque era altíssimo, além de vários outros fatores que mudaram a batalha (que me levou quase 2 horas para conseguir vencer). Assista aí e você entenderá o porque:

Jogabilidade e a Comparação com Salt & Sanctuary

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Uma comparação que é impossível não se fazer é entre Death’s Gambit com Salt & Sanctuary. Mais até do que com o excelente Hollow Knight, pois nesse caso trata-se de um Metroidvania com elementos de Souls-like. Já entre esses outros dois games, a comparação é inevitável.

Salt & Sanctuary é um excelente Souls-like 2D, com um estilo próprio e um alto desafio. O game tem um estilo de personagens mais cartunesco, contando com um imenso mapa muito labiríntico e fácil de se perder em certos pontos, principalmente nas ligações entre os cenários. Vou então compará-lo ao mapa de Dark Souls 2, que é o maior mapa da série, apesar de ser muito mais linear.

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Como já mencionado, Death’s Gambit tem um cenário mais compacto, lembrando o mapa do primeiro Dark Souls nesse sentido. Por conta disso, é mais fácil de se localizar e encontrar atalhos para outras áreas ou mesmo dentro de um mesmo local. Um porém é que o game não possui a opção de se transportar entre áreas, dessa forma, você terá que fazer tudo a pé. Felizmente o mapa do game conta com uma “estrada” que atravessa os cenários do início do game até o final, em que o jogador pode atravessar com um cavalo, facilitando um pouquinho as coisas, mas ainda assim, o jogador precisará entrar e sair de cada área do game na caminhada.

O combate de Death’s Gambit varia de acordo com a arma que você estiver utilizando, assim como em Salt & Sancturay. Existem dez tipos diferentes de armas: Montante (Great Sword), Long Sword, Adagas Duplas, Katana, Machado, Martelo, Lança, Arco, Foice e Tomo de Magia. A variedade de armas é pequena, sendo pelo menos uma para cada tipo, com exceção dos arcos, que possuem vários diferentes.

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Algo interessante são as habilidades. Elas são ataques especiais e magias que são usadas com cada tipo de arma. As habilidades são aprendidas com os NPCs do game, e para serem utilizadas dependem de dois fatores: Que seu personagem tenha os atributos necessários (Força, Inteligência, etc) e que esteja equipado com a arma certa. As habilidades só podem ser utilizadas se o jogador estiver equipado com a arma correspondente para utilizá-la, incentivando assim que o jogador experimente diferentes tipos de armas para diferente situações. O jogador pode equipar apenas duas armas, atacando com a arma primária com um botão e com a secundária com outro.

O game tem movimentação rápida, o que demandará que o jogador seja hábil durante os combates, pois certos inimigos não serão atordoados facilmente, ou poderão contra-atacar bem rápido, por isso, aprenda o timing de cada uma de suas armas, sempre lembrando que, quanto maior a arma, mais forte e mais lenta ela é.

Há ainda um último recurso para dificultar ainda mais as coisas para o jogador. A qualquer momento, o jogador pode cancelar seu contrato com a Morte e voltar a ser mortal. Mas essa é uma decisão permanente, e se o jogador morrer depois de cancelar o seu contrato, é Game Over, definitivamente, pois sem o apoio da morte, Sorun não poderá mais reviver.

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Infelizmente, até o momento da escrita dessa análise, essa opção não estava funcionando. Ao tentar cancelar o contrato com a morte o game acabava dando crash. Há alguns outros bugs no game, como uma habilidade específica que não está funcionando e alguns crashes que acontecem ao se conversar com a NPC Ione em um determinado momento no Santuário Central. A Adult Swim Games e a White Rabbit já estão a par desses bugs e já se comprometeram a lançar um patch de correções em breve.

Audiovisual

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Death’s Gambit possui um visual simplesmente belíssimo, todo feito em pixel art e cheio de detalhes. A movimentação de todos os personagens e elementos do cenário são muito fluídos, muitos cenários do game até merecem uma pequena pausa para apreciá-los, seja em cenários de vegetação esvoaçante, cavernas com elementos brilhantes ao fundo, castelos destruídos cheios de inimigos. Tudo no game é incrivelmente belo.

Os chefões possuem visuais incríveis, além de possuírem muitos ataques destrutivos que criam luzes ou explosões pixeladas na tela, deixando tudo bastante caótico. A riqueza de detalhes do game impressiona, é uma verdadeira obra de arte mortífera feita em pixels.

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O game tem belas músicas que vão além de temas medievais e orquestrados para as batalhas, com muitas músicas mais modernas tanto para situações de calmaria quanto de combate intenso. Além disso, cada área do game tem uma atmosfera sonora diferente, como florestas e planaltos com sons uivantes do vento, cavernas com ecos, sons de goteiras e grunhidos de inimigos ao fundo, o game está sempre transmitindo as “sensações” de cada área em suas músicas e efeitos sonoros.

O game possui dublagens em inglês, sendo elas muito bem feitas. A morte possui uma voz grave e ecoante, assim como muitos dos inimigos do game. Cada NPC tem uma voz própria, com excelentes expressões para as situações que o jogador se envolverá com eles. O game conta com menus e legendas em português brasileiro, e a tradução do game é simplesmente excelente! Adaptando muitas expressões para o nosso idioma de forma perfeita, contando até com alguns “Vixe!”

Conclusão

Análise Arkade: Torne-se um servo da Morte e destrua os imortais em Death's Gambit

Death’s Gambit é um game que estava sendo esperado por muitos jogadores há muitos anos. Ele demorou para ser lançado e agora que já chegou, não decepcionou. A experiência que ele entrega é envolvente, desafiadora e divertida. Com a óbvia comparação entre Salt & Sancturay, o que pode-se concluir é que ele é mais difícil em alguns pontos e menos em outros. Seus chefões são bem difíceis,  ainda mais no Modo Heroico, no entanto o game tem um cenário menor e mais fácil de se explorar.

Mas de qualquer forma, é um game excelente, e um título obrigatório para qualquer fã do subgênero Souls-like. O game tem cenários cheios de atalhos e interligações, inimigos e chefões poderosíssimos e a já conhecida mecânica de usar a mote como um recurso, além de uma punição pelas falhas do jogador. Se você estava no aguardo desse game, jogue-o sem medo, pois ele é muito divertido!

Death’s Gambit foi lançado no dia 14 de agosto, com versões para Playsattion 4 PC.

Uma resposta para “Análise Arkade: Torne-se um servo da Morte e destrua os imortais em Death’s Gambit”

  • 23 de agosto de 2018 às 19:40 -

    DM_salazar

  • Já esperava por essa conclusão,o game é muito bom mesmo.Parabéns aos responsáveis do game e muito boa a sua analise. :)

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