Análise Arkade: Os heróis jamais deixam de lutar em Die For Valhalla!

29 de maio de 2018
Autor: Paulo Roberto Montanaro

Análise Arkade: Os heróis jamais deixam de lutar em Die For Valhalla!

Definitivamente, a mitologia nórdica está na moda. Depois de muito e muito tempo na sombra de sua prima mais famosa (a mitologia grega), e a mais misteriosa (egípcia), chegou a hora de alcançar o grande público. Mais do que explorar Thor, Odin e Loki, começamos a nos acostumar com Valkirias, Mimir e o tal do Valhalla.

Já falamos um pouco disso no recente review do game Tyr: Chains of Valhalla: depois de aparecer aqui e ali na cultura pop (com destaque óbvio para o novo God of War), nos quadrinhos da Marvel e no filler do anime Cavaleiros do Zodíaco, nos últimos anos temos visto muito mais sobre esse mundo.

Análise Arkade: Os heróis jamais deixam de lutar em Die For Valhalla!

Prova disso são os recentes sucessos de Thor nos cinemas, God of War vendendo 5 milhões de cópias em um mês, que continua arrebatando fãs ao redor do mundo. Claro que a janela trouxe coisas a mais, desde Jotun até o já citado Tyr. E a bola e, agora, traz Die For Valhalla!

Morrer (de novo) por Valhalla

O novo game da dev independente Monster Couch começa acertando no título: Die For Valhalla! (com exclamação mesmo, pra ficar mais épico) consegue trazer um novo aspecto desta mitologia, não se focando somente em divindades e grandes nomes do panteão nórdico, mas sobretudo na honra de seus bravos guerreiros anônimos.

Análise Arkade: Os heróis jamais deixam de lutar em Die For Valhalla!

Uma Valkiria é enviada para salvar seu mundo e, para tanto, ela tem a capacidade de invocar do Valhalla guerreiros vikings de diferentes classes e clãs para uma vez mais darem suas vidas pelo bem maior. Quem enviou, porquê enviou e contra quem ela luta são mistérios desenvolvidos ao longo da jornada.

O jogo consegue, de forma leve e bem humorada, manter uma narrativa bastante satisfatória enquanto te conduz a uma grande variedade de níveis. Uma entidade misteriosa, como é bastante comum, vai oferecendo as informações necessárias para seguir adiante. Suas intenções com isso… bem, você terá que jogar para descobrir.

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Desta forma, dentre as possibilidades iniciais, você escolhe uma Valkiria que representa uma certa estação do ano e, com ela, pode invocar guerreiros com os tradicionais machados, espada e escudo e arco e flecha — cada qual com suas especificidades — para derrubar o que vier pela frente. E virão hordas e mais hordas, acredite.

Descendo o sarrafo

Die For Valhalla! é, sobretudo, um beat ‘n up de progressão lateral no melhor estilo Golden Axe, onde o jogador (sozinho ou em multiplayer local) precisa atravessar o cenário fatiando e decepando inimigos. E, como em outros jogos do gênero, basicamente é isso que você precisa saber para começar a aventura.

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Em termos mais práticos, a jogabilidade não é estranha a ninguém que tenha jogado games similares nas últimas décadas, como Final Fight, Streets of Rage, Double Dragon ou Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time: A saber: ande, bata, derrote inimigos, destrua elementos na tela para encontrar comida/medicamentos, limpe o ambiente e repita o processo até chegar ao fim do jogo.

A grande inovação aqui é que seu personagem nada mais é do que um avatar resgatado de Valhalla pela verdadeira protagonista. E, se ele cair, basta invocar outro por meio dos totens espalhados ao longo do cenário. Aliás, não são só guerreiros que podem ser incorporados pelas Valkirias. Barris e moitas também podem ser possuídos em algum momento!

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Em outras palavras, o jogo consegue incorporar a morte — que, claro, tem que ser nada menos que gloriosa em batalha — em sua estrutura de gameplay. Aqui, não é uma história individual que importa, e sim o verdadeiro sacrifício, de ser, mais uma vez, instrumento para a honra e para a vitória.

Essa mecânica de troca de corpo, quando bem compreendida, cria uma dinâmica bem interessante ao longo do jogo, já que se pode assumir diferentes classes e intercalá-las de forma bem prática. Não é necessário, portanto, escolher um guerreiro ou um arqueiro a priori. Você pode usar ambos (e mais) dependendo do desafio.

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Com um sistema de livre movimentação pelas fases vencidas e de progressão que cria essa sensação de verdadeiro avanço, o jogo garante muitos benefícios para a dedicação. Certamente, não é um game para ir avançando direto até terminar. É importante voltar, coletar mais pontos e runas, explorar cada canto esquecido do mapa, e aproveitar a viagem.

Uma estética (que poderia ser mais) gloriosa

Talvez “gloriosa” seja uma expressão superlativa, mas seu uso é inevitável quando se trata de um jogo que consegue ao mesmo tempo ter um escopo grandioso e ser contido no seu recorte. Sim, vemos aqui Valkirias e guerreiros que conquistaram o direito de entrar nos salões de Valhalla, a maior honra para um viking.

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Mas ao mesmo tempo, é um jogo pé-no-chão que trata disso tudo com leveza. Nada de corpos esculturais ou de designs épicos, como nos já citados God of War e Jotun. Ainda que você vá encontrar inimigos colossais, como os poderosos trolls, vai ter que lidar com aranhas e anões a maior parte do tempo.

Nesse sentido, Die For Valhalla! consegue ser bastante comedido em termos visuais. A criação de heróis e inimigos carrega aquele sentimento de ser fofinho — mesmo quando grotesco –, e funciona bem, considerando esse clima mais agradável. Há um capricho muito delicado nesses personagens, mesmo quando repetidos.

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O ambiente, por sua vez, já não é tão inspirado assim. De moitas a barris, de texturas a planos de fundo, dá a sensação que não houve a mesma preocupação estética vista nos personagens. Há passagens legais onde no segundo, terceiro plano há coisas acontecendo, mas muito distante de algo que valha ser contemplado.

Ouvimos os personagens de forma divertida, com vozes — na verdade, gritos de guerra — simples, mas funcionais. A trilha musical é instigante e remete ao movimento, à ação contínua, à batalha constante. Com efeitos competentes e um bom trabalho de mixagem, o som no jogo é daqueles que se aumenta para curtir.

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Como um todo, o jogo tem muito estilo e personalidade. Tem um traço leve e carismático nos personagens, mas poderia ousar mais na cenografia, principalmente nos objetos espalhados pelo ambiente, até porque além de poderem ser destruídos, eles podem também ser possuídos. Não é sempre que uma moita pode ser protagonista.

Conclusão

Die For Valhalla! é uma ótima surpresa. Abusando de uma temática que começa a ganhar o grande público e aproveitando a oportunidade da janela de lançamento, o game consegue se destacar com carisma, mesmo com a impessoalidade do protagonismo. O herói não tem nome. O herói é o povo.

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Ainda que seja desafiador — não é, definitivamente, um passeio no parque até o final — o jogo não dá aquela sensação de punição e de estar sempre enroscado no mesmo lugar. Com uma infinidade de níveis e possibilidades de progressão e melhoria dos atributos escolhidos, é sempre revigorante  voltar à aventura de Die For Valhalla!

Disponível a partir de hoje (29/05) para Playstation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC, Die For Valhalla! está totalmente localizado para o português e é um convite para, uma vez mais, sair quebrando tudo na pele de um (ou vários) herói(s) viking!

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