Análise Arkade – Disney Classic Games: Aladdin and The Lion King é um pacotão de nostalgia

4 de novembro de 2019
Autor: Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade - Disney Classic Games: Aladdin and The Lion King é um pacotão de nostalgia

Os anos 90 sem dúvida renderam diversos clássicos parta o mundo dos games. Foi nessa época que mascotes como Mario e Sonic consolidaram sua popularidade, e o público acompanhou uma das mais célebres batalhas do mundo dos games: Sega X Nintendo.

Nessa época mágica, a Disney investiu pesado na produção de jogos de seus filmes e personagens. E, contrariando a regra de “jogos baseados em filmes são ruins (e vice-versa)”, ela lançou alguns jogos excelentes! Títulos que não paravam na prateleira das locadoras, e marcaram a infância de muita gente (me incluo nessa conta).

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Sony X Microsoft? Pfff, a maior batalha do mundo dos games foi essa!

A Disney não produzia diretamente os jogos, mas contratava empresas como Capcom e Virgin para cuidarem da produção, enquanto assumia um papel de consultora e curadora do conteúdo. Recentemente, a Capcom revisitou alguns destes clássicos na divertida coletânea The Disney Afternoon Collection. E agora, a própria Disney revisita dois dos seus melhores títulos, em uma coletânea que é, antes de mais nada, um pedaço da história dos videogames!

Aladdin

Aladdin foi uma animação que marcou época, e ganhou um jogo igualmente emblemático. Na verdade, dois jogos: como era meio comum na época, tivemos duas empresas diferentes produzindo jogos diferentes para plataformas diferentes : enquanto a Virgin lançou um jogo de ação e aventura para o Mega Drive, a Capcom foi lá e fez um jogo mais focado em plataforma para o Super Nintendo.

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O início da jornada

O Aladdin do Super Nintendo estava sempre com seu macaquinho Abu e era mais pacífico, e podia basicamente saltar sobre e/ou evitar os inimigos. Já no Mega Drive, o herói carregava uma espada, com a qual podia combater guardas, cobras, e outros perigos — e Abu tinha suas próprias fases bônus. A versão Sega do jogo ainda levava vantagem por ter sprites desenhados pelos próprios artistas da Disney, que posteriormente foram convertidas em pixels e tornaram-se animações do game.

Embora a questão de “qual o melhor jogo do Aladdin” seja questionável, muitos preferem a do Mega Drive, e é basicamente ela que se faz presente nesta coletânea, em 4 versões diferentes: temos o jogo original, uma versão demo não finalizada que foi apresentada durante um evento, a versão japonesa do game (que me pareceu idêntica à ocidental) e por fim uma versão “Final Cut“, que é o equivalente aos “day one patches” de hoje em dia, sendo basicamente uma versão melhorada do jogo original, com correções de bugs e outras pequenas melhorias.

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A fuga da caverna é bem desafiadora

Além disso, temos duas versões portáteis do game, vindas direto do bom e velho Game Boy. A diferença é que uma é colorida, outra não. Curiosamente, a versão Game Boy de Aladdin parece misturar características das duas outras plataformas: o personagem carrega a espada, mas também possui o “paraquedas”, que era mais usado no jogo de Super Nintendo.

É conteúdo pra caramba, mas é triste que não tenhamos a versão do Mega Drive e a versão de Super Nintendo para compararmos. Não consegui descobrir a razão desta ausência, mas acredito que seja uma questão de direitos autorais. De qualquer modo, é uma pena que a versão produzida pela Capcom tenha ficado de fora de uma coletânea que deveria justamente reunir todas as versões dos jogos.

O Rei Leão

Este problema não acontece com O Rei Leão: temos tanto a versão de Super Nintendo (chamada de Console N Version) quanto a versão de Mega Drive (Console S Version). O que seria ótimo, se ambas as versões não tivessem sido produzidas pelo mesmo estúdio (a Virgin Interactive Entertainment) e não fossem praticamente idênticas.

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A clássica fase do cemitério de elefantes

Sendo justo, a versão Super Nintendo leva vantagem especialmente no departamento sonoro: o chip de som do SNES era indiscutivelmente mais poderoso que o do Mega Drive, então a versão “Console N” do jogo traz músicas e efeitos mais bacanas. Mas, em termos de conteúdo, fases e jogabilidade, a experiência é essencialmente a mesma nas duas versões.

Como no Aladdin, aqui também temos duas versões de Game Boy disponíveis (colorida e original) e uma versão japonesa que é tão igual às outras quanto poderia ser. Nada de “Final Cut” ou demo por aqui, o que torna esta coletânea um tanto limitada, uma vez que, entre 5 jogos, temos apenas 2 versões diferentes do game: a de consoles e a de portáteis.

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Esse é o visual da versão Game Boy Color

Mega Drive e Super Nintendo entregavam experiências muito similares, de modo que são apenas detalhes técnicos (como a qualidade do áudio) que diferencia uma da outra.

Recursos que facilitam a vida da gente

Quando queremos matar a saudade destes clássicos, a forma mais prática costuma ser colocando uma ROM para rodar em algum emulador. Ok, sei que isso é “pirataria”, mas ao mesmo tempo é uma maneira de manter vivo o legado e a memória destes jogos antigos que foram tão especiais — afinal, nem todo mundo pode se dar ao luxo de manter todos os seus videogames ao longo da vida, né?

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Derrubar as calças desses caras segue sendo engraçado XD

A Disney parece que entendeu o recado, e colocou aqui recursos típicos de emuladores, que tornam a experiência de curtir estes jogos muito mais acessível e menos punitiva. Pelo menu de opções, podemos escolher para qual fase queremos ir, ou mesmo habilitar um cheat de invencibilidade — só fique avisado que usar algum destes recursos automaticamente desliga troféus/conquistas.

Mas não é só isso: há um bem-vindo botão rewind que, como em jogos de corrida atuais, podemos manter pressionado por alguns segundos para retroceder os últimos segundos de gameplay e corrigir um erro, evitar uma queda fatal, ou algo do tipo. Além disso, a qualquer momento podemos pausar e criar um save point, o que também é uma mão na roda.

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Simba, já adulto

O recurso que achei mais interessante porém, é o Watch. Ao selecioná-lo, você começa a assistir um gameplay completo do jogo escolhido, do início ao fim. Você pode adiantar ou “rebobinar” o vídeo, como um vídeo por streaming comum. Porém, o que torna este recurso legal é quem ao chegar em uma parte que você queira assumir o controle (tipo a sua fase favorita, ou o último chefão), você pode parar de assistir e assumir o controle. Demonstro abaixo este recurso no jogo d’O Rei Leão, confira:

Mano, o bagulho deixa de ser um vídeo e te coloca na ação no exato momento em que você solicitar! De espectador passivo a jogador ativo em um piscar de olhos! Não sei “que bruxaria é essa”, mas é bem impressionante, e funciona muito bem!

Bastidores de uma época mágica

Como não há muito o que falar dos jogos em termos audiovisuais — visto que eles são reproduções idênticas ao que tínhamos na época, e o máximo que podemos fazer é aplicar alguns filtros e decidir se queremos jogar no formato padrão 4:3 (com bordas) ou “esticando” o jogo para o formato widescreen 16:9 –, acho válido ressaltar o valoroso conteúdo de bastidores que esta coletânea traz.

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Acompanhar os bastidores de produção destes clássicos é bem interessante

Para ambos os jogos, temos uma série de vídeos de bastidores que mostram o processo de criação dos games em uma época em que tudo era muito mais simples. Ambos são jogos com mais de 25 anos de vida, que adaptam algumas das animações mais famosas da Disney para uma outra mídia — uma mídia interativa. E é incrível ver como essa transição foi feita. Entrevistas com os produtores, cenas de making of, perguntas e respostas… há muita informação bacana sobre a concepção destes jogos tão queridos.

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O Museum inclui artes originais que, posteriormente, viraram animações in game

Além disso, é possível curtir a trilha sonora de cada jogo, e conferir concept arts, artes publicitárias e ilustrações que ajudaram os artistas e animadores a criarem cada elemento dos jogos. É muito interessante ver como tudo isso saiu do papel, e é o tipo de conteúdo que nem o melhor dos emuladores pode oferecer. É um pedaço da história dos videogames, sendo destrinchado bem diante de nossos olhos.

Conclusão

Esta Disney Classic Games: Aladdin and The Lion King é sem dúvida um pacotão de nostalgia que tem tudo para agradar quem cresceu curtindo estes clássicos nos anos 90. Este era o tipo de jogo que eu só jogava alugando, então tê-los para mim, para jogar quando quiser, sem dúvida tem um sabor especial.

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A clássica fase do estouro da manada

É fácil argumentar que um emulador entrega uma experiência de jogo tão boa quanto a que temos aqui, mas os extras que o pacote traz é o que realmente lhe coloca um passo à frente. As entrevistas, trechos de making of, concept arts e cenas de bastidores resgatam um pedaço importante da história dos games, e é o tipo de material que os fãs definitivamente não vão querer perder — infelizmente, não há legendas em português brasileiro para estes conteúdos, nem para os jogos propriamente ditos.

Assim sendo, a única lacuna que realmente deixa um buraco considerável é a ausência do Aladdin console N version“, para podermos comparar com a “console S version” e decidir, de uma vez por todas, qual é a melhor. Fora isso, o que temos aqui é um conteúdo de primeira, com direito a recursos que facilitam a vida da gente, e ainda nos ensinam muito sobre o processo de criação destes jogos tão emblemáticos.

Disney Classic Games: Aladdin and The Lion King foi lançada em 29 de outubro, e está disponível para PC, Playstation 4 (versão analisada), Xbox One e Nintendo Switch.

Uma resposta para “Análise Arkade – Disney Classic Games: Aladdin and The Lion King é um pacotão de nostalgia”

  • 4 de novembro de 2019 às 23:10 -

    Helinux

  • Bons tempos da época Sega VS Nintendo…bons tempos de seus jogos clássicos e muita coisa boa que tinha na época 16 bits da vida!!!! valeu

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