Análise Arkade: Haimrik mostra o poder das palavras com muita criatividade

10 de julho de 2018
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: Haimrik mostra o poder das palavras com muita criatividade

Prepare-se para conhecer o verdadeiro poder das palavras em Haimrik, game pra lá de criativo que transforma palavras em itens, armas e muito mais!

Contextualizando

Recentemente nosso camarada Junior Candido falou sobre Haimrik aqui no site, justamente por ter ficado impressionado com o potencial criativo do game, que estava em exposição no BIG Festival.

Análise Arkade: Haimrik mostra o poder das palavras com muita criatividade

Depois de experimentar o game, que já foi lançado, reforço o coro do Junior: Haimrik é um joguinho extremamente criativo, estiloso e divertido, fruto de um trabalho caprichado dos colombianos do estúdio Below the Game.

Tá mais do que se trata o game? Vamos lá: Haimrik acompanha o personagem de mesmo nome, um escrivão de um pequeno vilarejo medieval que acidentalmente descobre um livro mágico com poderes únicos: ao usar sangue como tinta, quem escreve é transportado para dentro do livro, e lá pode materializar tudo o que precisar simplesmente interagindo com as palavras certas.

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Repare no texto entre os andares: certas palavras ali viram objetos e itens úteis, ou mesmo inimigos!

Dotado deste poderoso artefato literário, nosso improvável herói deverá fazer o possível para salvar seu vilarejo… mesmo que isso envolva resolver pequenos problemas do cotidiano, afinal, “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”.

O poder das palavras

O gameplay de Haimrik se divide em dois momentos: fora do livro, devemos conversar com outros personagens, que irão nos pedir coisas e solicitar missões, como em praticamente qualquer RPG que se preze.

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Feito isso, nosso personagem abre um talho em sua mão, usando seu sangue para “entrar” no livro, onde deve resolver alguns puzzles para conseguir algo que irá ajudá-lo a cumprir sua missão. Sempre que uma nova demanda é apresentada no mundo real, viajamos para dentro do livro para tentar solucioná-la.

Confira abaixo um pouco de gameplay do início da campanha para entender mais ou menos como o game funciona:

Sacou? Podemos interagir com certas palavras, que tornam-se armas, itens ou outras coisas úteis. Combinar estes itens também se faz necessário, em um exercício que demanda atenção e raciocínio lógico do jogador.

Ainda que não sejas um jogo particularmente complexo, Haimrik pode se tornar um tanto obtuso, como eram os point and clicks de antigamente. Sabe aqueles puzzles estilo LucasArts que são resolvidos de uma forma que não faz nenhum sentido? Pois é, volta e meia algo do tipo aparece em Haimrik.

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O texto não só antecipa as ações do chefe, servindo até como barra de energia!

Isso não desmerece o jogo, que no geral consegue entregar situações criativas para justificar a utilização de nossos “poderes”. Muito além de puzzles e combinações, em Haimrik iremos encarar inimigos, perseguições e até mesmo chefes gigantes, sempre utilizando as palavras para nos livrarmos das enrascadas!

Audiovisual

Haimrik tem uma vibe cartunesca de desenho animado muito simpática. Suas animações são simples — e denotam uma evidente falta de verba, algo bem comum em se tratando de títulos independentes — mas no geral o que faltou em orçamento sobra em personalidade.

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As cutscenes são simples, mas cheias de personalidade.

O traço caricato do game é muito bacana, e sua falta de cores é utilizada para evidenciar sangue, fogo e outros elementos dramáticos. A trilha sonora segue uma cartilha medieval padrão, e no geral entrega composições que combinam perfeitamente com a temática do game

Como nem tudo são flores, há um excesso de reaproveitamento de ideias — do tipo “prepare-se para enfrentar o mesmo dragão diversas vezes,  em situações ligeiramente diferentes” — mas no geral a campanha do game consegue oferecer uma experiência divertida e interessante.

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Esse é o dragão aparece mais do que deveria.

O que pode acabar se tornando um problema para muita gente é a barreira idiomática: Haimrik está totalmente em inglês, e considerando a importância que as palavras têm no game, quem não tem um bom conhecimento do idioma simplesmente não conseguirá aproveitar o jogo, afinal, o inglês aqui não é apenas para entender a história; o idioma está diretamente ligado ao gameplay em si.

Jogos como Scribblenauts conseguiram driblar este problema com um excelente trabalho de localização, mas Haimrik infelizmente tende a se tornar um jogo de nicho, simplesmente porque nem todo mundo será capaz de jogá-lo. Algo do tipo aconteceu com Typoman Revised, outro game deveras criativo, mas com elaboradas mecânicas ortográficas que exigiam algum conhecimento de inglês para ser plenamente aproveitado.

Conclusão

Haimrik sintetiza algo bem comum no cenário independente: temos aqui um jogo onde sobra criatividade e falta orçamento. Isso não impediu os produtores de entregarem algo muito interessante, que brinca com a narrativa e faz o jogador interagir com as palavras de formas engenhosas e criativas.

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Infelizmente, porém, tudo isso fica “atrás” da barreira do inglês, o que inviabiliza a experiência para quem não é versado no idioma. Felizmente, esse tipo de coisa pode ser resolvida através de patches e atualizações, e eu torço para que os caras da Below the Game consigam localizar Haimrik para o maior número de idiomas possível.

Porém, se o seu inglês está em dia e você está atrás de um criativo e bem humorado — ainda que mecanicamente simples — com certeza não vai encontrar nada como Haimrik por aí. Em tempos onde “nada se cria tudo se copia” no mundo dos games, originalidade e criatividade definitivamente devem ser levadas em conta, e, nestes quesitos, Haimrik brilha.

Haimrik foi lançado em 19 de junho, e está disponível para PC, Playstation 4 e Xbox One.

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