Análise Arkade: O tiroteio entre mechs do free-to-play Hawken

28 de julho de 2016
Autor: Paulo Roberto Montanaro

Análise Arkade: O tiroteio entre mechs do free-to-play Hawken

Se você achou que com Titanfall 2 você finalmente poderia sair no tiroteio desenfreado entre robôs gigantes, não precisa esperar tanto assim (e nem gastar seu rico dinheirinho). Hawken, jogo multiplayer de tiro em primeira pessoa onde mechs de batalha explodem uns aos outros em arenas ando mechs está disponível para PCs e consoles de nova geração gratuitamente e parte desse pressuposto. Nós jogamos e agora contamos tudo o que achamos do jogo.

Contextualizando o jogo

Desenvolvido pela Adhesive Games e lançado para PCs em 2012, Hawken tem um princípio bem simples e objetivo. Em um mundo devastado por guerras, o jogador assume um dos muitos mechas disponíveis no jogo e sua missão é exterminar os inimigos dentro do espaço da arena. Estas máquinas são, obviamente, todas preparadas para o combate armado, com ótimos recursos de movimentação e, claro, muito poder de fogo. Simples assim, como deve ser.

Análise Arkade: O tiroteio entre mechs do free-to-play Hawken

Assim que o jogo começa, há uma introdução em live action bem produzida, mostrando um pouco daquele bom e velho mundo pós-apocalíptico devastado pelas guerras… mas no final isso importa muito pouco, até porque não há uma narrativa ou um modo campanha dentro do jogo.

Tudo aqui é voltado somente para os combates multiplayer e, a partir desta proposta básica, o jogador deve administrar seus recursos, sejam eles conquistados durante as partidas, sejam comprados com dinheiro real, para ter em seu poder as máquinas que usará em combate nos (nem tão) diferentes modos de jogo disponíveis.

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Audiovisual

Parte do atrativo do jogo são exatamente as possibilidades de se adquirir mechs-base novos, melhorá-los e customizá-los. Os robôs são fortes e truculentos, com aquela aparência de desgaste típico de um veículo de combate. Seus formatos são bastante variados e há uma gama de possibilidades de melhorias considerável.

De início, o jogador começa com um mech que mais parece uma televisão gigante de guerra (?!). Aos poucos, conquistando experiência  — e principalmente os pontos que são a moeda do jogo –, você poderá comprar outras máquinas ou mesmo melhorar as que já tem com armamentos, recursos, características de batalha ou simplesmente estética. Tudo contribui para que o seu mecha seja único dentro do universo do jogo.

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É possível até criar um robô com tela azul de erro.

Ainda que tenha incorporado melhorias nos últimos anos (desde o seu lançamento para PCs), Hawken é basicamente o mesmo jogo de 2012. Isso significa que visualmente o jogo carrega consigo mostras dessa idade não só por limitações estéticas, mas principalmente porque pode ser facilmente reconhecido como parte de seu tempo.

Assim, alguns elementos gráficos nos parecem datados e certamente lembrarão de jogos de meio da sétima geração. Isso não chega a ser exatamente um ponto negativo — visto que o visual do jogo é acima da média para um free-to-play –, mas certamente quem espera um polimento visual pode se decepcionar um pouco com algumas texturas e ambientes. Ainda assim, Hawken não é feio ou mal-feito, longe disso. Consegue traduzir bem o tom de metal distorcido e destruído e cumpre bem aquilo que se propõe.

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Em termos sonoros, não há aqui um grande destaque. Tudo é metalizado demais, como deveria ser. Os efeitos são funcionais, há algumas nuances que podem passar despercebidas mas que colaboram com a imersão, mas nada que realmente fuja do normal. A trilha musical também não faz feio, mas não chega a ser memorável. Certamente, você não vai lembrar muito bem do que estava tocando durante as batalhas… até porque elas são bem intensas e não dá pra ficar simplesmente apreciando a música. O pecado fica por conta, mais uma vez, da ambientação. As arenas careciam de um pouco mais de identidade, e pouco se diferem uma da outra também nesse aspecto.

Enfim, balas e metal para todos os lados!

Em termos de jogabilidade, há que se considerar um período de aprendizado e adaptação, principalmente para aqueles que já são mais calejados no tiroteio virtual. Os comandos de ataque, defesa, esquiva e equipamentos especiais têm suas particularidades e precisam de uma boa curva de aprendizado para serem dominados.

O modo tutorial, que pode ser concluído em alguns minutinhos, já é suficiente para que você aprenda o básico, mas a adaptação por parte do jogador deve acontecer mesmo nas primeiras partidas para valer. Ainda assim, Hawken é em essência um FPS moderno, com direito a armas principal e secundária, movimentos de esquiva e de voo usando seus foguetes e conta também com recursos adicionais, como granadas e outras traquitanas.

Uma das diferenças mais interessantes e que agregam valor a estratégia e a abordagem é o fato de que a barra de energia do mech não se restaura sozinha. Há sim alguns power ups que podem ser coletados e que fazem esse papel de recuperar o life da máquina (que são deixados pelo inimigo derrotado), mas o diferencial mesmo é que durante a partida você conta com um pequeno drone complementar que, a um comando, pode consertar seu robô a qualquer momento.

O problema é que, enquanto é consertada, sua máquina fica inoperante durante o processo de restauração. Portanto, se o procedimento começar e um inimigo encontrá-lo, você estará absolutamente vulnerável a ataques diretos e certamente irá explodir. Ou seja, para se recuperar de danos, é preciso se esconder bem e pensar muito antes de começar.

Análise Arkade: O tiroteio entre mechs do free-to-play Hawken

Talvez o maior pecado de Hawken seja a falta de variedade de mapas. Ainda que a princípio possa não fazer tanta falta assim, com o tempo acaba ficando repetitivo explorar somente os mesmos espaços. Soma-se a isso um nível inferior na qualidade visual dos detalhes e ambientes e logo o game parece genérico demais. Tudo passa uma impressão de um esboço de modelos simples com texturas medianas, como cubos e rampas.

Pior que isso: com o tempo é natural que jogadores experientes decorem o ambiente por completo, o que agrega uma vantagem a mais sobre jogadores “novatos”, o que pode fazer com que mesmo com equipamentos ou habilidade inferiores, um jogador que tenha decorado certos espaços consiga superar essas limitações. A princípio, isso ajuda e premia os jogadores mais dedicados, mas na prática, só cria estratégias bem limitadas de sucesso e pode até parecer meio desleal para quem está começando.

Análise Arkade: O tiroteio entre mechs do free-to-play Hawken

O grande diferencial de Hawken está, inevitavelmente, nas máquinas em si. É possível sentir a física do jogo funcionando bem. Cada mech tem seu peso diferenciado na movimentação, e tudo parece bem balanceado. Tal como Star Wars: Battlefront, os recursos mais comuns, como munição e combustível (usado para movimentação lateral ou vertical com os jetpacks) são ilimitados, mas se usados em demasia se esgotam ou superaquecem, demandando um tempinho para recarga. Administrar ambos com sabedoria é fundamental para não ficar sem nenhum deles em um momento crítico de combate.

Free-to-Play ou Pay-to-Win?

Aqui no Arkade, tivemos a oportunidade de jogar Hawken de duas formas: a versão padrão free-to-play que está disponível para todos e, depois, com um dos dispendiosos pacotes que trazem novas máquinas e alguns benefícios (que nos foi cedido cordialmente pela produtora para esta review).

Deste modo, fica bastante claro afirmar que mesmo sendo inegável o valor de se ter itens exclusivos e superiores, o jogo não é daqueles que muitos chamam de pay-to-win — ou seja, gratuito, mas que só é possível vencer de fato comprando itens extras. Nos divertimos em ambos os momentos e mesmo que a máquina extra seja muito bacana (na imagem abaixo, é a do lado direito), é possível sim participar de forma equilibrada e divertida jogando somente a versão padrão do game (o primeiro mech da esquerda na imagem abaixo mostra a máquina default do jogo).

Análise Arkade: O tiroteio entre mechs do free-to-play Hawken

Portanto, se você estiver interessado, não se preocupe em não poder investir dinheiro real. Isso ajuda, principalmente em termos estéticos das máquinas, mas não determina vitória ou derrota. Aliás, confesso que apanhei mais com a versão nova do robô do que com o mech padrão…

Os modos de jogo, por sua vez, não chegam a ser originais ou mesmo criativos, principalmente para quem já jogou qualquer game multiplayer de combate em arenas. Há o clássico Deathmatch entre jogadores (em times ou individual) e há uma alternativa de players contra bots (que ajuda muito a pegar a mecânica do jogo sem ser frustrante ou moleza demais).

Há também o clássico modo de dominar pontos no mapa (muito parecido com os de Destiny) chamado de Missile Assalt. Por fim, Siege impõe o objetivo simples de destruir a base inimiga, mas se mostra um dos mais complicados e longos modos do jogo, já que exige também estratégia de domínio de área. Não há muito segredo em nenhum destes modos, que acabam sendo boas desculpas para o tiroteio desenfreado e dinâmico do jogo. A meta, no final, é simplesmente destruir o inimigo quantas vezes forem possíveis.

Infelizmente, o game sofre bastante com a fluidez. Não raros são os momentos em que a quantidade de frames por segundo deixam tudo mais truncado. Contudo, este é um dos jogos mais rápidos para carregar nesta geração. O início de uma partida é bastante imediato, evitando longos loadings entre batalhas. Talvez pela simplicidade visual do ambiente, ou até por seu tamanho limitado, o jogo nunca deixa o jogador esperando demais.

Outra vantagem é que nos modos de Deathmatch não se espera tanto assim por outros jogadores. Se não tiver tanta gente assim no lobby, as vagas restantes são preenchidas por bots e pronto. Não há frustração nesse sentido, ainda que por vezes, desejei que o jogo pudesse demorar uns segundinhos a mais para ficar mais fluido e para ter mais gente de verdade na partida. O problema fica por conta dos demais modos que muitas vezes estão vazios e demoram muito para encontrar o número mínimo de participantes.

Conclusão

Hawken é sem dúvidas uma grata surpresa. Sem muito marketing ou destaque ao chegar nos consoles de mesa, ele se mostra uma alternativa muito divertida e interessante para quem busca batalhas descompromissadas usando máquinas de combate sem gastar um tostão. É divertido e equilibrado, algo importante em se tratando de um jogo free-to-play e não frustra, mesmo contra inimigos poderosos, já que demora um tempo até sua máquina ser destruída de fato. Assim, não tem aquela história de um tiro por morte, como outros FPS competitivos multiplayer. Mesmo quem não é tão fã de jogos exclusivamente online pode passar horas buscando vitórias, comprando outras máquinas ou melhorando as suas favoritas.

Análise Arkade: O tiroteio entre mechs do free-to-play Hawken

Ainda que esteja estreando nos consoles de mesa, o game já tem 4 anos de estrada. Isso significa que os sinais de sua idade são evidentes, com gráficos um pouco limitados e ambientes relativamente pobres visualmente se comparados a outros shooters desta geração, mas ainda assim não chega a ser decepcionante. Poderia contar com mais arenas mais detalhadas e bonitas, mas o game aposta todas as fichas nas máquinas de combate em si, estrelas e verdadeiros diferenciais da experiência.

Se não é um deslumbre técnico, portanto, cumpre bem o seu papel e funciona bem naquilo que se propõe, tendo potencial para garantir muito tempo de diversão para aqueles que se dispuserem a investir seu tempo no tiroteio virtual. Mais do que um “Titanfall Light” como pode parecer em um primeiro momento, Hawken tem qualidades suficientes para criar sua própria identidade e merecer uma chance.

Hawken está disponível para Playstation 4 e XBox One há algumas semanas, além de já ser um veterano nos PCs. A versão usada para essa análise é a de PS4.

Uma resposta para “Análise Arkade: O tiroteio entre mechs do free-to-play Hawken”

  • 3 de agosto de 2016 às 14:20 -

    Glauco Lima

  • Que beleza, jogos free-to-play-sempre são uma boa kkkkkkk ue venham mais jogos assim para consoles

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