Análise Arkade – Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning é um bom jogo de 2012, sem grandes melhorias

9 de setembro de 2020
Autor: Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade - Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning é um bom jogo de 2012, sem grandes melhorias

Fale o que quiser dos remasters, mas eles acabam sendo uma ótima forma de manter vivo o legado de jogos que não viraram franquias, mas que, por suas qualidades, acabaram se tornando clássicos, de um jeito um pouco mais “cult”.

Contextualizando

Vimos um punhado de jogos seguindo por esse caminho: Dragon’s Dogma da Capcom, por exemplo. Vai ganhar até anime na Netflix, mas nunca ganhou uma sequência. Mas, está disponível em todas as plataformas atuais, em um aversão completa que faz um ótimo trabalho.

Outro bom exemplo é Vanquish, shooter frenético da Platinum Games. Eu sou fã desse jogo e gostaria muito que ele ganhasse uma sequência, mas acho que isso nunca vai acontecer. Felizmente, ele foi relançado este ano, e eu pude matar a saudade do jogo, rodando melhor, em uma plataforma atual.

Kingdoms of Amalur: Reckoning é mais um jogo que faz parte deste grupo. Este RPG de fantasia em mundo aberto foi lançado em uma época bastante ingrata (poucos meses depois do blockbuster Skyrim), e, acredite, esse foi só um dos muitos problemas que prejudicaram o lançamento do game — temos uma matéria especial contando essa história.

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Felizmente, apesar de todos estes perrengues, Kingdoms of Amalur: Reckoning conseguiu fazer sucesso, e manteve uma dedicada comunidade de fãs que até hoje debate sobre o jogo e, no PC, complementa a experiência com mods que melhoraram consideravelmente o jogo.

Este Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning chega, então, como uma saída para os gamers de console que têm interesse em revisitar o título. Não é um remaster lá dos mais inspirados, e o upgrade visual pouco significativo torna esta revisita ao mundo de Amalur um prazer mais pela qualidade do jogo em si — que já era bom lá em 2012 — do que pelas “novidades” deste relançamento.

Driblando o destino

Para quem nunca jogou — ou não lembra — aí vai um breve resumo da história do game: o mundo de Kingdoms of Amalur é fortemente influenciado pelas vontades dos deuses. Qualquer ser mortal, desde que nasce, já tem seu destino totalmente determinado, e não pode fugir disso.

Nosso(a) personagem — que começa o jogo morrendo e sendo ressuscitado pela invenção maluca de um anão — foge desta regra justamente por ter morrido, e sua condição atípica faz com que seu destino seja uma página em branco, que será moldada por suas ações — e pelas decisões do jogador, claro.

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Começando pela criação do personagem

Logo fica claro que teremos que tomar partido em uma guerra contra a Tuatha Deohn, um grupo de guerreiros sanguinários que abominam os mortais, e estão perpetrando uma verdadeira carnificina pelo mundo. Mas, como esse é um RPG de mundo aberto, antes de podermos fazer isso iremos viajar muito, conversando com NPCs, catando loot e realizando missões secundárias que irão nos ajudar a fortalecer nosso protagonista — que é 100% customizável.

Uma experiência que mantém seu charme

Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning não tenta recriar do zero a experiência do jogo original. Ou seja, o que era bom continua bom. Os problemas foram, na melhor das hipóteses, amenizados… ou apenas ignorados. Ele não esconde sua idade — já se vão 8 anos desde seu lançamento original –, mas mantém-se interessante por sua competente mistura de visual estiloso com gameplay divertido.

Uma das coisas que me chamavam a atenção era a direção de arte do jogo, assinada por ninguém que Todd McFarlane, criador do Spawn e desenhista que esbanja estilo e personalidade em seus trabalhos. E isso continua presente aqui, com direito a texturas um pouco melhores e rodando em resoluções mais altas.

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O mundo de Amalur está um pouco mais bonito

O mundo do jogo em si, concebido pelo escritor R.A. Salvatore, também é muito interessante. É um “mundo de fantasia medieval” que parece genérico em uma primeira olhada, mas que está cheio de vida, lugares para ir e NPCs para conversar. Claro que jogos The Witcher 3 elevaram (muito) o patamar dos RPGs de mundo aberto, mas para um jogo de 2012 — que era o primeiro projeto de um estúdio pequeno — Kingdoms of Amalur conseguia se sair muito bem.

Vale ressaltar também que ele é um jogo com bastante conteúdo. Claro que boa parte desse conteúdo são missões secundárias, mas né, isso é uma das “pragas” dos RPGs de mundo aberto. E considerando que este pacote traz o jogo base + duas expansões, espere por mais de 50 horas de jogatina, exploração e, claro, matança!

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Ah, e também não podemos esquecer que o jogo receberá uma expansão inédita no ano que vem, chamada Fatesworn. Ainda não sabemos o que ela irá acrescentar ao jogo em termos de história, mas sem dúvida é algo que os fãs vão querer jogar — e que só poderá ser jogado no remaster, o que sem dúvida é algo que agrega valor ao novo produto.

Pancadaria de primeira

Outro ponto que segue se destacando neste remaster é a ação e as batalhas: muito mais influenciado por jogos de ação do que por RPGs, temos aqui um jogo onde é possível deixar seu personagem do que jeito que quiser, pois há diferentes classes e armas que mudam totalmente a experiência de jogo.

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O mais legal é que, por controlarmos um personagem que não está preso ao próprio destino, podemos alterar nosso estilo de jogo a qualquer momento, sem penalidades. Redistribuindo pontos de experiência e mudando equipamentos, um mago pode virar um guerreiro em questão de segundos. Você pode até mesclar habilidades de diferentes classes em um personagem “híbrido” que corresponda às suas expectativas.

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Esta liberdade de customização torna os combates uma das melhores coisas do jogo, uma vez que podemos experimentar muitas coisas diferentes sem termos que recomeçar tudo, nem criar um novo personagem. As mecânicas de combate são muito mais pautadas pela ação, com combos, finalizações, esquivas e sistemas que, no geral, são menos burocráticos que os de um “RPG” tradicional.

Oportunidades perdidas

Relançar um jogo após alguns anos é a oportunidade perfeita para corrigir alguns erros, acrescentar novos conteúdos e melhorar a experiência como um todo. isso até acontece (em parte) por aqui, mas no geral, fica a sensação de que algumas oportunidades foram perdidas, deixando este Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning aquém do que ele poderia ser. Para começar, salvo um novo nível de dificuldade, este remaster não vai muito além do que o jogo original já entregava.

Outra coisa: um dos principais problemas do jogo original era o espaço limitado de inventário (cerca de 70 itens), que permanece aqui. Ok, sendo justo, é possível melhorar isso criando bolsas e mochilas, mas essa é uma solução paliativa. Expandir o inventário, ou acrescentar baús “mágicos” naquele estilo Resident Evil seria ótimo para a qualidade de vida de quem joga.

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Ainda neste assunto, os menus do jogo poderiam ter sido redesenhados, atualizados. Este é um jogo que nos enche de loot, então navegar entre tantos menus e estatísticas poderia ser mais dinâmico e intuitivo. Algo como vemos em Destiny, ou no recente game dos Avengers. Não é: a interface do jogo continua sendo a mesma, e ela definitivamente envelheceu mal.

Como já dito, em termos audiovisuais o jogo foi melhorado, mas de forma um tanto tímida: a resolução está maior, as texturas estão melhores, o contraste é mais evidente e o framerate está muito mais estável, mas no geral não há uma diferença gritante. Era um jogo bonito em 2012, que chega um pouquinho mais bonito em 2020, mas ainda com “cara” de 2012.

O pessoal do IGN fez um vídeo que compara o visual do título original com o do remaster. Confere aí:

Outra coisa que ficou faltando: localização em português brasileiro. Ok, esse é um jogo da geração passada, mas relançamentos são “a desculpa perfeita” para tornar um jogo mais acessível, abraçar novos públicos. Infelizmente isso não aconteceu aqui: se não quiser boiar na história do jogo, é bom que esteja com seu inglês em dia, pois vozes, menus e legendas continuam em inglês.

Conclusão

Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning é mais um remaster da THQ Nordic — empresa que, nos últimos meses, parece desesperada em relançar títulos nem tão clássicos — que sem dúvida será bem recebido pela comunidade que já era fã do título original, mas que, no geral, talvez não tenha o mesmo apelo de outrora para atrair novos players.

Análise Arkade - Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning é um bom jogo de 2012, sem grandes melhorias

É um bom jogo? Sem dúvida. Mas, de 2012 para cá, saíram grandes RPGs de mundo aberto, que são tecnicamente superiores, mais preocupados com acessibilidade, e que conseguiram entregar mundos fantásticos incríveis e cativar milhões de jogadores. Trazer um jogo de 2012 para 2020 é um esforço válido, mas também entrega como os videogames evoluíram de lá para cá.

Que fique claro que este não é um problema específico deste remaster. Mesmo jogos de maior sucesso — como GTA V e o próprio Skyrim — já sentem o peso da idade, mas ainda são relevantes. Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning vai continuar sendo relevante para sua comunidade de fãs, mas dificilmente vai fazer os olhos de novos fãs brilharem.

Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning foi lançado em 08 de setembro, com versões para PC, Playstation 4 (versão analisada) e Xbox One.

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