Análise Arkade: MLB The Show 2018 e toda a emoção do… baseball

23 de maio de 2018
Autor: Paulo Roberto Montanaro

Análise Arkade: MLB The Show 2018 e toda a emoção do... baseball

Dizem os otimistas que brasileiro adora esportes. Outros garantem que nós não gostamos de esporte, gostamos de futebol. Para o torcedor tupiniquim, torcer pouco tem a ver com o desporto em si, mas sim com uma paixão quase irracional por uma marca, um time, uma seleção.

Essa introdução é só para tentar entender porque jogos do esporte bretão são tão populares por aqui — há muita gente que tem videogame só para jogar FIFA ou PES — e os demais são quase que desconhecidos (ou, na melhor das hipóteses, ignorados) no Brasil.

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Isso não é, obviamente, uma exclusividade brazuca. Talvez, só talvez, os jogos de basquete tenham alguma relevância. Mas em termos comparativos, irrelevante. Contudo, ainda assim, todos os anos vemos grandes lançamentos da NHL, da NFL e MLB chegando.

Obviamente, fica claro que o mercado americano é grande o suficiente para sustentar esses lançamentos anuais. A questão é: será que esses games são mesmo só pra eles? É possível chamar os amigos pra jogar um MLBzinho no final de semana pra relaxar? Bem… vejamos.

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Bê-a-bá do Baseball

Vou ser sincero: por muito tempo, tudo o que eu sabia sobre baseball era uma soma de filmes tematizados no esporte que passavam na Sessão da Tarde e o famoso Wii Sports. O meu ápice era aquele episódio d’Os Simpsons onde a Lisa vai treinar o time da escola sem saber nada sobre o tema. Nada mais simbólico.

Mas vamos ao ponto: MLB The Show 2018 é o mais novo game ambientado no universo do baseball e, mais especificamente, na maior liga americana do esporte. E, para todos os efeitos, mostra que seus objetivos são sempre voltados à experiência dos estádios em formatos de diamante que muitos de nós só vimos na TV.

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Para quem não conhece o sistema básico do esporte, vai aqui o que aprendi (e ainda tenho muito o que estudar para entender melhor): o jogo é um sistema de conquista de território. Os atacantes devem tomar as bases — que são 4 ao todo, em um formato de losango — enquanto os defensores devem trabalhar para evitar isso.

Para tanto, os times se revezam nessas duas posições: ataque e defesa. Os atacantes precisam rebater a bola arremessada e, antes que os defensores consigam recuperar o controle da bola, podem tomar essas bases. Quanto mais delas forem conquistadas, mais pontos se ganha. Depois, os times trocam de papéis e cada rodada dessas é chamada de inning. Ganha o jogo quem fizer mais pontos ao final dos 9 innings tradicionais.

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Claro que é tudo mais complexo do que isso. Há tipos diferentes de pontuação, e cada qual tem sua importância, há formas diferentes de se ganhar pontos, e de quantos pontos se ganha dependendo da jogada e tudo mais. Ficar se perguntando o porquê de um movimento valer 3 pontos e outro 1 é natural até se habituar com o sistema.

Como um todo, o game valoriza suas estrelas e a cultura do baseball nos EUA, algo muito similar ao que os jogos baseados na NBA fazem. Assim, há dois pré-requisitos para se aproveitar o jogo ao máximo: gostar — ou ao menos se interessar — pelo esporte e acompanhar a liga americana, a MLB, de perto.

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Isso não significa que quem não tiver uma ou ambas as características não possa curtir uma boa partida de The Show. Afinal, baseball é só uma versão sofisticada daquele jogo de taco/bets que jogamos na rua quando criança, usando um pedaço de madeira para rebater e uma bola de meia para tentar derrubar a garrafa pet/lata de óleo do adversário, certo?

Talvez a maior dificuldade para não iniciados sejam exatamente essa sofisticações. O jogo não se preocupa em ensinar as regras do esporte em si. Portanto, não espere aprender, de forma didática ao menos, o que é um home run, quantos strikes eliminam o rebatedor ou porquê o cara tem que escorregar para a base antes da bola chegar.

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Ao contrário, todo o tutorial (bastante extenso e detalhado) se volta ao sistema do jogo e à jogabilidade em si. Ou seja, as primeiras 5 ou 10 horas de jogo serão povoados de janelas explicativas sobre como rebater ou arremessar, como gerenciar sua equipe ou como administrar a sua carreira. Em outras palavras, você saberá como lançar uma bola, mas não espere aprender no jogo o porquê disso.

Ainda que isso também seja verdade em jogos de futebol — ninguém fica explicando regras de impedimento nos tutoriais, por exemplo –, acaba sendo uma opção que não é tão convidativa a outros públicos que não o norte-americano (ou de alguns países latino-americanos e asiáticos que compraram a ideia).

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Partindo para o jogo

Uma vez ambientado no universo do baseball, o game é um deleite. Todos os principais times das ligas americanas — inclusive ligas menores — estão lá, com suas estrelas, seus estádios e até seus narradores originais. O jogo é primoroso em recriar o espetáculo que só os americanos sabem fazer com esportes.

Os modos de jogo corroboram com essa experiência, ainda que não são sejam tão diferentes do que é visto em outras franquias. Há os modos de carreira solo de um jogador “da base” até o estrelato, aqui chamado de Road to the Show. Vale o destaque para os bastidores.

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É possível criar o seu jogador e lhe atribuir personalidade por meio dos diálogos e das relações construídas ao longo da jornada. Algumas opções de customização não são assim tão manuais, mas é possível treinar e se aprimorar nas melhores características do seu personagem, ou mesmo se dedicar às deficiências.

O modo Franchise é basicamente o mesmo modo Carreira ou Master League dos games de futebol. Aqui, a gestão não é individual e sim de todo um time (ou franquia, como tratado nos Estados Unidos). Os jogos são importantes e centrais, mas há um destaque enorme para o que está por trás.

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Contratos, patrocínios, relações institucionais… é de fato uma gestão muito mais empresarial do que clubística. E aí o conhecimento do universo do baseball é ainda mais importante para se alcançar o sucesso. Afinal, ainda que se possa, por exemplo, olhar os atributos gerais para contratar alguém, isso é só uma das variáveis para saber administrar bem o time, equilibrar o grupo e conseguir as vitórias. Básico, mas bem complicado para iniciantes.

Por fim, o modo Diamond Dynasty, quase obrigatório nos dias de hoje, onde o jogador deverá passar o maior tempo no jogo, criando seu time ideal, jogando online, testando suas habilidades, colecionando estrelas e buscando os maiores desafios. E, claro, é aqui que as microtransações estão mais presentes.

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Há modos menores, desde o clássico amistoso, passando por treinos e desafios específicos, modo retrô, e outros meios de aproveitar o game por completo, mas são funções de suporte ao recheio do bolo. Como tem sido comum em jogos de esporte, investir numa carreira sólida garante agenciamento e longevidade ao título.

Como um todo, MLB The Show 2018 é um cardápio completo de modos e possibilidades, garantindo muitas opções para diferentes perfis de jogadores — daqueles que gostam de experienciar o jogo por completo àqueles que preferem só rebater; daqueles que só querem jogar os 9 innings ao que gosta da gestão de esporte. Há espaço para todos.

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Experiência completa e complexa

Quem se aprofunda nas regras do jogo sabem o quanto ele tem especificidades. Do tipo de arremesso ao formato da pontuação; da direção da rebatida ao posicionamento da defesa, tudo é muito estudado e, não por acaso, é um dos jogos que mais tempo fica “parado” entre uma jogada e outra.

Nesse sentido, The Show é muito competente. Força e precisão de arremessos são só os elementos mais evidentes de controle. O jogador pode — e precisa — cuidar de vários aspectos ao mesmo tempo e tudo está muito bem mapeado nos controles. A precisão de comandos e a gama de possibilidades é incrível aqui.

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Portanto, é uma das interfaces mais completas já vistas. Estatísticas, opções, ambientação… tudo está acessível quase que em tempo real, facilitado pelo sistema naturalmente de turnos do esporte. São soluções ora óbvias, ora inovadoras para dar conta desse clima do baseball.

A única ressalva aqui fica por conta do tempo do jogo, muito mais pelas suas especificidades do que pelas escolhas de design do game. Afinal, o baseball é um esporte demorado e que pode parecer arrastado aos leigos. Assistir a um jogo pela TV é algo só para quem realmente está afim desse entorno, porque do contrário, é bem parado.

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Isso se transfere para os principais modos de jogo. Uma partida dura, em média, 45 minutos (estatística dada pelo próprio game). Os atalhos para esse tempo diminuir até existem, como, por exemplo, a possibilidade de diminuir o número de innings nas partidas casuais. Mas isso não existe nos modos mais sérios.

Há possibilidades de “meio termo”, como jogar somente a partir do ponto de vista de um jogador (algo que pode durar em torno de 10 minutos) ou só simulando a partida e gerindo o time como o treinador. Mas são opções que obviamente, não entregam a experiência completa.

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Portanto, dependendo do jogador, é possível que em algum momento o jogo se torne um tanto quanto repetitivo, já que se reduzirmos bem a proposta, há duas formas principais de se jogar: arremessando e rebatendo, com um ou outro momento de correria e tudo mais.

Assim, aquela liberdade vista em outros jogos de esporte coletivo, como basquete, hóquei e futebol, onde cada partida é realmente diferente uma da outra pelas possibilidades de movimentação em campo, de jogadas e de variações de estilo, pouco funciona aqui. Óbvio que a culpa não é do game em si, mas das especificidades do esporte.

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Bonito como na TV

Os avanços tecnológicos na recriação de personalidades do mundo real são uma constante, sobretudo no mundo dos esportes, onde cada jogador está na mídia todos os dias, tornando seus rostos bem conhecidos dos fãs. Quando a intenção é valorizar esses personagens como marcas, isso é ainda mais evidente.

Nesse sentido, MLB The Show 2018 entrega um jogo visualmente polido, com feições muito satisfatórias, algo que pode ser percebido em detalhes no modo de criação de jogadores. Somam-se a isso as animações muito naturais, bem como o estilo de cada jogador presente ao se jogar uma bola ou se segurar o taco.

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O ambiente também ganha atenção especial, com um público intenso e participativo. É bem bacana ver quando a bola é arremessada para a arquibancada e como a galera reage a isso. Os efeitos de luz e sombra estão espetaculares e a variação climática também ganha destaque especial.

Já a trilha musical também é envolvente, contando com ótimas músicas que permeiam bem uma cultura urbana norte-americana, passeando do rock ao hip hop com naturalidade. Efeitos sonoros bem específicos, como o som de uma rebatida “em cheio” ou “de raspão”, também ajudam na imersão e na sensação de pertencimento.

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A narração, para quem se preocupa com ela, poderia ser um pouco mais variada, mas não chega a ser um ponto negativo. São comentários coerentes e bem pertinentes, que conseguem dialogar com o que realmente acontece. Claro que há bordões e expressões genéricas, mas elas acompanham a dinâmica do jogo.

De modo geral, a criação audiovisual é muito competente e se preocupa bastante com o realismo mais sério impresso também nos outros aspectos do jogo. Ainda que não seja exatamente algo diferente do que é visto em tantas outras franquias esportivas, não decepciona e entrega o que o Playstation 4 pode oferecer de melhor nesse quesito.

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Conclusão

MLB The Show 2018 é, sem dúvidas, um ótimo jogo de baseball, o que não necessariamente precisa ser um elogio definitivo. Afinal, isso é positivo para os fãs do esporte, ou ao menos os entusiastas de algo diferente do tradicional futebol. Mas nem tanto para os não-iniciados, já que o jogo tem vantagens e deméritos do próprio esporte.

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As escolhas dos desenvolvedores em focar no ensino do jogo e não do esporte e na valorização da liga americana e suas estrelas, somado a uma ausência de localização para outros idiomas que não o inglês dão mostras que o game é dedicado a atender as expectativas de seu público específico, quase de nicho.

Contudo, é um jogo muito bem acabado, que consegue traduzir para o mundo dos games uma experiência sólida e polida da pirotecnia que os americanos fazem com seus esportes nacionais.

O The Show no título não é só marketing: é a forma como eles encaram seus tesouros nacionais e os valorizam como espetáculos de fato. E, para quem é fã de baseball, MLB The Show 2018 sem dúvida entrega um espetáculo.

MLB The Show 2018 foi desenvolvido pela Sony San Diego e é exclusivo de Playstation 4.

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