Análise Arkade: Pong Quest transforma o clássico Pong em um RPG de aventura

2 de maio de 2020
Autor: Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade: Pong Quest transforma o clássico Pong em um RPG de aventura

Como alguém que joga e acompanha o mundo dos games desde os tempos do Atari, eu sempre fico feliz de ver franquias clássicas se reinventando ou retornando depois de muito tempo. Como é o caso do recente Streets of Rage 4, por exemplo. Dá um calorzinho gostoso no coração ver que os jogos que marcaram a nossa infância ainda estão aí, sendo apresentados para novas gerações.

Justamente por isso, fiquei muito animado quando a Atari anunciou Pong Quest, uma releitura do que é, segundo estudiosos, o primeiro jogo de videogames da história: Pong. Todo gamer que se preza já jogou Pong uma vez na vida, e ver este “dinossauro” ressurgindo como um pseudo RPG de fantasia me causou um misto de emoções.

Introdução

Pois bem, o jogo já está disponível para PCs, e eu tive a oportunidade de jogá-lo. Infelizmente, porém, o que é uma ideia bastante interessante no papel não se tornou um game particularmente bom, ainda que agregue algumas ideias muito boas para um jogo tão antigo.

Em Pong Quest, somos os escolhidos por um rei um tanto folgado para reunir 4 joias mágicas que supostamente irão salvar o reino de uma mal que foi selado no castelo. Cada uma destas gemas está em uma dungeon temática, e nossa missão é desbravar estas dungeons para recuperar as joias.

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Seguindo os passos do rei

A historinha é simples e bobinha, mas ganha pontos pelo carisma dos personagens. Pois é, conseguiram conceder carisma para “raquetes” de Pong, que, na prática, são basicamente retângulos — o que não deixa de ser um feito até que surpreendente.

Trocando as bolas

Pong é um jogo extremamente simples, que simula (de maneira bastante rudimentar) um jogo de tênis visto de cima, no qual os “jogadores” só se movem para cima e para baixo. Como adaptar esta mecânica tão básica para um RPG aventuresco sem que a identidade do Pong “raiz” seja afetada? Trocando as bolas, claro!

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As bolas de cada jogador ficam agrupadas nos cantos da tela

Explicando: em Pong Quest, suas armas são suas bolas (sem malícia, por favor). Há dezenas de bolas com propriedades diferentes, que você pode equipar e usar durante uma partida. As batalhas aqui são, na verdade, partidas de Pong, onde vence quem esvaziar a barra de vida do oponente primeiro!

Cada rebatida na bola console um pouquinho de HP. Porém, você pode equipar uma bola venenosa, que irá causar dano recorrente ao adversário. Ou uma bola curva, para enganá-lo (não rebater a bola causa muito mais dano). E se você estiver precisando recuperar sua vida, use uma bola poção, que recupera uma quantia considerável de HP na sua próxima rebatida.

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Ainda que dê um pouco de trabalho se acostumar com essa manutenção do inventário para trocar de bola durante a partida — fazer isso enquanto joga Pong é mais desafiador do que parece –, esse “troca troca” (novamente, sem malícia) é fundamental para a o sucesso.

E, tenha em mente que os inimigos também terão bolas especiais em seus inventários, e isso pode transformar até o mais ordinário dos monstros em uma ameaça real, uma vez que, se você não acumular bolas de cura e o inimigo tiver muito HP, você vai suar a camisa para vencer. Para piorar, há vários tipos de inimigos que têm “bolas vampiras”, que roubam uma generosa fatia do seu HP e entregam para o oponente.

As bolas que você vai ter podem vir a) da exploração ou b) de ícones aleatórios que popam durante os combates, e você coleta se sua rebatida passa sobre eles. Sendo honesto, há um bocado de estratégia nos combates, mas também há o fator sorte envolvido, pois se você não der a sorte de arrumar um bom número de bolas de cura, pode se dar mal.

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São dezenas de bolas diferentes

Essa mecânica das bolas com propriedades únicas é a grande sacada do jogo, e funciona super bem, sem descaracterizar a experiência de se jogar Pong. Um gol de placa dos idealizadores, que além de tudo foram criativos ao criar um número absurdo de bolas com poderes diferentes.

Também é legal o fato de que muitas dessas bolas são coerentes com certos típicos de inimigos: os mímicos, por exemplo, têm um tipo de bola que copia a sua bola equipada, enquanto inimigos que parecem feitos de tijolos podem criar uma barreira, no melhor estilo Breakout, outro clássico da Atari. Aliás, Breakout e Centipede são alguns dos jogos referenciados (e homenageados) em Pong Quest.

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O clássico Centipede marca presença em uma fase bônus

Ainda que as batalhas sejam a parte mais criativa do game, a pouca variedade de inimigos de cada dungeon acaba tornando-as repetitivas. E algumas lutas são mais longas do que deveriam — se o inimigo também tiver bolas que curam, prepare-se. O fato é que simplesmente tentar evitar combates para agilizar a exploração acaba sendo um mal necessário.

Explorando as Dungeons

Por falar em exploração, agora vamos tratar das dungeons… que não são tão interessantes ou criativas quanto os combates, e se apoiam em um sistema de níveis gerados aleatoriamente.

Eu não sou fã de mapas gerados proceduralmente. Sei que aumenta a vida útil de um jogo, e tal, mas no geral me parece game design preguiçoso. E é isso que temos aqui: cada dungeon tem 4 níveis, mas eles não vão necessariamente do mais fácil para o mais difícil, uma vez que cada andar é gerado aleatoriamente, podendo ter mais (ou menos) salas para explorar e inimigos para enfrentar, bem como alguns puzzles e mini-games espalhados randomicamente.

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Um exemplo de puzzle

Nesse ponto, Pong Quest é quase um roguelite: se você morrer em um combate, volta para o castelo, e deve recomeçar do último andar que alcançou em uma dungeon. Se perder a batalha contra o chefão da dungeon, no quarto nível, terá que refazer todo aquele andar — ou melhor, uma nova versão daquele andar, gerada aleatoriamente.

O problema é que o layout das dungeons é sem graça, e não há muita coisa realmente interessante que justifique a exploração, só um baú aqui, outro ali, algumas bolas diferentes (que você nunca tem espaço de inventário suficiente para carregar) e uma penca de inimigos repetidos.

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Conforme eu jogava (e me entediava), percebi que o nome do jogo configura seus dois momentos: o lado “Pong” é até que bem criativo. Já o lado “Quest” é pouco inspirado e maçante.

Audiovisual & Nostalgia

Embora carregue o nome de uma das franquias mais emblemáticas do mundo dos games, Pong Quest é um jogo super simples, produzido por um estúdio pequeno, mas esforçado. O visual é um 2D cartunesco super básico, ainda que colorido. No geral, é um jogo bonitinho, mas sem nada que realmente se destaque.

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O que mais chama a atenção é o sistema de customização, que nos permite personalizar nossa “raquete” com dezenas de roupas, penteados e acessórios. Quem diria que um retângulo branco poderia ter tantas “caras” diferentes. Aliás, o visual do rei e dos monstros comprova que houve um bom trabalho criativo para compor um universo variado com personagens que são, essencialmente, retângulos.

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Há toneladas de roupas e acessórios

Por falar nisso, vale ressaltar que Pong Quest traz “de brinde” modos de jogo multiplayer onde você pode tanto aproveitar a mecânica de “trocar as bolas” que é o grande diferencial do jogo para disputas locais entre até 4 players, quanto revisitar o bom e velho (e simples) Pong como ele era em seus primórdios, preto e branco, com duas “raquetes” batendo uma bolinha pra lá e pra cá. O multiplayer não deixa de ser uma adesão interessante e nostálgica para o pacote.

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O multiplayer pode ser moderno…
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Ou totalmente old school!

O jogo não possui vozes, e as músicas se esforçam para criar um tom de “aventura épica”, mas no geral não são lá muito marcantes. Os diálogos do jogo trazem algumas boas piadas e referências, mas como não há legendas em nosso idioma, você vai que ter que se virar no inglês.

Conclusão

Pong Quest ainda me causa sensações conflitantes. Por um lado, eu gosto do quanto ele se esforça para ser criativo, e acho que a mecânica da troca de bolas foi uma baita ideia. Por outro lado, essa baita ideia está inserida em um jogo repetitivo e formulaico, que não demora para ficar entendiante.

Análise Arkade: Pong Quest transforma o clássico Pong em um RPG de aventura

Há bons momentos aqui — as fases bônus que homenageiam outros títulos de Atari, as batalhas contra chefes que possuem bolas especiais exclusivas –, mas de resto, o que deveria ser uma aventura divertida se torna um exercício de paciência que só não é pior porque o jogo em si não é muito longo.

De qualquer modo, fico feliz de ver que ainda há espaço para Pong no mundo dos games, e que, com criatividade, mesmo um jogo tão simples pode se reinventar. Só faltou as boas ideias que foram apresentadas aqui estarem inseridas em um jogo melhor.

Pong Quest está disponível para PCs via Steam. Nos próximos meses, ele deve ser lançado para consoles.

Uma resposta para “Análise Arkade: Pong Quest transforma o clássico Pong em um RPG de aventura”

  • 3 de maio de 2020 às 19:21 -

    Helinux

  • Da simplicidade pode sair muita coisa boa…é tudo questão de vontade e adaptação!!!! valeu!!!!

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