Análise Arkade: SNK Heroines Tag Team Frenzy traz gameplay raso e muito fan service

7 de setembro de 2018
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: SNK Heroines Tag Team Frenzy traz gameplay raso e muito fan service

Quando a SNK anuncia um novo jogo de luta, a gente sempre fica com a expectativa bem alta, afinal estamos falando da empresa que nos entregou pérolas como Fatal Fury, The King of Fighters e Samurai Shodown. Se você está no hype por SNK Heroines Tag Team Frenzy, confira nossa análise em primeira mão e saiba o que esperar do game!

A história é uma piada

Para quem não está sabendo, SNK Heroines Tag Team Frenzy prometia ser um jogo totalmente girl power, e reunir a mulherada da casa — SNK –para uma leva de pancadaria em duplas. Ok, tem o Terry Bogard ali no meio, mas ele virou uma loirona, então tá meio dentro da proposta.

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Ok, mas tem uma história para justificar esse torneio feminino? Até tem, mas o Modo História é uma piada — e de mau gosto: o que rola é que Kukri (um dos novos personagens apresentados em The King of Fighters XIV) criou uma “dimensão de bolso”, e levou as garotas para lá para transformá-las em estátuas de areia para sua coleção.

O motivo? Cara, é tão bizarro que eu prefiro te mostrar o que o vilão tem a dizer sobre isso. Confere aí:

Pois é. “Explosão de Fetichismo“. Essa é a justificativa que nós temos para a pancadaria aqui. Vergonha alheia define.

O gameplay é… estranho

Bom, se a história é zoada, pelo menos o gameplay compensa, né? Mais ou menos: SNK Heroines Tag Team Frenzy tenta trazer uma experiência no estilo de The King of Fighters mais acessível… mas ele simplifica um pouco demais as coisas.

O gameplay aqui é bem parecido com o do recente Blade Strangers: temos dois botões de ataque, um de agarrão, um de defesa e um de “habilidade” — que ao ser usado junto com o direcional, realiza as magias e golpes especiais que outrora eram realizados com comandos do tipo “meia lua pra trás” ou “meia lua pra frente”.

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Para ganhar uma luta, não basta zerar a barra de vida do time inimigo (sim, a barra de vida é compartilhada): você precisa encher o seu medidor de especial, e aplicar o golpe — que aqui é feito com apenas um botão, nada de sequências complicadas — quando o inimigo já estiver sem energia. Quando a barra de vida se esvazia, praticamente qualquer ataque tonteia o inimigo, facilitando a aplicação do golpe.

Confira alguns minutos de gameplay da dupla Mai Shiranui e Terry Bogard no vídeo abaixo:

Reparou como os combos são meio repetitivos? Pois é, o gameplay poda qualquer possibilidade de inovação, simplesmente porque há poucos botões de ataque e, consequentemente, poucas opções de golpes. Não há muito o que combinar, e o resultado é um gameplay raso, que não evolui.

Eu não sei se essa simplificação dos comandos é uma tendência, mas espero realmente que a moda não pegue. Os Easy Combos de alguns jogos já simplificavam as coisas, mas o que temos aqui é algo que realmente joga contra, deixando o gameplay pobre, sem espaço para inventividade.

Análise Arkade: SNK Heroines Tag Team Frenzy traz gameplay raso e muito fan service

Acho até ok uma nova IP como Blade Strangers fazer isso — afinal, é um novo jogo, de uma empresa sem tradição em jogos de luta — mas estamos falando da SNK, empresa lendária no gênero, responsável por The King of Fighters. Mecanicamente, SNK Heroines Tag Team Frenzy não se parece em nada com TKoF, ainda que a maioria dos golpes especiais continuem presentes — mas agora basta apertar um botão para fazê-los.

A Explosão de Fetichismo

O que nos leva ao próximo ponto: SNK Heroines Tag Team Frenzy é um prato cheio pelo fan service, pelo fetichismo em si. A SNK é cheia de personagens bonitas, estilosas e voluptuosas, e aqui os jogadores têm a opção de vê-las em trajes pra lá de reveladores.

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Pegue a Mai Shiranui, por exemplo. Difícil alguém alegar que a moça andava “muito vestida” antigamente, mas agora chegamos a um novo patamar: o traje inicial dela é um biquini de vaquinha, com direito a chifres, cauda e sininho no pescoço.

Confira abaixo um pouco da explosão de fetichismo customização de trajes e acessórios da própria Mai no vídeo abaixo:

Cada personagem possui 3 trajes diferentes, e vários deles parecem saídos diretamente de um sex shop, tipo estudante, policial, coelhinha, cheerleader e por aí vai. Além destas fantasias, existem dezenas de outros tipos de acessórios — óculos, laços, máscaras, asas, lentes de contato, etc. — para quem quer complementar o look.

Aí entra uma situação curiosa: o gameplay é acessível até demais, e o jogo ainda tem uma ênfase nesse lance de vestir as meninas, comprar acessórios, e tal. Isso me faz acreditar que seu foco é no público casual… porém, o nome SNK por si só atrai fãs de suas franquias, e eles — que cresceram jogando TKoF — provavelmente não ficarão satisfeitos com o gameplay, nem irão se deixar seduzir por esse fan service.

Audiovisual

Aqui não há do que reclamar. O jogo aproveita o estilo tridimensional adotado em The King of Fighters XIV, e traz personagens bem modeladas e boas animações. Aqui também há um “fator kawaii” envolvido — tipo animações de golpes bizarras com patinhos de borracha e comidas orientais, mas não é nada de mais.

Análise Arkade: SNK Heroines Tag Team Frenzy traz gameplay raso e muito fan service

A trilha sonora cumpre seu papel, e as dublagens — totalmente em japonês — são muito boas, trazendo um bem-vindo senso de unidade em relação aos demais games da produtora. Os loadings são bem rápidos, e a pancadaria flui suave a 60fps. Ah, e vale ressaltar que os menus e legendas estão em português brasileiro.

Conclusão

SNK Heroines Tag Team Frenzy é um jogo estranho. Simplista até demais em termos de gameplay, ele parece mais preocupado em ser uma fonte de fan service e uma “explosão de fetichismo” do que um bom fighting game.

Análise Arkade: SNK Heroines Tag Team Frenzy traz gameplay raso e muito fan service

O que temos aqui é um jogo extremamente raso mecanicamente, com uma história boba e cujo único apelo parece ser a customização das lutadoras. Não sei você, mas eu não busco um jogo de luta para ficar trocando roupinhas de personagens, então não há muito o que recomendar aqui. Fique com seu bom e velho TKoF que você ganha mais.

SNK Heroines Tag Team Frenzy está sendo lançado hoje (7 de setembro), com versões para Playstation 4 e Nintendo Switch. Este review foi feito com base na versão PS4 do game, em uma cópia que recebemos antecipadamente da assessoria da SNK/NIS America.

3 Respostas para “Análise Arkade: SNK Heroines Tag Team Frenzy traz gameplay raso e muito fan service”

  • 9 de setembro de 2018 às 13:54 -

    Dkmax

  • O jogo nunca se propos ser um girl power (não sei da onde tiraram essa ideia) muito pelo contrário desde o começo ficou claro qual era proposta do game e tem fanservice eu adoro fanservice então já gostei, o problema rela desse jogo está na jogabilidade que é simples de tudo.

    Adoro jogos de luta, mas as vezes desligar o cérebro e só curtir algo sem noção é bacana, bom eu não tenho problema em trocar roupinha, esse a segunda análise que leio que ao invés de me desanimar me deixou ainda mais animado como o jogo, para jogos de luta tenho KOF14, Blazblue Cross tag, Guilty Gear, Injustice 2, Skullgirls, Ultra Street Fighter 4, Tekken 7 e tantos outros.

    • 9 de setembro de 2018 às 20:31 -

      Rodrigo Pscheidt

    • Eu não quis dizer “girl power” no sentido de feminista, nem empoderado, usei o termo simplesmente pq ele se apoia nas personagens femininas da SNK.

      E, eu evidenciei o fan service na análise pq achei ele um tanto gratuito. Eu espero esse tipo de coisa em jogos tipo Senran Kagura, ou mesmo Dead or Alive. Aqui achei que ele só subverte o foco do jogo.

      Mas o que mais me desanimou, realmente foi o gameplay. As mecânicas são simples demais, rasas demais, não dá para ir além do básico.

      Se nada disso tira sua empolgação, vai fundo, este texto reflete apenas a minha opinião sobre o jogo, e não é verdade absoluta. ;)

      • 12 de setembro de 2018 às 11:38 -

        dkmax

      • Rodrigo de fato essa análise representa sua opinião, e não é dela que que discordei por inteira e sim que alguns aspectos que você citou como o fanservice gratuito já era algo apresentado e confirmado pela produtora desde o inicio me pareceu até que você não tinha visto nada sobre o game antes e esperava uma especie de The King of Fighters, o game poderia sim ter sido um game luta mais robusto, mas fato é que desde o inicio ele foi apresentado exatamente como um game onde as características foram os elementos que você não gostou.

        Por isso apesar de eu entender a decepção de muitos eu não tive problema pois ficou claro para mim desde o inicio a proposta da produtora, agora algo que você citou na analise que sim ficou pior do que eu esperava foi a jogabilidade rasa que acaba sendo uma grande falha e não faz valer o jogo no valor cheio, na máximo em uma oferta.

        Mas no geral sua análise está muito boa e apresenta bem o que game é, para quem não sabe nada, sai com o suficiente para decidir a compra ou não.

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