Análise Arkade: Sobreviva pelas sombras no apavorante Syndrome

27 de outubro de 2016
Autor: Joao Bonorino

Análise Arkade: Sobreviva pelas sombras no apavorante Syndrome

Esteja preparado para muita tensão, corredores escuros, monstros horripilantes, clima aterrorizante e algumas fórmulas que já deram certo em outros games no sinistro Syndrome, da Bigmoon Entertainment.

Confira nossa arrepiante análise deste game, e prepare-se para alguns pulos na sua cadeira espacial!

Veja o trailer de Syndrome (monstrinho simpático, não?):

Contextualizando

Survival Horror em primeira pessoa fazem sucesso desde sempre. A possibilidade de estar na pele (ou nos olhos) do protagonista e sentir todo o conflito em um ponto de vista bem próximo é um diferencial que atraiu os jogadores desde os primeiros games lançados neste gênero.

Entretanto, apesar de os primeiros games que misturaram terror com tiro em primeira pessoa focarem mais na destruição e aniquilação dos inimigos (geralmente criaturas horrendas, como em Doom), um estilo um pouco mais sutil (e bem mais assustador, na minha opinião) e focado na sobrevivência, na furtividade, com menos combate vem ganhando mais e mais espaço e admiradores.

Análise Arkade: Sobreviva pelas sombras no apavorante Syndrome

Amnesia: The Dark Descent apresenta tal conceito com maestria, assim como o recente Alien: Isolation, e esse estilo de gameplay mais tenso, com um clima crescente, (como em P.T. também) chama muita atenção. A dificuldade em sobreviver contra seres muito fortes e assustadores sendo apenas um frágil humano também colabora para uma atmosfera de medo e tensão. E Syndrome possui muitos aspectos deste estilo, apesar de também contar com um difícil combate, o foco no game é escapar ileso das criaturas que habitam a nave espacial.

Perdido no espaço (mas não sozinho)

O game começa de uma forma um pouco clichê de filme/game espacial: Você é Trent Galen, que acorda com amnésia de um estado de criogenia e encontra sua nave aparentemente vazia e totalmente destruída (e boa parte da sua jornada será de reparar os diferentes setores do veículo).

Não demora muito e Galen descobre que não somente sua tripulação foi assassinada como os sobreviventes (se é que dá para chamar assim) transformaram-se em um tipo de zumbis espaciais a la Xenomorphs de Dead Space. E isso nunca é um bom sinal, não é mesmo?

Análise Arkade: Sobreviva pelas sombras no apavorante Syndrome

Entre descobrir o que realmente aconteceu com a tripulação da nave e sobreviver aos quase indestrutíveis monstros que estão vagando pelos corredores escuros, claustrofóbicos e sangrentos, você acaba recebendo o contato de dois sobreviventes do desastre: A esperançosa Neomi e o misterioso James Marko.

Mas aí que a situação começa a complicar, pois enquanto Neomi pede sua ajuda alegando estar abrigada com sobreviventes, James diz que Neomi está na companhia de vários psicopatas que matarão todos que aparecerem. E quem está falando a verdade? Como essa infecção surgiu? Como escapar? Todas essas questões são respondidas durante o game, que finaliza com reviravoltas surpreendentes!

Análise Arkade: Sobreviva pelas sombras no apavorante Syndrome

Medo do escuro (com boas razões)

Syndrome é um game apavorante, com certeza.

A nave que você deverá explorar — e muito — é gigantesca e seus habitantes não são nada amigáveis. Os inimigos correm em sua direção e são muito difíceis de derrotar, exigindo muitos golpes da chave que você usa para lutar corpo-a-corpo, e não menos esforço quando utilizamos armas de fogo, cujas balas não causam tanto dano e são extremamente escassas pelo cenário.

As barras de estamina (para correr das criaturas) e de energia são muito curtas e não exigem muito esforço e dano para serem consumidas, tornando letais certos encontros com monstros mais poderosos, fazendo aumentar cada vez mais a tensão e preocupação do jogador em agir furtivamente e sobreviver.

Análise Arkade: Sobreviva pelas sombras no apavorante Syndrome

O game é muito escuro e conta com corredores estreitos e passagens claustrofóbicas, com uma pegada um pouco parecida com Alien: Isolation, onde você deve espremer-se no cenário para não ser visto. Além de prestar muita atenção para não ser descoberto pelas criaturas, você ainda deve tomar cuidado com cabos soltos e gases vazando, principalmente porque os kits médicos são tão escassos quanto os sobreviventes da nave.

Algo muito interessante no gameplay de Syndrome são aspectos da IA dos inimigos: O som tem um peso gigante, pois portas abrindo chamam a atenção dos monstros, assim como sons que Galen acaba fazendo como tossir ao passar por dutos de gás vazando. Em contrapartida, os monstros dificilmente fazem barulho, a não ser quando urram ao atacar, sendo um pouco injusto (e gerando até uma certa paranóia) em relação à importância que os sons tem para a IA dos adversários.

Audiovisual

Syndrome é um jogo com gráficos extremamente bem-feitos, mas que pecam com alguns slowdowns durante o gameplay, mesmo com máquinas um pouco mais robustas para rodar o game. Os efeitos de luz e sombra são muito competentes, com destaque para o fogo mostrado no game, com um realismo bem interessante. Apesar de ter um design bem genérico, a nave em si é um lugar realmente perturbador e claustrofóbico, mostrando realmente o reflexo que toda a infecção acabou criando no ambiente, com corpos espalhados, sangue, destruição de máquinas, etc.

Análise Arkade: Sobreviva pelas sombras no apavorante Syndrome

Momento ‘olha o bicho vindo’

Os inimigos iniciais são um pouco genéricos também, mas conforme encontramos criaturas mais fortes, o design delas vai ficando cada vez mais bizarro, lembrando a mistura de humanos e máquinas encontrada em System Shock 2 (que também inspirou legal a história), mas muito mais realistas e grandões. Uma questão interessante é o movimento meio robótico dos inimigos, como uma ‘boneca quebrada‘ de filme de terror, algo que parece ser uma falha, mas que deixou o design ainda mais perturbador.

Os sons são um aspecto a melhorar, são simples e de pouca variedade, além de possuir uma dublagem um tanto fraca e sem emoção quanto ao protagonista, o que atrapalha um pouco na ambientação perturbadora do game.

Análise Arkade: Sobreviva pelas sombras no apavorante Syndrome

Cortando o clima

Apesar de ter uma atmosfera muito tensa e assustadora, com jumpscares competentes (e que me deixaram com raiva do pc), a progressão de missões do game é muito repetitiva, quebrando um pouco toda a tensão que o game poderia continuar proporcionando. O fluxo de pegar um item, levar para outro lado da nave, abrir uma porta, correr para outro andar, pegar outro item, hackear um painel, voltar para outro andar e pegar um item, é percorrido inúmeras vezes, deixando um pouco a desejar na criatividade e nas situações que o jogador poderia experienciar durante o gameplay.

Como a nave é imensa, possuindo 8 diferentes níveis para explorar, muitas vezes você pensa mais em sair correndo para outro andar do que agir furtivamente, mas como o personagem é muito frágil, o game acaba ‘forçando’ uma atitude stealth para sobreviver.

Análise Arkade: Sobreviva pelas sombras no apavorante Syndrome

A história também é realmente confusa, contando com flashbacks um tanto quanto deslocados, muitos logs da tripulação que não esclarecem tão bem assim o que ocorreu com todo o processo e até mesmo uma narrativa esquisita que acaba entregando algumas surpresas antes da hora.

Controles

Para derrotar todas as criaturas estranhas e assassinas de Syndrome, o jogador conta com alguns controles um pouco engessados e não tão favoráveis para os momentos mais perigosos. Utilizando o clássico WASD e mouse dos games em primeira pessoa, Syndrome acaba pecando um pouco pela velocidade e precisão dos movimentos, pois ao caminhar e lutar contra os inimigos Galen parece muitas vezes também um robô com movimentos muito limitados.

Correr e esgueirar-se são tarefas feitas com maior facilidade, respondendo aos comandos com precisão (e como o foco do game é escapar dos combates, tudo bem). Por outro lado, não existe um comando de ‘cover’, onde você poderá proteger-se pelos corredores ou atrás de objetos. No final das contas, proteger-se em lugares mais amplos na nave acaba sendo uma tarefa incômoda de ficar escondido e agachado entre objetos do cenário e rezar para não ser visto.

Análise Arkade: Sobreviva pelas sombras no apavorante Syndrome

Conclusão

Syndrome é um game de survival horror que cumpre o que promete: Ser uma experiência claustrofóbica, assustadora e tensa, sobrevivendo dentro de uma nave espacial enquanto seres bizarros querem seu pescoço. Entretanto, por conta de mecânicas de combate e controles não planejadas com tanto cuidado, assim como uma história um tanto genérica e que se alimenta demais de algumas fontes de inspiração, o game não teve todo seu potencial explorado, tornando-se “apenas” uma experiência assustadora de percorrer corredores e corredores de uma nave gigantesca atrás de objetivos simples. Poderia ser algo mais grandioso, mas não é, apesar de ser bem divertido.

Para quem gosta de alguns sustos e muita tensão mas sem tanta preocupação com combates e história mais desenvolvidos, Syndrome está disponível (com português de Portugal entre os idiomas)  na Steam para PCs, contando também com versões de PS4 e Xbox One.

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